sexta-feira, 27 de maio de 2022

CENA BRASILEIRA

  

Propalada Terceira é Via

mais para cumprir carnê

 



É muito provável que a maioria sequer leia  este texto até o fim, ao se dar conta que ele tem a ver com cenário político nacional. Tal atitude é simbólica do desencanto geral pelo tema e pelo engajamento efetivo na ação político-partidária no país.  Não participar ou se desinteressar também é uma das formas, mas uma das piores. Em mais de 30 anos no atual período de redemocratização,  após o fim da ditadura, o momento atual é um dos menos encorajadores. A quatro meses das eleições gerais de 2022, a apatia e a indiferença esgaçam o tecido social de modo geral.

 E estamos falando de um pleito que vai escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. São, então, agentes públicos da maior relevância e que, eleitos, terão a difícil tarefa de trabalhar pelo equacionamento de umas das mais graves crises sociais e econômicas do Brasil na sua história recente.

Pelo visto, mais uma vez a disputa à presidência repetirá a rotina de polarização que tem permeado as últimas décadas. E não que haja algo errado nisso; assim o é nas modernas e sólidas democracias. A diferença, no nosso caso, é que não será um cotejo entre dois programas de governo, entre duas prospecções de Brasil. Tampouco será a  disputa de dois partidos e apoiadores  ou mesmo de  ideologias antagônicas bem delineadas. O embate será, sim, basicamente, entre duas figuras que se opõem: Lula e Bolsonaro. A cultura de um  ódio excludente, que tem sido nutrida, não se revela salutar e nem saneadora para o atual momento da cruzada nacional.

Já há algum tempo defende-se que, no vão desses polos em choque, entre o que chama de direita e de esquerda, há espaço para uma Terceira Via. Em perspectiva às próximas eleições, há meses várias siglas e parcerias discutem e ensaiam um nome de consenso e que possa ser alternativa viável e com chance de romper a redoma da polarização. Não tem surgido esse nome,  nem o consenso, nem viabilidade. Algum dia, afinal, isso vai acontecer?




A história política do período pós-redemocratização tem mostrado que os partidos que se colocam no miolo do bolo do banquete têm sido pragmáticos. Têm normalmente optado por gravitar entre as bordas, quase sempre juntando-se, depois, a quem ficar com a fatia do poder. A atual cultura da política brasileira colocada em prática pressupõe um permanente regime de trocas. Por um lado garante votos e apoios do Legislativo; de outro lado vêm as generosas retribuições do Executivo.

Neste contexto, arquitetar Terceira Via é como entrar na partida para cumprir carnê. O pragmatismo daqueles que acompanham a movimentação pendular dos polos mostra que é muito mais produtivo concentrar esforços e recursos para eleger parlamentares. Afinal, quanto maior for a bancada de deputados e senadores, maior será a capacidade de apoio a quem estiver no governo. Além disso, quanto maior for a representação legislativa, maior também será o substancioso fundo partidário – cobiça confessa de qualquer sigla partidária.   

E, nessa conjuntura, o que pensa e diz o eleitor brasileiro? Ele que paga a conta e que terá tarefa de escolher seus representantes. A propósito: no atual formato e exercício de democracia representativa, ele se vê de fato representado?  Por que cada vez mais abstenções,  votos nulos ou em branco? Sobre processo democrático, o estadista e 1º ministro britânico Winston Churchill, também Nobel de Literatura, cunhou uma célebre frase: “Democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais.” Portanto, apesar de todas as suas deformações, privilégios e anacronismos, isso é o que temos para hoje. E, apresar de tudo, entre os envolvidos no processo político sempre haverá alguém de fato empenhado  em atender parcial ou integralmente as nossas expectativas. Precisamos saber identifica-los e juntar-se a eles. Isso demanda  bom senso e sabedoria. É o jeito. Não há outro jeito!

quarta-feira, 25 de maio de 2022

MUNDO DA APOSYA

 

Volta ao debate a possível  legalização

dos cassinos e do jogo do bicho no país


Defensores dos casssinos apostam em 
legalização ainda neste ano no Brasil.

