sexta-feira, 29 de outubro de 2021

ENTREVISTA: João Pedro Daitx

 

 

Secretário fala do novo Plano Diretor: “A

meta é deixar tudo mais perto, mais fácil”

 


  • João Pedro Daitx: Em  São
  • Borja como "uma nova casa."


    O jovem engenheiro civil João Pedro Lopes Daitx é, aos 30 anos de idade, um dos destaques da equipe de primeiro escalão na administração municipal. Ele é,  desde o final o final de 2017, o secretário de Planejamento, Orçamento e Projetos de São Borja, depois de duas outras importantes funções na mesma pauta. Natural de Torres (RS), concluiu graduação, em 2014, pela UNESC–SC (Universidade do Extremo Sul Catarinense).      Desenvolve projetos complementares na iniciativa privada, nas áreas de arquitetura e de engenharia. Antes de atuar como secretário municipal, desempenhou atividades na Prefeitura como diretor de Planejamento Urbano e, na sequência, de coordenador  administrativo, cuidando da gestão das  compras e das licitações na administração municipal.

    Em 2021, com apoio das equipes da Prefeitura e da Fundatec, Daitx coordena uma das suas ações mais relevantes até aqui: a de atualização do Plano Diretor e do ordenamento urbano. Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, ele diz que “os são-borjenses vão ser ouvidos, mas a ideia é de tornar tudo mais perto, mais fácil, menos burocrática.” Ressalta que, em relação ao trânsito conflagrado e de ruas estreitas,  existem soluções.

  “Tendo passado por diversos setores na SMPOP, pude contribuir de forma efetiva na melhoria e no aprimoramento dos serviços prestados”, diz, com orgulho. João Pedro observa  que, “na condição de secretário, quero desenvolver projetos prospectando o futuro de São Borja, sempre com responsabilidade e zelo pela aplicação dos recursos público.”

       O secretário deixou o Litoral Norte gaúcho e veio  para cidade devido ao “sonho” de sua esposa em cursar Medicina. Explica que a  proximidade com a Argentina  trouxe os dois para a região: ele para trabalhar e ela para estudar no país vizinho. “Com coragem, enfrentamos o desafio de sair de um extremo do Estado e nos instalar em outro, sem ter laços com ninguém. Porém fomos muito bem recebidos e acolhidos. “Aqui também nos   sentimos em casa”, garante. Daitx é  filho de um casal de servidores públicos – a mãe professora e o pai funcionário dos Correios, ambos já aposentados. É o caçula  entre três  irmãos. Na entrevista, a seguir, o secretário  também aborda os projetos da Avenida Beira-Rio e do novo Museu Missioneiro no Cais do Porto. “Eles vão mudar São Borja.”

 

 

Alberi Cogo - Como secretário de Planejamento, Orçamento e Projetos, o senhor e sua equipe pensam a São Borja de hoje e do futuro. Com o apoio da Fundatec, contratada pela administração municipal, vai ser atualizado o Plano Diretor. De modo amplo, que mudanças principais são esperadas, já que há um longo período de defasagem a ser corrigido?

João Pedro Daitx - O que estamos buscando, juntamente com a equipe técnica municipal e da Fundatec, é uma legislação mais atual, com possibilidades de aprovação mais simples, menos burocrática e mais direta. Precisamos entender também que nossa legislação, apesar de antiga, não é totalmente ruim e muito do que vem sendo aplicado poderá ser mantido. Deve então ser reescrito, evitando margem de dúvidas para interpretações ou ainda  adaptado à realidade atual. O que queremos é uma lei clara e de fácil compreensão e aplicação,  de acordo com o que a sociedade precisa.

 

AC - Já está na Câmara de Vereadores para análise e votação, mandado pelo Executivo, projeto de lei complementar visando a um novo Código de Posturas. Que alterações mais relevantes devem ocorrer no código atual, ainda de 1970?

JPD - O Código de Posturas é uma lei muito ampla, portanto seria difícil decidir quais alterações seriam mais relevantes no universo de assuntos abordados, mas sem dúvidas o que se está buscando é uma legislação que valorize ainda mais a liberdade individual, trazendo mais autonomia para as pessoas. A legislação se estende de assuntos como o horário de funcionamento do comércio e serviços, ao uso das calçadas, sossego público, comércio popular, cemitérios, lixo, animais no perímetro urbano, entre outros.

