sexta-feira, 28 de outubro de 2022

FÉ RELIGIOSA

 

Reforma Protestante: bem mais do

que apenas divisão do Cristianismo


Templo no bairro Pirahy é
referência luterana local.

(Fotos Ana Cogo)

Esta segunda-feira, 31 de outubro, assinala o aniversário de 505 anos da chamada Reforma Protestante. Contudo, o movimento liderado pelo monge agostiniano Martinho Lutero representa bem mais do que somente a divisão, na época, do Cristianismo em  Catolicismo e Protestantismo. Além de sacudir conceitos e a fé religiosa, mundo afora, o Luteranismo também marca um amplo espectro de transformações no que se convencionou chamar de Idade Moderna, a partir do final do século 15.

É necessário, então, um rápido contexto. Durante toda a Idade Média (476-1453), reis e Igreja eram duas instituições poderosas. Ambas, assim como os senhores feudais, eram donas de grandes extensões de terras e de outras riquezas e ostentações. A Igreja, assim, tinha enorme poder político e impunha a sua dominação, principalmente através do ‘medo do fogo do inferno’.  Porém,  entre os séculos 14 e 16 as coisas começaram a mudar. Tem-se o Renascimento (retorno à cultura clássica greco-romana), acontecem as Grandes Navegações europeias e o Feudalismo começa a ruir, dando lugar gradual ao Mercantilismo e, depois, ao Capitalismo e à Revolução Industrial.

Sempre poderosa, a Igreja condenava o lucro e a usura, mas mantinha-se às custas de privilégios.  Com a tentativa de centralização do poder monárquico, as relações com o clero tornaram-se tensas.  A Igreja, como grande proprietária de terras e palácios, recebia o dinheiro de tributos que eram controlados em Roma pelo Papa. Com o fortalecimento do Estado Nacional Absolutista, os monarcas passaram a condenar essa prática.  Camponeses  estavam descontentes com a Igreja, já que também tinham de pagar pesados encargos, como o dízimo. Em toda Europa, mosteiros e bispados tinham imensas propriedades e viviam às custas dos trabalhadores.

Mesmo condenando as práticas capitalistas nascentes, como a  cobrança de juros por empréstimos – por ser ‘pecado’ -,  a Igreja era movida a privilégios. Em meio a tudo, surge a burguesia mercantil e manufatureira. Apesar da reprovação à rotina do clero por suas condutas,  crescia o comércio de bens eclesiásticos.  “O clero fazia uso da sua autoridade para obter privilégios e a venda de cargos da //, uma prática chamada de simonia”,  relata a professora Juliana Bezerra.

Além disso, muitos sacerdotes tinham esposas, apesar do celibato obrigatório. Entretanto, o maior  escândalo foi a venda indiscriminada de indulgências. Seria a ‘salvação’ dos pecados, com pagamento em  dinheiro a religiosos. À época, parte dos recursos acumulados era usada para a construção da Basílica de São Pedro em Roma.

 

Lutero e a Reforma

 


 Teólogo alemão Martinho Martinho Lutero
lidera Reforma religiosa, contra as indulgências.

A Reforma Protestante começou oficialmente em 1517, mas seu líder Martinho Lutero teve precursores. Ele também começou a se insurgir desde que se formou em Teologia, em 1505, questionando e reprovando a Igreja. A sua revolta cresceu principalmente a partir de 1510, depois de empreender ida à cidade de Roma e  após se  espantar com as extravagâncias e luxos do clero e na construção da basílica.  Tem início então uma saga que ganha a adesão dos alemães e dos europeus de modo geral.

Em 1517, inconformado com a venda de indulgências, Lutero escreveu documento com 95 teses,  criticando a Igreja e o papa. Estas 95 teses teriam sido pregadas na porta de uma igreja, a fim de que os alunos de Lutero as  lessem. Alguns estudantes resolveram imprimir trechos do conteúdo, o repassando à  população. A mensagem central era de reprovação às indulgências e defendendo a ideia de que a salvação independe de intermediários.

