sábado, 31 de julho de 2021

VENCENDO A PANDEMIA

 

Museus municipais e a Biblioteca

 Pública retomam atendimentos

 



    A Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer confirma que os museus administrados pelo município, assim como a biblioteca pública estão novamente com  atendimento normal ao público. A retomada ocorre após as restrições provocadas pela pandemia da Covid-19.

 

      São cinco museus sob gestão da Prefeitura - Getúlio Vargas, João Goulart, Missioneiro Apparício Silva Rillo, Ergológico da Estância, e Museu do Esporte Alcino Rosa. Também volta a atender o público a Biblioteca Municipal Getúlio Vargas. São espaços culturais responsáveis por preservar a história, cultura e tradições de São Borja  de referências nos campos social, econômico e político.

 

     Os museus estão com funcionamento de terça-feira a sábado, das 8h às 12h e das 14h às 17h. Nos  domingos, abrem das 14h às 17h. Já a Biblioteca Pública,  também com atendimento ao público reestabelecido, está aberta, de segunda à sexta-feira, das 13h às 17h.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

DA CENA BRASILEIRA

 

Até o feijão com arroz!


     Não é de hoje que nós, brasileiros, nos queixamos da inflação dos alimentos. No período mais recente, porém, comer – e sobretudo comer bem – virou um grande dilema, um gigantesco desafio, especialmente às camadas mais pobres da população. A pandemia tem a ver com isso, entretanto não pode ser sentenciada como sendo ela a única culpada.

       É surreal, mas até o nosso prato mais típico – o tradicional  feijão com arroz –, está, para muita gente, inviável. Levantamento mostra que, entre março de 2020 e março de

 2021, estes dois itens básicos da nossa rotina  alimentar aumentaram de preço em mais de 60%.  Pagar mais de  oito reais por um quilo de feijão e em torno de  cinco por um quilo de arroz passou  a  ser  algo inacessível para uma grande parcela das nossas famílias.  Isso nos tira a chance da alimentação de costume e adequada, ao mesmo tempo  em que nos rouba a própria identidade. No caso em questão, portanto, até podemos nos alimentar, contudo deixamos de comer normalmente.

         E o feijão com arroz são apenas o exemplo mais representativo, contudo a lista é bem mais ampla. O óleo de cozinha e os hortifrutigranjeiros também estão ou estiveram nas alturas. O churrasco – símbolo da confraternização e dos nossos encontros – saiu da rotina  para muitas famílias brasileiras. Entre os  gaúchas a ausência é ainda mais impactante e sentida. Aves, ovos e carne suína passam a ser alternativas. Quando não, em casos extremos, ossos bovinos, viram solução para fazer sopa. Na atual conjuntura, não tem auxílio emergencial que dê conta.

       Na mesma escalada, vem o desenfreado aumento no preço dos combustíveis. Um botijão de gás de 13 quilos está bem acima dos cem reais. Quando possível, volta-se para o fogão a lenha. Entretanto, é uma prática em desuso, mais arriscada e, quando possível,  também  custa  caro. Já a   gasolina, o diesel e o etanol nunca estiveram com o seu valor tão alto como nos últimos tempos. A troca na direção e a promessa de  mudanças na estatal do setor não foram além de anúncios. Operadores do transporte falam em parar tudo no país.

        Para quem tem emprego ou outra forma certa de algum dinheiro, uma ginástica financeira permanente vai contornando a situação, mesmo não sendo fácil. Mas o que dizer e pensar de um quarto da população de compatriotas, sem nenhum ganho  formal ou mesmo na informalidade? É curioso  que nessas manifestações de rua,  contra e a favor, estes clamores sejam pouco  verbalizados. Não que isso garanta alguma solução, porém é um bom e ao mesmo tempo  dramático sinalizador da sangria social brasileira. E com as eleições de 2022 teremos a solução? Promessas, eu tenho certeza que sim!

 

 

 

 

 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

LA NIÑA E OUTROS FATORES

 

Déficit hídrico é ameaça à

futura lavoura de arroz

 




       Aproveitando o período de estiagem, em julho, foram intensificadas as operações em São Borja, visando ao preparo de solo para a implantação  da futura lavoura de arroz, ciclo 2021-2022 (nas imagens do Irga). Boa parte das terras já está pronta, mas muitas ainda são as dúvidas rondando a cabeça dos produtores. No município, ninguém arrisca projetar de que tamanho será a próxima cultura orizícola. Um dos motivos principais é o déficit hídrico dos sistemas de irrigação, que, se não for equacionado a tempo, pode determinar uma nova redução de área de cultivo.

      E não se trata de um problema local, isolado. Em toda a Fronteira Oeste – região maior produtora do grão no Rio Grande do Sul – a situação é semelhante.   Há mais de um ano, chove abaixo do normal nessa porção do território gaúcho. Mesmo os rios maiores e seus afluentes mantêm níveis baixos, contudo o que mais preocupa é a situação das barragens. Elas, em muitos dos municípios da região, são a principal fonte de irrigação.