Em outros tempos, o Brasil já teve, como uma prática legal, os chamados jogos de azar. Eis que agora, já há algum tempo, o tema volta à pauta das discussões. O que é consenso é que se trata de um tema polêmico. No mais, a ideia divide posições, reunindo de um lado ardorosos defensores e, de outro, críticos ferrenhos, diante dos malefícios que a prática acarretaria.

Apesar das  controvérsias, no Congresso Nacional a matéria tem avançado. Recentemente, foi aprovada na Câmara Federal a proposta autorizando cassinos, bingos e o jogo do bicho, por exemplo. O desafio, agora, é a aprovação do projeto no Senado Federal. Os mais otimistas acham que isso possa ocorrer antes do final deste ano.

Dificilmente,  a matéria seria votada antes das eleições de outubro, mesmo que existam parlamentares querendo isso. Outros setores, porém, veem uma janela de oportunidade logo depois do pleito, aproveitando a votação favorável dos dos atuais parlamentares. Está longe, contudo, de haver unanimidade.

Áreas como a Bancada Evangélica são historicamente contra. As razões alegadas vão desde a criação de ambientes de corrupção,  lavagem de dinheiro e  prostituição. Recentemente, ainda, foi criada no Senado uma Frente Parlamentar contra os jogos de azar.

Já os defensores da proposta entendem que a criação de cassinos em resorts e outros ambientes locais de jogos poderia criar pelo menos 200 mil empregos diretos. A projeção, ainda, é de geração de receita anual na ordem de R$ 44 bilhões. Isso seria um alento para enfrentar a crise econômica pós-pandemia de covid. Já posições em contrário defendem que, no lugar disso, a prioridade tem de ser votar uma Reforma Tributária por exemplo.

 

Experiência brasileira

 


Os cassinos chegaram ao Brasil na época do Império. Entretanto, funcionaram de forma clandestina, inicialmente. Isso ocorreu até 1917, já no período da República.

Em 1934, Getúlio Vargas, que havia assumido o poder quatro anos antes,  liberou o funcionamento dos cassinos. Essa  modalidade de jogo virou uma espécie de febre  no país. Resultou em muitos empregos aos brasileiros e atraiu turistas estrangeiros.

Os cassinos eram predominantemente frequentados por pessoas da alta sociedade. Elas  aliavam as apostas a momentos de lazer e apreciações musicais. A  década de 1940, conhecida como a dos anos dourados, teve na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, uma das suas referências.

A cidade tinha como  destaque o Palace Casino e o Palace Hotel. Os locais eram frequentados pela alta sociedade brasileira. Eram visitantes figuras ilustres como Rui Barbosa, Carmem Miranda, Santos Dumont e Olavo Bilac. Do mundo político são exemplos Benedito Valadares, Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas.

O presidente Vargas era frequentador assíduo do Palace Casino e tinha uma suíte especial no Palace Hotel, com a mesma decoração dos quartos do Palace do Catete, no Rio de Janeiro, capital do país na época.

Em 30 de abril de 1946, o presidente Eurico Gaspar Dutra determinou, através da Lei 9.215, o fechamento dos cassinos no Brasil. Ele alegou que a  repressão aos jogos de azar é um imperativo da consciência universal e que a legislação penal de todos os povos cultos contém preceitos tendentes a este fim. Outro argumento  foi que a tradição jurídica, moral e religiosa do povo brasileiro é contrária à prática e à exploração de jogos de azar.

 


Desde a Antiguidade 



Getúlio instituiu cassinos e era um 
dos grandes frequentadores no país.

Há registros de jogos similares ao de cassinos  ainda do período da Pré-História.  Experiências desse tipo são registradas no Azerbaijão e no Egito. No século 6 antes de Cristo o Circo Romano, em Roma, realizava eventos sociais desse tipo. 

Foi na Itália que se teve registro do primeiro cassino da História, o chamado Ca ‘Vendramin Calergi, construído em 1509 no Grande Canal em Veneza.  Em 1744, a cidade já contava com 120 estabelecimentos. 

Depois os cassinos se espalharam pela Europa, ganhando notoriedade na Itália e na França. No século 17, a ideia foi se espalhando a mais países do, como na Ásia e na América do Norte.

