Uma trajetória de
recíprocas.
E de gratidão por
São Borja
Referência
jornalística:Nos 40 anos da Folha de São Borja.
Múltiplas atividades cabem na trajetória, até aqui, de 64 anos de idade de Edson dos Santos Arce. Entretanto, é o Jornalismo - exercido há mais de três décadas - a sua referência e paixão principais. E é como repórter do cotidiano de São Borja e observador do cenário nacional que ele fala ao BlogAlberiCogo. “O Brasil segue vivendo uma crise política e moral sem precedentes, e parece que chegamos num divisor de águas”, analisa. Prevê um pleito de muita disputa, este ano, apostando em mudanças. Enxerga um eleitor desmotivado diante da mesmice das ações e das propostas dos candidatos. Defende o voto facultativo. Quando o Brasil completa 200 anos de independência, Arce observa uma nação clamando por uma identidade e ainda um projeto efetivo do seu próprio futuro.
Edson Arce é natural de
Itacurubi, Rincão das Ilhas, tendo estudado até a 5ª série e a admissão ao
Ginásio na Escola Municipal Isolada Ivan Goulart, localidade de Iguariaçá, onde
seu pai, Alcides Ferreira Arce, era
professor unidocente. Nos anos 1970, já em São Borja, estudou no curso
Integrado, à noite, na Escola Municipal Fernando Ferrari, bairro Itacherê, tendo
Leila Krieger como professora. Depois frequentaria a Escola Polivalente no
bairro do Passo, hoje Padre Garcia, onde concluiu o Ensino Fundamental em 1978.
“Fui destacado como o melhor aluno em notas em um grupo de mais de 80
integrantes”, lembra.
Origens aos 4 anos na terra
natal,
no Rincão das Ilhas, em Itacurubi.
Na sequência, Arce frequentou
o curso Técnico em Contabilidade, na Escola Técnica Ivan Goulart, concluindo as
atividades nos anos 1980. Contudo, acabou não exercendo a profissão objeto da
formação. Depois iniciou o curso de Letras na Urcamp, desistindo, porém, na
metade da graduação. Assim também ocorreu com o curso de Administração,
interrompido após alguns semestres ma
mesma universidade. Com a chegada da Unipampa, o desejo foi fazer o curso de
Jornalismo, entretanto em função de as aulas serem durante o dia, não foi
possível a graduação. Arce conta que fez cursos de Redação, de Dicção, de
Oratória e de Relações Humanas, visando a um melhor desempenho profissional.
Edson ressalta que muito cedo
começou a trabalhar, ainda no interior de Itacurubi. Inicialmente, ajudava o
pai e a mãe na pequena lavoura de subsistência e ainda na produção de
leite. Em torno dos 14 anos, foi
trabalhar em serviços gerais ou de peão patieiro na Fazenda Iguariaçá, de
Regina Helena Lacerda Goulart, então viúva de Ivan Goulart, irmão do
ex-presidente João Goulart. Em seguida, aos 16 anos passou a trabalhar como
tratorista em uma granja, onde permaneceu alguns meses. Em seguida, a família
se mudou para a cidade em São Borja. No período também ajudava na contabilidade
da Fazenda Rancho Grande, do ex-presidente João Goulart, a convite do seu
capataz Amálio.
Edson Arce no lançamento
do seu primeiro livro.
“Na cidade, então com 17 anos, também vendi picolés, principalmente em frente às escolas”, lembra Edson Arce. Na sequência, a ocupação foi na construção civil, levado por Adão Machado. Ficou alguns anos na atividade, tendo alcançado a posição de azulejista, trabalhando por conta própria. “A seguir, trabalhei em um escritório de agronomia, fui vendedor de loja de materiais de construção, recenseador do IBGE, secretário paroquial e bancário”, relata. Como bancário, foram oito anos, no antigo banco Sulbrasileiro e depois no extinto banco Meridional. “Tive a oportunidade ainda de ser pequeno comerciante por dois anos”, recorda.
Em 1990, aos 32 anos, começa
a exitosa saga no Jornalismo. O ingresso
na atividade foi na Rádio Cultura AM, “graças a um convite do então diretor
comercial, o saudoso Manoel Moreno, com
o aval do diretor geral da emissora, Roque Andres.” Cinco anos depois, integraria
também a equipe da redação da Folha de São Borja. As duas funções exerce até hoje.
Duasdas suas paixões: uma
o Grêmio; a outra, a música.
