sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

EMTREVISTA: Edson dos Santos Arce

  

Uma trajetória de recíprocas.

E de gratidão por São Borja


Referência jornalística:
Nos 40 anos da Folha de São Borja.
 

 Múltiplas atividades cabem na trajetória, até aqui, de 64 anos de idade de Edson dos Santos Arce.  Entretanto, é o Jornalismo -  exercido há mais de três décadas - a sua referência e paixão  principais. E é como repórter do cotidiano de São Borja e observador do cenário nacional que ele fala ao BlogAlberiCogo.  “O Brasil segue vivendo uma crise política e moral sem precedentes, e parece que chegamos num divisor de águas”, analisa. Prevê um pleito de muita disputa, este ano, apostando em mudanças. Enxerga um eleitor desmotivado diante da mesmice das ações e das propostas dos candidatos. Defende o voto facultativo. Quando o Brasil completa 200 anos de independência, Arce observa uma nação clamando  por uma identidade e ainda um  projeto efetivo do seu próprio futuro. 

Edson Arce é natural de Itacurubi, Rincão das Ilhas, tendo estudado até a 5ª série e a admissão ao Ginásio na Escola Municipal Isolada Ivan Goulart, localidade de Iguariaçá, onde seu  pai, Alcides Ferreira Arce, era professor unidocente. Nos anos 1970, já em São Borja, estudou no curso Integrado, à noite, na Escola Municipal Fernando Ferrari, bairro Itacherê, tendo Leila Krieger como professora. Depois frequentaria a Escola Polivalente no bairro do Passo, hoje Padre Garcia, onde concluiu o Ensino Fundamental em 1978. “Fui destacado como o melhor aluno em notas em um grupo de mais de 80 integrantes”, lembra.


Origens aos 4 anos na terra natal,
no Rincão das Ilhas,  em Itacurubi.

 

Na sequência, Arce frequentou o curso Técnico em Contabilidade, na Escola Técnica Ivan Goulart, concluindo as atividades nos anos 1980. Contudo, acabou não exercendo a profissão objeto da formação. Depois iniciou o curso de Letras na Urcamp, desistindo, porém, na metade da graduação. Assim também ocorreu com o curso de Administração, interrompido após  alguns semestres ma mesma universidade. Com a chegada da Unipampa, o desejo foi fazer o curso de Jornalismo, entretanto em função de as aulas serem durante o dia, não foi possível a graduação. Arce conta que fez cursos de Redação, de Dicção, de Oratória e de Relações Humanas, visando a um melhor desempenho profissional.

Edson ressalta que muito cedo começou a trabalhar, ainda no interior de Itacurubi. Inicialmente, ajudava o pai e a mãe na pequena lavoura de subsistência e ainda na produção de leite.  Em torno dos 14 anos, foi trabalhar em serviços gerais ou de peão patieiro na Fazenda Iguariaçá, de Regina Helena Lacerda Goulart, então viúva de Ivan Goulart, irmão do ex-presidente João Goulart. Em seguida, aos 16 anos passou a trabalhar como tratorista em uma granja, onde permaneceu alguns meses. Em seguida, a família se mudou para a cidade em São Borja. No período também ajudava na contabilidade da Fazenda Rancho Grande, do ex-presidente João Goulart, a convite do seu capataz Amálio.


Edson Arce no lançamento
do seu primeiro livro.

 

“Na cidade, então com 17 anos, também vendi picolés, principalmente em frente às escolas”, lembra Edson Arce. Na sequência, a ocupação foi na construção civil, levado por Adão Machado. Ficou alguns anos na atividade, tendo alcançado a posição de azulejista, trabalhando por conta própria.  “A seguir, trabalhei em um escritório de agronomia, fui vendedor de loja de materiais de construção, recenseador do IBGE, secretário paroquial e bancário”, relata. Como bancário, foram oito anos, no antigo banco Sulbrasileiro e depois no extinto banco Meridional. “Tive a oportunidade ainda de ser pequeno comerciante por dois anos”, recorda.

Em 1990, aos 32 anos, começa a exitosa saga no Jornalismo. O  ingresso na atividade foi na Rádio Cultura AM, “graças a um convite do então diretor comercial, o saudoso Manoel Moreno,  com o aval do diretor geral da emissora, Roque Andres.” Cinco anos depois, integraria também a equipe da redação da Folha de São Borja. As duas funções  exerce até hoje.


