terça-feira, 31 de agosto de 2021

APOSTANDO NO PASSADO

 


Obra de historiador propõe aproveitar

do  potencial missioneiro de São Borja

 

      O professor e pesquisador Fernando Rodrigues está colocando à disposição  mais um importante estudo sobre o legado jesuítico-guarani na antiga redução de São Borja, o Primeiros dos Sete Povos Missioneiros. O trabalho  agora apresentado é de uma edição online do livro ‘Os Jesuítas Missioneiros na Terra dos Presidentes’. Com 98 páginas, a  obra foi produzida em 2012, como conclusão de um  Curso de Especialização sobre a História das Missões, promovido pela Unipampa/São Borja. Uma editora inglesa fez o lançamento da obra, que tem circulação mais no  meio acadêmico.

     No livro, Rodrigues remonta as principais referências do passado de São Borja nos três últimos séculos. Ele detalha as reminiscências materiais no Museu Apparício Silva Rillo e nas igrejas São Francisco de Borja e Imaculada Conceições. Resgata, ainda, o que foram e representam, por exemplo, as fontes de São João e de São Pedro e o chamado Forno Missioneiro. Muitos referenciais estão em mãos de particulares e o autor também faz um pouco desse inventário. Além de textos de recomposição do passado, muitas imagens fazem parte d obra.

         Para os próximos meses, Fernando Rodrigues prepara  outro livro sobre o tema – “mais atualizado e completo”, segundo antecipa. O professores não tem dúvidas da importância de São Borja investir na herança missioneira como produto turístico. “É um produto cujos resultados independem de condições de clima ou  de mercados”, destaca. Ele observa que, hoje, Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia trabalham em conjunto o potencial em comum. “Porto Xavier está sendo o caminho brasileiro, assim como podem ser São Borja e Santo Tomé”, ressalta.

           Rodrigues acha necessário instituir uma política municipal específica, contratar um arqueólogo e realizar escavações  em ‘janelas’ arqueológicas. Lembra que Santo Ângelo já fez isso e defende um circuito integrados de todos os antigos Povos Missioneiros. A projeção é que com cerca de R$ 500 mil São Borja realiza o trabalho de escavações, valor que seria depois compensado, com sobra, pela geração de produtos turísticos.  Aos interessados, o autor proporciona acesso ao conteúdo do livro.

 

      

 

    

     

          

 

 

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Novo dilema de racionamento

e de apagão, 20 anos depois

 

    O Brasil depende do transporte sobre robes para o escoamento assim como depende do setor hidrelétrico para a geração de energia.  Em relação ao setor energético, eis que volta o fantasma de apagão ou racionamento.  A última vez que isso ocorreu foi em  2021,há 20 anos, já ao final do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na época, o Brasil registrou a pior crise hidrológica, até então, , devido ao baixo volume de chuvas, que afetou, além da produção de energia elétrica, também a agricultura e o abastecimento de água às grandes cidades.

       A situação, hoje, não é muito diferente. As regiões Sudeste e Centro-Oeste, das maiores hidrelétricas, registram níveis críticos nos seus sistemas de abastecimento, na maior seca em quase um século.  Nos últimos

sete anos, os reservatórios das hidrelétricas — responsáveis por dois terços da energia gerada no país — receberam o menor volume de água da histórica.

      Como consequência, 30% da geração vem de termoelétrica, que gastam seis vezes maior que as hidrelétricas.  Já o consumidor terá de pagar essa conta, neste nos próximos anos. A partir de novembro, mês em que começa o aumento de demanda,  pode haver apagão ou racionamento. O governo pede para poupar.    

    A pequena diferença é que na crise atual  dependemos um pouquinho menos da água para gerar energia. Em 2001, 85% da geração de energia vinha das hidrelétricas. Hoje, o índice é de 65%.  O principal motivo é o aumento da capacidade de produção de outras fontes geradoras.

    A  biomassa produz 9,1%, as eólicas 8,8% e  o gás natural 8,3%. Já o  carvão e derivados respondem por 2,7%, a energia nuclear por 2,2%, os derivados de petróleo 2,1% e a solar 1,7%. A geração pelo vento deu um salto nas últimas semanas, principalmente no Nordeste, indo a 20% - a sua capacidade limite.

