sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

UNIÃO MUNICIPAL ESPÍRITA

Na pandemia, UME prega empatia e

solidariedade.“Deus faz tudo certo”

Instituição apoia 13 casas na região, 7 na cidade

 

 A UME tem trazido à cidade grandes palestrantes.
O resultado é sempre semelhante: uma casa repleta.

Alicerçada no tripé religião, ciência e filosofia, a Doutrina Espírita foi codificada por Allan Kardec na segunda metade do século 19. Em menos de 200 anos são muitos os avanços e os adeptos pelo mundo. Trata-se da doutrina da ‘fé racionada’, do conforto, do consolo. Provavelmente por esta missão é que tenha rápida expansão pela região de São Borja. Daí que, em 1992, surgiu a UME (União Municipal Espírita). Com participação da entidade já são sete casas na cidade. E  ainda com assessoria da entidade outras seis estão em funcionamento em localidades próximas.

No início pandemia de Covid-19, a União Municipal Espirita inaugurou, há mais de dois anos, um programa virtual que se mantém até agora. Em todos os domingos, palestras e reflexões têm transmissão pelo youtube e o facebok. As pessoas de modo geral, de diferentes cidades de todo o país, têm acompanhado e participado dos trabalhos via internet.



O atual presidente da UME, André Marchioro.
"Que aprendamos todas as lições da pandemia."


As palestras públicas e atendimentos foram suspensos no início da crise sanitária.  Depois, com a flexibilização de protocolos, foram feitas adaptações, sendo parcialmente retomado o acesso.  A direção da UME diz que foi fácil a adaptação. O mais difícil é que muitas pessoas ainda não têm  suficiente habilidade no manuseio das  redes sociais. “Para estes irmãos oferecemos outros meios, como ligação telefônica ou visita domiciliar, quando possível”, explica o presidente André Marchioro.

Além de apoio espiritual, a maioria das casas espíritas também oferece ajuda material. “Através do conhecimento da doutrina, percebe-se que todos nós seres humanos possuímos carências, uns na área emocional, outros de recursos materiais, e as nossas casas procuram oferecer apoio em sentido amplo, por meio de ações voluntárias”, diz a vice-presidente da UME, Ângela Mari Siqueira. Com a tribulações da pandemia, aumentou a procura por auxílios de toda ordem, inclusive das  bibliotecas em busca de ajuda para a alma.

Para a Doutrina Espirita, “estamos  vivendo em uma época de Transição Planetária. É um momento, sim, muito triste e tenso, onde muitos seres humanos choram a perda de seus entes queridos, mas compreendemos e acreditamos que estamos sob o comando Divino, e nosso pai, Deus, faz tudo certo. Não temos que questionar; apenas nos desenvolver empatia e  atenuar a dor do próximo.”

O pedido é de   compaixão. ‘Nestes momentos de grandes calamidades, a solidariedade se faz indispensável. As pessoas têm de se unir. Quando se aprende por amor não se aprende pela dor”, observa André Marchioro.

 

A expansão

 


A vice-presidente da instituição, Ângela Mari 
Siqueira. "Eventos virtuais levam doutrina."

A União Municipal Espírita de São Borja foi criada em 1992, com o auxílio da Federação Estadual do Rio Grande do Sul, à qual é  filiada. Os seus dirigentes ressaltam que a entidade expandiu-se  rapidamente, graças à divulgação e ao trabalho desenvolvido.  Em 2006, São Borja recebeu significativa doação do empresário Celso Rigo e, com esse apoio, vários avanços materiais e de difusão da doutrina foram implementados.   

Em São Borja é notória a capilarização na  comunidade. São sete as casas espíritas em funcionamento:

Associação Espirita Jose Ferreira de Moraes (a mais antiga, com mais de 90 anos) e Centro Espírita Francisco de Assis, na área central da cidade; Instituto de Cultura Espírita Caminho da Luz (bairro Rodoviária); Centro Espirita Bezerra de Menezes (bairro Paraboi); Centro Espirita Amor e Luz (bairro José Alvarez); Centro Espirita Irmão Rosalino (bairro do Passo); e Centro Espirita Allan Kardec (bairro Pirahy).