Duasdas suas paixões: uma
o Grêmio; a outra, a música.
 

 “No mesmo período, fui assessor de imprensa da Câmara de Vereadores, por duas vezes, e da Prefeitura, uma vez”, destaca. Ele acrescenta que  “ainda tive a satisfação de ser correspondente do Correio do Povo algumas vezes, substituindo o colega Alberi Cogo em suas férias.” No meu currículo já constam cerca de 13 mil entrevistas e outras milhares de horas de transmissões externas. “Gostaria de registrar também as várias palestras que fiz a estudantes de Jornalismo e de Relações Públicas da Unipampa, a convite de professores”, relata.

Em funções não remuneradas, Arce informa sua atuação como vice-presidente da União Estudantil de São Borja (UESB), assim como escoteiro no Grupo Guardiões da Fronteira. Igualmente foi  catequista por três anos na Paróquia Imaculada Conceição, jogador de futebol amador nos clubes Americano, Cruzeirinho, Penharol e Guarani. Ele também registra que é atuação na diretoria da Apae por vários anos, participação na patronagem do CTG Tropilha Crioula e, atualmente, “costumo cantar e tocar com meu amigo e compadre Damião. “ São contabilizadas ainda nove apresentações consecutivas do evento São Borja em Dança, uma das referências  no Mercosul.

O jornalista cita como atuações marcantes a Inauguração da Ponte da Integração, com entrevistas dos presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da Argentina, Carlos Meném; os  atos fúnebres de Neusa Brizola e, depois, de Leonel Brizola; e a exumação dos restos mortais de João Goulart e, após, o sepultamento dos restos mortais em São Borja. Arce ainda registra a cobertura da visita conjunta de Leonel Brizola e de Luis Inácio da Silva, em campanha para a presidência da República; o shows de Zezé Di Camargo e Luciano; César Menoti e Fabiano e as Marcianas. Outros exemplos:  operação do Exército tendo como base o aeroporto João Manoel; inauguração dos museus Getúlio Vargas e João Goulart; acidente de trânsito com um ônibus em Santo Tomé, com oito mortos e 20 feridos, Marcha de Prefeitos a Brasília (2000), cobertura da Expointer, encontro de prefeitos na Famurs na gestão de prefeito Mariovane Weis (PDT), cobertura de três aberturas da Colheita do Arroz (em Alegrete, São Borja e São Gabriel),  cobertura de 24 edições do festival Ronda de São Pedro e de 27 edições do festival de músicas para o Carnaval e cobertura das duas edições do Festival da Música Crioula do CTG Tropilha Crioula, 26 transmissões de desfiles da Semana da Pátria e todos os eventos de Carnaval.

O êxodo rural, agravado a partir dos anos 1960,  trouve a família Arce para a cidade. “Escasseavam os empregos nas granjas e fazendas e a gente precisava de escolas”, conta Edson.  Acrescenta que “o pai Alcides e a mãe Vidalvina construíram uma casa em São Borja para abrigar a família de nove  filhos, sem considerar os dois falecidos.”

Hoje como uma das motivações como jornalista, Edson Arce ressalta que gosta de escrever e de se comunicar. “Gosto do que faço e sempre fiz com muito boa vontade e alegria. O apoio de colegas como do próprio jornalista Alberi Cogo, meu principal professor, me motiva a manter esta linha de condução.”


Referência jornalística: comandando o
‘Gente é Notícia’  na Rádio Cultura AM.

 Outra motivação veio das premiações recebidas ao longo da profissão, como oito troféus Padre Francisco Garcia e 12 troféus Farroupilha como Melhor Repórter. Além disso, cita outras homenagens, como o título de Cidadão São-Borjense, Destaque em Jornalismo por três vezes e mais uma dezena de outras homenagens são motivadoras. “Também entram nas minhas motivações as seis participações no projeto Poesia Fora da Estante, de escolas  em São Borja. Ainda  em São Borja e Itacurubi  recebeu homenagens na Feira do Livro.

Edson Arce teve um primeiro casamento de 13 anos e, desta união, surgiram os filhos mais velhos, Flávio e Leonardo. Depois, de um breve relacionamento, surgiu um terceiro filho, o William Bruno. Mais tarde passaria a ter como companheira Universina Eliste Antunes dos Santos. “Desta união veio nosso filho especial, autista, Douglas dos Santos Arce que, infelizmente, acabou falecendo com 18 anos em 1° de março de 2021. Foi o maior drama que já passei e ainda passo em minha vida, pois nosso ‘Anjo Azul’ era um projeto enviado por Deus que nos exigiu muitos sacrifícios, mas que também nos trouxe muitas alegrias e nos deixou exemplos espetaculares, nem sempre vistos em pessoas ditas normais. A fé em Deus nos mantém de pé, mas a saudade dói demais, pois nossa casa parece que ficou vazia.”

