sábado, 31 de dezembro de 2022

EVOLUÇÃO POLÍTICA

 

Frente ampla do

PT vai dar certo?

 


Sociólogo Celso Rocha de Roccha diz
que PT vive mesmo desafio do MDB.




O doutor em Sociologia pela Universidade  de Oxford Celso Rocha de Barros acaba de lançar o litro ‘PT, uma história’, remontando a evolução do Partido dos Trabalhadores e do seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva. O intelectual falou  à equipe do podcast ‘Foro de Teresina’ sobre a obra, a trajetória petista e as chances de Lula dar ou certo na sua futura gestão como presidente  da República. Avaliou o cenário político-partidário de modo geral.

Rocha de Barros lembra  que o PT se firmou como partido, a partir dos anos 1970, inicialmente como um movimento de pautas sociais e indiretamente ajudado pela burguesia. A ideia, no começo, nem era de partido, mas foi ganhando corpo. O desempenho político-eleitoral inicial foi muito fraco, crescendo, porém, nos anos 1980 no vácuo de outras agremiações. “Queriam que o Lula, na época,  fosse o braço sindical do MDB, mas ele não aceitou e consolidou o PT como agremiação política,” destaca .

O sociólogo  conclui como a maioria que Lula é bem mais do que o PT, “e um grande estrategista;” Observa que o crescimento petista nos anos 80 se deu pelo fato de o MDB (ou PMDB) não ter desempenhado a missão histórica que lhe foi atribuída. O petismo, assim, foi crescendo diante da falha das correntes de centro-direita no poder.

Na sequência, já nos anos 1990 e início dos anos 2000, o crescimento do PT é atribuído por desarranjos no PDSB, apesar das contribuições relevantes dos tucanos no período de governo. Na sequência, nesse ambiente de ocupação de espaços, Lula viria a ser duas vezes presidente. Após a sucessão de choque de interesses resultaria na troca Dilma-Temer Bolsonaro.

O sociólogo Rocha de Barros considerou que o ciclo da centro-direita durou pouco por faltar habilidade para manter os espaços ocupados. O pesquisador diz que o segmento mais pobre dos brasileiros, ao contrário do que se pensa, sabe muito bem votar. “Eles são pragmáticos e escolhem aqueles que podem lhe trazer melhores resultados.”

Quanto ao sucesso ou não da atual frente ampla formada por Lula, o intelectual como uma interrogação. “Apesar da competência de  Lula para negociar, teremos de esperar para ver os resultados.” Rocha de Barros acha que, “além da atenção no cenário nacional, é preciso também dar atenção às alianças e cenários regionais.”

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

PERSPECTIVA – 2



A difícil tarefa de fazer entregas

e de pacificar uma nação divida


 


Lula, o novo presidente, quer unidade
nacional e retomar o desenvolvimento.

 Quem quer que fosse eleito, este ano, para ser o próximo presidente do Brasil, é certo que não teria uma tarefa fácil. Portanto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, indicado pelas urnas para governar a nação, terá pela frente muitos desafios. Para começar terá como uma das missões principais unir e pacificar uma nação dividida pela polarização política. Além de agregar estes ‘dois brasis’, há um monumental rol de demandas exigindo soluções. Tem-se um país em gradativa retração socioeconômica há mais de uma década, desindustrializado, inflação em alta, baixa capacidade de investimentos e um desemprego crônico. O tecido social, ademais, está completamente esgaçado e, a pano, que não é qualquer pano que consiga remendar.

 

A situação, que já não era boa desde o início da década passada, só piorou com a pandemia da covid a partir de 2020. Já há alguns anos, o Brasil voltou a voltou a figurar no mapa nada colorido da fome. Dados oficiais indicam que, em 2021, 36% dos brasileiros enfrentaram alguma dificuldade para se alimentar. Esse patamar é superior ao da média mundial e quase três vezes superior ao índice de depois de 2010, em território nacional. Assim, enfrentar esse gigantesco problemas social. com auxílios emergenciais e a geração de empregos, é tarefa indispensável e urgente.

 

O presidente eleito Lula tem preconizado como meta alavancar investimentos e desindustrializar o país. Contudo, isso não é fácil a qualquer governante, na atual conjuntura. Há um orçamento limitado e cujas receitas têm de atender, primeiro, demandas essenciais e urgentes. Estão, entre elas, setores com escassas entregas no passado recente, em educação, saúde, desenvolvimento e programas sociais, segurança pública, cultura e meio ambiente.

 

O Brasil de mãos dadas, como um
dos grandes desejos nacionais.