     É o caso de São Borja, conforme o diretor da unidade local do Irga (Instituto Rio-Grandense do Arroz), técnico agrícola Roger Portela (foto arquivo pessoal). Ele explica que, no município, “muitas  lavouras de arroz à margem dos rios deram lugar às de soja e, hoje, 55% da cultura orizícola depende das barragens”.  Como estes mananciais estão, atualmente, com apenas entre 40 e 50% da sua capacidade, tudo é incerto em relação ao que vai acontecer.

      Portela observa que ocorrências de chuva como as do início da semana acabam atrapalhando ao invés de ajudar. São precipitações que, além de não conseguirem repor os sistemas de irrigação, interrompem a preparação das terras. “Somente chuvas concentradas e volumosas, acima dos 100 milímetros, podem reverter o quadro”, segundo destaca.

 



       Sems decisivas

 

          Nos últimos anos, São Borja começou a semear mais cedo a lavoura de arroz. Áreas pontuais já são semeadas no final de agosto e as demais, a partir de 10 de setembro como regra geral. Desta forma, é indispensável que o retorno da chuva se dê de forma consistente já nas próximas semanas, para ao menos repetir a área plantada do ciclo 2020-21.

        Na penúltima safra, foram 37,5 mil hectares cultivados no município e no último ciclo (2020-21) foram 36,9 mil hectares. Em passado não muito distante, porém, o município, já registrou o plantio de  área superior a 50 mil hectares.    Um ‘fenômeno’  chamado soja é fator responsável  para isso.

      A maior liquidez da oleaginosa e a sua demanda e cotação crescentes no mercado internacional explicam por que menos arroz e mais soja. Os espaços destinados à pecuária também vêm perdendo terreno para os sojicultores. Muitos desses produtores vêm de fora do município.

       O escritório municipal da Emater ainda não cravou percentual, mas a convicção, desde já, é que a lavoura de soja no município terá nova expansão. No ciclo 2020-21 foram 75 mil hectares, quase 10% sobre a safra anterior. “O incremento ainda depende de uma série de variantes, mas o certo é que haverá novo aumento”, diz o diretor local da Emater, Odacir Decol.

 

        Insumos: caros e escassos

       

     Acostumado com a rotina de diversas culturas, como arroz, soja, milho e trigo, o multiprodutor Jones Dalla Porta vive um momento de incertezas em relação à futura lavoura orizícola. “O  que já é certo é que, neste ano, não haverá expansão da área  semeada”, diz ele. Além de todos os demais fatores adversos, o empresário rural ressalta  que os custos de produção estão muito altos.

        Dalla Porta se queixa de que, devido à pandemia, a escala de produção dos insumos de modo geral e também de máquinas e implementos agrícolas caiu no mundo inteiro. “Isso afetou  diretamente a oferta e, como consequência, provocou uma significativa elevação de preços”, relata.  Ele acha que os produtores, antes de plantarem, estarão atentos não apenas ao  clima, mas também a toda a conjuntura econômica.

 



      Outros fatores

 

      O regime insuficiente e irregular de chuvas, há mais de um ano e que provoca déficit hídrico  histórico, é atribuído ao fenômeno climático La Niña. Há indicadores de que, depois um hiato na escassez de chuvas, haveria reprise do déficit  pluviométrico, uma vez passada a  primavera.  Existe ainda a tese de pesquisadores de que os desarranjos do clima no Sul do país – secas, temporais e desregulação geral - têm a ver, também, com os desarranjos e agressões na Amazônia.

      O fato é que, de qualquer modo, o rio Uruguai em São Borja, por exemplo, se mantém há quase dois anos a menos de três metros acima do nível. O que então esperar dos rios menores, sangas e barragens?   Isso explica por que cada vez mais produtores implantam seus sistemas de irrigação, para depender menos de ‘São Pedro’.

       Para piorar mais o cenário, não se descarta um apagão no fornecimento de energia elétrica no país. A causa central é a falta de chuvas na região Sudeste, que concentra 70% da energia gerada pelas hidrelétricas brasileiras. A retomada das atividades econômicas no pós-pandemia e a consequente maior demanda energética seria outro fator determinante para um possível colapso.

        Apagão ou racionamento, o certo é que o risco de desabastecimento não está descartado. No caso do sistema de irrigação e dos levantes das lavouras de arroz seria outro impactante fator negativo.  O sistema de regulação do governo federal diz que trabalha para que nada aconteça.

 


terça-feira, 27 de julho de 2021

SÃO BORJA INTENSIFICA AÇÕES DA RONDA SOCIAL

 Em função da nova onda de frio, esta semana, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) intensifica as ações da sua equipe do serviço de Ronda Social . O reforço nas atividades já começou na segunda-feira (26)  e vai prosseguir ao longo dos próximos dias.  Além de levar em conta a queda nas temperaturas, a iniciativa também considera a recente mudança do local de funcionamento do Albergue Municipal.

        A abordagem é  principalmente a pessoas em situação de rua e que não tenham onde permanecer.  O albergue agora está funcionando no mesmo local do Centro Dia do Idoso, na Rua Sarandi, 330 , bairro Itacherê. O acesso é a partir das 19h, sendo necessário realizar teste negativo para Covid.  O teste em relação ao Coronavírus poder se feito no Centro de Triagem até as 22h.