Na entrevista, a seguir, Edson Arce também fala das suas relações com São Borja, de permanentes trocas, acolhimentos e  de gratidão. Acha que a comunidade e suas lideranças têm de ser mais unidas, assim como apostar mais nos seus ricos potenciais, um deles o turismo. 

 

Na entrega de um prêmio pelo
poeta Apparício Silva Rillo.

Alberi Cogo -  Arce, vou inicialmente  repetir uma pergunta-clichê que tenho feito à maioria dos entrevistados. Que cenário você traça para as eleições gerais deste ano no país, diante de tantos problemas a equacionar e de uma exacerbada polarização política?

Edson Arce - Em relação a este assunto, posso visualizar que teremos muitos candidatos à presidência da República e muitos a governador. Acredito que a escolha em torno será mais difícil do que em outros pleitos, dada à circunstância que alguns nomes enfrentam, hoje, frente à política nacional. O Brasil segue vivendo uma crise política e moral sem precedentes, e parece que chegamos num divisor de águas. É hora de separar o joio do trigo e eleger políticos realmente comprometidos com o bem comum. O ruim é discernir qual deles, quando os discursos parecem copiados um do outro. Não vejo como repetir governos desastrados do passado, mas sim escolhermos o que convém a todos e não  apenas a mim pessoalmente. Também acho que chegou a hora de São Borja voltar a ter seu representante na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Temos bons políticos e votos para isso. Assim o município teria mais voz para resolver alguns problemas históricos, especialmente o desemprego.

 

AC - Ouve-se dizer  que o eleitor está descrente e desmotivado.  Se verdadeira a afirmativa, qual é fórmula para que tenhamos um voto consciente, de engajamento?

EA - O Brasil precisa caminhar para o voto voluntário, isto é, não obrigatório. Acredito que este é o caminho para que o eleitor só saia de caso para votar em políticos comprometidos, na prática, com a população e não com discurso vazio. O voto obrigatório tem levado muita gente a cabresto até às urnas. Além disso, muitas vezes vota-se porque é obrigatório, sem fazer uma análise mais profunda e correta do candidato ou candidata. Outra coisa é analisar o passado dos candidatos, para que saibamos qual futuro poderemos ter com eles em cargos- chave do poder.

 

Acompanhando a então
Miss Brasil Renata Fan.
 

AC -  O ano de 2022 é também o dos 200 anos da chamada independência do Brasil. É consenso, porém, que continuamos uma nação imensamente  dependente e desigual, iletrada e sem um projeto abrangente e efetivo de desenvolvimento. No seu sentimento, o Brasil tem jeito?

EA - O Brasil já nasceu errado, pois mesmo sem ter povo já tinha governo. Continuamos dependentes do estrangeiro, tanto que não criamos nossa própria linguagem, utilizando-se de frases e palavras que vêm do exterior. No caso de muitos setores em que o país é autossuficiente, mesmo assim continuamos importando os  mesmos produtos que temos aqui. São estas coisas que não consigo entender. O Brasil só terá mesmo jeito de um Grande Estado, quando o povo deixar de ser acomodado e puxar para o mesmo lado do bem e da concórdia. Precisamos ainda acabar com a oposição raivosa e vingativa e buscar a consciência de saber perder e apoiar todos os bons projetos, independentemente de partido político.

 

AC -  Agora lançando um olhar sobre São Borja, existe um conceito de que na raiz do nosso subdesenvolvimento está o fato de que somos uma comunidade dividida ou em que cada um apenas olha para o seu próprio umbigo.  Isso está mudando ou seguimos reféns das nossas heranças culturais?

EA - Continuamos reféns ainda de uma herança cultural, extremamente negativa. Há  muitas décadas, estamos vendo tudo o que  temos de bom, mas o que está sendo feito pelo adversário político deve ser contrariado. As picuinhas políticas ainda são um grande atraso em nosso desenvolvimento e na construção de uma São Borja para todos. O município parece não saber que a união de todas forças possíveis pode mudar o rumo das coisas. Enquanto isso, olhamos apenas para aquilo que faz bem ao próprio ego ou  partido. Precisamos caminhar na mesma estrada, fortalecer e variar nossa matriz econômica e pensar em termos de futuro para nossos filhos e netos. Do contrário, continuaremos patinando na lama do ‘quanto pior melhor, quando se trata de nosso adversário político.