 

AC -  Todos sabemos que os são-borjenses carregam uma herança cultural que dificulta a construção ou manutenção da própria calçado ou ainda conservar limpos os terrenos baldios. Outro problema é descartar lixo nas periferias. Isso tem solução?

JPD - Acredito que sim. Como na própria pergunta, é uma questão cultural e somente a educação neste sentido pode promover maiores mudanças.

 

AC -  O ordenamento urbano que deve sair do novo Plano Diretor deve ajustar rotinas como as de instalação de empresas, do parcelamento de solo e de mobilidade urbana.  O que esperar entre as novidades?

JPD - Neste sentido estamos desenvolvendo, inicialmente, o Plano com o conceito “tudo perto” com a intenção de permitir usos mistos ou compartilhados, respeitando sempre o sossego público. Porém, ainda estamos nos estudos internos. Tudo isso poderá ser melhor discutido e decidido pela população são-borjense em audiência pública.

 

AC -  São Borja, apesar de uma população relativamente pequena, tem uma ampla área urbana. Isso impõe a necessidade de o poder público levar para a periferia serviços como água, luz, telefone, internet, transporte pública, saúde, educação, segurança. Seria possível uma cidade mais concentrada e, portanto, mais barata para entrega dos serviços?

JPD - É possível. Porém para isso o poder público deveria intervir mais ainda na vida das pessoas, trazendo ferramentas como IPTU progressivo para áreas subutilizadas, ou outras que onerariam a comunidade. A intensão do novo Plano é justamente intervir menos e trazer a possibilidade de maior fomento de comércio e serviços nos bairros.

 

AC -  São Borja quando surgiu como núcleo urbano  optou por ruas estreitas e que, hoje, não conseguem atender, adequadamente, às demandas de circulação. O senhor tem alguma proposição para minimizar o impacto dessas dificuldades?

JPD - Dentro deste tema, existem diversas formas de atuarmos para melhorar o fluxo de veículos no município. Um deles é prever o alargamento das vias com os “recuos viários” que, no futuro, poderão ajudar a resolver. Outras soluções existem, como pavimentação em vias de pouco fluxo e melhor direcionamento, como aconteceu na Rua Bento Martins, entre outras e que estão melhorando a situação.

 

AC -  Secretário, quando terão início as obras do complexo de lazer, turismo e cultura na orla do rio Uruguai, a partir do Cais do Porto? Fale sobre as transformações que são projetadas.

JPD - Os projetos estão sendo analisados pelo corpo técnico do Badesul, banco que financiará o empreendimento. A transformação será  muito importante ao município, pois será mais um local de turismo e lazer. O complexo  contará com uma infraestrutura completa com drenagem, calçadas, iluminação adequada, ruas bem pavimentadas e  banheiros públicos. Além de trazer atrativos como pistas de caminhadas, ciclovia, praças, locais para alimentação e um mirante.

 

AC - Outro projeto grandioso será o de transferência do Museu Missioneiro para a área do Cais. Detalhes, por favor.

JPD - Este projeto ainda está em fase de detalhamento e busca de recursos. Será mais uma atração no complexo da Avenida Beira Rio. Terá uma Cruz Missioneira de grandes proporções que abrigará um mirante, além de ser a nova sede do Museu Missioneiro. Todo o empreendimento terá a temática missioneira compondo com os Sete Povos.

 

AC -  A atual administração Bonotto-Feltrin, através da equipe da sua secretaria, produziu um projeto para o Memorial dos Presidentes, para implantação na na Zona Sul. A confirmação de concursos ficou inviabilizada. Vai ser recolocado o pleito visando à obra?

JPD - O projeto foi desenvolvido e detalhado, e hoje compõe nosso banco de projetos; Certamente, existindo a possibilidade, poderá ser novamente apresentado, buscando viabilidade econômica para execução.

 

AC – São Borja tem, em 2021, um orçamento de R$ 226 milhões. O que esperar da peça orçamentária de 2022. Algum investimento importante definido?

JPD - Para o próximo exercício esperamos uma melhora no orçamento, motivada também pela retomada da economia após este período de pandemia. O governo estadual e federal já repassaram as projeções e, com isso, o nosso orçamento deverá crescer consideravelmente com relação a este ano. Porém, devido à visível inflação, boa parte destes recursos servirão para suportar os constantes aumentos de custos que estamos enfrentando.