      Nesses dias de muito frio a equipe do CREAS (Centro  de Referência Especializado   em Assistência Social) orienta para que os moradores de rua façam uso do abrigo oferecido pelo albergue. Além de pernoitar no local, são possíveis duas refeições - janta e café da manhã. Em espaço mais amplo, o Albergue Municipal pode agora abrigar toda uma família em caráter emergencial.

 

 

domingo, 25 de julho de 2021

COM FINANCIAMENTO DO BADESUL

 

São Borja detalha projeto

da sua Avenida Beira-Rio

 



     Elaborado pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Planejamento, foi entregue ao prefeito Eduardo Bonotto o projeto visando à futura implantação da Avenida Beira-Rio em São Borja, incluindo obras de urbanização da orla do rio Uruguai.  A ação, uma vez implementada, terá impacto significativo na  revitalização da região do Cais do Porto. Além de redimensionar o local, será um grande impulso, também, ao incremento do turismo na cidade.

     O projeto é para ser implantado na rua Bernardino Vargas (futura Avenida Beira-Rio), no trecho entre a rua Tiradentes e a rua da República, a oeste do Cais, no bairro do Passo. É região que corresponde ao chamado Porto do Angico. São  projetados cerca de 43 mil metros quadrados de urbanização na margem brasileira do rio.

A iniciativa prevê uma avenida composta por duas pistas de circulação com faixa dupla, estacionamentos, ciclovia e passeios públicos. Ainda será urbanizado o entorno da avenida, com pistas de caminhada, área de playground, academia ao ar livre, decks e mirantes. O complexo inclui letreiro turístico, praça de alimentação com quiosques-containers, churrasqueiras e banheiros públicos. Em etapa posterior,  o projeto prevê instalação de  um restaurante panorâmico, que deverá ser explorado sob concessão à iniciativa privada.

O projeto tem o cuidado  de preservar ao máximo as espécies vegetais de grande porte existentes no local (como na imagem). Além disso, toda a estratégia paisagística foi pensada para preservar todo o conjunto do ecossistema nas proximidades.

   O investimento será na  ordem de R$ 3,5 milhões para implantar a avenida beira-rio. Está definido financiamento do Badesul. O prefeito Eduardo Bonotto acredita que a realização dessa obra “irá trazer inúmeros benefícios para a cidade, sendo uma espécie de divisor de águas para o rico potencial turístico de São Borja”.

O arquiteto responsável pelo projeto, Diego Bicca, explica que a etapa inicial  corresponde à abertura das ruas, pavimentação, colocação de meios-fios , passeios públicos, iluminação e drenagem. As demais ações  - implantação das pistas de caminhada, playground, academia ao ar livre, deck’s e mirantes, letreiro turístico, área de alimentação, churrasqueiras e banheiros - serão realizadas em etapas posteriores, conforme disponibilidade orçamentária.

 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

ENTREVISTA: Ariane de Magalhães Trindade


‘Médica das almas’ vê pandemia

como uma  chance de evolução

 


“A leitura que faço de mim diz-me que sou uma pessoa pronta ao aprendizado e aberta às inúmeras possibilidades que possam ocorrer dentro de valores morais e éticos”. Assim autoavalia-se a entrevistada de hoje do BlogAlberiCogo, a médica Ariane de Magalhães Trindade, 67 anos (foto arquivo pessoal). Porém, mais do que uma dedicada profissional da áreas da  Saúde, essa pelotense, há 41 anos vivendo em São Borja, é sobretudo uma “espiritualista”, como se define; é uma autêntica médica de almas. “Não me dou bem com as injustiças . Sofro com o desamparo social, financeiro, educacional  e todas as consequências que se estabelecem por descasos”, ressalta

      Doutora Ariane, como a conhecemos, veio para a cidade em 1980, após casamento com o colega de turma na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o atual médico-cirurgião Marco Antônio Trindade. Começou atendendo em consultório e realizando endoscopias digestivas no Hospital Ivan Goulart (HIG). A seguir, fez pós-graduação em Saúde Pública. Em 1994, iniciou atendimentos através da Secretaria Municipal de Saúde, com atividades de apoio a pacientes soro positivo, portadores de hepatite e de redução de danos no quesito saúde. Em 2006 fui deslocada para atender na Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro Betim. Em 2012 deixou a UBS, ao convite para ser médica clínica na Clínica de Hemodiálise do HIG, onde permanece.

      Atualmente, Ariane Trindade mantém  consultório no Edifício Andradas, atuando como  gastroenterologista e médica  clínica. Já na Clínica Renal de Hemodiálise o desempenho  é como médica clínica geral. Apesar das muitas atividades profissionais, “ em tempo integral sou mãe ,sogra e avó de adoráveis criaturas”. O curso de Medicina concluiu  em 1977, fazendo Residência Médica na Santa Casa de Porto Alegre, unidade ligada à Fundação  de Gastroenterologia e  Endoscopia Digestiva (FUGAST).