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

COLAPSO EM REPRISE

 

Novo dilema de racionamento

e de apagão, 20 anos depois

 


    O Brasil depende do transporte sobre robes para o escoamento assim como depende do setor hidrelétrico para a geração de energia.  Em relação ao setor energético, eis que volta o fantasma de apagão ou racionamento.  A última vez que isso ocorreu foi em  2021,há 20 anos, já ao final do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na época, o Brasil registrou a pior crise hidrológica, até então, , devido ao baixo volume de chuvas, que afetou, além da produção de energia elétrica, também a agricultura e o abastecimento de água às grandes cidades.

       A situação, hoje, não é muito diferente. As regiões Sudeste e Centro-Oeste, das maiores hidrelétricas, registram níveis críticos nos seus sistemas de abastecimento, na maior seca em quase um século.  Nos últimos

sete anos, os reservatórios das hidrelétricas — responsáveis por dois terços da energia gerada no país — receberam o menor volume de água da histórica.

      Como consequência, 30% da geração vem de termoelétrica, que gastam seis vezes maior que as hidrelétricas.  Já o consumidor terá de pagar essa conta, neste nos próximos anos. A partir de novembro, mês em que começa o aumento de demanda,  pode haver apagão ou racionamento. O governo pede para poupar.    

    A pequena diferença é que na crise atual  dependemos um pouquinho menos da água para gerar energia. Em 2001, 85% da geração de energia vinha das hidrelétricas. Hoje, o índice é de 65%.  O principal motivo é o aumento da capacidade de produção de outras fontes geradoras.

    A  biomassa produz 9,1%, as eólicas 8,8% e  o gás natural 8,3%. Já o  carvão e derivados respondem por 2,7%, a energia nuclear por 2,2%, os derivados de petróleo 2,1% e a solar 1,7%. A geração pelo vento deu um salto nas últimas semanas, principalmente no Nordeste, indo a 20% - a sua capacidade limite.

 

domingo, 29 de agosto de 2021

em tempos de pandemia

 

 

São Borja aponta os vencedores do seu

54º Concurso de Músicas de Carnaval

 


       Num cenário atípico e fora de época, devido à pandemia, São Borja conheceu na noite deste sábado (28) os vencedores do 54º Concurso Regional de Músicas para o Carnaval Apparício Silva Rillo. O evento, normalmente realizado em janeiro, no Cais do Porto, teve  adiamentos e acabou acontecendo entre  quinta-feira a sábado (26 a 28/8), no Centro Nativista Boitatá. Desta vez, o público acompanhou as apresentações das marchas e sambas concorrentes pela internet ou pela transmissão de emissoras de rádio. O local da programação, só recebeu os grupos musicais, as equipes de apoio ligadas à Prefeitura Municipal e os veículos de imprensa.

       A coordenação foi da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. Ainda compareceram o prefeito Eduardo Bonotto, o vice Roque Feltrin e o presidente da Câmara de Vereadores, José Luiz Machado, entre outras autoridades. “Num formato diferente e garantindo todos os protocolos de segurança sanitária, conseguimos entregar à comunidade lazer e entretenimento”, destacou o prefeito Bonotto. A secretária de Cultura, Vânia Alves Cardoso, ressaltou que a iniciativa “também  teve a importância de garantir recursos de apoio aos grupos musicais, sabidamente necessitados pelas restrições impostas pela Covid 19”.

     Na quinta-feira (26) foram apresentadas as 12 marchas selecionadas na fase de triagem, sendo classificadas seis pelo grupo de avaliadores. Na sexta-feira (27)  foi a vez dos 12 sambas habilitados, saindo das apresentações seis composições. Já no sábado (28) foi a etapa final do festival, para definições das premiações.

     O júri esteve composto por Alberto Roque Matoso, Ildefonso Barbará Dornelles, Eugênio Dutra, Karine Franck e Cecílio Guimarães. Nas três noites, além apresentações concorrentes foram realizados shows de grupos musicais participantes do evento musical.

        Classificação e premiação

        Na categoria  marchas, ficou em 1º lugar a composição ‘A Marcha Rancho’,   letra de Cristiano Behling, música de Marcelinho Carvalho, interpretação do  grupo a Cor do Samba, de Porto Alegre, recebendo prêmio de R$ 6,5 mil. Na 2ª colocação, com prêmio de R$ 4,5 mil, ficou ‘Sou o Silêncio da Manhã’, letra de Arlindo Almeida Júnior e melodia de Felipe Goulart, com o grupo Água na Boca, de São Borja. Já o 3º lugar  foi para ‘Show da Vida’, com letra de José Barbosa e melodia de Mateus Meireles da Silva, com o grupo Água na Boca, de São Borja, recebendo premiação de R$ 2,5 mil.