“No mesmo período, fui assessor de imprensa da Câmara de Vereadores, por duas vezes, e da Prefeitura, uma vez”, destaca. Ele acrescenta que “ainda tive a satisfação de ser correspondente do Correio do Povo algumas vezes, substituindo o colega Alberi Cogo em suas férias.” No meu currículo já constam cerca de 13 mil entrevistas e outras milhares de horas de transmissões externas. “Gostaria de registrar também as várias palestras que fiz a estudantes de Jornalismo e de Relações Públicas da Unipampa, a convite de professores”, relata.
Em funções não remuneradas,
Arce informa sua atuação como vice-presidente da União Estudantil de São Borja
(UESB), assim como escoteiro no Grupo Guardiões da Fronteira. Igualmente
foi catequista por três anos na Paróquia
Imaculada Conceição, jogador de futebol amador nos clubes Americano,
Cruzeirinho, Penharol e Guarani. Ele também registra que é atuação na diretoria
da Apae por vários anos, participação na patronagem do CTG Tropilha Crioula e,
atualmente, “costumo cantar e tocar com meu amigo e compadre Damião. “ São
contabilizadas ainda nove apresentações consecutivas do evento São Borja em
Dança, uma das referências no Mercosul.
O jornalista cita como
atuações marcantes a Inauguração da Ponte da Integração, com entrevistas dos
presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Argentina, Carlos Meném;
os atos fúnebres de Neusa Brizola e,
depois, de Leonel Brizola; e a exumação dos restos mortais de João Goulart e,
após, o sepultamento dos restos mortais em São Borja. Arce ainda registra a
cobertura da visita conjunta de Leonel Brizola e de Luis Inácio da Silva, em
campanha para a presidência da República; o shows de Zezé Di Camargo e Luciano;
César Menoti e Fabiano e as Marcianas. Outros exemplos: operação do Exército tendo como base o
aeroporto João Manoel; inauguração dos museus Getúlio Vargas e João Goulart;
acidente de trânsito com um ônibus em Santo Tomé, com oito mortos e 20 feridos,
Marcha de Prefeitos a Brasília (2000), cobertura da Expointer, encontro de prefeitos
na Famurs na gestão de prefeito Mariovane Weis (PDT), cobertura de três
aberturas da Colheita do Arroz (em Alegrete, São Borja e São Gabriel), cobertura de 24 edições do festival Ronda de
São Pedro e de 27 edições do festival de músicas para o Carnaval e cobertura
das duas edições do Festival da Música Crioula do CTG Tropilha Crioula, 26
transmissões de desfiles da Semana da Pátria e todos os eventos de Carnaval.
O êxodo rural, agravado a
partir dos anos 1960, trouve a família
Arce para a cidade. “Escasseavam os empregos nas granjas e fazendas e a gente
precisava de escolas”, conta Edson.
Acrescenta que “o pai Alcides e a mãe Vidalvina construíram uma casa em
São Borja para abrigar a família de nove filhos, sem considerar os dois falecidos.”
Hoje como uma das motivações
como jornalista, Edson Arce ressalta que gosta de escrever e de se comunicar.
“Gosto do que faço e sempre fiz com muito boa vontade e alegria. O apoio de
colegas como do próprio jornalista Alberi Cogo, meu principal professor, me
motiva a manter esta linha de condução.”
Referência jornalística: comandando
o
‘Gente é Notícia’ na Rádio Cultura AM.
Outra motivação veio das premiações recebidas
ao longo da profissão, como oito troféus Padre Francisco Garcia e 12 troféus
Farroupilha como Melhor Repórter. Além disso, cita outras homenagens, como o
título de Cidadão São-Borjense, Destaque em Jornalismo por três vezes e mais uma
dezena de outras homenagens são motivadoras. “Também entram nas minhas
motivações as seis participações no projeto Poesia Fora da Estante, de
escolas em São Borja. Ainda em São Borja e Itacurubi recebeu homenagens na Feira do Livro.
Edson Arce teve um primeiro
casamento de 13 anos e, desta união, surgiram os filhos mais velhos, Flávio e
Leonardo. Depois, de um breve relacionamento, surgiu um terceiro filho, o
William Bruno. Mais tarde passaria a ter como companheira Universina Eliste
Antunes dos Santos. “Desta união veio nosso filho especial, autista, Douglas
dos Santos Arce que, infelizmente, acabou falecendo com 18 anos em 1° de março
de 2021. Foi o maior drama que já passei e ainda passo em minha vida, pois
nosso ‘Anjo Azul’ era um projeto enviado por Deus que nos exigiu muitos
sacrifícios, mas que também nos trouxe muitas alegrias e nos deixou exemplos
espetaculares, nem sempre vistos em pessoas ditas normais. A fé em Deus nos
mantém de pé, mas a saudade dói demais, pois nossa casa parece que ficou vazia.”