 

Com a esposa Elisete e o
saudoso filho Douglas.


AC - Como a gente muda quem fura a fila e o sinal; depreda o patrimônio público; não constrói a calçada; joga lixo na periferia? O que você propõe para ‘revogar’ a Lei de Gerson, aquela de levar vantagem em tudo?

EA - Temos uma educação muito arcaica em termos de relacionamento humano. Ainda somos do tempo do coronelismo - do quem pode mais chora menos. Acredito que precisamos educar mais as nossas crianças, os adolescentes, os jovens de modo geral, para que comecem a mudança. Já dos adultos não podemos esperar muito. Ainda não compreendemos que a cidade é o quintal de nossa casa e que assim deve ser tratado em termos de cuidados com o lixo, a calçada e arredores do nosso bairro. Necessitamos de mais exemplos de lideranças em nossa cidade, no sentido de compreendermos que uma cidade suja significa uma cidade mal educada. Ainda sonho com uma cidade melhor, onde além de respeitarmos as leis, também exercitemos aqueles pequenos gestos, aqueles que nos fazem mais humanos e realmente filhos de Deus.

 

AC - Somos um exemplo de desempenho no agronegócio e reconhecemos um grande potencial turístico, mas ainda patinamos neste setor. O que fazer para deslanchar também no turismo?

EA - A questão do turismo é muito antiga e não é fácil mudar isto. Nossa matriz econômica gira, por centenas de anos, em torno da agricultura e da pecuária. Nossos gestores esqueceram da vocação turística, que é tão importante quanto à  agropecuária. Temos aqui o turismo político e missioneiro, e  somado a isso ainda temos belas fazendas, rios e matas que atrativos ao turismo em geral, rural e ao ecoturismo. Os projetos feitos até agora não têm vingado. Acredito que há a necessidade de uma divulgação maior de São Borja fora daqui. Moradores de outras paragens nem lembram que aqui nasceram Getúlio Vargas e João Goulart e que aqui temos museus e pontos turísticos que merecem ser visitados. É hora de aprimorar este setor, para assim somaremos muito mais nas nossas  divisas. Precisamos aproveitar melhor também a Ponte da Integração, por onde passam milhares de turistas argentinos, todos os anos.

 

AC -  Nós somos de uma geração em que perpassamos por  uma alucinante revolução tecnológica - da máquina de escrever ao 5G e à inteligência artificial.  É  prêmio ou é castigo estar passando por essas mudanças?

EA - Acredito que fomos premiados por uma evolução extraordinária na área da informática. Em tudo hoje encontramos mais facilidades, especialmente na comunicação, setor que enfrentamos períodos de muito trabalho e até desilusões. De tanto que a tecnologia andou rápido nos últimos anos, não estamos conseguindo acompanhar estas evoluções. Mas precisamos estar atentos ou então perdemos o trem da história e a oportunidade de acompanharmos um novo mundo que surge a cada semana.

 

 

 Marcha de Prefeitos a
Brasília, no ano 2000.

 

é contar estórias. Na trajetória profissional, quer nos brindar, por favor, com algum evento bizarro, pitoresco?  Situações dessas que não seja preciso ‘tirar as crianças da sala.’

EA - No meu início como repórter, muito embora destemido, passei por algumas situações cômicas. Não lembro brm, mas fui a Porto Alegre tratar de um assunto na Secretaria Estadual de Educação, situada no Centro Administrativo, que até hoje não sei quantos andares tem. Fiquei perto do elevador esperando para ver como funcionava o equipamento. Vi uma moça sentada ali dentro, ao mesmo tempo em que as pessoas que entravam no local falavam, bem alto, um número. Entrei ali naquele baita elevador e gritei “45, moça”. E ela: “Desculpe, moço. Este prédio não tem 45 andares”. Virei a cara para um lado e remendei. “Quero ir na Secretaria de Educação”. A moça e as demais pessoas que estavam ali olharam para mim e riram, e eu fiquei vermelho e bem quieto. Na realidade, pensei que as pessoas teriam que dizer a idade ao embarcar no elevador quando, na realidade era o andar onde deveriam descer.