        Na categoria samba,  o 1º lugar foi atribuído à  composição ‘Quando a Noite Cai’, letra e música de Bianca Bergmann, com o  grupo Madrugada, deSão Gabriel. Na 2ª colocação ficou ‘ ‘Curta Jornada’, letra e música de Rogério Lima Pinheiro, com grupo o Marcapasso de São Borja. O 3º lugar =foi conferido para ‘Iracema’,  letra  de Roberto Duran, melodia de Roberto Duran e Dione Muniz, com o grupo o grupo Mocivil, de Itaqui.  A premiação é a mesma atribuída à categoria marchas. As 24 músicas que passaram na triagem receberam ajuda de custos.

             Em relação ao chamados prêmios acessórias, a Música Mais Popular ficou com ‘Iracema’,  de Roberto Duran e Dione Muniz, recebendo prêmio de R$ 2,5 mil. A premiação de Melhor Letra foi para ‘Esperança e Fé’, de Vladimir Andrade Alves, interpretação de Boêmios da Madrugada. O prêmio de Melhor Instrumentista foi para  Medeiros (Zé Colmeia), do grupo Água na Boca. O prêmio de Melhor Intérprete foi conferido a Milena Beladona, do grupo Marcapasso. A composição ‘A Marcha Rancho’ recebeu a distinção de Melhor Melodia.  Em todos os casos o prêmio é de R$ 1,5 mil. Na maioria dos casos, os vencedores também receberam troféus.

 

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

ENTREVISTA: Hugo Reginaldo Marques Chimenes

 


“Na correlação de forças e luta de classes,

a política neoliberal afetou o sindicalismo”



     A sua trajetória é marcada, aos 61 anos, à militância sindical e à mobilização em torno das causas comunitárias, como através dos Coredes. Este é Hugo Reginaldo  Marques Chimenes, o conhecido Hugo Chimenes (foto arquivo pessoal). Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, ele avalia a conjuntura do sindicalismo brasileiro e queixa-se do neoliberalismo e das reformas trabalhista.

     Chimenes sempre atuou em defesa dos sindicatos. É  industriário da Alimentação e fundador da Associação Profissional dos Trabalhadores na  Alimentação de São Borja, presidindo atualmente a entidade operária no setor. Já foi secretário de Formação Sindical da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação no Rio Grande do Sul.

   Em outra frentes de lutas, ainda foi presidente do Fórum dos Coredes do RS no período de agosto de 2011 a outubro 2013. No Conselho de Desenvolvimento da  Fronteira Oeste exerceu as funções de tesoureiro, vice-presidente e presidente. Atualmente é o vice-presidente da instituição.  “Não somos apenas a Consulta Popular; nós pensamos o desenvolvimentos das regiões gaúchas”, ressalta. O sindicalista e líder comunitário é são-borjense e vive uma união estável, há 10 anos, com a professora Neuza Maria de Araújo. É pai de três filhos. Já atuou em ações partidárias, mas hoje descarta.  Confira a entrevista.

 

Alberi Cogo - As suas ações têm sido marcadas, nas últimas décadas, pela atuação no movimento sindical. A impressão é que o sindicalismo se vê, gradativamente, enfraquecido no país. Está correta esta afirmativa?

Hugo Chimenes - Não digo que enfraquecido, mas as mudanças são geradas pelo ajuste neoliberal da década de 1990. Foram o  fruto de grandes disputas no terreno da luta de classes. Isso não  necessariamente iniciou  neste período; o mais provável , inclusive é que seja parte de um processo mais amplo, e a década de 90 é um marco fundamental.  É o  resultado das modificações no patamar de correlação de forças entre as classes e na forma de organização dos seus mecanismos de disputas de hegemonia. Precisamos analisar a correlação existente entre o avanço do ajuste neoliberal e a capacidade de organização das classes subalternas, mais especificamente no movimento sindical. Essa reestruturação e o processo de modelagem do mundo do trabalho não seriam possíveis sem o aumento do controle sobre os trabalhadores. Com isso diminui a  capacidade de organização operária, tendo a colaboração da nossa estrutura sindical, que só permite a organização do portão pra fora. 

 

AC - Nos últimos anos, mudou a legislação em relação às normas trabalhistas e à arrecadação dos sindicatos. Em que medida isso afetou o movimento sindical?