 

 O grande desejo

 “Eu gostaria de viver em um mundo sem ambições, vaidades, poderes, corrupções; um mundo de respeito às diferenças individuais e sociais. Gostaria de ser um instrumento de trabalho minimizando a dor do outro. Sou espiritualista;  prefiro me ligar diretamente ao Criador,  à natureza, ouvir os sons do universo, a ter que  seguir dogmas religiosos . Somos todos um! Dentro desse conceito,  trabalho na Associação Espírita Allan Kardec, bairro Pirahy, minha  segunda família”.

 

A pedagogia da pandemia

“A pandemia é uma tragédia. E, como tal, abriu feridas lastimáveis. Porém obrigou a novos comportamentos e entendimentos tecnológicos, solidários, reflexões pessoais e coletivas. Nos tirou, quem sabe, de uma zona de conforto, convidando a nos reinventar. Sairemos diferentes, sim, mais fortes e mais generosos. Aprendemos que não precisamos de muito para viver. Aprendemos a conviver com familiares próximos, a cuidar de nossos filhos e que a riqueza enfrente a doença, nos torna todos iguais. Descobrimos habilidades em nós. Penso que as nações estão sabendo lidar com as questões que surgem, tudo é novo e experimental, é muito difícil.

 

Sobre os desvios morais

“A imperfeição, a ambição e o desconhecimento de ética ainda existem no ser humano. Por isso, nos deparamos com aproveitadores de ocasiões querendo enriquecer, desviando recursos, encarecendo medicações e matéria bruta para sustentar a crise. Lamentável. Esses são assassinos, parasitas, sugadores das sociedades”.

 

Não morremos antes da hora

“O luto e a morte são fenômenos naturais , nos acompanham desde nossos nascimentos e ainda não sabemos lidar com eles. A morte só acontece com o corpo físico. O espírito é imortal; ninguém morre. Muda-se de estado, do físico para o etéreo. Fica o vazio da partida, que deve ser preenchido pela gratidão da oportunidade de convivência que existiu. Seria bom pensarmos que quem vai, foi promovido, ficará em outo país, fazendo o que gosta, estudando, trabalhando, passeando, sem as doenças e limitações que o corpo estabelece. Que a através da mente nos comunicamos e que à  noite nos encontramos para o abraço e para pôr o resto da conversa em dia   Acredito  que nascemos com uma” bateria”, com tempo de vida; quando ela acaba, vamos . É necessária uma causa para a partida, geralmente é uma doença ou acidente;  agora foi um vírus. A doutrina espírita diz que  não morremos antes da hora”.

 

Dor como instrumento de evolução

“A dor é instrumento de aprendizado, pois quando tudo está  suportável, nada fazemos para evoluir. A dor nos estimula à fé, à religiosidade, mostra nossa fragilidade. Ela  nos diz que  o que a Terra  oferece não é mais suficiente para aliviar nosso pranto. Incapazes,  erguemos os olhos ao Pai, pedindo misericórdia. O sofrimento não deve ser visto como castigo. Isso não existe, vindo do Pai, mas é estímulo à evolução de cada um. Não precisaria existir a dor e não existirá mais quando a humanidade também se tornar mansa e misericordiosa!”.

Seremos melhores

“Seremos todos outros após a pandemia,  cada um em cima do aprendizado que fez. Somos seres humanos em diversos graus de evolução; assim cada um desperta a seu tempo e em momentos diferentes. Essa compreensão nos faz mais tolerantes , pacientes e amigos”.

 

Na falta de fé, tudo piora

“A falta de conhecimento, de segurança e a necessidade de itens básicos à sobrevivência,  assim como a falta de fé nos tornam pessoas vulneráveis a maiores sofrimentos. As emoções e seu não controle nos adoecem;  as pessoas é que se desequilibram, necessitando de terapias e medicações para evitar desespero maior e suicídio. A pandemia desestabilizou muitos. A procura de medicação amentou consideravelmente. Infelizmente, vemos como todos suportam pouco a dor. Entendo que isso seja falta de fé, de religião”.

 

 Tudo está certo!

“É preciso acreditar em uma energia maior,  que a todos nós sustenta. logo, tudo está certo. Nas linhas tortas do Pai, tudo está certo. Nossa felicidade e  nossas dores respondem a uma lei universal de ação e reação, onde iguais se atraem”.

 

 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

SUSTENTABILIDADE

 

Energia solar já toma conta

dos telhados são-borjenses

 



          Numa semana de dias encobertos e temperaturas as mais baixas do ano parece  paradoxal falar em geração de energia solar. Contudo, o cenário aparentemente pouco sugestivo contrasta com a realidade que coloca São Borja como um dos municípios no Rio Grande do Sul que mais investem em geração  fotovoltaica.  Atualmente, já são 745 unidades geradoras,  instaladas principalmente em telhados, além de outros ambientes apropriados. Em 2018, já ficamos no 10º lugar no ranking gaúcho e, hoje, estamos no 17º. A tendência segue de rápida expansão, inclusive na capacidade de geração energética.