Na entrevista, a seguir,
Edson Arce também fala das suas relações com São Borja, de permanentes trocas,
acolhimentos e de gratidão. Acha que a
comunidade e suas lideranças têm de ser mais unidas, assim como apostar mais
nos seus ricos potenciais, um deles o turismo.
Na entrega de um prêmio pelopoeta Apparício Silva Rillo.
Alberi Cogo - Arce, vou inicialmente repetir uma pergunta-clichê que tenho feito à
maioria dos entrevistados. Que cenário você traça para as eleições gerais deste
ano no país, diante de tantos problemas a equacionar e de uma exacerbada
polarização política?
Edson Arce - Em relação a
este assunto, posso visualizar que teremos muitos candidatos à presidência da
República e muitos a governador. Acredito que a escolha em torno será mais
difícil do que em outros pleitos, dada à circunstância que alguns nomes
enfrentam, hoje, frente à política nacional. O Brasil segue vivendo uma crise
política e moral sem precedentes, e parece que chegamos num divisor de águas. É
hora de separar o joio do trigo e eleger políticos realmente comprometidos com
o bem comum. O ruim é discernir qual deles, quando os discursos parecem
copiados um do outro. Não vejo como repetir governos desastrados do passado,
mas sim escolhermos o que convém a todos e não apenas a mim pessoalmente. Também acho que
chegou a hora de São Borja voltar a ter seu representante na Câmara Federal e
na Assembleia Legislativa. Temos bons políticos e votos para isso. Assim o município
teria mais voz para resolver alguns problemas históricos, especialmente o
desemprego.
AC - Ouve-se dizer que o eleitor está descrente e
desmotivado. Se verdadeira a afirmativa,
qual é fórmula para que tenhamos um voto consciente, de engajamento?
EA - O Brasil precisa
caminhar para o voto voluntário, isto é, não obrigatório. Acredito que este é o
caminho para que o eleitor só saia de caso para votar em políticos
comprometidos, na prática, com a população e não com discurso vazio. O voto
obrigatório tem levado muita gente a cabresto até às urnas. Além disso, muitas
vezes vota-se porque é obrigatório, sem fazer uma análise mais profunda e
correta do candidato ou candidata. Outra coisa é analisar o passado dos
candidatos, para que saibamos qual futuro poderemos ter com eles em cargos-
chave do poder.
Acompanhando a entãoMiss Brasil Renata Fan.
AC - O ano de 2022 é também o dos 200 anos da chamada independência do Brasil. É consenso, porém, que continuamos uma nação imensamente dependente e desigual, iletrada e sem um projeto abrangente e efetivo de desenvolvimento. No seu sentimento, o Brasil tem jeito?
EA - O Brasil já nasceu
errado, pois mesmo sem ter povo já tinha governo. Continuamos dependentes do
estrangeiro, tanto que não criamos nossa própria linguagem, utilizando-se de
frases e palavras que vêm do exterior. No caso de muitos setores em que o país
é autossuficiente, mesmo assim continuamos importando os mesmos produtos que temos aqui. São estas
coisas que não consigo entender. O Brasil só terá mesmo jeito de um Grande
Estado, quando o povo deixar de ser acomodado e puxar para o mesmo lado do bem
e da concórdia. Precisamos ainda acabar com a oposição raivosa e vingativa e
buscar a consciência de saber perder e apoiar todos os bons projetos,
independentemente de partido político.
AC - Agora
lançando um olhar sobre São Borja, existe um conceito de que na raiz do nosso
subdesenvolvimento está o fato de que somos uma comunidade dividida ou em que
cada um apenas olha para o seu próprio umbigo.
Isso está mudando ou seguimos reféns das nossas heranças culturais?
EA - Continuamos reféns ainda
de uma herança cultural, extremamente negativa. Há muitas décadas, estamos vendo tudo o que temos de bom, mas o que está sendo feito pelo
adversário político deve ser contrariado. As picuinhas políticas ainda são um
grande atraso em nosso desenvolvimento e na construção de uma São Borja para
todos. O município parece não saber que a união de todas forças possíveis pode
mudar o rumo das coisas. Enquanto isso, olhamos apenas para aquilo que faz bem
ao próprio ego ou partido. Precisamos
caminhar na mesma estrada, fortalecer e variar nossa matriz econômica e pensar
em termos de futuro para nossos filhos e netos. Do contrário, continuaremos
patinando na lama do ‘quanto pior melhor, quando se trata de nosso adversário
político.
