Reforma Protestante: bem mais do
que apenas divisão
do Cristianismo
Templo no bairro Pirahy é
referência luterana local.
Esta segunda-feira, 31 de outubro, assinala o aniversário de 505 anos da chamada Reforma Protestante. Contudo, o movimento liderado pelo monge agostiniano Martinho Lutero representa bem mais do que somente a divisão, na época, do Cristianismo em Catolicismo e Protestantismo. Além de sacudir conceitos e a fé religiosa, mundo afora, o Luteranismo também marca um amplo espectro de transformações no que se convencionou chamar de Idade Moderna, a partir do final do século 15.
É necessário, então, um rápido contexto. Durante toda a Idade Média
(476-1453), reis e Igreja eram duas instituições poderosas. Ambas, assim como
os senhores feudais, eram donas de grandes extensões de terras e de outras
riquezas e ostentações. A Igreja, assim, tinha enorme poder político e impunha
a sua dominação, principalmente através do ‘medo do fogo do inferno’. Porém, entre os séculos 14 e 16 as coisas começaram a
mudar. Tem-se o Renascimento (retorno à cultura clássica greco-romana), acontecem
as Grandes Navegações europeias e o Feudalismo começa a ruir, dando lugar
gradual ao Mercantilismo e, depois, ao Capitalismo e à Revolução Industrial.
Sempre poderosa, a Igreja condenava o lucro e a usura, mas mantinha-se às
custas de privilégios. Com a
tentativa de centralização do poder monárquico, as relações com o clero
tornaram-se tensas. A Igreja, como
grande proprietária de terras e palácios, recebia o dinheiro de tributos que
eram controlados em Roma pelo Papa. Com o fortalecimento do Estado Nacional
Absolutista, os monarcas passaram a condenar essa prática. Camponeses
estavam descontentes com a Igreja, já que também tinham de pagar pesados
encargos, como o dízimo. Em toda Europa, mosteiros e bispados tinham imensas
propriedades e viviam às custas dos trabalhadores.
Mesmo condenando as práticas capitalistas
nascentes, como a cobrança de juros por
empréstimos – por ser ‘pecado’ -, a
Igreja era movida a privilégios. Em meio a tudo, surge a burguesia mercantil e
manufatureira. Apesar da reprovação à rotina do clero por suas condutas, crescia o comércio de bens eclesiásticos. “O clero fazia uso da sua autoridade para
obter privilégios e a venda de cargos da //, uma prática chamada de simonia”, relata a professora Juliana
Bezerra.
Além disso, muitos sacerdotes tinham esposas,
apesar do celibato obrigatório. Entretanto, o maior escândalo foi a venda indiscriminada de
indulgências. Seria a ‘salvação’ dos pecados, com pagamento em dinheiro a religiosos. À época, parte dos
recursos acumulados era usada para a construção da Basílica de São Pedro em
Roma.
Lutero e a Reforma
Teólogo alemão Martinho Martinho Lutero
lidera Reforma religiosa, contra as indulgências.
A Reforma Protestante começou oficialmente em 1517,
mas seu líder Martinho Lutero teve precursores. Ele também começou a se
insurgir desde que se formou em Teologia, em 1505, questionando e reprovando a
Igreja. A sua revolta cresceu principalmente a partir de 1510, depois de
empreender ida à cidade de Roma e após
se espantar com as extravagâncias e
luxos do clero e na construção da basílica. Tem início então uma saga que ganha a adesão
dos alemães e dos europeus de modo geral.
Em 1517, inconformado com a venda de indulgências, Lutero
escreveu documento com 95 teses, criticando a Igreja e o papa. Estas 95 teses
teriam sido pregadas na porta de uma igreja, a fim de que os alunos de Lutero
as lessem. Alguns estudantes resolveram
imprimir trechos do conteúdo, o repassando à população. A mensagem central era de
reprovação às indulgências e defendendo a ideia de que a salvação independe de
intermediários.
Em 1520, o papa Leão X redigiu uma bula condenando
Lutero e exigindo sua retratação. Lutero, no entanto, queimou a bula em praça pública,
o que agravou a situação. Já em 1521, o imperador Carlos V convocou uma
assembleia na qual o monge foi considerado herege. Contudo, Lutero foi acolhido
por parte da nobreza alemã, que simpatizava com suas ideias e ele então
refugiou-se no castelo de Wartburg. Nesse local, o líder protestante se dedicou à
tradução da Bíblia do latim para o alemão, o que foi a base de princípios da
nova religião. O surgimento da imprensa de Gutemberg teve papel fundamental.
O período seguinte, até 1555, foi marcado por guerras
religiosas. O acordo "Paz de Augsburgo" determinou que cada
governante dentro do Sacro Império Germânico poderia escolher sua religião e a
de seus súditos. Martinho Lutero nasceu
em 1483 e morreu em 1546, aos 62 anos. Casado
com uma ex- freira, o casal teve seis filhos.
Em São Borja, um templo no bairro Pirahy é uma das
referências materiais do Igreja Luterana ma cidade. Esse templo forma uma Paróquia, juntamente com
a Igreja Luterana de Itaqui. Celebrações em dois finais de sana assinalam a
data histórica.
As ideias de Lutero se espalharam pelo continente
europeu e depois pela América Em cada
região, o Luteranismo teve características diferentes. Os líderes
religiosos também foram distintos. Na França e na Holanda, por exemplo, surge o Calvinismo. Na
Inglaterra, o Anglicanismo, este uma das maiores reformas. Os templos não
acolhem imagens. No entanto, mulheres
podem ser ordenadas.
Reforma Católica
Também chamada de Contrarreforma, o Luteranismo também
levou à realização da Reforma Católica. O
movimento começou na Europa e expandiu-se principalmente pela América. Uma das
ações foi apoiar a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, em 1534.
Os membros
da Companhia, conhecidos como jesuítas, tinham a total confiança do papa e
buscavam combater o Protestantismo. Isso se dava por meio do ensino e a expansão da fé católica.
As missões como as dos Sete Povos são um bom exemplo dessas ações.
Em 1545 e 1563, ocorreu o Concílio de Trento, mobilizando
a Igreja Católica de toda a Europa. Algumas das decisões: os padres têm de ser
formados em seminários; os párocos têm de morar em suas paróquias e dar atenção
especial à pregação doutrinal.
Ficou proibida a venda de cargos religiosos e foi
criada lista de livros proibidos. Ainda foi instituída a Inquisição, que
perseguia não católicos. Muitos dos chamados gereges foram mortos.




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