        No mundo, o Brasil ainda está entre o 9º e o 10º lugar, dependendo dos  indicadores, mas a tendência é de incremento gradual substancial. E não apenas por que o país  enfrenta a sua maior crise hídrica em quase um século, afetando diretamente a produção das suas  hidrelétricas. Isso faz  usar mais as usinas termoelétricas e a conta de luz fica bem mais cara. Mas, além destas motivações, o consumidor se dá conta que pode, a partir da irradiação do sol, produzir sua própria energia – limpa e permanentemente renovável. Mais que a atitude em defesa do meio ambiente, a iniciativa é também em defesa do bolso.

         Outro fator de estímulo é que dá para  financiar a implantação do sistema. Desta forma, com um valor menor do que o da tarifa antiga de energia é possível pagar o financiamento. E com uma grande diferença: enquanto os empréstimos bancários são de três, cinco, sete anos, a vida útil do sistema fotovoltaico  é de, no mínimo, 25 anos. Com o crescimento das demandas, a tendência natural é de redução dos custos de equipamentos e de sua instalação.

     Mercado cresce

      Para atender demandas das regiões das Missões e Fronteira Oeste, em 2018 surgiu a primeira empresa de instalação de módulos de captação de energia solar. De iniciativa de três engenheiros elétricos egressos da Unipampa/Alegrete, o empreendimento instalou-se em São Luiz Gonzaga e hoje espalha serviços por quase todo o território gaúcho. Já São Borja aderiu de tal modo a investimentos no setor que a empresa, há dois anos, montou sucursal na cidade.

       Atualmente, são vários prestadores de serviço à disposição na área, disputando um nicho que não para de crescer. Uma empresa fluminense, por exemplo, está por implantar um projeto de grande porte a um empreendedor local, à saída da cidade, nas proximidades das BRs 285, 287 e 472.   

      De acordo com o engenheiro Guilherme Zancan Copetti, da empresa pioneira em atividade na região,  das745 unidades geradoras instaladas em São Borja, 450 usuários locais são seus clientes. A maioria das instalações é para uso residencial, com utilização de até 20 placas de geração. Entretanto, também grandes empresas implantaram suas estruturas, ativando desde pouco mais de 100 até mais de mil painéis.

    O relato dos usuários é animador. Normalmente, a tarifa de energia elétrica cai cerca de 80% dependendo do enquadramento. É preciso, porém, manter conexão com a concessionária de energia, na região a RGE, pagando para tanto uma tarifa mínima. Essa taxa básica inclui custo de iluminação e tributos como ICMS, PIS e Ccofins. Eventuais sobras de geração são ‘guardadas’ pela concessionária  e o cliente tem o prazo máximo de cinco anos para utilizar no abatimento do seu consumo futuro. 

        No Rio Grande do Sul, cidades como Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Canoas e Porto Alegre lideram no ranking da instalação de sistemas geradores. Novo Hamburgo e outras localidades na Região Metropolitana, mais Passo Fundo são outros exemplos. O meio rural vem ampliando investimentos, a exemplo do comércio e da indústria.



         No Brasil  

      O Brasil tem na totalidade  537.108 sistemas geradores de  energia solar, o que significa uma potência de geração de  6.369.404,59 kW, segundo informa o engenheiro Copetti.  Atualmente, o Rio Grande do Sul possui 73.126 sistemas gerando energia solar, o que representa uma potência instalada de 762.142,07 kW.

       No ranking por estados no Brasil, em potência instalada com energia solar , a liderança é de Minas Gerais, com 17% do total. Depois, aparece São Paulo ( 12,5%) e em terceiro lugar o Rio Grande do Sul  com 12,4%. Na sequência vêm Mato Grosso (7,5% ), Paraná (5,7% ) e Goiás (5,3%).

      No Brasil a geração solar por segmento de consumo se distribui assim:   75,2% é residencial; 15,1% comercial; 7,1% rural e 2,2% é industrial. Apesar da expansão recente, a energia solar ainda  representa somente 1,9% da matriz energética brasileira. O engenheiro Guilherme Copetti  detalha que, no país, 59,3% da energia vem das hidráulica e 14,9% do gás natural, petróleo e carvão mineral. Já a energia eólica responde por 10,1% , a biomassa por 8,3% e a energia comprada de outros países é de 4,4%.

          Perspectivas

          O Brasil ainda está longe de atingir patamares de grandes produtores de energia solar, como é o caso da China, Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra e outros países desenvolvidos. Guilherme Copetti ressalta que, ainda assim, existe um amplo mercado promissor a trabalhar e a conquistar. “Bem que esses 4,4% da energia que importamos podem perfeitamente se produzidos no mercado interno”, exemplifica.

        Na avaliação do técnico, à medida em que a demanda cresce os custos de instalação vão caindo. Ele observa que, por causa da pandemia, chegaram a faltar ou atrasar painéis, inversores e outros insumos, mas a tendência agora é de normalização do mercado. A gradativa queda do dólar em relação ao real também favorece, já que a maioria dos equipamentos tem de ser importada.

 



segunda-feira, 19 de julho de 2021

SMEd investe em informática e bonectividade

 



A Secretaria Municipal de Educação em São Borja segue trabalhando para, cada vez mais, melhorar o desempenho em suas escolas. Apesar dos entraves da pandemia, ao longo do ano foram admitidos, através de concurso público ou processo seletivo, mais de uma centena de professores e servidores de apoio. Mas a SMEd também investe no sistema operacional das unidades escolares, sendo a área de informática e serviço de  internet um dos exemplos.

