A
difícil tarefa de fazer entregas
e
de pacificar uma nação divida

Lula, o novo presidente, quer unidade
nacional e retomar o desenvolvimento.
Quem
quer que fosse eleito, este ano, para ser o próximo presidente do Brasil, é
certo que não teria uma tarefa fácil. Portanto, o petista Luiz Inácio Lula da
Silva, indicado pelas urnas para governar a nação, terá pela frente muitos
desafios. Para começar terá como uma das missões principais unir e pacificar
uma nação dividida pela polarização política. Além de agregar estes ‘dois
brasis’, há um monumental rol de demandas exigindo soluções. Tem-se um país em
gradativa retração socioeconômica há mais de uma década, desindustrializado,
inflação em alta, baixa capacidade de investimentos e um desemprego crônico. O
tecido social, ademais, está completamente esgaçado e, a pano, que não é
qualquer pano que consiga remendar.
A
situação, que já não era boa desde o início da década passada, só piorou com a
pandemia da covid a partir de 2020. Já há alguns anos, o Brasil voltou a voltou
a figurar no mapa nada colorido da fome. Dados oficiais indicam que, em 2021,
36% dos brasileiros enfrentaram alguma dificuldade para se alimentar. Esse
patamar é superior ao da média mundial e quase três vezes superior ao índice de
depois de 2010, em território nacional. Assim, enfrentar esse gigantesco
problemas social. com auxílios emergenciais e a geração de empregos, é tarefa
indispensável e urgente.
O
presidente eleito Lula tem preconizado como meta alavancar investimentos e desindustrializar
o país. Contudo, isso não é fácil a qualquer governante, na atual conjuntura.
Há um orçamento limitado e cujas receitas têm de atender, primeiro, demandas
essenciais e urgentes. Estão, entre elas, setores com escassas entregas no
passado recente, em educação, saúde, desenvolvimento e programas sociais,
segurança pública, cultura e meio ambiente.
O Brasil de mãos dadas, como um
dos grandes desejos nacionais.
Apesar
deste contexto, o Brasil precisa crescer. O Produto Interno Bruto da indústria
já chegou a 30% da geração econômica nacional. Atualmente, a contribuição do
setor é pouco mais de um terço disso. A visão estatizante do novo governo não
sugere parcerias em larga escala com a iniciativa privada. Ainda assim, a
disposição é incrementar a agricultura, a partir do segmento familiar, e
programas oficiais como o habitacional Minha Casa, Minha Vida.
É
de se considerar, ainda, que a gestão Lula está formando 37 Ministérios, número
quase recorde. A ‘engenharia’ política é para aglutinar os muitos partidos que
agregam apoio. Resta saber se, neste amplo espectro de diferentes tendências,
haverá ambiente de unidade e de implementação dos resultados pretendidos.
Proposições
O
ano de 2022 deve fechar com inflação entre 2,7 e 3 por cento. Porém esse
sinalizador momentâneo de crescimento econômico não mantém, a seguir, a mesma
tendência. Para 2023, a perspectiva de crescimento em torno de somente 1 por
cento. Fatores nacionais e globais indicam esse quadro.
Campos Neto: o governo como grande
indutor da política de desenvolvimento.
Falando
recentemente ao jornal Estado de S; Paulo, o economista Sílvio Campos Neto, da
Tendências Consultoria, disse que “governos de quaisquer ideologias precisam
implementar ações compartilhadas com o mercado e o empresariado, indutoras de
novos investimentos.” Logo, realizar as privatizações necessárias é uma das
medidas sugeridas pelo economista.
Campos
Neto destaca, contudo, que mais do que isso é preciso fazer reformas que hoje
engessam o crescimento. “A primeira das reformas tem de ser a tributária e,
havendo condições, também deve ser feita a reforma administrativa”, segundo
avalia. O técnico diz que o cenário ideal é descomprimir a pressão da máquina
pública e modernizar a política fiscal.
O
economia da Tendências reconhece, porém, que existe uma série de fatores
desfavoráveis. Um dos enfrentamentos imediatos é diminuir a inflação em alta e
reduzir o custo do crédito. Outra ação proposta é viabilizar recursos para
fazer investimentos, gerando empregos e renda.
Há,
nessa conjuntura, um consenso entre os economistas. Se a situação não é boa no
Brasil, também não é no exterior. O Estados Unidos está em desaceleração
econômica, os países da Zona do Euro têm escassez de fontes de energia, em
especial do gás natural. A China, maior parceiro comercial, crescerá bem menos
que o normal. O conflito da Rússia invadindo a Ucrânia respinga no mundo todo.
Mesmo assim, o Brasil tem de buscar os parceiros internacionais, e esta é a
disposição anunciada por Lula.
A
pacificação
Jair Bolsonaro, presidente atual,
encerra ciclo da história do país.
Em
meio a tantos problemas a equacionar, outro enorme desafio é unir os
brasileiros como uma nação efetiva e fraterna. A realidade mais recente tem
mostrado, entretanto, que esta não é uma tarefa simples. As hostilidades e o
divisionismo político, nos últimos anos, são os mais impactantes em todo o
último período de redemocratização no país. E se está falando do mais longo
período republicano dito democrático, de 34 anos, em que ocorreram dois
impeachments presidenciais.
Desta
forma, o novo governo Lula, na sua terceira gestão, provavelmente terá bem mais
dificuldades que nas duas anteriores. No caso da harmonização nacional, será
necessário agir como “um elefante circulando entre cristais.” Vem pela frente,
portanto, a espinhosa missão de não impedir as manifestações democráticas, mas,
ao mesmo tempo também, neutralizar seus excessos – sem que isso se transforme
em novos tensionamentos.