Apesar deste contexto, o Brasil precisa crescer. O Produto Interno Bruto da indústria já chegou a 30% da geração econômica nacional. Atualmente, a contribuição do setor é pouco mais de um terço disso. A visão estatizante do novo governo não sugere parcerias em larga escala com a iniciativa privada. Ainda assim, a disposição é incrementar a agricultura, a partir do segmento familiar, e programas oficiais como o habitacional Minha Casa, Minha Vida.

 

É de se considerar, ainda, que a gestão Lula está formando 37 Ministérios, número quase recorde. A ‘engenharia’ política é para aglutinar os muitos partidos que agregam apoio. Resta saber se, neste amplo espectro de diferentes tendências, haverá ambiente de unidade e de implementação dos resultados pretendidos.

 

Proposições

 

O ano de 2022 deve fechar com inflação entre 2,7 e 3 por cento. Porém esse sinalizador momentâneo de crescimento econômico não mantém, a seguir, a mesma tendência. Para 2023, a perspectiva de crescimento em torno de somente 1 por cento. Fatores nacionais e globais indicam esse quadro.

 

Campos Neto: o governo como grande
indutor da política de desenvolvimento.

Falando recentemente ao jornal Estado de S; Paulo, o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, disse que “governos de quaisquer ideologias precisam implementar ações compartilhadas com o mercado e o empresariado, indutoras de novos investimentos.” Logo, realizar as privatizações necessárias é uma das medidas sugeridas pelo economista.

 

Campos Neto destaca, contudo, que mais do que isso é preciso fazer reformas que hoje engessam o crescimento. “A primeira das reformas tem de ser a tributária e, havendo condições, também deve ser feita a reforma administrativa”, segundo avalia. O técnico diz que o cenário ideal é descomprimir a pressão da máquina pública e modernizar a política fiscal.

 

O economia da Tendências reconhece, porém, que existe uma série de fatores desfavoráveis. Um dos enfrentamentos imediatos é diminuir a inflação em alta e reduzir o custo do crédito. Outra ação proposta é viabilizar recursos para fazer investimentos, gerando empregos e renda.

 

Há, nessa conjuntura, um consenso entre os economistas. Se a situação não é boa no Brasil, também não é no exterior. O Estados Unidos está em desaceleração econômica, os países da Zona do Euro têm escassez de fontes de energia, em especial do gás natural. A China, maior parceiro comercial, crescerá bem menos que o normal. O conflito da Rússia invadindo a Ucrânia respinga no mundo todo. Mesmo assim, o Brasil tem de buscar os parceiros internacionais, e esta é a disposição anunciada por Lula.

 

A pacificação

 

Jair B

Jair Bolsonaro, presidente atual,
encerra ciclo da história do país.

Em meio a tantos problemas a equacionar, outro enorme desafio é unir os brasileiros como uma nação efetiva e fraterna. A realidade mais recente tem mostrado, entretanto, que esta não é uma tarefa simples. As hostilidades e o divisionismo político, nos últimos anos, são os mais impactantes em todo o último período de redemocratização no país. E se está falando do mais longo período republicano dito democrático, de 34 anos, em que ocorreram dois impeachments presidenciais.

 

Desta forma, o novo governo Lula, na sua terceira gestão, provavelmente terá bem mais dificuldades que nas duas anteriores. No caso da harmonização nacional, será necessário agir como “um elefante circulando entre cristais.” Vem pela frente, portanto, a espinhosa missão de não impedir as manifestações democráticas, mas, ao mesmo tempo também, neutralizar seus excessos – sem que isso se transforme em novos tensionamentos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

PERSPECTIVA – 1


Os desafios e avanços que

São Borja espera em 2023


Em 2023, uma Avenida Beira Rio mudará a
 paisagem de São Borja no contexto regional.

É certo que, ainda por um longo tempo, São Borja seguirá com sua matriz econômica calcada no agronegócio. Essa dependência implica em conviver e adequadamente lidar com as recorrentes e severas ausências de chuvsa no município e na região. Isso impõe a necessidade de investimentos efetivos em programas e instrumentos de irrigação, além de  sustentabilidade. É  um desafio urgente e que começa já agora em 2023. Mas, no novo ano, São terá de vencer outras demandas, igualmente determinantes ao seu desenvolvimento. Do mesmo modo, 2023 deverá marca a implementação de importantes projetos transformadores, nos planos econômico, cultural e de lazer.

Projeções recentes indicam que no ciclo agrícola 22/23, o Brasil colherá safra recorde de 308 milhões de toneladas. Já o Rio Grande do Sul espera safra superior a 40 milhões de toneladas – quase o dobro da marca do ciclo anterior, quando uma impactante estiagem afetou diretamente especialmente as lavouras de verão e a pecuária. Atingiu, por extensão, toda a economia e cadeia produtiva. O dilema  das frequentes secas é também o fantasma que ronda os planos dos produtores são-borjenses. Eles têm pretendido ampliar as lavouras de milho e de soja, entretanto as ações e os resultados esbarram num regime pluviométrico inconstante e mal distribuído.