O secretário titular da pasta, João Carlos Reolon, confirma a aquisição de 65 novos computadores, que vão atender demandas de 19 escolas da rede municipal – de Educação Infantil e de Ensino Fundamental. Paralelamente à compra dos novos PCs, a secretaria investe também  em conectividade. Nos dois últimos anos – 2019 e 2020 -, cada escola recebeu recursos na ordem de R$ 3 mil, para manutenção dos serviços, através do PDDE, programa do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Agora o secretário Reolon comemora mais um avanço: um contrato de geração de sinal de internet banda larga com a empresa Avato, que pode ser renovado anualmente.

O secretário explica que, além de a nova sistemática proporcionar maior agilidade de gestão e operacionalidade eletrônica, as escolas podem garantir melhores serviços à comunidade assistidas.  “A nossa expectativa é de que consigamos oferecem internet de qualidade, com estabilidade e velocidade”, diz ele. “Numa época em que quase tudo é feito online, nós precisamos estar sintonizados à nova realidade”.

 

Outros avanços

Paralelamente a essas ações, a Prefeitura e a SMEd estão implantando um novo sistema de gestão eletrônica nos seus serviços. Isso é feito com a utilização do software livre e-Cidade, produzido pelo governo federal e que representa uma custo bem menor de manutenção à administração municipal. Os servidores nas escolas e os professores foram ou serão treinandos para a utilização da nova ferramenta operacional.

João Carlos Reolon destaca que, quanto todo o sistema estiver implantado, as escolas e as famílias na comunidade poderão acompanhar pela internet as notas e frequência dos alunos, por exemplo. Em etapa posterior, a previsão que também matrículas e rematrículas possam ser  realizadas pelo computador ou pelo celular. Os pais dos estudantes, neste caso, receberão meios de acesso às novas ferramentas. “A nossa meta é simplificação e comodidade, sintonizado aos novos tempos”, diz o secretário.

domingo, 18 de julho de 2021

CENTRO DIA DO IDOSO RETOMARA ATIVIDADES

 



Depois da suspensão de atividades por mais de um ano, em consequência das restrições acarretadas pela pandemia da Covid, nesta segunda-feira (19/7), o Centro Dia do Idoso retomou os atendimentos em São Borja. A unidade assistencial, com 12 vagas à disposição, funciona em instalações do antigo Centro Social Urbano, bairro Itacherê, que foram todas reformadas nos últimos meses. O serviço é ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS). O retorno acontece respeitando todos os protocolos sanitários de proteção.

 O prefeito Eduardo Bonotto diz que a volta do Centro Dia é “fato bastante representativo, pois, além da relevância social que representa, mostra que aos poucos estamos superando a pandemia”. A secretária titular da SMDS, Luciane Bidinoto, explica que, das 12 vagas oferecidas, duas serão postas à disposição  do Judiciário. Em relação as outras dez

vagas, a ocupação, inicialmente, será em dois grupos, de maneira alternada ao longo da semana, para evitar aglomerações. Já os atendimentos, normalmente prestados das 7 às 18h, serão, nesta etapa inicial, em período mais curto – até as 13h30min.

A rotina de assistência segue a habitual. Os idosos, a partir dos 60 anos, são apanhados por veículo da Prefeitura, às 7h, e levados ao centro de convívio. Na unidade de atendimento, recebem café da manhã, lanche e almoço. Ainda participam de atividades de integração, entretenimento  e. quando possível, também desenvolvem alguma atividade produtiva, como artesanato por exemplo.

Os idosos rcebem o apoio de monitores da Secretaria de Desenvolvimento Social, sempre com ações e acompanhamento de  monitores. Na área de saúde, a assistência, se necessária, será através da ESF 4. Essa Estratégia de Saúde da Família funciona no mesmo prédio, no antigo Centro Social Urbano e que foi recentemente reformada.

 

O Centro Dia

Nos últimos meses, aproveitando a suspensão de atividades pela pandemia, o Centro Dia do Idoso foi todo reformado e teve sua infraestrutura melhorada pela administração municipal. Aconteceu a reposição do telhado, assim como foi refeito o serviço de calhas. As melhorias ainda envolveram a substituição ou recuperação das redes de abastecimento de água e de energia elétrica.