 

Logo ali

 

Atravessa a fronteira é uma das opções
para ir a cassino em Santo Tomé, na AR,


Também o vizinho país da Argentina tem a tradição dos cassinos. Daí que para os são-borjenses é bastante familiar apostar a sorte no Casino del Litoral. À medida que a pandemia da covid vai sendo superada, é cada vez mais comum atravessar a fronteira para ir a Santo Tomé.

O cassino na cidade -irmã atrai também visitantes de lugares mais distantes. A chance de jogar e o câmbio favorável atrai ainda turistas mais distantes. A compra de vinhos é outra motivação para pagar pedágio e cruzar da Ponte da Integração.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

NOSSA HISTÓRIA

 No aniversário de 188 anos, um

recorte da história de São Borja

 

 

Pesquisador Fernando Rodrigues retrata a 
São Borja de vila chegando à cidade.

São Borja normalmente celebra com mais ênfase a sua data de formação histórica e do padroeiro, em 10 de outubro, completando 340 anos em 2022. O 21 de maio, porém, é também representativo, pois assinala a data de emancipação político-administrativa, ao status  de Vila. Assim, este sábado, 21, é data de aniversário. São 188 anos de emancipação.   Desmembrada de Rio Pardo, São Borja conquistou sua autonomia em 21 de maio de 1834, quando foi instituída e entrou em funcionamento a sua Câmara de Vereadores.  João José da Fontoura Palmeiro foi o seu primeiro presidente. Uma rua na área central, corta a cidade no sentido leste-oeste, materializando na memória popular  referência ao dirigente legislativo.

A Vila de São Borja foi elevada à categoria de Cidade pela lei provincial 1.614, em 12 de dezembro de 1887. Com isso, obteve a alteração toponímica distrital de São Francisco de Borja para São Borja.

 

São Borja no período

  

Jornal em São Borja que
teria ganhados reprovação.


Pesquisador da história local e um apaixonado pelo legado missioneiro, o professor-mestre Fernando Rodrigues socorre com informações relevantes sobre um período importante da trajetória são-borjense. Ele informa que   em  1888 a Vila de São Borja tinha pouco mais de  20 estabelecimentos comerciais, além de  dois hotéis, 35 oficinas e dois bilhares. Era ainda sede de Comarca, dispondo de dois advogados e dois auxiliares na área.

Na mesma época a Igreja Matriz católica ainda estava em construção. A igreja jesuítica já tinha sido demolida. Havia um quartel em construção no atual bairro do Passo, assim como uma cadeia. Além disso, dois cemitérios e uma escola municipal se encontravam em implantação. .

No mesmo período o movimento no porto de São Borja registrou, no ano, 293 entradas de embarcações e igual número de partidas. Do total, foram quatro vapores com capacidade para 292 toneladas e até 48 tripulantes.

 

Produção pujante

 

 ... do príncipe consorte brasileiro 
Conde D'Eu, durante visita histórica..

 

O clima era em geral ameno, apesar de mudanças súbitas de temperatura, O major doutor  Carlos Eugenio de Andrade Guimarães registrou nos anos de 1884 e 1885 uma média de 26,6ºC de temperatura. O frio mais intenso foi de 8ºC e o dia mais quente alcançou  31ºC.

Os terrenos devolutos estavam passando por processo de colonização. Em vista do seu desenvolvimento, a Vila solicitava a desobstrução da cachoeira do rio Butuy e de seus baixios. Eles interceptavam a navegação que fazia a ligação entre São Borja e Itaqui. O solo era rico e fértil, produzindo com abundância.

 

Vida político-social

 


A sociedade contava com uma loja maçônica, duas sociedades  -Dramáticas a Recreio e a União do Passo. Funcionava também  uma biblioteca, que havia sido criada por iniciativa privada. Ainda existia o Clube Republicano, fundado em 1881 e que foi determinante, para que, em 07 de setembro de 1884, a Vila de São Borja libertasse os seus escravos.

Em 16 de agosto de 1884 circulou o primeiro jornal impresso em São Borja - o Echo de Missões. Posteriormente foi substituído pelo periódico Município.

 

Na troca de mãos

 

O território de São Borja pertenceu a Espanha, como Redução Jesuítica e  um dos Sete Povos das Missões orientais. No entanto, Borges do Canto e Cabo Pedroso (ambos atuais nomes de ruas) se apoderaram do território em 1801, o entregando ao governo de Portugal. São Borja pertenceu desde então, ao Município de Rio Pardo, até que por decreto de 21 de maio de 1834 foi elevada à categoria de Vila.