Com a esposa Elisete e o
saudoso filho Douglas.
AC - Como a gente muda quem fura a fila e o sinal;
depreda o patrimônio público; não constrói a calçada; joga lixo na periferia? O
que você propõe para ‘revogar’ a Lei de Gerson, aquela de levar vantagem em
tudo?
EA -
Temos uma educação muito arcaica em termos de relacionamento humano. Ainda
somos do tempo do coronelismo - do quem pode mais chora menos. Acredito que
precisamos educar mais as nossas crianças, os adolescentes, os jovens de modo
geral, para que comecem a mudança. Já dos adultos não podemos esperar muito.
Ainda não compreendemos que a cidade é o quintal de nossa casa e que assim deve
ser tratado em termos de cuidados com o lixo, a calçada e arredores do nosso
bairro. Necessitamos de mais exemplos de lideranças em nossa cidade, no sentido
de compreendermos que uma cidade suja significa uma cidade mal educada.
Ainda sonho com uma cidade melhor, onde além de respeitarmos as leis, também
exercitemos aqueles pequenos gestos, aqueles que nos fazem mais humanos e
realmente filhos de Deus.
AC - Somos um exemplo de desempenho no agronegócio e reconhecemos um grande potencial turístico, mas ainda patinamos neste setor. O que fazer para deslanchar também no turismo?
EA - A questão do turismo é
muito antiga e não é fácil mudar isto. Nossa matriz econômica gira, por
centenas de anos, em torno da agricultura e da pecuária. Nossos gestores
esqueceram da vocação turística, que é tão importante quanto à agropecuária. Temos aqui o turismo político e
missioneiro, e somado a isso ainda temos
belas fazendas, rios e matas que atrativos ao turismo em geral, rural e ao
ecoturismo. Os projetos feitos até agora não têm vingado. Acredito que há a
necessidade de uma divulgação maior de São Borja fora daqui. Moradores de
outras paragens nem lembram que aqui nasceram Getúlio Vargas e João Goulart e
que aqui temos museus e pontos turísticos que merecem ser visitados. É hora de
aprimorar este setor, para assim somaremos muito mais nas nossas divisas. Precisamos aproveitar melhor também a
Ponte da Integração, por onde passam milhares de turistas argentinos, todos os
anos.
AC - Nós somos de uma geração em que perpassamos
por uma alucinante revolução tecnológica
- da máquina de escrever ao 5G e à inteligência artificial. É prêmio ou é castigo estar passando por essas
mudanças?
EA - Acredito que fomos
premiados por uma evolução extraordinária na área da informática. Em tudo hoje
encontramos mais facilidades, especialmente na comunicação, setor que
enfrentamos períodos de muito trabalho e até desilusões. De tanto que a
tecnologia andou rápido nos últimos anos, não estamos conseguindo acompanhar
estas evoluções. Mas precisamos estar atentos ou então perdemos o trem da
história e a oportunidade de acompanharmos um novo mundo que surge a cada
semana.
Marcha de Prefeitos a
Brasília, no ano 2000.
é contar estórias. Na trajetória profissional, quer nos brindar, por favor, com algum evento bizarro, pitoresco? Situações dessas que não seja preciso ‘tirar as crianças da sala.’
EA - No meu início como repórter,
muito embora destemido, passei por algumas situações cômicas. Não lembro brm,
mas fui a Porto Alegre tratar de um assunto na Secretaria Estadual de Educação,
situada no Centro Administrativo, que até hoje não sei quantos andares tem.
Fiquei perto do elevador esperando para ver como funcionava o equipamento. Vi
uma moça sentada ali dentro, ao mesmo tempo em que as pessoas que entravam no
local falavam, bem alto, um número. Entrei ali naquele baita elevador e gritei
“45, moça”. E ela: “Desculpe, moço. Este prédio não tem 45 andares”. Virei a
cara para um lado e remendei. “Quero ir na Secretaria de Educação”. A moça e as
demais pessoas que estavam ali olharam para mim e riram, e eu fiquei vermelho e
bem quieto. Na realidade, pensei que as pessoas teriam que dizer a idade ao
embarcar no elevador quando, na realidade era o andar onde deveriam descer.