Em área anexa ao local  foi implantada uma calçada,  como ambiente de lazer, para melhor a comodidade e a circulação do público assistido, inclusive em atividades recreativas. A obra  igualmente teve serviço de pintura de todas as instalações utilizadas.


sexta-feira, 16 de julho de 2021

ENTREVISTA/Paulo Afonso Robalos Caetano

 

Ex-magistrado vê capitalismo esgotado e quer parlamentarismo e educação transformadora

 


Nascido em Itacurubi,  mas com infância e juventude em São Borja, o juiz aposentado Paulo Afonso Robalos Caetano,  64 anos (foto), faz  análise crítica e profunda  sobre a conjuntura brasileira e global. Falando ao  BlogAlberiCogo, ele enxerga o capitalismo como um modelo esgotado,  excludente e sem capacidade para as entregas dos verdadeiros valores que tem  de oferecer à sociedade. Também descarta o presidencialismo e o sistema representativo de modo geral,  defendendo o parlamentarismo. Analisa o papel do Judiciário e defende as redes sociais.  Caetano saiu de  São Borja aos 21 anos,  para ingressar no Curso de Direito na UFSM, em 1979. Conta que iniciou a trabalhar cedo, aprendendo a tomar decisões no pequeno comércio do pai, Dirceu, sob orientação intelectual da mãe, Alice, professora municipal. Formado em Direito em 1983, passou a lecionar, em 1984, no mesmo curso da UFSM. Também lecionou na Umijuí e na   Unifra. Entrou na magistratura em 1985 e se aposentou em 2013. Casado com Maria Caetano desde 1987, vivem em Santa Maria. Os filhos, Ykaraíma, Taiguara e Jaciara se formaram em Direito, mas o primeiro está hoje cursando Medicina. Em São Borja foi juiz de 1990 a 2003. A seguir, a entrevista.

 

Alberi Cogo - A cena política brasileira sempre foi marcada por instabilidades, imprevistos e intercorrências. Parece, porém, que o atual nível de acirramento e polarização é o mais impactante nas últimas décadas. Por quê?

Paulo Caetano -  Penso que nosso país está sob influência do movimento internacional que decorre da crise do modelo capitalista. A política neoliberal que sucedeu globalmente a ‘Guerra Fria’, a partir de 1990,  levou, entre outras coisas, à diminuição do papel regulador do Estado, e se retirou do papel da promoção social. Na América do Sul houve um movimento de reação, com a politização na classe média e construção de governos populares. Mas nos faltou, talvez por carência de recursos e visão estratégica, investir numa mudança cultural, de valorização da vida comunitária, noção de solidariedade. Quando a crise econômica mundial do capitalismo rentista chegou aqui, a classe média, egoísta como sempre foi, abandonou a construção das mudanças que a estavam emancipando e liderou o movimento das forças reacionárias, aliando-se à extrema direita, excludente, patriarcal, patrimonialista e muito atrasada moralmente.

 

AC -    A prática política da coalizão, do patrimonialismo, do toma-lá-dá-cá meio que se institucionalizou entre nós. Tem jeito de mudar isso?

Caetano - Sempre tem jeito. Quando a água bate acima do queixo o sujeito aprende a nadar ou morre afogado. Essa sociedade sem alma em que estamos não perdura. Sempre foi assim na história, na queda do Império romano, independência dos EUA, Revolução Francesa, independência dos países sul-americanos, queda do Império brasileiro, Revolução de 1930. Uma sociedade sem mínima coesão interna tende a se fragmentar até não dar mais. Daí uma nova ordem se forma por acordo ou por movimento revolucionário dos excluídos. Acho que vamos, como sempre, por índole social, encontrar um caminho institucional, um meio termo, para reorganizar a sociedade.

 

AC -   Na sua concepção, que reforma político-partidária seria possível e mais adequada para o Brasil nas circunstâncias atuais?

Caetano - Penso que precisamos compreender melhor o funcionamento do poder. A questão partidária está dentro do contexto. O momento atual, de crise do sistema, é oportuno para debatermos mudanças. Precisamos pensar que sociedade queremos e sobre que bases vamos nos organizar. Um país com nosso nível de desemprego, de exclusão social, de degradação nas relações sociais, não pode se reordenar sem olhar para isso e oferecer soluções. Esse presidencialismo imperial não mais se sustenta, porque não consegue resolver crises políticas fora da corrupção do parlamento. A democracia precisa estar centrada no Parlamento, com responsabilidades pela administração, com os rearranjos necessários para enfrentar os problemas. Parlamentarismo com voto distrital, onde a sociedade tenha o controle do seu representante e com o poder de dez elegê-lo no curso do mandato criaria um governo próximo do povo. Para que serve uma câmara de vereadores e uma assembleia legislativa no modelo atual, a não ser para gastar dinheiro? Não têm poder algum, nem seus integrantes querem ter, pois isso implica responsabilidade. Ficam ali farejando vantagens pessoais para si e seus financiadores.

 

AC -   Nós estaríamos  preparados, por exemplo, para o sistema parlamentarista?

Caetano - Devemos nos preparar. Quase todas as democracias estáveis no mundo, a Europa inteira, são parlamentaristas. O presidencialismo é uma doença que vingou, com viés imperialista, nas Américas, onde golpes de Estado, pelas armas ou pela palavra, alternam mandatários, num jogo indecente de luta pelo poder formal, a serviço dos donos do capital, pressionados pelos interesses da geopolítica dos Estados Unidos. Temos que construir consciência social sobre a necessidade do parlamentarismo, adaptado à nossa realidade. É só olhar o que está acontecendo de novo para ver.

 

AC -   Por um longo período o senhor atuou como magistrado. Aos cidadãos comuns fica a impressão que, há algum tempo, as decisões do Judiciário eram mais previsíveis, mas hoje é diferente. O que mudou?  A política interfere nas deliberações do   Judiciário?