Também a cultura orizícola – que encolhe e que quase em 50% depende de barragens para irrigação – padece do mesmo mal. O aquecimento global e o fenômeno climático La Niña são fatores diretamente influentes. Logo, investir em irrigação é fundamental. Só que em períodos mais recentes não bastou instalar sistemas de irrigar – ‘São Pedro’ não ajudou com a irrigação dos céus.

Essa crônica crise hídrica, em São Borja, em toda a Fronteira Oeste e nas Missões, impõe iniciativas mediatas e estratégicas de enfrentamento. Daí que não apenas a lavouras tradicional, mas também a agricultura familiar e a produção de hortifrutigrangeiros se veem sempre  atingidas. A atividade pecuária, de mesmo modo e com a mesma intensidade, é igualmente  castigada.



Realidade mostra que investir em
irrigação é fundamental à agropecuária.

A expectativa é que em 2023, finalmente, venham recursos estaduais prometidos para projetos de irrigação. Enquanto isso, produtores e  instituições  assistenciais devem, em parceria, redobrar esforços. Este, contudo, não será o problema único a equacionar. É preciso garantir mais água potável e condições acessíveis de abastecimento ao consumo humano.

 No novo ano ainda  será necessário enfrentar os crescentes custos de produção no campo. Os insumos utilizados estão cada vez mais caros e mais escassos em escala planetária. Paralelamente, São Borja, o Rio Grande do Sul e o Brasil, urgentemente, qualificar seus trabalhadores. E não apenas na agropecuária, mas também no comércio, na indústria, no comércio e nos serviços. Se, por um lado, o país paga um alto preço pela falta de empregos, em muitos casos sobram vagas por falta de mão de obra  adequadamente preparada.

 

Desafios e investimentos

 


Até agosto o desafio para definir sobre
administração da Ponte da Integração.

Em 2023 terão de viabilizadas soluções para demandas que são determinantes à sua logística e desenvolvimento. Em agosto vence a concessão em vigor – já prorrogada por dois anos – para que a iniciativa privada mantenha a infraestrutura e administre as operações da Ponte da Integração. Há uma espécie de consenso na região que a melhor alternativa são processo licitatório e nova concessão. A decisão, porém, sobre o futuro da travessia binacional caberá aos governos de Brasil e  da Argentina. Na lógica das comunidades de São Borja e Santo Tomé, cessaria o pedágio no fluxo vicinal, seguindo cobrança nos longos  percursos. A receita gerada, desta forma, garantiria manter o Centro Unificado de Fronteira (CUF) da ponte, a ponte, os seus acessos e o atual sistema pioneiro de aduana integrada. Além do mais, quase mil empregos diretos serão mantidos.

Por seu turno, a administração municipal de São Borja prevê novos investimentos, em 2023, na implantação da Plataforma Logística de apoio à ponte internacional. Grupos empreendedores regionais anunciam expansão de negócios aqui. Assim como outro, da Zona Franca de Manaus, que instalará entreposto no intercâmbio comercial.

O novo ano traz consigo outro  desafio logístico a ser vencido – a retomada dos serviços de linha aérea São Borja-Porto Alegre. Esse avanço logístico foi conseguido a duras penas, depois de mais de meio século de suspensão. A retomada depende, basicamente, em melhorias na infraestrutura do aeroporto João Manoel, principalmente na pista de pousos e decolagens e no cercamento dela. A administração do município tem feito muitas tentativas para equacionar o problema, mas elas entravam na não liberação de verba federal.



Bonotto e Feltrin: obras de
investimentos no novo ano.

Enquanto isso, o prefeito Eduardo Bonotto e o vice-prefeito Roque Feltrin esperaram para 2023 a conclusão pelo menos da etapa de uma das obras estrategicamente mais transformadoras para o futuro de São Borja. É a urbanização da orla da margem brasileira do rio Uruguai, dando origem à Avenida Beira Rio, entre o Cais do Porto e a vila Porto do Angico.  A obra está em andamento e, na etapa inicial, deve ser finalizada no primeiro semestre de 2023. Garantirá um novo patamar no ranking de São Borja em relação ao turismo, à cultura e o lazer na região. Mais ainda quando estiver concluído, no Cais, o projeto arrojado – o de uma Cruz Missioneira, com mirante e que abrigará o Novo Museu Missioneiro. Como obra paralela, na vila Cabeleira, tem andamento a implantação do Parque Missioneiro.



