Afinal, o comunismo já
existiu? E o socialismo?
A foice e o martelo, simbolizando
o trabalho camponês e nas cidades.
Àmedida que a polarização política se acentua no
Brasil, mais e mais vão surgindo “comunistas.” É o rótulo raso, preconceituoso
e depreciativo empregado por aqueles que assim insistem em qualificar quem não
pensa como eles. Normalmente o pessoal da imprensa e do mundo acadêmico é um dos alvos prediletos. Mas,
afinal, o que é comunismo? Existe atualmente? Já existiu em alguma época na
História? E socialismo? É o que, de maneira rápida e objetiva, tentaremos
responder.
O comunismo pressupõe restabelecer
o “estado natural” em que todas as pessoas tenhas o mesmo direito e a tudo. Há
fim da propriedade privada e da luta de classes. Para tanto são necessárias várias
condições essenciais: coletivização
dos meios de produção; o resultado do que é produzido tem de ser dividido entre
todos os membros da sociedade; basta a produção o suficiente para a manutenção
da sociedade; deixa de existir a propriedade privada; e ocorre a abolição do
Estado e das fronteiras nacionais. Assim, o sistema precisa abranger o mundo inteiro.
O alemão Karl Marx é autor da obra
O Capital, com as bases do comunismo.
Na
chamada era moderna, diretrizes ideológicas similares a começaram a
ser defendidas, no século 18, pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do
Iluminismo. No século seguinte o debate ganharia maior proporção, tentando
equacionar as desigualdades sociais, agravadas pela Revolução Industrial e o
fortalecimento da burguesia. Os alemães Karl
Marx e Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do comunismo
como uma ação política.
Na chamada era moderna, diretrizes ideológicas similares
a começaram a ser defendidas, no século 18, pelo filósofo
francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do Iluminismo. No século seguinte o debate
ganharia maior proporção, tentando equacionar as desigualdades sociais,
agravadas pela Revolução Industrial e o fortalecimento da burguesia. Os
alemães Karl Marx e Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do
comunismo como uma ação política.
Na chamada era moderna, diretrizes
ideológicas similares a começaram a ser defendidas, no século 18,
pelo filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, um dos pais do
Iluminismo. No século seguinte o debate ganharia maior proporção, tentando
equacionar as desigualdades sociais, agravadas pela Revolução Industrial e o
fortalecimento da burguesia. Os alemães Karl Marx e
Friedrich Engels é que lançam os fundamentos principais do comunismo como uma
ação política.
De acordo com Marx e Engels, o
comunismo do século 20 considera a história como a sucessão de lutas entre a
classe trabalhadora e a burguesia. Os dois são autores da obra Manifesto
do Partido Comunista, de 1848. Para eles, a burguesia não produz;
mas dispõem dos meios materiais de produção. Já o proletariado dispõe apenas a
sua prole (os filhos) e sua força de trabalho, sujeitando-se a vendê-la aos
burgueses. O Capital, de Karl Marx, é outra obra fundamental. Ele leva ao
surgimento do marxismo.
As bases de ação propostas foram no
sentido de, conforme os autores, corrigir as desigualdades e injustiças
provocadas pelo capitalismo. Karl Marx e Friedrich Engels. são
considerados os fundadores do socialismo científico para corrigor o sistema
capitalista. Eles propõem as várias formas de socialismo:
reacionário, conservador e utópico.
Cabe, então, uma questão central:
Algum país, em algum momento, já implantou de fato o comunismo? No efetivo
sentido preconizado, a resposta é não. Até pelo fato de que para que ele seja
pleno, deve ser aplicado internacionalmente, no mundo todo. Já países
normalmente nominados como comunistas, caso de União Soviética,
Cuba, China, Vietnã e Coréia do Norte, enquadram-se mais no conceito de
socialistas, já que mesclam também princípios capitalistas. A União Soviética,
uma das primeiras experiência, a partir de 1917, encerrou oficialmente o ciclo
em 1991.
Parceiro do Marx, Frederico Engeks
ajuda escrever o Manifesto Comunista.
Comunismo Primitivo
O Comunismo tem a sua
fundamentação nas teorias do Estado dos sofistas gregos e na obra "A
República" de Platão. A Grécia-Antiga previa a formação de uma sociedade
em que as classes sociais não existiriam. Mas essa ideia encontrou críticos severos, como Aristóteles.
O comunismo continuou a ser
debatido em muitos movimentos depois disso. Durante a Idade Média (476-1453)
líderes e seguidores da Igreja Católica pregavam desapego aos bens materiais e
pregação da justiça social, um regime de cooperação. Isso, apesar de a Igreja
ser uma das instituições mais ricas no período.
Pesquisas também indicam práticas de coletivização dos
sistemas de produção nas Américas antes da chegada de Cristóvão Colombo e das
expedições europeias de ocupação. Depois, porém, com o sistema de dominação dos
colonizadores a situação se alterou. O jurista e filósofo inglês Thomas
More, venerado como santo na Igreja Católica é um dos primeiros ideólogos da
era moderna.