Em 1520, o papa Leão X redigiu uma bula condenando Lutero e exigindo sua retratação. Lutero, no entanto, queimou a bula em praça pública, o que agravou a situação. Já em 1521, o imperador Carlos V convocou uma assembleia na qual o monge foi considerado herege. Contudo, Lutero foi acolhido por parte da nobreza alemã, que simpatizava com suas ideias e ele então refugiou-se no castelo de Wartburg. Nesse  local, o líder protestante se dedicou à tradução da Bíblia do latim para o alemão, o que foi a base de princípios da nova religião. O surgimento da imprensa de Gutemberg teve papel fundamental.

O período seguinte, até 1555, foi marcado por guerras religiosas. O acordo "Paz de Augsburgo" determinou que cada governante dentro do Sacro Império Germânico poderia escolher sua religião e a de seus súditos. Martinho  Lutero nasceu em 1483 e morreu em 1546, aos 62 anos.  Casado com uma ex- freira, o casal teve seis filhos.



São Boeja e Itaqui formam, com
seus templos, Paróquia Luterana.

Em São Borja, um templo no bairro Pirahy é uma das referências materiais do Igreja Luterana ma cidade.  Esse templo forma uma Paróquia, juntamente com a Igreja Luterana de Itaqui. Celebrações em dois finais de sana assinalam a data histórica.

As ideias de Lutero se espalharam pelo continente europeu e depois pela América  Em cada região, o Luteranismo  teve  características diferentes. Os líderes religiosos também foram distintos.   Na França e na Holanda,  por exemplo, surge o Calvinismo. Na Inglaterra, o Anglicanismo, este uma das maiores reformas. Os templos não acolhem imagens. No entanto,  mulheres podem ser ordenadas.

 

Reforma Católica

 

Também chamada de Contrarreforma, o Luteranismo também levou à  realização da Reforma Católica. O movimento começou na Europa e expandiu-se principalmente pela América. Uma das ações foi apoiar a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, em 1534.



Através do Concílio de Trento, também a
Igreja Católica promove a sua Reforma;

Os  membros da Companhia, conhecidos como jesuítas, tinham a total confiança do papa e buscavam combater o Protestantismo. Isso se dava  por meio do ensino e a expansão da fé católica. As missões como as dos Sete Povos são um bom exemplo dessas ações.

Em 1545 e 1563,  ocorreu o Concílio de Trento, mobilizando a  Igreja Católica de toda a Europa.  Algumas das decisões: os padres têm de ser formados em seminários; os párocos têm de morar em suas paróquias e dar atenção especial à pregação doutrinal.

Ficou proibida a venda de cargos religiosos e foi criada lista de livros proibidos. Ainda foi instituída a Inquisição, que perseguia não católicos. Muitos dos chamados gereges foram mortos.

 


quinta-feira, 27 de outubro de 2022

MIGRAÇÂO E CONJUNTURA

 

Irga diz que a lavoura de arroz em

São Borja deverá encolher 23,5%


Máquinas na lavoura, mas para
implantação de área bem menor.

O plantio de arroz do ciclo 2022-23 está atrasado em São Borja e no Rio Grande do Sul.  Em  São Borja o último levantamento do Irga, na semana passada, indicava plantio de 46% da área prevista, ou pouco mais de 12,5 mil hectares. Agora deve chegar apenas à metade da área. Na Fronteira Oeste o índice atinge a 72,6%.  No RS, o plantio também tem atraso e a perspectiva é de redução de 9,9% na lavoura, que só deve chegar a 846 mil hectares.

O que mais chama a atenção no município, porém,  é a redução na área orizícola a ser semeada. O 8º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga prevê a semeadura de uma área de 27.250 hectares para o próximo ciclo. A projeção, se confirmada, representará redução de 23,5% ou de 8.385 hectares a menos  que os 36 mil hectares da  safra 2021-22.