A cidade de São Borja foi o lugar escolhido para o julgamento da Guerra Guaranítica, que foi a rebelião dos índios e jesuítas contra a entrega das Missões Orientais, pelo Tratado de Madri  entre Espanha e Portugal, em 1750. O julgamento dos índios  foi em 1756, onde é hoje a Praça XV de Novembro. O tribunal foi formado por membros das Coroas espanhola e portuguesa. Na guerra, os guaranis foram massacrados.



Luís Filipe Maria Fernando
Gastão de Orléans, Conde D’Eu,

De São Borja partiu o movimento pioneiro que acabaria com a Monarquia, criando a República no Brasil. Daqui surgiu  a Moção Plebiscitária, de 13 de janeiro de 1888, que se opunha ao terceiro reinado no país. O vereador Apparício Mariense da Silva – que denomina uma das ruas centrais, escola e outras instituições, além de ser patrono do Legislativo – liderou o movimento.

Fernando Rodrigues fundamentou sua pesquisa com base em textos até 1922.  Constata que, 37   anos antes de São Borja se tornar Cidade,

já era chamada de "Velha São Borja". Ele observa que isso leva a concluir  que em 1885, após visita do Conde D'Eu, “ele prometeu a elevação da Vila em Cidade, em troca do fechamento do jornal Echo das Missões." Isto por que o jornal era contra o terceiro reinado e teria escrito em letras  minúsculas a publicação do seu nome. O fato é que dois anos após, em 1887, a Vila foi elevada à condição de Cidade.

Conde d’Eu (1842-1922) foi príncipe consorte no Brasil ao casar-se com a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II e herdeira do trono brasileiro. Foi marechal do Exército e comandou as forças brasileiras na Guerra do Paraguai. Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, mais conhecido como Conde D’Eu, era filho de pais franceses, mas veio para o Brasil para casar-se com a princesa Isabel.

 



quarta-feira, 18 de maio de 2022

CULTURA & CIDADANIA

 


Uma exposição para inclusão.

E para ser visto na Unipampa

 

Nesta sexta-feira (20/5), às 14h, será oficialmente aberta em São Borja, no campus da Universidade Federal do Pampa, a exposição ‘O silêncio que grita’. A iniciativa, coordenada pela  Fundação Meu Amor Brasil, de Brasília, tem percorrido o país, conclamando a nação para ações empreendedoras, sustentáveis e transformadoras. Um dos públicos-alvo são estudantes universitários, mas a comunidade de modo geral é convidada ao engajamento, à visitação e à interação.

A exposição é inspirada no vetor  desenvolvimentista do ex-presidente  Juscelino Kubitschek, que foi responsável pela construção de Brasília no coração da Região Centro-Oeste e ficou conhecido por implementar sua política “50 anos em cinco.”  Ele governou  de 31 de janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961.




 Em São Borja, na Unipampa, a exposição poderá ser visitada  até 29 de julho. O endereço, na cidade, é o Campus II da Unipampa, na Rua Mons. Patrício Petit Jean, 3.601, Prédio Acadêmico, sala 530. As visitas serão de segunda à sexta-feira, das 9h às 11h30min e das 14 às 20h.

A finalidade estratégica do projeto é a inclusão, o despertar de potencialidades e a efetiva inserção no processo coletivo produtivo e nas demandas sociais. Na abertura do evento será haverá a apresentação  musical denominada Ingredientes da Superação. Será feita pela cantora e compositora Gláucia Nasser.




No âmbito  da UniUnipampa, a exposição já foi vista em outras duas cidades na região. Nos campi de Bagé de Sant’Ana do Livramento. A assessoria de Comunicação da Universidade ressalta que, em ambos os casos, foi muito a presença e a avaliação do público.  