 

AC – Quais são os plano de João Pedro Daitx em médio e longo prazo?

JPD - Espero continuar atuando na transformação de São Borja, deixando minha marca com trabalho e dedicação. O desejo é de  crescimento, de uma cidade melhor e uma sociedade mais desenvolvida.

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

COMUNIDADE TERAPÊUTICA CHICO XAVIER


 

Mais de uma década devolvendo

dignidades e sentidos para a vida


Uma imagem há 11 anos, quando tudo começou.
 

      Instalada em 2010, a Comunidade Terapêutica Chico Xavier (CTCX) é hoje referência no Rio Grande do Sul no atendimento, no acolhimento e na entrega de um ambiente profissional e especializado, para a recuperação de pessoas que sofrem por dependência química.   A instituição trata de distúrbios ocasionados pelo uso, abuso e a dependência de substâncias psicoativas. É o caso  do álcool e de outras drogas.

      A Comunidade Terapêutica  é um braço social da Associação Espírita Doutor José Ferreira de Moraes. Está localizada a 12 quilômetros da cidade, dispondo, no total, de uma área de seis hectares. A sede da instituição fica à margem da  BR 287, quilômetro 530 da rodovia, acessos à estrada Urubucaru.  As instalações edificadas oferecem  60 leitos aos residentes. Em média, ultrapassa a 50 o número de acolhidos.

 

     Perfil dos residentes

 

    O público-alvo atende a demandas de homens, dos 18 aos 65 anos. Para acolhimento na Comunidade Terapêutica,  os pacientes passam por uma avaliação psiquiátrica e ainda por um período de desintoxicação. A desintoxicação pode ocorrer no CAPS-AD (Centro de Atendimento Psicossocial Álcool-Drogas) ou em internação hospitalar.

       Os contatos com a CTCX são através de várias formas. Pelos telefones (55) 3431-5609 e (55) 99937-1887. Outra alternativa é o e-mail ctespiritachicoxavier@gmail.com.

São 60 vagas colocadas à disposição

e com chance de ampliar a oferta.


 Instalações e laborterapia 

      A  casa de recuperação tem 15 quartos projetados, com capacidade, cada um, para  quatro  residentes. Os dormitórios possuem ventiladores de teto, janelas amplas e guarda-roupas individualizados,   embutidos. Já os  banheiros  foram construídos de acordo com as necessidades específicas e com acesso facilitado.

      Há também banheiros adaptados para receber portadores de necessidades especiais, igualmente com  acessibilidade facilitada. A cozinha foi do mesmo modo projetada, para  desempenhar também função profissionalizante. Fornos, fogões  e todos os demais instrumentos de apoio permitem desenvolver  cursos de panificação, confeitaria e culinária por exemplo.

       A CTCX ainda conta com ampla sala de reuniões aos residentes, com data-shows, DVD e TV LCD de 32 polegadas.  O refeitório e a sala de reuniões foram  construídos para permitir  futuras ampliações. Com isto, existe a possibilidade de ampliar de 60 para 80 o número de vagas atualmente oferecidas. O administrador da instituição, Pedro Bouchet, ressalta que “seguimos todas as normas estabelecidas  pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e ainda fomos um pouco mais além.”

 


Pedro Bouchet administra administra a, um 
 braço social da Sociedade e Ferreira de Morais.

       Ação multisetorial

 

     Um veículo próprio da CTCX  está disponível as 24 horas do dia. Normalmente é utilizado  no transporte de  acolhidos para atendimentos de saúde ou na área de educação. Quando necessário, familiares também são transportados.

      “A prioridade  da instituição é de oferecer tratamento às pessoas que sofrem de distúrbios ocasionados pelo uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas, como álcool e outras drogas. Com isso, todas as ações são terapêuticas e focadas na recuperação dos pacientes que chegam até nós”, destaca Bouchet.

.     Uma equipe multidisciplinar atua no local. É formada por um grupo  administrativo, que inclui a diretoria e a supervisão da casa. Atua também uma  equipe de execução de tarefas, que é composta por coordenador terapêutico, monitores e psicólogo.

 

     A manutenção

  

    A pandemia da covid-19 diminuiu o número de residentes na Comunidade Terapêutica,  inclusive por que acolhidos se evadiram, motivados pelo auxílio emergencial. Diante dessa circunstância, foi bem mais difícil manter a instituição, diz o administrador Pedro Bouchet.