HC - A reforma trabalhista implementada em 2017 foi o grande mote na época para acabar com o Imposto Sindical, correspondente a um  dia de trabalho descontado, em março de cada ano. Isso fez com que as fake news superassem o debate correto, que era pressionar a Câmara e o Senado para manter e garantir os nossos direitos. O  projeto enviado pelo presidente Temer tinha meia dúzia de artigos que seriam discutidos e possivelmente modificados, mas, na Câmara foram  54 artigos alterados, nove  revogados e 43 criados. E na grande maioria piorando o que já não era bom aos trabalhadores. Claro que os sindicatos que viviam só do Imposto Sindical ou fecharam ou estão prestes a fecharem, inclusive entidades  patronais. Hoje tem que se ter muito mais cuidado. As  negociações mal feitas podem jogar fora os direitos de uma categoria toda, já que após, essa reforma, prevalece o negociado sobre o legislado. Então nada que esteja ruim que não possa piorar. Na semana passada a Câmara Federal aprovou a MP 1045/21, que deveria tratar apenas de políticas de proteção ao emprego durante a pandemia, mas com as emendas incluídas, chamadas de jabutis acrescentando, uma série de itens,  retiram direitos. Com isso, virou mais uma minirreforma trabalhista. Agora o nosso trabalho é convencer os senadores a não aprovarem esse monstrengo que a Câmara aprovou.

 

AC -   A atual polarização política também tem chegado aos sindicalistas e suas entidades?

HC - Acredito que as entidades são constituídas pelo conjunto de seus integrantes, em que cada um tem as suas preferencias políticas,  o que é salutar. Agora os dirigentes sindicais têm o dever e obrigação de mostrar para a sua categoria o que está acontecendo no momento com relação ao atual governo, que desde a campanha afirmou que direitos ficariam em segundo plano. Pelos projetos mandados ao Congresso tem se confirmado. O que não dá para aceitar é aceitar tudo passivamente e depois querer que a direção do sindicato faça milagre nas negociações. 

 

AC -   São Borja chegou a tentar a uma espécie de União Sindical, mas, aparentemente, a tentativa não foi adiante. O senhor acha possível unificar a base operária?

HC - Pode não ter cartorialmente a unificação das entidades em um lugar definido, mas temos nos reunidos e realizado atividades com uma boa parcela das entidades de nossa cidade. Sempre respeitando as particularidades que cada uma tem.

 

AC -   Em geral, a cúpula dos sindicatos locais se renova pouco. Na sua avaliação, por que isso acontece?

HC - Acredito que pela cultura de esperar que alguém faça pra mim. Dai eu fico esperando as coisas acontecerem. Não é por falta de comunicado que tem eleições. A  nossa entidade, além do edital em jornal, também publica nos locais de trabalho o edital com prazo bem considerável para inscrições de chapas. Também pelo mundo que vivemos hoje, onde cada um busca pra si, não pensando no coletivo, e o trabalho sindical é bem ao contrário dessa máxima.    

 

AC - O seu sindicato, das Indústrias na Alimentação, é  diretamente ligado ao beneficiamento de arroz. Como está a situação dos trabalhadores no setor, considerando que a produção orizícola em São Borja se dá, gradualmente, em áreas menores?

HC - Diferente dos anos 1990, quando  tínhamos em torno de dois mil trabalhadores, hoje temos na casa de mil. Nesse patamar, a  categoria se mantém  estável nos últimos anos.  Só um fato “atípico” pode mudar esse quadro na categoria.  A redução de área não tem se refletido nas vagas de emprego nas indústrias da alimentação, já que a produtividade tem sido maior. O que lamentamos é a saída de arroz em casca produzido em nosso aqui, deixando de agregar valores ao nosso município.

 

AC - Além da atividade sindical, o senhor tem sua trajetória marcada por atuação no Conselho Regional de Desenvolvimento da Fronteira Oeste. Que análise o senhor faz sobre o atual papel dos Coredes?

HC - Devido à pandemia ficou bastante prejudicado o trabalho dos Coredes, mesmo assim no ano passado realizamos o processo da Consulta Popular todo de forma digital, inclusive as assembleias públicas municipais. Isso na  Fronteira Oeste é bastante complicado, devido à dificuldade de  acesso à internet,  que ainda deixa a desejar.

 

AC -   Os recursos do Estado destinados à Consulta Popular normalmente têm diminuído. Mesmo assim, segue justificada a existência dos Coredes como instrumento de encaminhamento das  demandas comunitárias?