Em São Borja, estudantes são capacitados para atuarem como monitores. Eles terão a tarefa de ajudar a Fundação Meu Amor Brasil a recepcionar e orientar o público frequentador da mostra.




terça-feira, 17 de maio de 2022

SUSTENTABILIDADE


São Borja mobiliza comunidade para

aumentar a reciclagem de resíduos

 

Eugênio Dutra: meta ampliar reciclagem
e alcance social gerado através da iniciativa.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente coordena campanha de mobilização na comunidade, a partir desta semana, visando ampliar a coleta seletiva e a reciclagem de resíduos. Além da secretaria, são envolvidos outros setores na Prefeitura e a empresa Eco Verde, responsável pelo recolhimento do lixo urbano. “Com a renovação de contrato com a empresa, agora é possível intensificar as ações e aumentar o volume de recicláveis”, destaca o prefeito Eduardo Bonotto.

 O  secretário de Meio Ambiente, Eugênio Dutra, informa que a meta é, inicialmente, retornar aos níveis de coleta seletiva de até 21 toneladas de materiais por mês.” Depois, o plano é a ampliação do volume de forma gradual. Nos serviços de reciclagem, montados no antigo Giama, bairro do Passo, atualmente  20 famílias são diretamente envolvidas, ligadas a uma cooperativa, mas a intenção é aumentar o alcance social dessa ação.

Entre os materiais que entram na coleta seletiva e que podem ser reciclados estão jornal, papel, papelão, latas de refrigerantes e cervejas e garrafas pet de modo geral. Ainda integram a lista metais, ferro, alumínio, sacolas plásticas e caixas de leite. Já materiais como absorventes, fraldas, papel higiênico, isopor guardanapos, fitas adesivas e cascas de frutas não recicláveis.

A Eco Verde acertou com a Prefeitura que na região central da cidade é diária a coleta de lixo reciclável, a partir das 14 horas. Já na região Sul, abrangendo os bairros Paraboi e Betim, o recolhimento do lixo seco é nas terças-feiras a partir das 8 horas. Já o restante da região Sul tem o recolhimento aos sábados a partir das 8horas.

Enquanto isso, na região Norte, no bairro do Passo, os materiais recicláveis têm recolhimento a partir das 8 horas todas as segundas-feiras. Nas demais regiões do setor Norte, o recolhimento de recicláveis é nas sextas-feiras, a partir das 8 horas.

A campanha em andamento ainda reforça orientações e conscientização em relação à utilização dos contêineres no centro da cidade, destinados ao descarte de resíduos. Por enquanto, são 60 contêineres, 30 para lixo orgânico e 30 para lixo seco (reciclável). Mesmo que as lixeiras permaneçam instaladas na região, a recomendação é que o lixo, tanto orgânico como reciclável, seja depositado no contêiner. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Urbanos também participa da campanha de mobilização e de conscientização comunitária.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

ENTREVISTA: Muriel Pinto

  

A Educação está transformando

fronteira São Borja-Santo Tomé

 


Muriel Pinto: São Borja e as Miss~pes
como permanente foco das atenções::

O professor Muriel Pinto, 40 anos, doutor de Geografia e professor na Universidade Federal do Pampa, é natural de São Borja. Realizou fora, porém, a sua formação acadêmica. Contudo, escolheu a cidade para permanecer e compartilhar o seu saber.  É licenciado em Geografia pela URI (Universidade Regional Integrada das Missões e do Alto Uruguai), campus Santo Ângelo. Tem Mestrado em Desenvolvimento pela UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul). Já pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), obteve seu Doutorado em Geografia.

Com esta autoridade acadêmica e sua paixão pelas Missões, o professor Muriel  destaca que São Borja, como antiga Redução,  tem vasto potencial histórico, turístico e  cultural para ser trabalhado como produto econômico no cenário nacional e latino-americano. Mas, além desse rico passado, chama a atenção para os avanços transformadores recentes, trazidos pelas Universidades públicas. “Hoje as municipalidades de São Borja e de Santo Tomé  (AR) têm, juntas, 10 mil universitários, o que é 10% dos seus 100 mil habitantes.” Muriel Pinto diz que programa federal, a partir de 2008, de apoio a São Borja e à Metade Sul gaúcha, já quadriplicou o PIB municipal.

O professor já atuou  como docente pela  Rede Cipel e na Escola Cinecista de Lajeado, além de também ter dado aulas em cursos preparatórios. Atualmente é professor adjunto II da Unipampa/São Borja. É coordenador e professor permanente do curso de  Mestrado Profissional em Políticas Públicas (PPGPP-Unipampa).  Atua ainda como professor do curso de Bacharelado em Ciências Sociais-Ciência Política, Licenciatura em Ciências Humanas, Direito e Licenciatura em Geografia – EAD (Unipampa-UAB).