À espera de verba estadual para repaginar
Parcão, um dos locais mais frequentados.

Bonotto e Feltrin ainda contam com liberação de verba estadual prevista para redimensionar toda a infraestrutura do Parque Esportivo General Vargas. No centro da cidade, o Parcão é um dos ,locais mais requisitados para eventos de lazer e cultura. Em 2023, São borja ainda entregará o Centro de Atendimento ao Turista – CAT. Seguirão, do mesmo modo, investimentos em pavimentação e drenagem urbana.

 

 


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

PROCESSO EVOLUTIVO

 

                   

A pandemia nos

torna melhores?

 



Natal e Ano-Novo sempre nos remetem a fazer balanços e planos. Com mais razão ainda após este longo período de três anos de pandemia da Covid. Afinal, a impactante crise sanitária no planeta - com severas repercussões na saúde do corpo, da alma e do bolso -, nos está tornando melhores do que éramos? É frequente a indagação e, numa rápida resposta, a constatação é que, em certa medida, andamos para trás, portanto involuímos.

Nota-se que grande parte da humanidade adoeceu emocionalmente. Ansiedade, depressão, insegurança, reclusão e  isolamento social. Mais perguntas do que  respostas e negacionismos são alguns dos fatores para tantas  consequências. Outra inquietação que não se cala: como seres humanos, avançamos ou retrocedemos? Houve chance de crescimento espiritual, de engajamento e de solidariedade. E  isso fez  o pessoal da Saúde, por exemplo. Em geral, todavia, seguimos formando uma imensa geração de ressentidos, de egoístas e cada vez mais contemplando o próprio umbigo.

 

É natural que a chaga social do desemprego, do desamparo, da fome e da desigualdade continue sangrando ainda mais. No Brasil, a pandemia fez afundar um pouco mais no fosso. Os números oficiais mais recentes indicam que acima de 60 milhões de compatriotas não têm o suficiente para comer, colocando quase um terço da população nacional abaixo da linha da pobreza. Mais do que um número gigantesco, apesar de frio, há um imenso problema humanitário gritando por soluções.

 

Basta olhar à nossa volta para dimensionar o atual quadro caótico. Em frente das nossas casas, dos supermercados ou das instituições assistenciais, aumenta  a romaria de pedintes. Uma legião de futuro incerto,  pedindo de tudo um pouco, inclusive empatia, atenção ou  uma palavra de conforto. Nas unidades de saúde cresce, do mesmo modo, a fila dos que buscam remédio a um corpo combalido e a um espírito dilacerado pela dor das incertezas. O desejo, além do restabelecimento pessoal, é  também de ver recuperado o SUS –  glorioso escudo de amparos, mas hoje também na UTI. Assim como para a Covid ou a gripe, do mesmo modo é preciso uma vacina,  e urgentemente. O respeito à cidadania deve ser o laboratório.

 

É legítimo que os lojistas queiram, neste período, faturar mais através dos presentes de Natal. Necessitam recuperar a saúde financeira. Afinal, é ela que gera empregos e dignidades. Sente-se, contudo, que a maioria das pessoas verbaliza não apenas a busca de presentes materiais. Isto porque eles normalmente não estão nas vitrines ou no balcões das lojas; mas nas prateleiras do coração. São presentes simples, como o afeto, um abraço, uma palavra  confortante, um minuto de atenção.  E nem precisam estar embrulhados em pompas e circunstâncias!

 

Em tempos de mundo ‘líquido’, digital, caso você opte pelas mídias sociais para remeter  e exteriorizar  sentimentos e apreços, o faça com  discrição, sobriedade, elegância e singeleza. Não é a hora e nunca será para os ‘cancelamentos’, para as arrogâncias ou a disseminação de ódios e de soberbas. Chega do ‘nós e eles’, da segregações. O mundo está farto de orgulhos e de egocentrismos deletérios. O Menino Jesus que deve renascer em cada um de nós foi o maior exemplo de humildade e altruísmo. Deve, assim, ser nossa permanente inspiração, nosso grande rastro de Luz a indicar caminhos!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

NATAL 2022

            

Lojistas apostam em incremento nas  vendas, mesmo com as adversidades

                          


Depois de longa pandemia, São Borja volta a celebrar as festividades do natal.


Um conjunto de impactantes fatores  mantém vendas retraídas desde 2015 em São Borja e no país, desde quando a economia engatou marcha à ré. Com a pandemia da Covid-19, a partir de 2020, a conjuntura só piorou. Ainda assim, os lojistas  locais seguem otimistas e, mesmo sem a esperança de demandas extraordinárias, querem ao menos não perder dinheiro neste período Natal e Ano-Novo. “O fato é que já há algum tempo as festas natalinas deixaram de ser sinônimo de explosão de vendas”, avalia o presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária (Acisb), Neroney Medeiros Carginin.  