 Ainda integram o mesmo conjunto de ações com apoio da UME o Centro Espirita Allan Kardec de Santo Antônio das Missões e também as instituições de Itacurubi, Maçambará e Garruchos, bem como da localidade de São Jose.



Outro evento de grande público, para
ouvir e refletir ensinamentos de Kardec.


A contribuição material de Celso Rigo foi destinada à  construção das casas na região. Em São Borja, na cidade, a maioria das instalações foram implantadas ou melhoradas.  Integrantes da UME oferecem assessoria as essas casas comunidades na região, promovendo cursos e palestras.

Antes da pandemia,  os centros maiores (Ferreira de Morais, Caminho da luz e Francisco de Assis) recebiam, em média, 200 pessoas por  semana, para atendimento e participação em palestras. Agora o numero de frequentadores está em torno de 60% do normal. Uma das preocupações é seguir as normas dos decretos municiais e estaduais.

 

Voluntariado

 

A UME, para prestar atendimento material e espiritual, fez adaptações. Atendimentos são oferecidos por telefone, internet  e por meio de aplicativos. “Sendo criativo, são muitas as maneiras de fazer chegar a mensagem Kardequiana, segundo ressalta Mari Siqueira.



Também o teatro: a arte a serviço de uma
'fé raciocinada' e de uma missão de reflexão.


Quando possível, são trabalhados os cinco livros da codificação: Livros do Espíritos, Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno e a Gênese.  Como obras complementares, as principais são as de Chico Xavier.

Os trabalhos voluntários não cessam, em várias áreas de atuação. Entre as ações, estão assistência aos necessitados,  evangelização de crianças, jovens e adultos, assim como  trabalhos mediúnicos. Ainda acontecem atendimentos fraternos,  através de visitas domiciliares  pelos caravaneiros do Evangelho. Palestras e passes também fazem parte da rotina das  casas.

 

Desafio da evolução  

 

Média de 200 frequentadores nos três centros 
maiores, mas em eventos maiores casa lotada.
 


Nestes últimos 60 anos, mundo deu um salto gigantesco em evolução. As inteligências humanas criaram muito, a tecnologia se desenvolveu também. Entretanto, os corações continuaram orgulhosos e egoístas. Então se fez necessário um choque de realidade em que  pobres e ricos estão do mesmo modo sendo

afetados pela Covid. “Esperamos, sinceramente, que todas as lições divinas estejam sendo aprendidas, para que logo estejamos curados deste vírus e melhores como serem humanos e serem espirituais,” pondera André Marchioro.


Rotina de muitos, sempre, para
estudar a Doutrina Espírita.


A caridade material é apenas uma das que têm de ser praticadas. A UME orienta pela distribuição de  alimentos e de agasalhos aos mais necessitados.

 Como exemplo, na Sociedade Ferreira de Morais, aos sábados, são distribuídas 70 marmitas que atendem a 150 pessoas. Grupos espíritas também levam apoio e conforto ao Hospital Ivan Goulart, ao Asilo São Vicente de Paula e ao Presídio Estadual, entre outras instituições.

Já a Comunidade Terapêutica Chico Xavier, que atua há 11 anos em São Borja, com administração direta, atualmente, de Pedro Bouchet, funciona como um braço social da Sociedade Ferreira de Morais. Já a Comunidade Terapêutica Feminina esteve três anos de portas abertas, mas foi forçada a cessar atividades por falta de recursos financeiros de manutenção.


Grupo dirigente da Comunidade Terapêutica Chico Xavier.
Pedro Bouchet é presidente, assim como do Ferreira de Morais.

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