O clima não está ajudando a implantação da lavoura orizícola. As   chuvas insuficientes e principalmente as temperaturas baixas são os fatores  responsáveis pelo  atraso. O frio para a época também  afeta o desenvolvimento da planta.

Além disso, considerando a época do ano, o regime de chuvas  irregulares traz preocupação.  Isto por que os volumes são baixos para reposição de mananciais, mesmo que a implantação da lavoura tenha iniciado com o nível das barragens próximo a 90%. Devido a mais um evento de La Niña, a situação preocupa segundo o diretor local do Irga, Roger Portela de Santis.  As precipitações intensas, esta semana, podem mudar o quadro.

 

Migração   

 



Roger Portela diz que migração a
outras culturas não é concorrência.


Gradativamente, aumenta a opção por outras culturas no lugar do arroz, especialmente a soja.  Isso ocorre em São Borja e todo o Rio Grande do Sul.  Portela identifica dois motivos para a migração. Um “são os custos exorbitantes de produção” e o outro “a necessidade de ter toda área da propriedade produzindo durante o ano inteiro.” Como líder nas pesquisas, o Irga vem, há mais de uma década, estudando alternativas de  novos  investimentos.

A soja, o trigo e a integração lavoura-pecuária, além do  milho, aparecem como melhores alternativas.  Em relação a São Borja, é usada mais a soja em rotação com arroz -  primeira opção nas mais “altas.” Onde existiam os segundos e terceiros levantes elétricos para condução da água foram  empregadas  cultivares mais tolerantes ao estresses hídricos. A cultura foi entrando em áreas que antes ficavam períodos em pousio, ou seja, sem nhuma cultura.

Agora já tem-se uma terceira fase, a do  usa da soja e do milho, em combinação com o arroz. “Não vejo isso como concorrência, mas  como uma maneira sustentável nas operações e, portanto, necessária,”  destaca Roger Portela. A estimativa  é de  22 mil hectares de áreas de soja e milhos, antes usados para arroz.


Clima de frio e de chuvas escassas e 
irregulares é prejudicial à cultura.

O alto custo de produção é um dos fatores mais impactantes. Na  safra 2021-22, o custo oficial, elaborado pelo Irga,  apontou para R$ 15,5 mil o hectare. Agora, porém, a alta  no preço do óleo diesel, da energia elétrica, dos fertilizantes, peças e outros componentes de custos impõem majoração de 30 a   40%. O valor, com isso, ficará acima de R$ 21 mil por hectare.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

GUARDIÃ DO VOTO

 

Justiça Eleitoral celebra seus 90 anos

coordenando mais um pleito histórico

                  


A história do voto no Brasil tem quase 500 anos e vem desde a incipiente fase do pós-descobrimento.  A Justiça Eleitoral, entretanto, completa em 2022 seus 90 anos de atuação no país. A origem do hoje Supremo Tribunal Federal (TSE) é de 24 fevereiro de 1932, a partir de um decreto de Getúlio Vargas.

Será a 13ª eleição para presidente da República a ser realizada pela Justiça Eleitoral, a partir de 1945. A primeira experiência ocorreu após o Estado Novo e da ditadura de Vargas entre 1937 e 1945. A criação de regrasm  em 1932, foi para dar  transparência ao processo de escolha de representantes e aperfeiçoar o sistema existente. Até então eram muitas as manipulações.  Nos anos de vigência do Regime Militar (1964-1985), as eleições presidenciais eram indiretas. Não havia participação da Justiça Eleitoral.

Antes da criação do Código Eleitoral, 11 eleições para presidente foram realizadas no Brasil. Entretanto, na chamada Primeira República ou República Velha (1889-1930), o voto era aberto e os pleitos eram controlados pelo coronelismo. Para garantir que as medidas impostas por credores internacionais fossem aplicadas e o Brasil renegociasse sua dívida externa,  eram muitas as maquiagens. 