Praça Quinze de Novembro ganha um novo colorido e atrai boas vibrações
(Fotos DECOM/PM e acervo)


Além do retrocesso no setor da produção econômica há quase uma década, na conjuntura nacional, há um fator de alcance regional que também provoca influência direta. É a sucessão de eventos de secas e estiagens, nos últimos anos, que tira empregos e a capacidade de compras. Empresários rurais e urbanos também são afetados em cheio e, por extensão, também com reflexos diretos no comércio.


Cargmin observa que há, ainda, o efeito da concorrência das compras pela internet, o e-commerce, em detrimento do comércio local. Ainda assim, o atual período  festivo e de apelo ao maior consumo, existe projeção de melhoria nas vendas, com aumento de demandas. Este motivo, associado à chegada ou à expansão de empresas deve gerar alguns novos empregos, ainda que temporários. Assim pensa o Sindicato dos Comerciários.


O presidente da Acisb diz que, sobretudo, é preciso ser criativo e otimista. Nesse sentido, cita como  exemplo de uma das iniciativas bem-sucedidas a realização mensal de feira da agroindústria familiar,  que acontece aos domingo no Parque de Exposições Serafim Dornelles Vargas, em parceria com a Emater e apoio da Prefeitura.

 

Principais praças da cidade ganham novo colorido encantando a comunidade



Outros incentivos.

 

Pelo menos até o Natal as lojas convencionais  na cidade podem abrir até as 20h. Já os supermercados têm seus horários próprios diferenciados, normalmente mais dilatados. Já a loja de free shop na cidade tem ficado lotada, especialmente nos finais de semana. Esta semana, ainda, saiu a segunda parcela do 13º salário, dinheiro que deve se traduzir em compras.


O presidente Neroney ressalta que em 18 de novembro a Prefeitura abriu sua programação de Natal, este ano, na Praça XV de Novembro. Depois, foi na Praça da Lagoa e o encerramento é nesta sexta-feira, 23, na Praça Assis Brasil, bairro do Passo.


Assim como a prefeitura, ACISB também fez campanha com os lojistas para tornar a cidade mais bonita



“Ações deste tipo deixam a cidade mais bonita e mais alegre, motivando  a comunidade”, avalia Cargamin. A Acisb também desenvolveu,  em parceria coms associados, uma campanha de decoração de vitrines com apelo Natal. “Nossa meta é principalmente mobilizar os são-borjenses, mas também os turistas e os visitantes da argentina Santo Tomé”, explica.


Ainda por iniciativa da Acisb, está em andamento a campanha Show de Prêmios. Os ganhadores, através de sorteios, recebem vale-compras para aquisições no comércio local. Já o prêmio principal será toda a mobília de uma casa. O sorteio está programado para 28 de dezembro.

 

 

 

 

sábado, 17 de dezembro de 2022

ESPORTE, POLÍTICA E RELIGIÃO

 

Mais futebol, mais empenhos.

E portanto com mais entregas

 

 

Escrevo antes da partida final da Copa do Mundo no Catar, entre França e Argentina, neste domingo (18). Contudo, para este registro que faço, o resultado do jogo não é determinante.  Isto por que qualquer que seja o ganhador, será um legítimo merecedor do título.  São, em verdade, duas escolas distintas de futebol, mas que em vários aspectos se igualam e, assim, bem que podem servir de espelho ao Brasil e ao mundo.

A quem não me conhece, preciso avisar que pouco  entendo de futebol. É necessário ressalvar, ainda, aquela máxima popular de que em futebol, política e religião a gente  não deve discutir.  São, em geral,  as três motivações  raramente iluminadas pelo holofote  da razão. No caso do mundo esportivo, não é de hoje que é utilizado como instrumento político. No caso da religião também passa  a empilhar-se nas prateleiras  mercantis tentando seduzir votos e consciências.  De tal modo é que tudo está diretamente embricado.

Mas o ponto central não este. Mesmo para leigos como eu, são outras as implicações em jogo. Por que, afinal, seleções citadas como amplamente favoritas no Mundial de 2022 foram aos poucos, ou desde muito cedo, mandadas para casa.  Alemanha, Espanha, Brasil, Polônia e Bélgica são apenas alguns dos exemplos de  frustradas expectativas. Por que já outras representações, como Japão, Suíça, Marrocos e Portugal, bem menos cotadas, consolidaram honrosas ‘surpresas’?