Muriel é filho de Lea Regina Pinto de Freitas e neto de Alcino de Souza Pinto e Adiles Calazans Pinto. É casado com Daniele Jungton Pinto. O casal tem dois filhos: Joaquin Jungton Pinto e Luiz Felipe Jungton.  A seguir, a entrevista concedida ao BlogAlberiCogo.

 Alberi Cogo - O Brasil completa neste ano seu bicentenário como Estado independente. O que temos a comemorar na efeméride?

Muriel Pinto - A constituição de um Estado Nacional envolve uma organização político-administrativa e reconhecimento das diversidades socioculturais de um território. Nos últimos 200 anos o país continental da República Federativa do Brasil passou a valorizar e melhor planejar todos os cantos do país, para além dos grandes centros nacionais, localizados na região Sudeste. É o caso de São Borja, que nos últimos 20 anos recebeu políticas públicas federais que primaram pelo desenvolvimento regional amparado nas questões sociais,  como  educação, habitação e inclusão social. Ou seja,  nestes últimos 200 anos o Brasil vem se tornando um país de todos os brasileiros.

 

AC -          Na sua avaliação, quais são as demandas mais urgentes a serem encaradas e equacionadas pela nação brasileira?

MP - Como demandas prioritárias a serem planejadas e executadas pelo país, destaco as políticas públicas educacionais e culturais, pois um país pujante, progressista e soberano precisa deste como uma das ações  inovadoras que nunca vai cair de moda. É a  inovação pelo mundo das ideias. Assim, necessitamos que o capital intelectual se forme e fique aqui no Brasil. Vejamos agora na pandemia. A superação só é  possível graças a cientistas, pesquisadores e Universidades,  combatendo o vírus e criando vacina. Nesta lógica, pensar na educação significa pensar o desenvolvimento nacional para além índices econômicos, mas também  de  qualidade de vida e formação de capital intelectual. Precisamos planejar e gerir o país de forma inovadora para as próximas décadas.

 

Educação como força motriz de desenvolvimento
da Metade Sul gaúcha, como política de governo.


AC - Em ano eleitoral, o senhor espera algum projeto  consistente e de prospecção do futuro nacional?

MP - Vejo que o país está em prova, para indicar se apreendeu com os mais diversos erros do passado. As  formas tradicionais e centralistas de gestão pública estão defasadas. Para  efetivar um projeto de país, qualquer que seja o partido ou linha ideológica,  necessita-se de atores qualificados para compreender os processos públicos e implementar e políticas públicas. O que vejo nos últimos anos são  atores e partidos carguistas. Para um projeto corajoso e desenvolvimentista para os brasileiros necessita-se de soberania nacional, de valorizar os atores nacionais nas diversas frentes e setores sociais e econômicos.  O país continua sendo um território com grande influência do exterior, considerando o amplo território, as grandes áreas cultiváveis, a  grande reserva mineral, a grande reserva petrolífera, o grande manancial hídrico. Além de estar localizado em território geopoliticamente de grande relevância para o sul global.

 

AC - A polarização entre esquerda e direita ajuda ou atrapalha o processo eleitoral? Isso significa vigor ou fragilidade da nossa democracia?

MP - Nos últimos anos se verificou uma pulverização de partidos políticos no país, fator que tornou difusos os processos eleitorais. Da mesma forma, isso  fortaleceu dois polos ideológicos - de um lado os progressistas e de outro, os conservadores. Vejo que, para além dos partidos, o que tem ganhado força nos pleitos eleitorais são os projetos ou agendas programáticas em âmbito local, estadual e nacional. Portanto, os processos eleitorais vêm exigindo a qualificação de seus atores políticos. É isso que coloca São Borja, por exemplo,  no centro deste processo de capacitação em âmbito nacional, pois tornou-se um polo na ciência política brasileira, com graduação em Ciências Sociais,  Ciência Política, em Políticas Públicas. São cursos que vêm qualificando servidores públicos municipais, estaduais e federais, servidores do Exército, Brigada Militar e Polícia Federal, e ao mesmo tempo os entregando ao mercado de trabalho.