Por exemplo, foram  aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo presidente Campos Sales o voto direto, mas cheio de manobras. De antemão se sabia quem seria eleito e diplomado, segundo informa a professora do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), Albene Miriam Menezes Klemi.

Ela explica que “o brasileiro estava dentro de um processo eleitoral totalmente viciado, com voto de cabresto, pessoas mortas eram registradas como votantes, estrangeiros votavam e, quando chegava na última instância, antes da diplomação, os eleitos ainda passavam pelo crivo das Câmaras Municipais de cada distrito eleitoral.”

Experiência mais democrática foi vivida pelo Brasil a partir das eleições presidenciais de 1945. Além de coordenação da Justiça Eleitoral, houve ampla participação de partidos políticos. Tem-se então eleições mais regulamentadas. Os eleitores a partir de 18 anos podiam votar e as mulheres, com base no primeiro Código Eleitoral, de 1932, também podiam votar. Pela primeira vez se tem partidos de abrangência nacional.


Desde a origem, em 1932, o 
mesmo propósito: transparência

Na Primeira República (1889-1930), as eleições eram caracterizadas pela alta ocorrência de fraudes e uma baixa adesão popular - menos de 6% dos eleitores efetivamente participavam da votação, devido à dominação dos ‘coronéis’, fraudando tudo. O voto era sem sigilo, o que permitia que lideranças políticas controlassem em quem os eleitores deveriam votar.

 

Origens e avanços

 

A Justiça Eleitoral surgiu com o Código Eleitoral de 1932. Veio em resposta ao anseio popular de moralização do processo eleitoral brasileiro. Além  da ampliação do direito ao voto, aumenta também a fiscalização.

O texto originário trouxe inovações, como o sufrágio feminino, que garantiu às mulheres o direito de escolha de representantes . A primeira sede do TSE foi instalada provisoriamente em um edifício na Avenida Rio Branco, localizada no centro do Rio de Janeiro, então capital do país.

Com a implantação do Estado Novo por Vargas veio a Constituição Federal de 1937.  O texto constitucional extinguiu a Justiça Eleitoral  e determinou a realização de eleições indiretas para a Presidência da República e outros cargos . 

 

A partir de 1996, a urna eletrônica.
Para garantir rapidez e segurança.

A Justiça Eleitoral foi restabelecida pelo Código Eleitoral de 1945, conhecido como Lei Agamenon Magalhães (Decreto-Lei 7.586/1945, após oito anos de extinção. O decreto resgatou grande parte das atribuições do início em 1932, estruturando o Tribunal Superior Eleitoral –  TSE.  Permaneceu no Rio até 1960, quando foi transferido para Brasília (DF). Nos estados são criados do Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Essa redemocratização em 1946 se estenderia até 1964, quando ocorre golpe e tem início o regime militar. Vai até 1985, período de eleições indiretas. Uma Assembleia Nacional Constituinte dá nova Constituição e nova redemocratização em 1988.

A partir daí todas as eleições a presidente foram diretas. Em menos de 30 anos ocorreram dois processos de impeachment. Ultimamente objeto de polêmica e desmoralização por alguns setores, em 1996 a urna eletrônica é instituída no país. O instrumento é considerado seguro e permite que em algumas horas já seja conhecido o resultado do pleito. Outro avanço recente é a identificação biométrica (ou digital) do eleitor.

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

COMPENSAÇÃO


A boa safra de trigo  em São Borja

vai cobrir partes das perdas da seca

 (Fotos Clóvis Shwengberg)

Clima sinaliza uma colheita tritícola com bons
níveis de rendimento no município, este ano.

A partir da semana em curso, São Borja desenvolve a operação de colheita da sua safra de trigo em 2022.  Chuvas escassas, recentemente, trouxeram prejuízos ao desempenho da cultura, mas, ainda assim, a Emater no município projeta uma das maiores safras nos últimos anos. Há entusiasmo do produtor, também, em relação à lavoura de verão – apesar do fenômeno climático La Niña e o indicativo de chuva abaixo do normal.