 Foi apenas azar, no primeiro caso, ou são ‘zebras’ que explicam  os sucessos no segundo grupo? Certamente não. O Brasil, tomando como exemplo, orgulha-se com razão dos cinco títulos mundiais já conquistados. E, Copa após Copa, sonha em agregar à sua camisa uma sexta estrela. Entretanto, quando vier o  próximo Mundial, estarão sendo completados 24 anos de ‘jejum’ de conquistas. Algo está errado, portanto, ao país com o status  de praticar o melhor futebol do planeta e ser o berço do Rei desse esporte popular. Que razões explicam não conseguir se espelhar na garra argentina, uruguaia, espanhola, portuguesa ou marroquina? Ou então por que é tão difícil aprender com a determinação e a cadência dos alemães, dos ingleses, dos holandeses ou dos croatas?

Sabemos que um mundo opulento, de ostentações e de privilégios permeia o cenário esportivo. Como recíprocas, essas benesses devem ser convertidas em dedicação e mais entregas efetivas. É certo que o esporte, a política e a religião  não enchem a barriga de seus apaixonados.   Quem, contudo, direta ou indiretamente permite que isso ocorra na prática precisa ter, ao menos, retribuições na mesma proporção. Vale a mesma lógica para a religião e para a política. É certo que os próximos Mundiais terão mais nações sonhando  sonhos dourados, pompas e extravagâncias. Em que medida, todavia, isso  se traduzirá em melhores resultados?

 


quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O NOVO NORMAL


Como em anos anteriores, mananciais hídricos
começam a secar no RS, causando prejuízos de toda ordem.

*Imagens da internet)

No caos climático, calorão, seca,

perdas enxurradas e destruições


Neste início de dezembro, uma das  queixas mais  frequentes tem sido em relação às bagunças no clima. Mesmo que, oficialmente, o verão só chegue no dia 21, as altas temperaturas, a baixa umidade do ar e  a escassez de chuvas tem sido  as marcas do período. Para quem ainda  não pode desfrutar do Litoral ou da Serra, a alternativa é  ficar sob o ar condicionado, para suportar os mais de 40ºC à tarde, como no caso do Oeste gaúcho. (E dizer que muita gente não tem sequer ventilador e geladeira para encarar tantas  adversidades).

Prestando atenção, o caos climático é de escala planetária, pelo aquecimento global. No entanto, apesar do gradativo agravamento do quadro, parece estar sendo banalizado pela maioria. No âmbito da nossa ‘aldeia’ há um fator específico, localizado, a turbinar todos os muitos efeitos. É o fenômeno climático La Niña, que provoca o resfriamento das águas do Pacífico e que já, há uns três ou quatro anos, conforme a região, acarreta em menos chuva e mais calor entre nós.



Combinação de La Niña e aquecimento
global faz com que chuvas sejam escassas no Sul.

No caso do La Niña, castiga sobremaneira o Sul do Brasil e, de resto, todo o continente. Como consequência, tivemos no verão 2021-2022 uma das secas mais severas e impactantes  da história recente do Rio Grande do Sul. Nada menos do que 426 municípios gaúchos decretaram situação de emergência. Não bastassem as perdas acarretadas pelo recesso da pandemia da Covid, foram incalculáveis os prejuízos nas safras agrícolas, na pecuária e na geração de emprego e de renda.

 

Cenário preocupa


  perspectiva novamente não é boa para o ciclo 2022-2023.  O La Niña ainda arrastará seus efeitos de mais calor e menos chuva  por todo o verão. O município de Tupanciretã, na Região Central do Estado, grande produtor de soja, milho e de gado,  é o primeiro a declarar emergência e pedir socorro. Aliás, toda a região central está sob alerta e teme pelo período do verão e meses subsequentes.

Todos os rios do entorno do município de Santa Maria, centro do território gaúcho, estão com seu nível bem abaixo do normal.  Uma das consequências é que caminhões/pipa já precisam abastecer de água para consumo humano e animal as comunidades rurais. Além disso, toda a agricultura familiar, normalmente sem sistemas de  irrigação,  está também sob grave ameaça.

Há indicativos de crescimento do agronegócio em 2023, contudo grandes regiões estão sob a incerteza de produzir ou não. São regiões como das Missões, do Planalto, do Alto Uruguai e do Noroeste gaúcho. São as regiões que respondem pela maior produção, mas as safras de verão e a pecuária familiar  estão seriamente ameaçadas. Logo, também estão sob ameaça, por extensão, também a indústria e a criação de empregos.



Lavouras de verão são sempre um dos
setores com maior incidência de perdas.