 

AC -          Normalmente o que se vê é um cidadão desmotivado para a ação política efetiva. Como reverter esse desencanto?

MP - A desmotivação política em âmbito nacional, principalmente nos jovens, tem várias causas, mas uma das principais diz respeito às  relações de força e às disputas por arenas políticas na própria juventude. No que toca ao campo da ciência política, a busca é por uma sensibilização e conscientização dos atores das comunidades  nos processos de participação e deliberação.   No caso de São Borja a Unipampa tem realizado projetos no campo da Educação para a Cidadania,  mostrando a importância da participação cidadã em favor da boa governança.

 AC - O atual embate entre Estados Unidos e China, mesmo que mais cingido ao campo econômico, vai desembocar em nova Guerra Fria?

MP - Não vejo que as disputas entre China e EUA venham  gerar  algum conflito, pois no campo das relações internacionais existem três fatores que devem ser observados: Econômico, Militar e Político. Nas relações globais estes três fatores estão articulados com o sistema internacional em vigor, ou seja, países cooperam em algumas frentes e rivalizam em outras. Portanto, nas relações EUA-Cchina os dois países podem ter desacordos políticos, mas a balança comercial bilateral possui  uma alta interdependência.

 AC - Da guerra entre Rússia e Ucrânia, que perspectiva o senhor projeta para a correlação de forças na geopolítica mundial?

MP - O conflito entre Rússia e Ucrânia vem alterando e rompendo com o atual sistema geopolítico contemporâneo, visto que as relações de força e de poder por muitas vezes estão subjetivos na mídia. Aainda mais com a cibernética a todo o vapor, que vem demostrando um poder sem precedentes para guerras hibridas, invasão de sistemas públicos e influências em processos eleitorais mundo afora. No tocante à guerra em voga, em vários aspectos nos remete à Idade Média. Cenas de horror de todos os lados e que demonstram que  oss homens no planeta ainda não estão prontos para a convivência fraterna.  A pandemia da Covid-19, os conflitos no Oriente Médio, crises econômicas, políticas, e ambientais só reforçam esta lógica perversa.

 


Em menos de 20 anos, PIB de São Borja já
quadriplicou; 20% da população na Universidade.

AC - Como acadêmico e pesquisador, o senhor tem estudado a história de São Borja. A que eventos e personagens precisamos dedicar mais atenção, inclusive como matéria-prima pedagógica?

MP - Nos últimos 20 anos vem me debruçado, refletindo e procurando cooperar tecnicamente com os estudos sobre o patrimônio cultural missioneiro, as identidades regionais e sobre os processos de integração nos espaços de fronteira. Em relação aos processos que merecem mais atenção para  ensinar e aprender no âmbito local e regional, destaca-se a obrigatoriedade do cumprimento do decreto 8.636 (sobre as cidades  vinculadas Brasil e Argentina) e a lei 10.639 (da obrigatoriedade  do ensino da História da África, negra e indígena). Estas duas jurisprudências respetivamente trazem a importância de ensinar as relações fronteiriças socioculturais entre  São Borja e  Santo Tomé. Também a lei 10.639 trata da importância de pensar os vínculos e identidades das comunidades tradicionais de São Borja como os descendente dos povos originários da região. Somos  ex- guaranis, guenoas, minuanos, etc. Esta herança está presente até hoje nos modos de vida e nos cotidianos locais.

 

AC - Ouve-se com frequência que São Borja tem um rico e diversificado potencial turístico a ser trabalhado, mas os são-borjenses na sua maioria ainda não se apropriaram desse patrimônio. Como construir esse pertencimento?

MP - No ano de 2006 tive a oportunidade de participar como aluno de Graduação de Licenciatura em Geografia pela URI/ Santo Ângelo de um projeto de cooperação internacional intitulado “Elementos do Turístico-Patrimonial da região missioneira”. Neste estudo comecei a me encantar e indagar sobre o rico potencial que possui São Borja. No   estudo foi apontado que São Luiz Gonzaga, São Borja e Santo Ângelo têm os maiores maiores potenciais turísticos da região missioneira. Realizamos uma série cursos de especialização, de formação, disciplinas em Mestrados e Graduação. Houve ainda chancela do sítio arqueológico de São Francisco de Borja junto ao IPHAN. O que se observa é que o processo de reconhecimento e valorização da história e patrimônio cultural regional é algo a longo prazo.  São Borja, nos últimos anos dá mostras que a ação precisa partir da base da comunidade, pois os políticos eleitos passarão com suas ideias e prioridades, entretanto a cultura  coletiva, popular, permanece.  Portanto, se São Borja almeja pensar para frente, necessita com urgência inverter a pauta na valorização dos seus muitos potenciais históricos. Isso garante omvestimento, sustentação e sustentabilidade.