Foram cultivados 25 mil hectares de trigo no município. A área mais expressiva na história recente. E são boas as perspectiva de rentabilidade para o grão. O técnico agrícola Clóvis Chwengberg prevê colher pelo menos 45 sacos por hectare em média.

Considerando a área semeada e essa produtividade mínima, a safra deve chegar a 1.125.000 sacas de 60 quilos. Esse volume corresponde a 67.500 toneladas. O técnico ressalta, contudo, que há lavouras, com mais tecnologia e favorecidas pelo clima, que terão rendimento bem superior ao patamar médio projetado.

 Clóvis Schwengberg ressalta que foi alto o custo de produção, devido à elevação do preço dos insumos. Mesmo assim,  a remuneração satisfatória animou os produtores.  A perspectiva é de faturamento bruto de R$ 112,500.000,00, considerando cotação de R$ 100,00 a saca de trigo.

- Essa aposta dos triticultores são-borjenses leva em conta não apenas  a conjuntura favorável para o setor. Outro motivo para investir no trigo foi o de tentar compensar parte dos graves prejuízos na última safra de verão, acarretados por estiagem severa e altas temperaturas, diz o técnico da Emater.

Depois de anos recentes com prejuízos, o Rio Grande do Sul também encaminha a colheita de uma safra recorde. São mais de 1.500.000 de hectares plantados. Com previsão de rendimento médio de 55 sacas por hectare em território gaúcho,  a projeção é de colher 82.500.000  sacas  ou 4.950.000 toneladas.

 


Desempenho remunerador da safra permitirá
compensar prejuízos acarretados na seca do verão.

Lavouras estão

com expansão

 

As culturas de milho e de soja vêm, gradativamente, sendo ampliadas no município. Além de cotações em alta nos mercados nacional e internacional, há gradual migração do arroz para o milho e a soja. Isso ocorre principalmente nas áreas mais baixas, de várzea.

Em relação ao milho, normalmente com área cultivada de sete a oito mil hectares, este ano tem lavoura que dobrou para 15 mil hectares.  Outro ganho relevante é ampliação das áreas irrigadas.  A irrigação atinge pelo menos 40% de todo o cultivo. Se o custo operacional é maior, maior também é a garantia de produção e  de produtividade.



Lavoura de milha aumenta e duplica
área, em 2022, em terras do município.

o mesmo modo, a soja vem registrando sucessivos aumentos de área, anualmente. Para o ciclo 2022/23 a perspectiva é de semear de 95 mil a 100 mil hectares no município.  A área, uma vez confirmada, se aproximará dos anos 1970 e 1980, período de São Borja Capital Nacional da Produção, considerando também o trigo.

Além de ser alternativa ao arroz, a ampliação da lavoura de soja também tem a haver com as cotações animadoras aos produtores. No início da semana, a saca de 60 quilos d oleaginosa estava em R$ 162,00 no mercado regional. Além da demanda nacional, porém, existe fácil mercado assegurado em âmbito mundial.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

URGÊNCIA PLANETÁRIA

 

Mundo quer comida. Fome

volta a crescer e preocupa

 

studo da FAO e PMA indica que
970 mil pessoas podem morrer por
causa da fome. (@UNOCHA Somalia)

No Brasil, o retorno do empobrecimento e o aumento da carência alimentar permeiam a campanha eleitoral em curso. Pelo últimos cálculos, são 33 milhões de pessoas passando fome. A dolorosa constatação brasileira, porém, não é exclusividade nacional. Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou alerta para a gravidade de problema em escala planetária. Um novo relatório  alerta que o número de pessoas que enfrentam insegurança alimentar aguda em todo o mundo deve seguir aumentando rapidamente. O documento aponta que o aprofundamento da crise alimentar coloca 19 países em risco. As principais causas são o aumento dos conflitos, crise climática e a instabilidade econômica agravada pela pandemia. Há também os efeitos da invasão russa à Ucrânia.