HC - As pessoas reconhecem os Coredes  pela participação na Consulta Popular, mas o trabalho não se resume a ela. Tem  também discussão de desenvolvimento das 28 regiões gaúchas, êem os planejamentos que são realizados e a busca de suas /. O desejo que consta nas cartas de avaliações dos Coredes  é que o estado destine 5% do orçamento para discussão e implementação nas comunidades regionais. O atual governo tirou R$ 55 milhões que eram destinados às regiões via discussão da Consulta Popular e destinou aos deputados para apresentarem emendas. Os Cordes focaram com só R$ 20 milhões no orçamento de 2021.

   

AC - Que proposições mais relevantes da Consulta Popular seguem pendentes de atendimento em São Borja e na região?

HC - Como a região Fronteira Oeste nos últimos anos tem privilegiado através de votação popular as áreas do Turismo e Agricultura (Agroindústrias), são essas áreas que ainda têm pagamentos em aberto, tanto na forma de Convênio ou Financiamento. A partir de setembro começam as discussões através de assembleias regionais para o orçamento de 2022 nas regiões. Aguardamos por parte do governo a liberação de recursos previstos para a nossa região.

 

AC - O senhor já concorreu a prefeito, mas, ao que parece, tem se distanciado da militância partidária.  Ou tem planos futuros de nova candidatura?

HC - Desde 2010 não tenho mais filiação partidária e hoje não tenho planos. Apesar disso, o assédio sempre exista, mas prefiro continuar fazendo esse trabalho comunitário na região.

 

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A TEMPESTADE PERFEITA


Volta da inflação, seca, crise hídrica

e geadas pioram o cenário no país

 



     Nos supermercados, Brasil afora, volta a frenética rotina da remarcação de preços. O país nem bem tinha saído do que os economistas consideram a segunda década perdida em menos de 50 anos, eis que chega a Covid. Para completar a tempestade perfeita, a rebeldia climática também cobra a sua conta. Especialistas asseguram que o aquecimento global, em escala planetária, é que nos está trazendo eventos mais severos e mais frequentes, como ondas de frio extremo, formações de geada, enchentes localizadas, secas em outras regiões e, junto, a  crise hídrica.

      Com tantos fatores adversos, retorna na mesma esteira o fantasma da inflação à brasileira. De janeiro a julho de 2021, ela já acumula 4,7%. Se considerados os últimos 12 meses, o índice sobe para 9%.  Essa fúria inflacionária vem da pandemia, da gestão pública, da conta de luz, dos combustíveis, dos pastos, dos pomares e das plantações.  E os mais pobres, que engrossam a base da pirâmide social, são os mais castigados.

 

        Indicadores assustam

 




        Só ao longo do mês de julho, a tarifa de energia elétrica subiu 7,9% e a previsão é que vá continuar seus choques de alta, neste e no próximo ano. A razão principal apontada pelo governo federal é a crise hídrica, provocada pela mais dura estiagem em mais de 90 anos. A seca atinge as regiões no país onde estão os sistemas que abastecem as maiores hidrelétricas. Elas, no conjunto, respondem  por 70% da nossa geração de energia. É preciso, então, usar usinas termoelétricas, sabidamente bem mais caras. Apagão e racionamento também não são descartados.

      Os combustíveis, com efeito cascata para a espiral inflacionária, também não param de subir. O gás de cozinha vendido a mais de R$ 100 na região, botijão de 13 quilos, torna-se inviável para as famílias de renda mais baixa ou sem rendimentos. Nos últimos 12 meses é de 33% a majoração neste item essencial.

      A gasolina já teve alta 10 vezes este ano, superando os 51%.  Além das sucessivas remarcações nas   refinarias, os tributos vão às alturas. No Rio Grande do Sul, é de 30% a alíquota de ICMS para a energia elétrica, os combustíveis e as telecomunicações.

        O flagelo social do desemprego crônico no  Brasil só teima em crescer. São pelo menos 14,8 milhões de trabalhadores formais desempregados, mais um sem-número daqueles desalentados ou que sobrevivem de bicos, a duras penas. Só os informais são 34% dos operários. O presidente Jair Bolsonaro atribui esse quadro caótico ao “ficar em casa durante a pandemia”.

       Pode ser um dos fatores, mas não é o único. A economista Paula Magalhães aponta que só a conta de luz subiu 15% este ano. Os alimentos são um dos segmentos de consumo que mais impactam o custo de vida, juntamente com habitação. Inadimplências e despejos aos sem casa própria são cada vez mais frequentes. “Para quem ganha até R$ 1,6 mil por mês a inflação é maior, de 10% nos últimos 12 meses”, ressalta a economista.