 

 

AC - A Universidade Federal do Pampa e a o Instituto Federal Farroupilha vieram para ajudar a superar o déficit de desenvolvimento na região. Estão conseguindo cumprir essa tarefa?

MP - A mesorregião sudoeste rio-grandense é a região oficial de São Borja, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e estatística). Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), desde 2007 está criada a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que visa combater as assimetrias regionais no território brasileiro. Tal política tornou-se uma Política do Estado Brasileiro, pois ainda vem sendo adotada  pelo MDR.  Dentro do PNDR, desde 2007 foram apontadas áreas estagnadas que vêm tendo variações e anomalias no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Estes  territórios passaram a ser prioritários pelo Governo Federal para a implementação de políticas públicas. A região da Metade Sul do RS, incluindo São Borja, foi definida  como prioritária, sendo uma mesorregião diferenciada para receber uma atenção especial por parte do Estado brasileiro. Desde 2007 estão criadas políticas educacionais federais nos espaços de fronteira do país, como é o caso  da Unipampa e IFFar, que vêm contribuindo para a democratização e a interiorização do ensino técnico, superior e de pós-graduação públicos.  Outra contribuição é com mão-de-obra qualificada para diversas áreas essenciais à sociedade e à gestão pública. São exemplos áreas como Assistência Social em que a maioria dos assistentes sociais atuantes na região são egressos da Unipampa;  Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Mestrado em Comunicação e Indústria Criativa. Além de novos profissionais em Comunicação, há formação de professores nas redes pública e privada, casos de Ciências Humanas, Matemática, Física e Direito. Turismo é outro exemplo, assim como a área de Ciência Política e Mestrado em Políticas Públicas. Além disso, as instituições universitárias vêm  agregando valor ao PIB local, que desde 2008 pulou de 400 milhões ano para 1,6 bilhão de reais ao ano. O avanço, portanto, é de quatro vezes mais.

 

AC - São Borja sabe conviver como comunidade?

MP - Sou um pouco suspeito em falar sobre as vivências na comunidade local, pois sou natural daqui e gosto muito deste município. Isso é o que me fez retornar para cá. Falar de viver em comunidade envolve uma série de fatores, um deles é o pertencimento e reconhecimento social e cultural ao território. Isso vejo muito por aqui, o que estava faltando eram oportunidades iguais para todos, e elas vieram nos novos horizontes e novos aprendizados colocados à disposição.  São Borja vive um momento ímpar em sua trajetória histórica, pois é um polo educacional, constituído em conjunto com a municipalidade vizinha de Santo Tomé, na Argentina. As duas cidades, conforme pesquisa do Labpoliter – Laboratório de Políticas Públicas e Territórios Fronteiriços (CNPQ/ Unipampa) totalizam em torno de 10 mil estudantes universitários. O número representa  aproximadamente 10% das populações das duas municipalidades. Juntas elas chegam a 100 mil habitantes. Assim, o senso de comunidade remete ao período missioneiro, pois a antiga Redução de São Francisco de Borja era relatada por viajantes estrangeiros como o povoado reducional que possuía os índios mais bem vestidos e politizados da região.  É certo que essas heranças políticas e hist.[oricas chegam a atualidade.

 

AC - Quais são os plano de Muriel Pinto?

MP - Meus planos são bem singelos, mas de modo geral sempre buscando por conquistas educacionais para a região e procurando contribuir para com a democratização do acesso ao ensino superior e de pós-graduação públicos na região. Também é meta ser articulador das questões culturais, da integração fronteiriça e missioneira como uma das formas de desenvolvimento são-borjense. Isso pressupõe geração de emprego e renda, assim como inclusão social e novos modelos de governança