O estudo, realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) destaca que os trabalhadores humanitários estão preocupados com nações como Somália, Afeganistão, Etiópia, Sudão do Sul e Iêmen, entre outras.

Um recorde de 970 mil pessoas pode enfrentar fome catastrófica ou morrer de inanição se nada for feito. O número é 10 vezes mais do que há seis anos, quando dois países tinham populações com tanta insegurança alimentar, como agora.

A ONU apela por ação humanitária urgente para salvar vidas e os meios de subsistência locais.  A tendência é de a situação vai piorar em 2023.

O relatório revela que República Democrática do Congo, Haiti, Quênia, Região do Sahel, Sudão e Síria também são locais “de grande preocupação”, além da República Centro Africana e Paquistão, adicionados à lista mais recentemente. Guatemala, Honduras e Malauí também estão entre os países que têm fome, ao lado de Madagascar, Sri Lanka e Zimbábue.

Também é da ONU a projeção de que no mês que vem, em novembro, o planeta alcançará 8 bilhões de habitantes. Se, por um lado, isso amplia o mercado mundial de alimentos, por outro aumenta a necessidade de oferta para atender à demandas crescentes.  Quanto ao Brasil, tem grande potencial para equacionar as necessidades internas e, ao mesmo tempo, de abastecer a humanidade.

 

Drama europeu

 

 

Na imagem publicada por GZH,  uma
Ideia da dramática situação europeia.

Também o rico continente europeu, o Velho Mundo, tem problemas graves a resolver. Quase toda a região do continente ainda enfrenta, além das dificuldades já citadas (de guerra, políticas e econômicas)  também as consequências de seca histórica e de incêndios devastadores – eventos os mais severos em séculos.

Desde  o início do ano, foram destruídos cerca de 700 mil hectares de florestas em toda a União Europeia. Rios secaram, assim como a vegetação, comprometendo ainda a produção agrícola e animal.

A área mais atingida por  incêndios foi a da Península Ibérica. Na Espanha, só entre junho e agosto 246 mil hectares foram queimados. Em  Portugal, os bombeiros demoraram uma semana para controlar um incêndio no parque natural da Serra da Estrela, sendo consumidos 17 mil hectares de um patrimônio tombado pela UNESCO.

A França viu anos ainda piores na década de 1970,  mas agora grande parte do país foi consumida pelas chamas.  A situação foi igualmente excepcional na Europa Central. Em julho, foram necessários 10 dias para controlar o maior incêndio da história recente da Eslovênia,  mesmo com a ajuda da população. Sem aviões especializados no combate a incêndios, a Eslovênia teve que pedir ajuda à Croácia.

Em termos de área, atrás da Espanha estão a Romênia,  Portugal e França. Se for considerado apenas o período de verão, "2022 já é um ano recorde", conforme o sistema de controle europeu. A Europara está preparada para enfrentar o frio extremo, não o calor recorde, associado à seca.

 

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

TESTE VALE DINHEIRO

 

Melhor educação vai aumentar

o retorno de ICMS a municípios

 


Mais de 440 mil estudantes de escolas públicas municipais e estaduais no Rio Grande do Sul estão tendo os seus conhecimentos em português e matemática atvaliados a partir de segunda-feira (17). Os testes fazem parte do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (Saers). Serão aplicados até 27 de outubro.

Os resultados das provas, contudo, não servirão apenas para avaliar a qualidade da educação e projetar políticas públicas, mas também para definir como o governo do Estado vai distribuir o dinheiro do ICMS  (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Serviços) entre os municípios gaúchos.

O ICMS é um imposto estadual - normalmente a segunda maior fonte de receita dos municípios -, sendo  25% do dinheiro é repassado às prefeituras. A divisão desse bolo obedece critérios como população, desempenho econômico, entre outros. A partir de 2024, a qualidade da educação pública municipal também será considerada para repartir o dinheiro do imposto. 