Uma das reportagens
históricas, navisita de Brizola e Lula a São
Borja.
AC - Normalmente afirma-se
que repórter é a história viva. Que eventos mais o marcaram nestas cerca de
três décadas de jornalismo?
EA - Isto é verdade. Não me
sai da memória, claro, a inauguração da Ponte Internacional, o show de Zezé Di
Camargo e Luciano no Estádio Vicente Goulart, as entrevistas com presidentes da
República, a entrevista com a modelo Monique Evans no Hotel Executivo, pela sua
simpatia e extroversão. Não esqueço também o trágico fato policial ocorrido na
Granja Tôndolo, próxima ao aeroporto João Manoel, com quatro assassinatos; a exumação e sepultamento dos restos mortais
do ex-presidente João Goulart e a presença na cidade, no mesmo momento, dos
então presidenciáveis Lula e Brizola. Foram tantos fatos que fica até difícil
enumerá-los.
Com o senador Luis Carlos
Heinze e o colega Alberi Cogo.
AC - Recentemente você se
submeteu a uma bem-sucedida intervenção cirúrgica em que o apoio da comunidade
foi fundamental. Quer nos falar a respeito?
EA - Eu me emociono quando
falo neste fato. Desde março de 2021, minha saúde teve vários abalos, por conta
do trauma de ter perdido um filho especial. O problema da coxartrose vinha de
mais de 15 anos, mas eu podendo aguentar ad dores que surgiam. A partir de
agosto a situação piorou. Passei a trabalhar com dificuldades e, nos meses a
seguir - setembro, outubro e novembro -,
passei a chorar todos os dias de tanta dor. Era de rolar no chão de dor e de
pedir clemência a Deus. Sabendo de minhas dores e de que minha cirurgia pelo
SUS (Sistema Único de Saúde) demoraria pelo menos seis meses, minha vizinha e
amiga Cláudia, por sua conta e risco, lanço uma campanha de recursos na página
do ‘Reclama São Borja’ no Facebook. Por incrível que pareça, houve um
engajamento fantástico de muita gente, incluindo desde garis, empregadas
domésticas, trabalhadores autônomos até os maiores empresários da cidade. Foram
mais de 250 pessoas que colaboraram com a campanha, através de Pix, deixando pessoalmente doações em minha casa
ou através de um pedágio promovido pela
amiga Isabel do Amaral. Os mais de R$ 30 mil necessários à cirurgia foram
conseguidos em menos de 20 dias. Mais que isso, recebi dezenas de telefonemas
de pessoas de diferentes classes sociais oferecendo ajuda e fazendo eu chorar
muitas vezes. Não imaginaria que meu nome fosse tão respeitado e conhecido no
município. No dia 20 de novembro, incluindo a intervenção fundamental do
empresário Celso Rigo, passei pela cirurgia do quadril, no Hospital Ivan
Goulart, pelas mãos dos médicos Dudley Zanella e Everton Rigo e suas equipes. A
minha recuperarão foi espetacular, com a participação supereficiente da fisioterapeuta Morgana Gonçalves. Tenho
sido exemplo agora para muitos pacientes que sofrem de desgaste do fêmur ou
outros problemas no quadril. Gratidão total a Deus e a todos que continuam
junto comigo nestas lutas pela vida e pelo bem.
Ouvindo a dupla Cesar Menotti
e Fabiano, na Fenaoeste/2013.
AC - E quais são os planos pessoais e profissionais
de Edson Arce?
EA - Não almejo muita coisa
neste momento. Um dos meus sonhos, desde jovem, é gravar um DVD com músicas
variadas, algumas de minha autoria. É missão que estou preparando na atualidade. Na
área do jornalismo, acredito estar ainda no auge, muito embora ainda precise me
atualizar mais em termos de comunicação virtual, por exemplo. Ainda na vida
pessoal, outro sonho é elaborar e publicar um livro sobre a história do meu ‘anjo
azul’, Douglas Arce. Acredito ser obra fantástica em todos os sentidos. Cheguei
a escrever um segundo livro de causos, depois do ‘Ria, Mas Nem Tudo é de Graça’,
mas problemas financeiros não permitiram sua publicação. Assim que melhorar bem
da cirurgia e a pandemia der uma trégua, quero fazer algumas viagens
especialmente para a Serra gaúcha, para conhecer pontos que sempre tive vontade
de ver de perto. Quero acompanhar os meios de comunicação daquela região, que
já me ofereceram oportunidades.
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