Na região deSão Borja, no Oeste gaúcho como um todo, as chuvas ocorrem, mas de maneira mais espaçada e em volume bem menor que o normal. Na Prefeitura já há pedidos para abastecer poços de balde com caminhões-pipa, e a tendência só é de agravamento desse quadro.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Eugênio Dutra, reconhece a gravidade da situação, mas destaca que os recursos de apoio são limitados. O pedido é que a água ainda disponível seja economizada e só usada para fins essenciais. Dutra reconhece que sistemas de abastecimento  precisam melhorias, entretanto a ação esbarra em orçamento.


Secas severas têm feito o PIB gaúcho
encolher nos últimos anos no Estado.

Mais de uma centena de açudesbebedouros para o gado estão sendo limpos e recuperados, mas os resultados são paliativos. Sistemas de açudagem e de irrigação têm implantação prevista com recurso estadual, entretanto não sabe quando as obras acontecerão.

Depois de semanas de encomendas, não houve demanda para a aquisição de alevinos. A lógica dos piscicultores é de que sem água nos criatórios não dá para produzir peixes.  O município planejou plantar áreas recordes de milho e de soja, todavia a falta de chuva pode inviabilizar os resultados. Menos mal que a safra de trigo produziu bem e foi das maiores na história recente em São Borja e  Rio Grande do Sul.  

 

Escala global

 

Como referência emblemática para as crescentes bagunças no clima, basta observar que, enquanto o extremo Sul do país, padece com estiagens devastadoras e outros eventos severos como frios recordes, logo acima do território gaúcho gritam os contrastes. A partir de Santa Catarina, Paraná e estados do Sudeste , por exemplo,  tem-se, ao contrário, chuvas em volume e consequência nunca vistas. Por semanas seguidas,  precipitações como ‘dilúvio’  e com efeitos devastadores produziram  muito além do que prejuízos materiais. Perdas humanas às  dezenas, desmoronamentos,  rodovias, veículos, moradias e vidas soterradas, revelando a dura constatação do impossível enfrentamento.



Em outras regiões do país, o contraste:
excesso de chuva traz morte e destruição.

Ora, isso tudo não é normal. A natureza parece estar revidando aos ataques quesofre de forma continuada. Foi assim também no recente verão  europeu, em território asiático ou norte-americanos. Milhares de quilômetros de florestas foram engolidas por incêndios. A seca, ao mesmo tempo,  foi a maior em séculos. E os prejuízos, de toda ordem, são incalculáveis.

  Não é por acaso, então, que a recente Conferência Mundial do Clima, no Egito, tenha revelado  tanta ênfase e despertado tanto interesses e compromissos entre as nações participantes. O Brasil, a propósito, deixa sua marca de preocupação e o seu empenho formal de ir além do discurso.



Preservar bioma amazônico é tarefa fundamental.
Grandes prejuízo econômicos vem do desequilíbrio.

Excluindo-se qualquer viés da  discussão ideológica do tema, o desmatamento  da Amazônia e a necessidade de  preservação do importante bioma passam a ter importância determinante para o futuro do planeta e da humanidade. É simplista  afirmar que todos os  atuais desarranjos climáticos entre nós tenham epicentro na Amazônia. Não será  exagero, contudo,  afirmar que o que acontece na vida amazônica tem repercussão diretas entre nós. Despertar para esta realidade é urgente e configura fator inquestionável.

 

 

 

 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

RESPEITO ÀS DIFERENÇAS

 Com o seu atual formato,

democracia corre perigo?

(Imagens site Brasil Escola)


 

Se percorrida a sua trajetória  histórica, a democracia nunca foi, de fato, “o governo do povo, pelo povo e para o povo”, como  fomos ensinados. Aliás, normalmente não é assim,  embora haja o consenso de que é o sistema menos ruim  que temos à disposição. No  passado  recente e, em particular na atualidade, as feições são   carrancudas. Há quem enxergue uma névoa de incertezas, parece que  querendo  estacionar nuvens sombrias no horizonte.

Desde a sua origem, em Atenas, na Grécia Antiga (entre os séculos 6 e  5 antes de Cristo), as ações ditas democráticas eram para poucos – apenas os cidadãos -, ou seja, os oligarcas  ou aristocratas. Dessas ações só podiam participar aqueles que tinham posses e mais conhecimentos, portanto um  grupo minoritário.   Os escravos,  as mulheres, os despossuídos, os estrangeiros e os que não tinham uma idade mínima exigida, todos ficavam de fora.  Como os habilitados a tomar decisões também não trabalhavam, uma das  principais funções era fazer política. Nas assembleias se reuniam para tomar decisões. Era a  chamada Democracia Direta.