Laborterapia: cozinha tem
caráter profissionalizante.

     Entidade sem fins lucrativos, a  CTCX mantém-se através de recursos das Prefeituras que têm convênio com a instituição. Outra fonte de receitas é o  SUS/RS (Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul), por meio da Secretaria Estadual de  Saúde. Mantidas por prefeituras, são 25 vagas atualmente. Desse total, 20 vagas são mantidas pela Prefeitura de São Borja e outras cinco, pela de Itaqui.

    A casa também recebe internações em caráter particular. Isso corre principalmente em relação a pacientes  de municípios mais distantes ou que não tenham convênio com a instituição. Hoje o valor mensal é calculado pelo salário mínimo nacional: R$ 1.100,00.

 

     Rotina e recuperação

 

     O tratamento na CTCX é realizado com foco, principalmente, na conscientização do paciente. Ele  precisa entender a doença que é a dependência química e saber enfrentar os fatores de risco, que podem levar a uma recaída. “Nosso trabalho procura entender o ser humano como um todo, sem pré-julgamentos”, diz  Bouchet. O residente é

 levado a avaliar suas experiências anteriores, o contexto familiar, a substância de preferência e assim por diante.

    O programa de tratamento  terapêutico tem duração de nove meses. A primeira fase, de adaptação e desintoxicação,  dura até três meses. Depois vem a etapa da conscientização e interiorização, que dura de três a seis meses. Finalmente, vêm a ressocialização e a reinserção socia, de seis a nove meses.

     

Reuniões compartilhadas e uma
Reunioes compartilhadas e uma
biblioteca servem de apoio.

      Até do exterior


   Os acolhidos vêm das mais diversas regiões e cidades do Rio Grande do Sul.  Também são registrados pacientes procedentes da Argentina e do Uruguai.    A Comunidade é dividida por setores. Cada  residente permanece sete dias em cada setor, experimentando  um rodízio nesses setores, para que vivenciem  novas experiências. Em função da pandemia e conforme orientações das autoridades sanitárias, as visitas estão, temporariamente, suspensas.

     Em situação normal, as visitas ocorrem  quinzenalmente. Isso é possível no  primeiro sábado do mês (sábado de conversação) e no terceiro domingo do mês (de visita). O supervisor-geral, Robson Friedrich,  observa que “costumamos dizer que as histórias dos acolhidos são sempre muito parecidas, alterando apenas os personagens. Porém é importante salientar que as drogas não possuem nenhum tipo de restrição ou preconceito entre seus usuários, visto que temos pacientes de todas as classes sociais, orientações sexuais ou cor de pele.” Um exemplo ilustra isso: “Tivemos há alguns anos  dois  médicos acolhidos em nossa instituição para tratamento e enfrentamento da dependência química.”, ressalta o supervisor.



Naturza e espiritualização
são também meios de apoio.

EM SÃO BORJA

 

HIG vai ajustar na próxima semana

atendimentos oncológicos pelo SUS

 

Três municípios serão atendidos inicialmente.

Enquanto comemora a habilitação do seu Centro de Oncologia para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Ivan Goulart (HIG) prepara-se para dar início aos procedimentos na área. A diretora da instituição hospitalar, Fernanda Bonotto, informa que na próxima semana serão ajustadas providências práticas a respeito com vinda a São Borja de equipe da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). A habilitação dos serviços no SUS ocorreu formalmente na terça-feira (26) através de portaria do Ministério de Saúde,  depois de seis anos de articulações das lideranças locais.

A diretora do HIG disse nesta quinta (28) que todas as previsões foram confirmadas. O hospital vai receber um pouco menos de R$ 500 mil por mês, para oferecer serviços de quimioterapia e acompanhamentos clínicos os a pacientes com câncer de São Borja, Maçambará  e Garruchos. No entanto, pacientes já em tratamento continuarão sendo assistidos na cidade onde estão. Quanto a tratamentos de radioterapia – em função dos custos e demandas – os pacientes locais terão de recorrer a centros regionais de referência, como Ijuí e Uruguaiana.

O Hospital Ivan Goulart prevê a possível vinda de mais um oncologista, um cirurgião oncológico e um mastologista. As tratativas em andamento são também em relação a um urologista. A equipe de apoio também deverá ser reforçada e, se for o caso, capacitada.

