Na pandemia, UME prega empatia e
solidariedade.“Deus faz tudo certo”
Instituição apoia 13 casas na região, 7 na cidade
A UME tem trazido à cidade grandes palestrantes.
O resultado é sempre semelhante: uma casa repleta.
Alicerçada
no tripé religião, ciência e filosofia, a Doutrina Espírita foi codificada por
Allan Kardec na segunda metade do século 19. Em menos de 200 anos são muitos os
avanços e os adeptos pelo mundo. Trata-se da doutrina da ‘fé racionada’, do
conforto, do consolo. Provavelmente por esta missão é que tenha rápida expansão
pela região de São Borja. Daí que, em 1992, surgiu a UME (União Municipal
Espírita). Com participação da entidade já são sete casas na cidade. E ainda com assessoria da entidade outras seis estão
em funcionamento em localidades próximas.
No
início pandemia de Covid-19, a União Municipal Espirita inaugurou, há mais de
dois anos, um programa virtual que se mantém até agora. Em todos os domingos, palestras
e reflexões têm transmissão pelo youtube e o facebok. As pessoas de modo geral,
de diferentes cidades de todo o país, têm acompanhado e participado dos
trabalhos via internet.
As
palestras públicas e atendimentos foram suspensos no início da crise sanitária.
Depois, com a flexibilização de
protocolos, foram feitas adaptações, sendo parcialmente retomado o acesso. A direção da UME diz que foi fácil a
adaptação. O mais difícil é que muitas pessoas ainda não têm suficiente habilidade no manuseio das redes sociais. “Para estes irmãos oferecemos outros
meios, como ligação telefônica ou visita domiciliar, quando possível”, explica
o presidente André Marchioro.
Além
de apoio espiritual, a maioria das casas espíritas também oferece ajuda
material. “Através do conhecimento da doutrina, percebe-se que todos nós seres
humanos possuímos carências, uns na área emocional, outros de recursos
materiais, e as nossas casas procuram oferecer apoio em sentido amplo, por meio
de ações voluntárias”, diz a vice-presidente da UME, Ângela Mari Siqueira. Com
a tribulações da pandemia, aumentou a procura por auxílios de toda ordem,
inclusive das bibliotecas em busca de
ajuda para a alma.
Para
a Doutrina Espirita, “estamos vivendo em
uma época de Transição Planetária. É um momento, sim, muito triste e tenso,
onde muitos seres humanos choram a perda de seus entes queridos, mas
compreendemos e acreditamos que estamos sob o comando Divino, e nosso pai,
Deus, faz tudo certo. Não temos que questionar; apenas nos desenvolver empatia
e atenuar a dor do próximo.”
O
pedido é de compaixão. ‘Nestes momentos
de grandes calamidades, a solidariedade se faz indispensável. As pessoas têm de
se unir. Quando se aprende por amor não se aprende pela dor”, observa André
Marchioro.
A expansão
A vice-presidente da instituição, Ângela MariSiqueira. "Eventos virtuais levam doutrina."
A
União Municipal Espírita de São Borja foi criada em 1992, com o auxílio da Federação
Estadual do Rio Grande do Sul, à qual é filiada.
Os seus dirigentes ressaltam que a entidade expandiu-se rapidamente, graças à divulgação e ao trabalho
desenvolvido. Em 2006, São Borja recebeu
significativa doação do empresário Celso Rigo e, com esse apoio, vários avanços
materiais e de difusão da doutrina foram implementados.
Em
São Borja é notória a capilarização na comunidade.
São sete as casas espíritas em funcionamento:
Associação
Espirita Jose Ferreira de Moraes (a mais antiga, com mais de 90 anos) e Centro
Espírita Francisco de Assis, na área central da cidade; Instituto de Cultura
Espírita Caminho da Luz (bairro Rodoviária); Centro Espirita Bezerra de Menezes
(bairro Paraboi); Centro Espirita Amor e Luz (bairro José Alvarez); Centro
Espirita Irmão Rosalino (bairro do Passo); e Centro Espirita Allan Kardec (bairro
Pirahy).
Ainda integram o mesmo conjunto de ações com
apoio da UME o Centro Espirita Allan Kardec de Santo Antônio das Missões e também
as instituições de Itacurubi, Maçambará e Garruchos, bem como da localidade de São
Jose.
A
contribuição material de Celso Rigo foi destinada à construção das casas na região. Em São Borja,
na cidade, a maioria das instalações foram implantadas ou melhoradas. Integrantes da UME oferecem assessoria as
essas casas comunidades na região, promovendo cursos e palestras.
Antes
da pandemia, os centros maiores
(Ferreira de Morais, Caminho da luz e Francisco de Assis) recebiam, em média,
200 pessoas por semana, para atendimento
e participação em palestras. Agora o numero de frequentadores está em torno de
60% do normal. Uma das preocupações é seguir as normas dos decretos municiais e
estaduais.
Voluntariado
A UME, para prestar atendimento
material e espiritual, fez adaptações. Atendimentos são oferecidos por telefone,
internet e por meio de aplicativos. “Sendo
criativo, são muitas as maneiras de fazer chegar a mensagem Kardequiana,
segundo ressalta Mari Siqueira.
Quando possível, são trabalhados os cinco livros da codificação: Livros do Espíritos, Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e a Gênese. Como obras complementares, as principais são as de Chico Xavier.
Os
trabalhos voluntários não cessam, em várias áreas de atuação. Entre as ações,
estão assistência aos necessitados, evangelização de crianças, jovens e adultos, assim
como trabalhos mediúnicos. Ainda
acontecem atendimentos fraternos,
através de visitas domiciliares pelos caravaneiros do Evangelho. Palestras e
passes também fazem parte da rotina das casas.
Desafio
da evolução
Média de 200 frequentadores nos três centros
maiores, mas em eventos maiores casa lotada.
Nestes últimos 60 anos, mundo deu um salto gigantesco em evolução. As inteligências humanas criaram muito, a tecnologia se desenvolveu também. Entretanto, os corações continuaram orgulhosos e egoístas. Então se fez necessário um choque de realidade em que pobres e ricos estão do mesmo modo sendo
afetados
pela Covid. “Esperamos, sinceramente, que todas as lições divinas estejam sendo
aprendidas, para que logo estejamos curados deste vírus e melhores como serem
humanos e serem espirituais,” pondera André Marchioro.
A
caridade material é apenas uma das que têm de ser praticadas. A UME orienta
pela distribuição de alimentos e de
agasalhos aos mais necessitados.
Como exemplo, na Sociedade Ferreira de Morais,
aos sábados, são distribuídas 70 marmitas que atendem a 150 pessoas. Grupos
espíritas também levam apoio e conforto ao Hospital Ivan Goulart, ao Asilo São
Vicente de Paula e ao Presídio Estadual, entre outras instituições.
Já
a Comunidade Terapêutica Chico Xavier, que atua há 11 anos em São Borja, com
administração direta, atualmente, de Pedro Bouchet, funciona como um braço
social da Sociedade Ferreira de Morais. Já a Comunidade Terapêutica Feminina
esteve três anos de portas abertas, mas foi forçada a cessar atividades por
falta de recursos financeiros de manutenção.