Vários filósofos, na época, entres eles Platão, difundiram suas diretrizes sobre a democracia. Em muitos casos eram posições entre si conflitantes. Um pouco mais tarde, o Império Romano instituiu a República. Era também um sistema de regulação das relações da vida da sociedade da época. Outra vez, porém, a maioria da população ficava à margem do processo. Normalmente a capacidade econômica e o maior conhecimento eram fatores determinantes como direito à participação dos ‘privilegiados.’

Em sequência, veio a Idade Média, até o século 15, fase em que a democracia entra em recesso geral. Centralizam-se as decisões através dos senhores feudais e da Igreja. Após esse ‘apagão’, o processo democrático   também fica calado pelo Absolutismo (o governo de reis  e de dinastias), durante a Idade Moderna.  Apesar do Renascimento em relação à cultura da Grécia e da Roma antigas, esse sistema centralizador e de poucas liberdades estende-se até o século 18.



Exceções pontuais de decisões coletivas, em favor do bem comum, são registradas entre povos indígenas na América, nas antes da chegada dos colonizadores (séculos 15 e 16).  No século 18, porém, dois eventos emblemáticos marcariam a retomada de práticas democráticas. O primeiro foi em 1776, na Guerra de Independência dos Estados Unidos. Outro evento relevante foi o da Revolução Francesa, a partir de 1789.

O Iluminismo, surgido na França, mas que se propagou rapidamente,  teve influência direta para este novo ciclo de mudanças. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, defendidos  como  mantras durante a Revolução Francesa , são um forte símbolo da democracia moderna. França e EUA são as principais referências. Tal movimento também ensejou o surgimento da   república moderna que, claro, não é o mesmo que democracia, mas defende liberdades.

 

Democracia moderna

 

O professor de Sociologia Francisco Porfírio avalia que a democracia na modernidade – a Democracia Representativa -   pressupõe algumas condições essenciais:  sufrágio universal; existência de uma Constituição regulando a política pública e os direitos e deveres de todos; igualdade de todos perante a lei, em respeito à Constituição;   eleição regular de  representantes;  e necessidade  de alternância no poder.



O direito ao voto feminino é bem recente na história da humanidade. Só em 1893 é que, pela primeira vez, na Nova Zelândia, as mulheres foram autorizadas a votar.  Nos Estados Unidos isso ocorreu só em 1920 e no Brasil, em 1932. No Brasil, ainda, apenas com a atual Constituição de 1988 é que os analfabetos passaram a ter o direito de votar.  

Especialmente a partir do século passado e neste início do século 21, é que surge o maior número países com perfil convencionalmente democrático. São em geral, porém, democracias  ainda frágeis e instituídas sobretudo por nações antes colônias de grandes potências. Esses novos governos não raro  desembocam em ditaduras de direita ou de esquerda cerceando as liberdades.

O Brasil tem de ser citado nessa análise. Como colônia e depois Império, o país foi o último nas Américas a declarar o fim da escravidão – a mais severa de todas. Já dos 133 anos de República, completados em 2022, a partir de 1889, somente 55 anos – de 1946 a 1964 – e depois a partir de 1985 são  considerados democráticos. No restante do período, conchavos políticos, voto de canhestro, coronelismo, revoluções e ditadura.

Há consenso de que não bastam apenas eleições para dizer que uma nação é democrática. Um processo  efetivo pressupõe algumas condições essenciais. Entre elas, liberdade de expressão, de circulação e de imprensa; possibilidade de voto e elegibilidade política; liberdade de associação política;  e  e acesso à informação; e eleições idôneas e reconhecidas.

 


Uma nova face

 

Principalmente


nos últimos anos, tem-se o fazer democrático ganhando novas feições  e nuances.   O filósofo francês contemporâneo Jacques Rancière escreveu o livro ‘O ódio à democracia’, em que ele disserta sobre a crise democrática que tem assolado os países no século 21.  Segundo o pensador, o mundo tem agido contra a democracia por uma espécie de medo  de que a democracia afete  o cidadão  médio nos seus intereses. Medo de que a democracia possa ser  o regime político por excelência.

Rancière afirma que a democracia é o regime do dissenso. Entretanto,  isso tem promovido a cisão da população. Ressalta, porém,  que é  normal que haja discordância dentro de um regime democrático, mas deve haver também respeito mútuo - e isto não vem ocorrendo. No lugar da união,  de unidade e de fraternidade, o que se tem é o ódio, a segregação. Basta pensar diferente par virar  inimigo. E, nesse ‘inimigo’, só se vê riscos; nenhuma virtude. Inimigo é para ser combatido. Também para o Brasil vale tem valido esta mesma lógica. E vale a  reflexão!

 


(Com informações de apoio dos professores Francisco Porfírio, de Sociologia, e  Vitor Soares, de História