A confirmação de assistência oncológica pelo SUS mobilizou a comunidade. O prefeito Eduardo Bonotto coordenou as ações, em parceria com a direção do HIG, Câmara de Vereadores e demais lideranças políticas e empresariais. Fernanda Bonotto informa que outras localidades, além de São Borja, Maçambará e Itaqui, buscam orientações sobre possíveis atendimentos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

COMBUSTÍVEIS

 

Volta à cena das discussões

  a privatização da Petrobras





 

     Com as sucessivas altas no preço do petróleo, com o litro da gasolina a mais de R$ 7 e do diesel a quase R$ 5, retorna à pauta a possível privatização da Petrobás. Os que defendem a ideia dizem que o motivo não  é apenas aumento de 73% na gasolina de 65% no dísel, este ano. O ministro da Economia, Paulo Guedes, por exemplo, acha que, se a Petrobras continuar do jeito que vai,  em alguns anos vai virar pó.

      O argumento é a tendência mundial  por fontes limpas de energia, como eólica, solar,  hidrogênio e carros elétricos. O ministro diz que, se a aposta brasileira continuar nos combustíveis fósseis e na Petrobras,  daqui a alguns anos a estatal não valerá quase nada. Enquanto isso, sem a sua venda o governo perderia a chance de arrumar dinheiro para saúde, educação e outros setores essenciais.

    A questão é polêmica. Há muita gente contrária à ideia de acabar com uma das jóias da coroa do presidente Getúlio Vargas. Criada em 1953, a estatal tem no governo, desde então, seu principal acionista. O governo atual quer mandar projeto ao Congresso que, se aprovado, tiraria a condição da União de acionista majoritária.

      Ainda, se este ou futuros governos emplacarem a aprovação do projeto, a iniciativa privada é que ficaria acionista majoritária e a privatização fica bem mais fácil. Isso, contudo, não garante que os preços dos combustíveis vão cair, por que dependem da conjuntura internacional.  A Petrobras registrou seu maior prejuízo em 2015, mas hoje dá lucro, só que gasolina, diesel e gás de cozinha estão nas alturas.  O que todo mundo concorda é que é preciso investir em energias limpas. Japão e Reino Unido, por exemplo, não fabricarão mais veículos a combustão a partir de 1930; só elétricos ou a hidrogênio.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

PARA REFLETIR

 

Quando criança, Fabrício Carpinejar foi aconselhado a abandonar a escola, pois, devido a uma grave doença, não aprenderia a ler e escrever. Hoje aos 49 anos, completados no sábado (23), o jornalista, poeta e escritor já publicou 48 livros ao longo de 23 anos. Carpinejar não para. A partir de sexta-feira (29), será o patrono da 67ª Feira do Livro de Porto Alegre,  que será presencial.

Na feira, aproveitará para lançar uma nova obra. Em entrevista, no fim  de semana, ele falou sobre a magia do silêncio, do afeto, de ler e de escrever. Aos que se nutrem do orgulho e da arrogância, entrega uma providencial advertência.  Convida à aproximação: “Não tem mais como adiar, não tem mais como dizer 'depois nos vemos' ou 'vamos marcar um café'. Não! Quer tomar um café? Toma agora.”

 

Sensibilidade é tida

 hoje como fraqueza

 

Carpinejar adverte:



Há um culto à aparência, ao orgulho. O orgulho é prejudicial ao amor. Ele não admite nunca que está errado. Quem não chora vai acabar chorando no meio do riso, vai inverter seus sentimentos. Vai viver pelo avesso. Vai rir de nervoso, vai amar odiando. A honestidade é vulnerabilidade. Quando mais vulnerável você for, mais será autêntico, porque você estará aceitando a sua imperfeição. Não vai mentir. Quem mente é quem não quer se emocionar. Começa a mentir sobre o que está sentindo, e as mentiras se alastram para outros setores da vida, porque a pessoa está disfarçando sua própria natureza, enganando a si mesmo. Falo o que sinto pontualmente, e isso me tira o peso do ressentimento, das mágoas, as âncoras da culpa. Assumo quem sou, com meus defeitos e minhas virtudes. Se você não se abre para a vulnerabilidade, nunca vai encontrar pontos de conexão com o outro. Nunca vai ter empatia.    