 

         Retomada difícil  

 



         Há consenso que a superação da crise passa pela geração de empregos, investimentos em infraestrutura e reaquecimento da economia. Entretanto, no durante e no pós-pandemia, não será fácil fazer a roda girar. Faltam insumos na maioria dos setores, principalmente na indústria. A escassez leva à inflação dos preços, tanto dos insumos como dos produtos finais.  Alimentos do dia a dia na mesa dos brasileiros – arroz, feijão, óleo, carnes, farinha, hortigranjeiros e frutas – sobem bem além da inflação, devido às adversidades climáticas e à pandemia.

      Paula Magalhães projeta que, neste ano, a inflação chegue até a 7,5%, bem acima da meta.  Já os juros devem ir a 8% no fim do ano, como mecanismo de controle inflacionário. Para 2022, ela prevê que o crescimento do PIB brasileiro deve ficar na casa dos 2%, abaixo, portanto, dos 3,5% a princípio pensados.

 

        Aquecimento global

 




     Nas últimas semanas, o clima tem se rebelado em todos os cantos do planeta.  Calor extremo e incêndios no Ártico,  Sibéria, Estados Unidos e Canadá, por exemplo. Enchentes na China – 660 milímetros de chuva em dois dias e 3,5 milhões de pessoas evacuadas. Inundações também na Índia, na Alemanha e em regiões norte-americanas. No Brasil, um pouco de tudo:  enchente na Amazônia, seca no Sudeste e Centro-Oeste e três ondas de frio recorde no Sul, com neve e intensas formações de geada, além da seca.

      Os eventos  contrastantes e extremos são os mais severos nas últimas décadas. O  climatologista José Marengo, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento de Clima e Desastres Naturais, alerta que fenômenos como estes tendem a ser mais intensos e recorrentes  a partir de agora. Ele entende que esse é o preço do aquecimento global, que provoca o efeito estufa. “Essas manifestações são reações do clima às agressões humanas, praticadas contra o ecossistema”, analisa o especialista.

       De 1850 até agora, a temperatura subiu, em média, 1,2 º C no globo terrestre. Se nada for feito em relação a ações práticas coletivas de controle, até 2030 a elevação será de até mais 2ºC. Marengo adverte que, além da redução efetiva nos combustíveis fósseis por Estados Unidos e China, as duas maiores potências econômicas, toda a humanidade tem de pegar junto, para evitar o caos. O Brasil é o sexto maior poluidor no mundo.



     O climatologista José Marengo acha indispensável que sejam cessadas as ações de desmatamento e, no caso do Brasil, a preservação da Amazônia é uma questão emblematicamente crucial. Se essa floresta não for protegida, logo, a tendência é de desertificação na região, e com reflexos para todo o território nacional. O Centro-Oeste brasileiro, por exemplo, hoje o maior produtor de grãos no país, pode ter comprometido o seu agronegócio. As queimadas recentes no Pantanal também assustam em relação ao futuro, diz o especialista. A receita que apresenta é de construção de uma conscientização geral para evitar que o pior nos aconteça.

 

     Retrato são-borjense

 



       Desde o ano passado, a irregularidade nos ciclos do clima é atribuída ao La Niña. No entanto, o atual período de inverno é considerado de neutralidade pelos climatologistas. Apesar disso, São Borja e outros municípios na região Fronteira Oeste-Missões registraram mais de 50 dias praticamente sem chuva. As ocorrências desta semana são são bem-vindas, mas longe de cobrir o déficit hídrico existente.  Algum outro fator, portanto, deve ser causador deste quadro devastador.

        Para a produção agropecuária a situação é apreensiva. Os campos nativos foram dizimados pela seca e as geadas, e o gado encontra pouco o que comer (nas imagens de Roger Portela). Em relação às lavouras, a de trigo, plantada em 20 mil hectares no município, virou uma grande incógnita. O tamanho da futura cultura de arroz, também é incerto, devido ao baixo nível das barragens de irrigação (nas fotos de Ado Fiorin). O milho tem retarda o início de plantio e deve reduzir a área no cedo. Também o plantio de soja, é uma interrogação, mesmo ainda havendo tempo de espera.     