  

Uma das reportagens históricas, na
visita de Brizola e Lula a São Borja.

AC - Normalmente afirma-se que repórter é a história viva. Que eventos mais o marcaram nestas cerca de três décadas de jornalismo?

EA - Isto é verdade. Não me sai da memória, claro, a inauguração da Ponte Internacional, o show de Zezé Di Camargo e Luciano no Estádio Vicente Goulart, as entrevistas com presidentes da República, a entrevista com a modelo Monique Evans no Hotel Executivo, pela sua simpatia e extroversão. Não esqueço também o trágico fato policial ocorrido na Granja Tôndolo, próxima ao aeroporto João Manoel, com quatro assassinatos;  a exumação e sepultamento dos restos mortais do ex-presidente João Goulart e a presença na cidade, no mesmo momento, dos então presidenciáveis Lula e Brizola. Foram tantos fatos que fica até difícil enumerá-los.

 

Com o senador Luis Carlos
 Heinze e o colega Alberi Cogo.

 

AC - Recentemente você se submeteu a uma bem-sucedida intervenção cirúrgica em que o apoio da comunidade foi fundamental. Quer nos falar a respeito?

EA - Eu me emociono quando falo neste fato. Desde março de 2021, minha saúde teve vários abalos, por conta do trauma de ter perdido um filho especial. O problema da coxartrose vinha de mais de 15 anos, mas eu podendo aguentar ad dores que surgiam. A partir de agosto a situação piorou. Passei a trabalhar com dificuldades e, nos meses a seguir -  setembro, outubro e novembro -, passei a chorar todos os dias de tanta dor. Era de rolar no chão de dor e de pedir clemência a Deus. Sabendo de minhas dores e de que minha cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) demoraria pelo menos seis meses, minha vizinha e amiga Cláudia, por sua conta e risco, lanço uma campanha de recursos na página do ‘Reclama São Borja’ no Facebook. Por incrível que pareça, houve um engajamento fantástico de muita gente, incluindo desde garis, empregadas domésticas, trabalhadores autônomos até os maiores empresários da cidade. Foram mais de 250 pessoas que colaboraram com a campanha, através de Pix,  deixando pessoalmente doações em minha casa ou através de  um pedágio promovido pela amiga Isabel do Amaral. Os mais de R$ 30 mil necessários à cirurgia foram conseguidos em menos de 20 dias. Mais que isso, recebi dezenas de telefonemas de pessoas de diferentes classes sociais oferecendo ajuda e fazendo eu chorar muitas vezes. Não imaginaria que meu nome fosse tão respeitado e conhecido no município. No dia 20 de novembro, incluindo a intervenção fundamental do empresário Celso Rigo, passei pela cirurgia do quadril, no Hospital Ivan Goulart, pelas mãos dos médicos Dudley Zanella e Everton Rigo e suas equipes. A minha recuperarão foi espetacular, com a participação supereficiente  da fisioterapeuta Morgana Gonçalves. Tenho sido exemplo agora para muitos pacientes que sofrem de desgaste do fêmur ou outros problemas no quadril. Gratidão total a Deus e a todos que continuam junto comigo nestas lutas pela vida e pelo bem.

 

Ouvindo a dupla Cesar Menotti
e Fabiano, na Fenaoeste/2013.


AC - E quais são os planos pessoais e profissionais de Edson Arce?

EA - Não almejo muita coisa neste momento. Um dos meus sonhos, desde jovem, é gravar um DVD com músicas variadas,  algumas de minha autoria. É  missão que estou preparando na atualidade. Na área do jornalismo, acredito estar ainda no auge, muito embora ainda precise me atualizar mais em termos de comunicação virtual, por exemplo. Ainda na vida pessoal, outro sonho é elaborar e publicar um livro sobre a história do meu ‘anjo azul’, Douglas Arce. Acredito ser obra fantástica em todos os sentidos. Cheguei a escrever um segundo livro de causos, depois do ‘Ria, Mas Nem Tudo é de Graça’, mas problemas financeiros não permitiram sua publicação. Assim que melhorar bem da cirurgia e a pandemia der uma trégua, quero fazer algumas viagens especialmente para a Serra gaúcha, para conhecer pontos que sempre tive vontade de ver de perto. Quero acompanhar os meios de comunicação daquela região, que já me ofereceram oportunidades.

 



Em uma descontraída entrevista
com o são-borjense  Tarso Genro.

 


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