 

 

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

SUPERANDO A COVID

 


 

Áreas de serviços e da construção

civil lideram a retomada na cidade

    

Coordenadora do FGTAS/SINE, Lilian 

 Braga: tem de haver mais capacitação


     À medida que os indicadores na pandemia vão dando sinais de superação da crise sanitária, também as atividades econômicas vão evidenciando  retomada em São Borja. Um dos resultados práticos é a geração de novos empregos. Dados de 2021 do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que de janeiro a agosto, neste ano, foram realizadas 2.459 admissões, ocorrendo, no mesmo período, 2.122 desligamentos. Há, portanto, um saldo positivo de 337 novas vagas criadas.

      A agência local da FGTAS/SINE  (Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social  e do Sistema Nacional de Emprego), que repassou as informações, indica que na agricultura o saldo foi negativo: 47 admissões e 58 desligamentos. Já a indústria teve saldo positivo de 45 vagas – 426 admissões e 381 afastamentos. No comércio foram 1.031 contratações e 976 desligamentos, 55 admissões a mais. A construção civil mostrou superávit de 101 empregos:  362 admissões e 261 desligamentos. Na área de serviços o resultado foi ainda melhor. Foram 593 novas contratações e 446 afastamentos – saldo de 147 novas vagas.    

     Enquanto isso, através da agência FGTAS/SINE, foram ofertadas 553 vagas em 2021, de janeiro até agosto. Parao preenchimento dessas  vagas, foram encaminhados 2.250 currículos de trabalhadores-candidatos. De acordo com a coordenadora da agência em São Borja, Lilian Braga, “tem havido um gradativo incremento na oferta de empregos na comparação com  o ano de 2020 - a fase crítica da pandemia.”

    A coordenadora observa que os números refletem a constatação do dia a dia: os setores de serviços e da construção são os que apresentam maior demanda. Lilian Braga exemplifica que segmentos como os de

alimentação, supermercados, padarias e confeitarias lideram as novas chances de trabalho, do mesmo modo que a  e construção civil.

 

       Qualificação

      

     A coordenadora da FGTAS em São Borja aposta “em um novo momento para a economia municipal, pois são muitas empresas surgindo e gerando empregos.” Não foi possível conseguir no setor público apropriado informações sobre o número de empresas que abriram e fecharam durante a pandemia. Também não foi possível determinar em que setores de atividade isto ocorreu.

    A agência da FGTAS relata que a demanda crescente por vagas leva à necessidade de maior qualificação dos trabalhadores. Nesse sentido, tem havido parcerias com instituições como Senac, Senar e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, para capacitações. Em geral, são qualificações gratuitas aos candidatos que se cadastram pedindo a intermediação de vagas.

     Além da intermediação e encaminhamento de mão de obra, a FGTAS proporciona outros serviços. Estão, entre eles, o Seguro Desemprego e a emissão ou renovação  da Carteira de Artesãos. Ainda é oferecida orientação em relação à Carteira de Trabalho digital, segundo destaca Lilian Braga.

 

      Comerciantes apostam

 


Neroney, presidente da Acisb: sorteios,
Papai Noel e trenós atraindo clientes.

     O presidente da Acisb (Associação Comercial, Industrial, de Prestação de Serviços e Agropecuária), Neroney de Medeiros Cargnin, sabe que há grande desafio pela frente para fazer a roda da economia girar. “Ainda mais num município com matriz econômica centrada no agronegócio e dependente do clima, dos custos de produção e dos mercados, mas, ainda assim, estamos otimistas”, diz ele. Aposta na retomada gradativa nas vendas do comércio no final de ano, assim como dos eventos e na presença de visitantes na cidade.

    Este ano, o Papai Noel chegará mais cedo, em 27 de novembro. Uma novidade, em 2021, será um trenó que percorrerá a cidade levando o espírito de Natal. A campanha promocional de vendas Show de Prêmio, iniciada com o Dia das Mães, terá um sorteio no mês que vem e três outros em dezembro. Os ganhadores receberão vales-compra para aquisições nas lojas.

      Cargnin também reforça seu otimismo, lembrando que, apesar da pandemia, grandes lojas de empreendedores locais e de redes regionais e nacionais se instalaram na cidade.“Então são mais famílias empregadas e consumindo”, diz o dirigente da Acisb. A legislação municipal proporciona tempo mais amplo para o comércio permanecer aberto.