        

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

JORNALISMO

 





RBS: palestra e divulgação do

‘Primeira Pauta’ na Unipampa

 

    Nesta segunda-feira (23), via Google Meet, o Grupo RBS promoveu uma tarde de conhecimentos e reflexões para os alunos de Jornalismo da Unipampa, docentes e convidados da comunidade são-borjense. Com a abordagem dos desafios da profissão em tempos de pandemia, o repórter e apresentador da Rádio Gaúcha e colunista de GZH Eduardo Gabardo (a baixo, primeiro plano) e o repórter da RBSTV Eduardo Deconto (a baixo, segundo plano) relataram experiências e responderam a várias questões encaminhadas pela audiência.Ambos são jornalistas espo





rtivos e mencionaram aspectos de sua trajetória, detalhes sobre a rotina e os equipamentos que utilizam, coberturas marcantes, desafios enfrentados no dia a dia – como a relação com as fontes de informação e as fake news –, além de enfatizarem seu amor pela profissão. Gabardo e Deconto igualmente destacaram a importância de cada aluno se dedicar para mostrar o melhor de si e ir atrás de oportunidades. Nesse sentido, um dos caminhos é o concurso Primeira Pauta, promovido pela RBS, que seleciona estudantes para um período de experiência no qual produzem reportagens especiais com supervisão profissional. Em sua 12ª edição, o concurso recebe inscrições até dia 19 de setembro, aberto a acadêmicos com idade superior a 18 anos.

 

A seleção acontece em três etapas. Na primeira, com envio de vídeo de apresentação do candidato e resposta à questão: “por que eu quero participar do projeto jornalístico Primeira Pauta RBS?”. Quinze finalistas seguem para a segunda etapa, quando devem encaminhar uma reportagem escrita de tema livre. Desses, cinco saem vencedores e participam das atividades online da Semana Primeira Pauta (22 a 29 de outubro), resultando na produção de reportagens para GZH e Rádio Gaúcha. Um dos estudantes será selecionado para estágio remunerado no Grupo RBS.

 

A Unipampa já teve diversos alunos representando a instituição no Primeira Pauta. Na última edição, em 2019, ficaram entre os cinco vencedores os acadêmicos Darlan Witchaki e Erika Dal´Carobo. Mais informações sobre o Primeira Pauta:

 http://www.zerohora.com.br/pdf/35491862.pdf

 

      Contrastes

 

     Quem é mais veterano na atividade jornalística, também teve a chance de comparar as condições em que se trabalhava  há 40, 50 anos e como é hoje a realidade.  Naquela época, eram muitas as limitações, especialmente, por exemplo, aos jornalistas do interior do Estado e que tinham de enviar materiais aos veículos da capital gaúcha. Os textos eram ditados por telefone ou seguiam por malote. Já fotos viajavam pelo ônibus, só chegando no dia seguinte.

 

      Eduardo Gabardo relatou que, hoje, na RBS, um profissional sozinho desempenha múltiplas tarefas praticamente de maneira simultânea. É o caso dele, que, ao mesmo tempo, produz conteúdos para a Rádio Gaúcha, o site GZH e as mídias sociais da empresa. Eduardo Deconto observa que a TV ainda precisa de uma equipe maior, mas, com rapidez, ele também distribui    conteúdo para todo o país através do Globo Esporte (GE).

 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

SÃO BORJA E SUA GISTÓRIA

 



 

Nesta terça, os 67 anos da morte

de Getúlio Vargas, o ambivalente

 

     Esta terça-feira (24) marca uma das datas históricas no Brasil – a do suicídio do presidente Getúlio Dornelles Vargas, ocorrido em 1954.  O registro, hoje, completando 67 anos, é relevante não apenas pelo evento trágico, mas pelo que representa a figura do estadista, nascido em São Borja em 19 de abril 1882. A figura de Vargas é importante não apenas porque foi o presidente que esteve mais tempo no cargo – 19 anos -, mas também pelas ações protagonizadas e seu perfil diferenciado.

     Num Brasil migrando da vida rural para a urbana, ele implementou alguns dos principais avanços no século passado, desde direitos sociais, políticos e trabalhistas até grandes investimentos econômicos e de infraestrutura. Contudo, Getúlio teve as diversas etapas do seu governo marcadas pela ditadura, a repressão, o nacionalismo e o populismo. Apesar dessa ambivalência, pesquisas indicam ser o principal governante brasileiro do séculos 20.   

     Getúlio Vargas exerceu a presidência da República em dois períodos: de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954. Ele chegou ao poder como um dos líderes da Revolução de 1930, época em que preponderava a aliança Café-com-Leite, entre São Paulo e Minas Gerais.  O período entre 1930 e 1934 corresponde ao

Governo Provisório. Adotou uma política de valorização do café, através da compra e queima dos excedentes do produto. Para colocar em prática essa  política, criou o Conselho Nacional do Café em 1931.