Os resultados das provas do Saers de 2022 serão usados para o cálculo de 2023 do Índice Municipal da Qualidade da Educação. Esse dado servirá de base para a distribuição do ICMS a partir de 2024.

No primeiro ano, o Rio Grande do Sul vai replicar o índice previsto para todos os municiúpios: 10% do valor repassado terá a qualidade da educação como métrica. Nos anos seguintes, o percentual subirá progressivamente até que, em 2029, 17% do repasse do ICMS aos municípios levará em consideração o desempenho escolar.

O exame será aplicado a todos os alunos do 2º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio. As provas para o 2º e 5º ano do Fundamental serão feitas em dois dias, enquanto para os alunos do 9º ano do Fundamental e do 3º ano do Médio aplicação é apenas em uma dia.




A prova de avaliação é organizada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc). A ação, porém, é desenvolvida em parceria. São parceiras a Federação de Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e a União de Dirigentes Municipais em Educação no Rio Grande do Sul (Undime/RS).

 

Sem consenso

 

Principalmente entre gestores municipais, a aplicação da prova de português e matemática aos estudantes não chega a ter consenso. A maioria acha a iniciativa inoportuna. Todavia, o motivos é a pandemia de Covid-19, que fez a qualidade da educação, que já não era boa, piorar um poucos mais.

Um dos argumentos  contrários é que as principais defasagens pedagógicas da pandemia afetam especialmente os municípios e estudantes mais pobres. Logo, a ajuda pretendidas não os ajudaria. O que todos concordam, entretanto, é que se faz necessário um grande mutirão de esforços para recuperar as defasagens trazidas pela pandemia. Se a educação não ia bem, ampliou o fosso qualitativo e o enfrentamento desse quadro torna-se indispensável.

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

A FESTA

  

A arte para a celebração

dos 340 anos de São Borja



No aniversário da cidade, Grupo Os Angueras aproveita para
 comemorar os seus 60 anos de história. (Foto Jorge Pacheco)
 

 
 

A música é provavelmente a mais universal e mais democrática forma de socializar sentimentos. É por esta razão, então, que São Borja promoveu grandes espetáculos musicais para festivamente celebrar seus 340 anos de história. Na quarta-feira (12),  à tarde e à noite, a Praça XV de Novembro ficou repleta de sons, de luzes e de cores. Ainda não faltou um show de coreografias, para que a festa da arte fosse completa.

Dois foram, no encerramento, os destaques – as apresentações do Grupo Amador de Artes Os Angüeras e de Mano Lima.  Antes, porém, as milhares de pessoas que circularam pelo centro da cidade   puderam acompanhar e aplaudir desde a fanfarra do 2º RC Mec a grupos de rock, samba ou pagode. Também casais fandangueiros  ligados a CTGs entregaram sua arte, do mesmo modo que academias de dança.

Ao completar, em 2022, seus 60 anos de existência em São Borla,  Os Angüeras fez um passeio na história, revisitando seu repertório de origem. Com a grife  Rillo/Bica/Pimpim, que há décadas realimenta uma eclética cultura, voltaram ao palco ‘Generoso’, Peão Campeiro, Rio de Infância e também a São Borja tricentenária. O público – claro – aplaudiu emocionado.



No reencontro com São Borja, o abraço pelas
canções mais conhecidas. (Foto Jorge Pacheco)

Do mesmo modo, o autêntico Mano Lima mostrou com sua banda, mais uma vez, por que  é reconhecido em todo o continente sul-americano. Assim como acontece com  Os Angüeras. Mano cantou algumas das composições mais conhecidas, normalmente atendendo a pedidos, sempre levantando o público.  No Dia de Nossa Senhora Aparecida, finalizou a apresentação com ‘Ave-Maria.’ Também acarinhou crianças. A festa organizada pela Prefeitura  teve  plena aprovação.