 

     Perspectiva otimista

 


Zenir Brites: expectativa é de 
geração de bem mais empregos.

     Alguns setores como os de supermercados e das farmácias não fecharam em função da covid e, em muitos casos, até ampliaram os negócios. Já os outros segmentos do comércio e dos serviços se reinventaram, principalmente através do sistema delivery e do pegue-e-leve. O presidente do Sindicato dos Comerciários, Zenir Brites, registra que ocorreram algumas demissões, “mas o setor nunca chegou a parar de funcionar, inclusive considerando o apoio financeiro do governo às empresas para pagar salários e manter os empregados.”Em algumas situações, também houve redução de jornada de trabalho e de salário.

      Além dessas ações compensatórias, o dirigente lembra que a cidade abriu vários pequenos negócios. Do mesmo modo, novos estabelecimentos de grande porte ligados a grandes redes se instalaram em São Borja, criando dezenas de empregos adicionais. A estimativa é de que 1,6 mil comerciários estejam em atividade, atualmente. 

      Zanir Brites aposta no reaquecimento global das atividades tanto do comércio quanto nos serviços. Nessa perspectiva, “a tendência é de que mais vagas sejam abertas nos próximos meses, e não apenas temporárias”, diz ele.  Uma pauta a ser negociada, conforme acrescenta, é em relação à intenção de os estabelecimentos sem limite de horário.

       Dos 1,6 mil comerciários em atividade, somente cerca de 400, ou 25%, são filiados ao sindicato da categoria. O número tem reduzido bastante com as novas regras trabalhistas e sindicais. “Nós temos garantido um adicional em dinheiro como prêmio   àqueles que são sindicalizados em função dos trabalhos extras, enquanto os demais têm apenas um dia de folga.”, explica o presidente.

 

    Categoria encolheu

 


Anildes Machado: parcerias
produtivas com classe patronal.

    Há menos de uma década, mais de 1,7 mil trabalhadores rurais estavam formalmente empregados e sindicalizados em São Borja. Hoje, o número não chega a 1,5 mil, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Anildes Machado. “Nos últimos dois anos, com o agravamento trazido pela pandemia, a situação só piorou”, conforme ele.

     Machado explica que, ultimamente, são poucos os trabalhadores que procuram a entidade para deixar currículo, mesmo em relação àqueles com melhor qualificação, como operadores de máquinas, tratoristas ou capatazes, por exemplo. Também são poucos os empregadores solicitando mão de obras e há muito trabalhador informal, informa o dirigente.

    Anildes Machado destaca que tem sido boa a parceria com o Sindicato Rural na realização de cursos profissionalizantes, oferecidos pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). “Várias vezes cedemos o nosso salão de eventos para aulas, mas com a covid tudo parou.”

      O presidente do STR diz que também têm sido mais fáceis as negociações de dissídio com o sindicato patronal. O piso salarial vigente de um trabalhador rural é de R$ 1.429,00, valor que vai a R$ 1.704,00 com o adicional de insalubridade.  Já duas horas extras trabalhadas têm remuneração de R$ 11,62 a hora e em quatro horas, o valor fica em R$ 15,49 a hora.

      Já um operador de retroescavadeira ou máquina agrícola tem piso de R$ 1.775,00. Considerando a  insalubridade vai para R$ 2.038,00. Enquanto isso, um capataz tem assegurado piso salarial de R$  2.365,00 e com o adicional de insalubridade fica com vencimento bruto de R$ 2.649,00. Um cabanheiro tem ganho semelhante.

 

     Capacitações retomadas

 



Chimenes: ações permanentes de
qualificação dos trabalhadores.

    O setor primário, força motriz da economia local, praticamente não cessou atividades durante pandemia. Deixaram de ocorrer, porém, os curso profissionalizantes e de capacitação oferecidos pelo Sindicato Rural e pelo Senar. A partir de agosto, contudo, eles recomeçaram, ainda em ritmo lento. Já em setembro a grade das capacitações e habituações voltou a ser oferecida normalmente.

     São cursos que atendem demandas principalmente de trabalhadores e empreendedores rurais, mas também urbanos. As aulas são gratuitas aos participantes. Normalmente, conteúdos teóricos são ministrados na cidade e as aulas práticas, em localidades do interior do município.