Socialismo
real
A mais importante tentativa de tornar
o socialismo realidade começou em 1917 na Rússia, na chamada Revolução
Comunista. O movimento revolucionário russo foi liderado por nomes como
Vladimir Lênin, Leon Trotsky e Joseph Stálin.
A primeira fase do movimento deu fim a séculos de domínio da monarquia
czarista. Oito meses depois, a segunda fase foi marcada pela substituição do
modelo capitalista pelo socialista, algo que nunca havia sido tentado ao redor
do mundo. Lênin, o primeiro líder comunista, adotou o slogan "paz, pão e
terra" para a população, que enfrentava fome e guerra.es. Ele era um
pensador radical que acreditava que uma revolução comunista ajudaria a trazer
igualdade para a recém fundada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Muitos
russos se lembram dele como um grande líder que libertou o povo, mas para
outros seu governo era controlador e cruel, pois aprisionava e matava pessoas
que discordavam de suas ideias ou ações.
Essas duas visões opostas também seriam marcantes durante o governo de
Stálin, principal sucessor de Lênin. Ele daria nome também ao chamado
stalinismo, considerado uma forma mais linha-dura, inflexível, autoritária,
hierárquica, intolerante à dissidência e não democrática do comunismo
marxista-leninista, segundo o Dicionário de Política Routledge.
A morte de Lênin em 1924 abriu uma disputa pelo poder entre Stálin e
Trotsky, líder do Exército Vermelho tido por alguns como um sucessor natural no
cargo de líder soviético. Mas a maioria do Partido Comunista considerava
Trotsky idealista demais para assumir o comando. Stálin, por outro lado,
desenvolveu uma leitura própria do marxismo que concentrava os poderes e
tornaria a União Soviética uma espécie de império.
CRÉDITO,GETTY IMAGES
No fim dos anos 1920, a União Soviética passa por transformações
profundas e conturbadas, como um rápido processo de industrialização e um amplo
programa de desapropriação e coletivização de propriedades rurais (que acabou
também levando à fome e a milhões de mortes). Em meio a essas mudanças, Stálin
promove o que ficou conhecido como o Grande Terror: a perseguição, o expurgo e
o assassinato de todos aqueles que eram considerados inimigos da revolução.
A paranoia e o denuncismo tomam conta da sociedade. Entre 1934 e 1939,
estima-se que cerca de 750 mil pessoas tenham sido mortas sumariamente, sem
direito a julgamento justo.
Mas Stálin, por outro lado, é exaltado pelo papel fundamental da União
Soviética na vitória contra o regime nazista de Adolf Hitler e seus aliados. E
até hoje Stálin é considerado um grande líder na Rússia.
Um levantamento feito em 2019 pelo instituto de pesquisa Levada Center
apontou que 51% dos adultos do país respeitavam, gostavam ou admiravam Stálin,
com um aumento entre os mais jovens em relação a pesquisas anteriores.
Para Ekaterina Schulmann, cientista política russa e professora da
Moscow School of Social and Economic Sciences, há diversos fatores importantes
por trás desse índice positivo, como uma nostalgia romantizada das condições de
vida no período soviético, a atual propaganda estatal que retrata Stálin como
líder astuto e vitorioso na guerra e um sentimento contemporâneo antielite.
"A memória de Stálin não é do homem real, mas do que permaneceu no
imaginário popular, como um símbolo de disciplina à mão de ferro e um último
bastião na batalha contra burocratas gananciosos", disse a pesquisadora à
BBC Rússia.
O modelo comunista da União Soviética seria, até 1990, o principal
contraponto ao modelo capitalista, capitaneado pelos Estados Unidos.Mas além da Revolução Russa, outros movimentos comunistas importantes
ocorreram pelo mundo, como a Revolução Chinesa, vitoriosa em 1949, liderada por
Mao Tsé-tung.

Sob a liderança de Mao, quase
1 bilhão de chineses saem da miséria;
Ele implementou políticas marxistas, mas, diferentemente do comunismo
soviético, centrado na classe trabalhadora industrial, a revolução maoísta se baseou
nos camponeses. A coletivização e a centralização da economia transformaram a
sociedade chinesa.
Em quatro décadas, a China conseguiu tirar 850 milhões de pessoas da
pobreza. Mas a desigualdade se acentuou no país. E hoje, 70 anos depois, alguns
especialistas classificam a China como um capitalismo de Estado, num modelo em
que a "mão invisível" do Partido Comunista da China está em todos os
aspectos da economia.
É o Estado que controla quase todas as maiores empresas do país, que
administram os recursos naturais. Ele também é oficialmente o proprietário de
toda a terra, embora, na prática, as pessoas possam ter propriedades privadas.
E o Estado também controla o sistema bancário, decidindo em linhas gerais quem
pode tomar empréstimos, por exemplo.
Outra revolução que abalou o mundo e influenciou diversos países —
principalmente na América Latina, foi a Revolução Cubana, quando, em 1959, um
pequeno grupo de guerrilheiros liderados por Fidel Castro, Ernesto Che Guevara
e Raúl Castro conseguiram derrubar uma ditadura e implantaram um governo
socialista no país. (Fonte: professores Juliana Bezerra e Victos Soares e BBC News Brasil/Mateus Agenta).
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