Baque recorde na soja e no milho.
Agora o trigo,
mas com cautelas
Depois de safras frustradas de soja e de milho,
como consequência dos estragos acarretados
pela seca mais impactante das últimas
décadas, eis que São Borja e o Rio
Grande do Sul apostam suas fichas na
futura lavoura trigo. Mesmo que essa cultura de inverno não seja tão expressiva,
sinaliza, ainda assim, a chance de
compensar, ao menos em parte, os muitos prejuízos
colhido nas safra de verão. A atividade tritícola vem em expansão, mas
analistas e instituições de assistência
técnica como a Emater preferem ser cautelosos. A combinação entre alto custo de produção e
remuneração insuficiente ao produtor acaba não sendo muito animadora.
No ano de 2021, o Rio Grande do Sul cultivou 1.177.487
hectares de trigo, com rendimento médio de 2.893 quilos por hectare. Já São Borja plantou 20 mil hectares, com produtividade
média de 2.700 quilos por hectare. No ciclo anterior, em
2020, foram 953.832 hectares semeados em território gaúcho e produtividade de 2.297
quilos por hectare. A quebra foi por causa das formações de geadas. Em São Borja foram 16 mil hectares plantados e
rendimento de 1.500 quilos por hectare, também devido às adversidades
climáticas.
Otimismo contido
Para o ciclo tritícola de 2022, a projeção é de que
o Rio Grande do Sul tenha um incremento significativo da área de trigo semeada,
na ordem de um milhão e meio de hectares. Já São Borja – segundo avalia a
Emater – deve pelo menos repetir os 20 mil hectares cultivados no ano anterior.
O diretor do escritório da Emater no município,
Odacir Decol, observa, porém, que o otimismo e a projeção de incremento têm de
ser cautelosos. A cotação para o trigo está boa - em torno de R$ 93 a saca de
60 quilos -, mas a recomendação é de cuidados, porque os custos de produção têm
crescido muito. “O cenário internacional
de guerra e o encarecimento de insumos como adubos, ureias e herbicidas levam o produtor a pensar bem,
antes da fazer grandes investimentos,” avalia o técnico da Emater. Há ainda que considerar a conjuntura e
perspectiva do clima.
Itens como adubos, herbicidas e fungicidas dobraram
de preço. Com isso, é preciso produzir pelo menos 35 sacos por hectare, só para
cobrir custos. “E nem estamos falando na depreciação das máquinas e de outros
custos operacionais”, adverte Decol.
Na região de São Borja, o zoneamento para o trigo é
observado de 21 de maio a 31 de julho, considerando as diversas variedades de
ciclo precoce, médio e tardio. O representante da
Emater recomenda racionalização na atividades e uma
gestão que combine escalonamentos e
manejos da necessidade efetiva de
insumos. “Isso, além de reduzir custos, dá melhor resultados”, orienta. A
projeção é de uma produtividade média de 50 sacos ou três mil quilos por
hectare.
Soja: só um terço
No ciclo 2021/22, São Borja semeou 85 mil hectares
de soja – 10 mil hectares a mais que no ciclo anterior. O clima seco não
permitiu chegar aos 90 mil hectares inicialmente previstos.
Na safra 2020/21, a produtividade média foi de 2.100 quilos ou 35 sacos por hectares. Lavouras
produziram bem, mas a estiagem castigou determinadas regiões do município.
Já na safra 2021/22,
dos 85 mil hectares cultivados, 150% tiveram algum sistema de irrigação. De toda
a lavoura, atual 40% está colhida, 40% está em fase de maturação e 20%,
em enchimento de grão.
Em relação à área irrigada, deve produzir 2.700 quilos por hectares, média, por ter enfrentado
algum problema de déficit hídrico, a exemplo do que ocorreu com o arroz.
No contexto,
a média é de produção, hoje, de 900 quilos ou 15 sacos por hectare. Como as
lavouras do tarde serão um pouco melhores, com o retorno das chuvas, a projeção é de fechar com média final
de mil quilos por hectare, 30% do inicialmente previsto. Há lavouras com perda total, especialmente as
mais do cedo.
Milho: duplo prejuízo
A lavouras de milho do tipo safrinha é praticamente
nula, este ano, em São Borja. São registradas apenas pequenas lavouras de subsistência, pensando na
alimentação de aninais. Já em relação à cultura do cedo foram cultivados 10 mil
hectares no município – seis mil de sequeiro e quatro mil hectares com sistemas
de irrigação.
O milho de sequeiro do cedo foi atingido em cheio pela falta de chuva,
resultando em rendimento de 10 a 80
sacos por hectare, média de 40 sacos. Já
o milho irrigado produziu até 140 sacos por hectare.
No Rio Grande do Sul a
Secretaria da Agricultura e a Emater
desenvolvem o programa Pró-Milho, destinado a incrementar a produção no setor.
Como o Estado não é autossuficiente, a iniciativa é implementar políticas de
incentivo, de modo a estimular a expansão de cadeias produtivas como de
produção de aves, suínos e produção leiteira.
O objetivo é de aumentar a produção do cereal,
tornando o Rio Grande do Sul autossuficiente nessa cultura. Um dos motivos para
a criação do programa é o fato de que a produção gaúcha ainda não atende à
demanda. Além da alimentação humana, o milho é essencial para as cadeias
produtivas da proteína animal, como avicultura, suinocultura e bovinocultura de
corte e leite.
A produção tem ficado na faixa dos seis milhões de
toneladas, mas bastante dependente do clima, e a meta é implementar meios
técnicos e de irrigação que enfrentem as adversidades. O milho, hoje, tem
reflexos diretos em 10% sobre todo o PIB gaúcho. Mesmo não sendo ainda autossuficiente,
o Estado é exportador para 12 países.
A horta reage
Com o retorno das chuvas, a partir de março, a
produção de hortigranjeiros está diretamente beneficiada. Antes, a seca afetou duramente o septo. Além da crise hídrica, o forte calor
e a ausência de unidade no ar afetaram também a produção hidropônicas, que se utilizam apenas
da água.
Agra, porém, produtores e feirante já começam a dar
respostas às condições mais favoráveis do clima. Assim, é bem maior a oferta e
a variedade hortaliças como rúcula, alface e repolho, por exemplo. Mandioca, abóbora
e moranga também aparecem com mais frequência a custos mais acessíveis.
Odacir Decol ressalta que a tendência é de que, logo, também apareçam
hortigranjeiros de ciclo mais longo, como é o caso de cenoura, brócolis e couve-flor. Os níveis de
produção, produtividades e oferta de produtos ao longo do ano estão diretamente
ligados aos padrões tecnológicos e recursos operacionais de manejo utilizados. A
atividade é basicamente mantida pela agricultura ou a agroindústria familiar.
Após recesso no início do ano, foi retomada a
realização da Feira Agroindústria Familiar, no Parque de Exposições Serafim
Dornelles Vargas. É uma ação que normalmente reúne mais de uma dezena de
produtores-feirantes, no pavilhão da Acisb no parque. Trata-se de evento
promovido pela Associação Comercial e Industrial de São Borja em parceria com a
Emater, contando com apoio da Prefeitura.
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