Caetano - A política interfere em tudo, porque tudo é política. O poder, em qualquer instância, é poder político. Vejo a política como o poder em movimento. O Judiciário é um poder de Estado, poder político. Os juízes são seus agentes. Quem domina as estruturas de poder no Brasil é a classe média, ou quem se enxerga como tal, a serviço dos donos do capital, das chamadas forças ‘mui vivas’, dos donos dos recursos materiais de produção. É uma cultura burguesa de poder, onde o povo é visto como um destinatário das decisões que vem de cima. O povo continua escravo das elites. Até proletários como eu quando chegam a um espaço de poder são cercados pela cooptação de todas as formas, a que a maioria não resiste e se ajeita ali, em busca de vantagens pessoais. Numa sociedade de privilégios, a maioria dos que exercem o poder fazem de tudo para que nada mude substancialmente e então ficam mais visíveis as contradições, até nas decisões, que se fazem ‘ad hoc’, para acomodar conflitos. É difícil exercer poder e não deixar essa circunstância colar na própria personalidade. Mas é possível. Passei 29 anos lá e saí ileso, um proletário aposentado. Conheço juízes exemplares, inclusive há uma associação deles: Associação dos Juízes para a Democracia (AJD).

 

AC -   A Justiça brasileira consegue ser justa?

Caetano -  O conceito de justiça é muito elástico, pois sempre se justifica retoricamente, ideologicamente. Acho que a Justiça brasileira é majoritariamente afim ao Brasil dos privilegiados, mas há entre os cerca de 15.000 juízes, algumas centenas deles pensando em democracia, mudanças sociais, comprometidos com uma sociedade mais plural, com justiça social, com a radicalidade democrática.

 

AC -   Do ponto de vista jurídico e político, o senhor vê razões e ambiente, hoje, para impeachment?

Caetano -  Os conceitos jurídicos existem sob perspectiva política. O Estado surgiu, historicamente, como organização jurídica, pela ação da política, num sistema de poderes. A sociedade organizada politicamente é que instituiu o jurídico. O jurídico deve estar a serviço da sociedade. O Estado não é soberano por si mesmo, mas em representação ao povo. O povo, de onde todo o poder emana e em face do qual se o exerce, é o soberano. Se a maioria do povo rejeita gravemente, duradouramente, um governo indecente e desastrado como o atual, a política tem sobradas razões jurídicas para afastar o governante. Tem o dever político e moral de fazê-lo.

 

AC -   Ao mesmo tempo em que dão voz a quem não tinha, as redes sociais também servem, não raro, para embates tribais. O senhor é ardoroso defensor dessas mídias. O que fazer para que tenhamos resultados melhores?

Caetano -  A gente aprende a falar interagindo; a caminhar, andando; a nadar, entrando na água. Uma sociedade como a nossa, que historicamente foi construída por composições entre caudilhos, está aprendendo a se expressar por si. Há excessos, mas isso faz parte do processo de tomar consciência da realidade. O processo educacional se constrói com o tempo de exercício da liberdade responsável. Acho que não fomos educados para o diálogo, mas para monólogos paralelos, onde duas pessoas falam, mas nenhuma escuta a outra, e por vezes não escuta nem a si mesma. De minha parte, estou sempre me provocando e aos outros a pensar sobre a realidade.

 

AC -  Sempre um intransigente defensor da Educação como agente transformador e de emancipação da cidadania, que cenário o senhor traça para o contexto brasileiro?

Caetano -  Sou um otimista, porque me ensinaram que tudo muda e que nada é para sempre. Heráclito, na Grécia clássica, dizia que não podemos nos banhar duas vezes no mesmo rio, pois quando voltarmos a ele as águas não serão mais as mesmas e nós próprios já não seremos os mesmos. O processo educacional precisa revisitar sua história e lecionar ética, relações humanas, afetividade, respeito ao outro. Isso é mais urgente do que aprofundar conceitos acadêmicos. Essa perspectiva de educação mesmo os governos progressistas não se ocuparam em priorizá-la. Acho que é por aí. Educar para ser gente, e pensar, e não ser mero reprodutor de conceitos alheios.

 

AC -   Na vida pessoal e profissional, hoje o senhor advoga e está prestes a concluir mestrado em Direito e graduação em Psicologia. Quais são os planos de Paulo Caetano?

Caetano -  Os meus planos são continuar provocando as pessoas com quem convivo a construirmos juntos um mundo mais tolerante, onde todos possam se expressar com respeito, mas sem meias palavras. A vida me ensinou muito, convivendo com dolorosas experiências alheias na magistratura. Aprendi e aprendo com quem me relacionei e me relaciono que as circunstâncias nos limitam um pouco, e que ninguém depende só de si mesmo para avançar. Onde posso, estou ajudando alguém a ir adiante. Muita gente que nem conheço me ajudou na vida. Cada pessoa que pagou impostos para eu estudar na Universidade tem parte em minha caminhada, cada cidadão que pagou impostos para eu exercer minha função pública ajudou a construir minha trajetória. Aprendi com Depec Chopra que a mão que está fechada para dar também está fechada para receber.