Publicação resgata
trajetória e
contribuição de Bira
Fontoura
A 20ª Semana Nacional dos Museus, em maio,
iniciativa do Instituto Brasileiro do setor, mobilizou a comunidade e deu maior
visibilidade aos cinco museus de São Borja administrados pela Prefeitura. Todos
eles desenvolveram programações específicas. O Museu Ergológico da Estância,
criado pelo grupo Os Angüeras, teve como enfoque central o resgate da figura humana, da
trajetória e da capacidade eclética e criativa de Ubirajara de Oliveira
Fontoura, o Bira Fontoura. A iniciativa também resultou em uma exposição e uma
revista sintetizando o denso legado do homenageado.
Historografia recorreu ao engenho criativo do artista.
Historografia recorreu ao engenho criativo do artista.
Em 44 páginas, a publicação – idealizada e editada por Gilmar dos Anjos,
atendente no museu -, transita pela multifacetada obra deixada pelo artista. Bira nasceu em 25 de fevereiro de 1950 e faleceu
em 15 de outubro de 1993, aos 43 anos. Nesse lapso de tempo couberam talentos como os de pesquisador,
historiador, cronista, chargista,
artista plástico (consultor), desenhista e professor. Bico de pena, grafite e
carvão materializam seus traços expressivos e singulares. Academicamente, era licenciado em História.
Apesar de sua partida precocemente, a
sua obra permanece como perene
ensinamento, adiante do seu tempo. Na
revista produzida está uma bela síntese do que Bira deixou para as gerações futuras. Por
enquanto, são 100 exemplares – uma fonte indispensável de pesquisa e de contato
com uma vida repleta de criação.
Trajetória
Semana dos Museus: exposição em homenagem.
Bira Fontoura teve uma vida de muitas atividades concomitantes e em vários setores. Na Prefeitura de São Borja,
atuou como diretor de Urbanismo na Secretaria de Obras; desenhista na
Secretaria de Planejamento,
assessor no Departamento de
Assuntos Culturais da Secretaria de Educação e ainda como diretor no Museu
Missioneiro, hoje Apparício Silva Rillo.
Também como contribuição à administração municipal, foi responsável pela reorganização e retomada da Procissão a São João Batista e da Dezena de São Borja. O então prefeito Arneldo Matter protagonizou as iniciativas.
Como professor, desenvolveu atividades
em várias escolas estaduais. É o caso das escolas Olavo Bilac, Pindorama (atual
Apparício Silva Rillo), Colégio Estadual de São
Borja (CESB) e extinto Ginásio Agrícola Viriato Vargas. Ainda com
atividades relacionadas ao magistério e à história, igualmente trabalhou na
antiga Delegacia de Educação, hoje 35ª CRE. Uma das tarefas foi organizar
programações da Semana Farroupilha.
Profusão criativa
Tipos regionais, traço marcante em sua obra.
A veia artística foi sempre a principal
referência da capacidade de criação e do engenho inventivo. Nessa área,
ofereceu relevantes contribuições aos
museus Missioneiro Apparício Silva Rillo e Ergológico da Estância. Apaixonado por seu bairro, o Maria do Carmo,
ajudou a manter a memória do lugar e a
preservar suas memórias. Um dos exemplos diz respeito a Maria do Carmo, a ‘santa-profana’. Bira resgatou a história dela e participou
diretamente do processo de implantação de jazigo no bairro que leva seu nome. O
local é, hoje, motivação de peregrinações religiosas e pagamentos de promessas.
Em jornais da cidade, principalmente a
Folha de São Borja, publicou charges, desenhos, crônicas e pesquisas
históricas. Ainda ilustrou para um sem-número de publicações, especialmente de
Apparício Silva Rillo.
As ilustrações também materializaram
seu talento em capas de livros de diversos autores. Estão entre elas, obras de Rillo, José Nelson
Corrêa, Brasil Fontoura Aquino e Moarci Matheus Sempé.
O artista também marcava presença com
seu talento no Festival da Barranca, de Os Angüeras. E não apenas com sua presença física, mas como
ilustrador e outras vertentes criativas. Foi ainda autor de decoração para o
Carnaval da cidade. Participou de
festivais regionalistas, na Fronteira Oeste e nas Missões. O fez igualmente em eventos internacionais, como em Posadas,
Em São Borja, na Feira Municipal do
Livro, atuou como apoiador e foi homenageado.
Como escultor também marcou presença em eventos missioneiros, recebendo
premiações e honrarias.
As contribuições e a relevância da obra
de Bira Fontoura são simbolizadas em homenagens. Entre elas, recebeu distinções
honrosas de prefeituras municipais,
veículos de imprensa, legislativos municipais e universidades. Ademais,
Ubirajara de Oliveira Fontoura é nome de rua em São Borja, depois de aprovação
do Legislativo. A via com o nome de Bira fica na região Norte da cidade,
entroncamento com a Rua Mancias Alves.
Homem típico da Fronteira sempre presente.
Ampliar resgate
Ao produzir a revista sobre Bira
Fontoura – com apoio da administração do Museu Ergológico da Estância, da
Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer e do Departamento de
Comunicação da Prefeitura -, Vilmar dos Anjos espera que a obra seja bem
utilizada pela comunidade. “O nosso desejo é que o material sirva de fonte de
pesquisa nas escolas e universidades de São Borja”, destaca o editor.





