      Em 1931, também  criou o Departamento de Correios e Telégrafos. Em março de 1932, instituiu a Carteira de Trabalho.   Já em 1944 formalizou o Código Eleitoral, que  estabeleceu o voto secreto, o voto feminino e a Justiça Eleitoral no país. Em junho do mesmo ano, criou o Instituto do Açúcar e do Álcool.  Convocou uma  Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova Constituição, que foi promulgada em 1934. Outra ação foi o apoio aos direitos trabalhistas na Constituição de 1934. Ainda em 1934 foi criado o Código Florestal.

      Já no Governo Constitucional (1934 a 1937), um decreto, em 1935, colocou na ilegalidade a ANL (Aliança Nacional Libertadora), movimento de caráter socialista que se opunha ao governo Vargas. Em janeiro de 1936, foi sancionou a lei que subordinou as polícias militares dos estados ao Exército Brasileiro.

 




          O Estado Novo

         O período que vai de 1937 a 1945 corresponde à ditadura do Estado Novo. Em 10 de novembro de 1937 foi ordenado o fechamento do Congresso Nacional. Os partidos políticos foram extintos e suspensas a campanha presidencial e a Constituição brasileira.

Vargas ordenou a elaboração de uma nova Constituição, concedendo poderes políticos ao Executivo.  A Constituição garantia poderes ao presidente-ditador como fechar o Congresso, extinguir partidos políticos, estabelecer a censura e indicar interventores nos estados. A nova Constituição também definia uma nova legislação trabalhista, com a maioria das regras atuais.

      Durante o Estado Novo,  foi criado o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), voltado a fazer a promoção  dos atos do governo, exaltando a figura do presidente. O DIP também foi responsável pela censura de jornais, rádios, cinema e outros órgãos de imprensa. Outra iniciativa foi criar o DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público) para controlar e coordenar os órgãos públicos.

      Durante a repressão política houve perseguição, prisão e até tortura de opositores políticos. No plano econômico. em 1938 o Conselho Nacional do Petróleo. Uma ano depois surgiu o Conselho de Águas e Energia Elétrica. Em 1941 foi fundada a Companhia Siderúrgica Nacional e no ano seguinte, a  Companhia Vale do Rio Doce.  Em 1944, surge o Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial.

       Em 1942 aconteceu a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado das forças que combatiam o nazismo. Um ano depois, em 1943, é sancionada a lei que estabeleceu a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Getúlio Vargas é lavado a deixar o governo em 1945.

 

       Pelo voto

      O segundo mandato de Vargas na presidência da República foi entre 1951 a 1954. Ele volta ao poder pelo voto popular, depois de campanha com ampla aprovação.  O período, porém, foi marcado por muitas turbulências, até o suicídio em  24de agosto de 1954.

     Em 1952 foi criado




o BNDE (atual BNDES). Por um decreto, também em 52, Getúlio regulamentou o trabalho do menor aprendiz. No mesmo ano, o presidente criou o Banco do Nordeste. Em novembro de 1953, aprovou a lei sobre liberdade de imprensa.

            Já em 1953  Vargas a Petrobrás e instituiu o monopólio estatal do petróleo em relação à extração e o refino. A realização é considerada uma das mais relevantes da Era Vargas. No entanto, o clima político no Brasil era tenso e de muitos  muitos conflitos. Havia fortes críticas por parte da imprensa ao governo. Os militares também estavam descontentes com medidas consideradas “de esquerda” tomadas por Vargas. A população igualmente verbalizada insatisfações, diante de situação econômica difícil. A pressão era por renúncia, mas Vargas acabou se matando com o tiro no peito no Palácio do Catete. A crise se agravou ainda mais depois de um atentado em que o governo foi acusado como envolvido.

 




         Na memória

          São Borja  tem dados presidentes à República brasileira. Além de Getúlio Vargas, João Goulart e Ibsen Pinheiro (presidente interino) também nasceram aqui. Isso confere à cidade o status de Terra dos Presidentes.

        Algumas referências perenizam a imagem do estadista. A principal referência material está na Casa/Museu Getúlio Vargas, espaço todo revitalizado e ampliado. Na Praça XV de Novembro um mausoléu guarda os rtestos mortarias do presidente, retirados do Cemitério Jardim da Paz. Uma das ruas central leve seu nome, a exemplo da Biblioteca Municipal.