     Ainda o setor arrozeiro tem qualificado os trabalhadores nas diversas etapas de produção e beneficiamento do setor. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação, Hugo Chimenes, explica que “a mecanização leva a uma constante atualização operacional dos operários.” A lavoura orizícula tem diminuído em área, mas tem ganhado em produtividade. “Temos, já há alguns anos, mantido a categoria em cerca de 1,2 mil industriários”, diz Chimenes.

     Também a indústria da construção civil não parou, apesar da covid. Construções de casas e edifício de apartamentos, especialmente para venda e locação, mantêm os empregos ativos.  As vendas do setor imobiliário vivem fase aquecida de oferta e procura. è também um dos setores com maior geração de novas gas.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

LIBERAÇÃO GERAL?

 

Legalizar os cassinos, o jogo do bicho,

caça-níqueis é solução ou problema?


 

      Você é contra ou a favor da legalização dos chamados jogos de azar, incluindo os cassinos, os caça-níqueis e o jogo do bicho? A questão é polêmica. De qualqyer modo, o tema volta á pauta da Câmara Federal e do Senado, onde projetos propõem regularização da jogatina e a sua legalização.

      Entre os argumentos a favor, um deles é que, legalizando os jogos, o governo federal pode cobrar impostos, aumentar receitas e atender demandas de saúde, educação, segurança, etac. Outra argumentação é que vários países, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Estados Unidos e Itália, por exemplo, já instituíram os jogos de forma oficial, como fonte de renda e produto turístico. As apostas via internet também entrariam no Brasil.

      A matéria, porém, não é consenso. Muitos parlamentares são contra, especialmente a bancada evangélica. Do ponto de visto médico, também há reprovação. Isto por que o jogo vicia, assim como o álcool e as demais drogas, gerando uma compulsão desenfreada e um quadro patológico grave.   

       Na história do Brasil, Getúlio Vargas autorizou cassinos entyre 1933 w 1946. Uma das alegações foi a geração de empregos, além de divertimento aos trabalhadores. O sucessor, Gaspar Dutra, acabou com a jogatina. Depois, mais recentemente, Luis Inácio Lula da Silva também viria liberar jogos. Mas depois os proibiu, em função de episódios de corrupção.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

TSETE ANOS SEM REPOSIÇÃO

 

Professores estaduais perguntam:

E quando vai sair nosso reajuste?

  



 O recente investmento anunciado para a área educacional  pelo governador Eduardo Leite não  resolve o dilema dos professores, há sete anos sem reajuste salarial. A categoria reclama de uma defasagem de quase 50%. O último reajuste foi ao final do governo Tarso Genro, em 2014. Depois, José Sartori honrou a reposição,  mas os reajustes cessaram, começando a tortura dos parcelamentos.

      A impressão que passa Eduardo Leite é que pretende melhorar os ganhos do magistério gaúcho. Afinal, além do longo jejum, ele, Leite, quer ser candidato a presidente da República. Há, porém, algumas pedras e incertezas  no caminho. A atual política do piso salarial nacional pode sofrer mudanças, e o governador espera por definições, inclusive por que a correção seria expressiva a persistirem as regras atuais. O principal obstáculo, porém, está no caixa do Tesouro do Estado.

     A situação das finanças do Rio Grande do Sul melhorou, mas a perspectiva é de queda na arrecadação de ICMS em 2022. O motivo para a diminuição na principal fonte de receitas é a redução de alíquotas  do imposto, associada  à possível alteração na forma de cobrança sobre a gasolina. As perdas podem chegar a R$ 3 bilhões. Se as regras do piso onal não forem alteradas, o reajuste aos professores será de 31% em 2022.    

    Se o piso continuar com as mesmas regras, o impacto no RS é estimado em R$ 1,3 bilhão. Enquanto isso, o governo gaúcho deve reduzir em cerca de R$ 2,2 bilhões a arrecadação com ICMS  a partir de janeiro, com a volta das alíquotas  aos patamares de 2015. 

     Mais um complicador: essas perdas ainda poderão ser ampliadas em pelo menos R$ 980 milhões, se a cobrança do ICMS sobre combustíveis for alterada no Congresso Nacional. Os trabalhadores em educação reclamam com sobra de razões, mas a justa reivindicação da categoria ainda tem de vencer muitas incertezas e turbulências.