Secretário conta
a sua história
de
superação e anuncia planos
Eugênio Dutra: de uma origem humildade
uma exemplar trajetória de homem público.
É nascido na Vila Treze, hoje município de Santo Antônio das
Missões. Infância e juventude, contudo, vividas nas barrancas do Uruguai em São
Borja, região do iate clube Bernardino Ferreira. “Foi uma vida simples e desafiadora;
cada dia de sobrevivência tinha de ser de ser batalhado e a duras penas conquistado.” Este é Eugênio
Dutra Otero, 64 anos. Mas bem que este vencedor – radialista, compositor,
vereador, já prefeito e agora secretário de Agricultura e Meio Ambiente - bem que poderia se chamar de “Superação”.
Eugênio conta que é o segundo de uma família de três irmãos,
todos homens. Foi criado pela mãe e pela avó. “A gente trabalhava nas casas
para ganhar o sustento. A vó Julieta era
lavadeira e cozinheira. Também com quitutes conseguíamos algum dinheiro ou
então com vendas no porto do Hormiguero no lado argentino”. Eugênio ainda lembra que “outro jeito para
ganhar alguns trocados era catando lenha nas enchentes. “Também fui flagelado”,
diz. E lembra com saudades do “café nas cambonas dos militares, saboreado com as
roscas da vovó.”
Nas ruas do Passo, vendeu picolés e, depois, foi leiteiro na
propriedade do falecido Délcio de Souza Paz. O emprego seguinte foi na Livraria
Nova, contratado por Artur e Donatila Leipnitz. Já em parceria com o irmão mais
velho, montaram o bar Oficina, o primeiro com funcionamento noturno na cidade e o mais frequentado na
época.
Pai de três filhos
- Raffaela, Vinícius e Bernardo - Dutra foi
também diretor da Agencia Sttúdio Produções e Publicidade. Além de todas essas
muitas atividades, uma das suas principais marcas pessoais é uma vida dedicada
ao rádio e à produção musical. Como compositor, é autor de diversas músicas
antológicas. Uma mais emblemáticas é o samba ‘Dia a Dia’, vencedora do
concurso de músicas de Carnaval na
cidade. Em parceria com Paulo Correa e Paulo Caetano, também, houve resgate dos
concursos de marcha e samba são-borjenses.
Paralelamente ao rádio, especialmente na Cultura AM, Eugênio
Dutra tem no seu currículo um longa trajetória política. Já são cinco
legislaturas como vereador, tendo sido presidente da Câmara de São Borja em 2017. Foi ainda prefeito interino do município
durante uma semana. Ainda atuou como assessor
do então deputado José Alvarez, o Juca, e foi vice-presidente da Ulfro (União
dos Vereadores da Fronteira Oeste). Hoje é secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente.
Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, Eugênio Dutra
registra sua gratidão a São Borja, relata sua experiência de vida e anuncia
planos. Vai criar a Casa do Interior se aproximar ainda mais dos produtores e
de suas famílias. Na cidade, mais arborização, solução ao Lixão, mais coleta
seletiva de resíduos e uma horta comunitária.
Confira.
Alberi Cogo - Eugênio Dutra vem do rádio e de sucessivos
mandatos parlamentares. Como está sendo
a experiência de secretário da Agricultura e Meio Ambiente, dois setores que
eram desconhecidos?
Eugênio Dutra - Sou muito grato ao prefeito Eduardo Bonotto,
por me oportunizar este desafio. Minha vida foi sempre de batalhas, nada foi fácil,
mas, graças a Deus, consegui vencê-las. A administração pública é muito
burocrática. Às vezes você não pode fazer o que deseja. Assumi uma secretarias muito bem organizada pelo antecessor
Fábio Fronza. Equipe qualificada, dedicada. Não estou encontrando obstáculos para
implantar, a partir do próximo ano, uma dinâmica de aproximar mais a secretaria
da comunidade do interior. Nosso objetivo e o pequeno, a agroindústria familiar
e aqueles que mais precisam do Poder Público.
Na cidade, mais verde e solução ao Lixão.
Para o homem do campo, a Casa do Interior.
AC - Como secretário
de Agricultura, o senhor tem priorizado ações de parcerias, para compensar
limitações orçamentárias, e tem implementado ações prioritárias de apoio à
produção e à agroindústria. familiar.
Por favor, os resultados mais relevantes e quais serão os futuros
investimentos?
ED - Tão logo assumimos, nos reunimos com a Emater, com quem
temos convênio. Encaminharmos juntos uma boa parceria. Temos 12m hoje, 12 agroindústrias
familiares produzindo derivados de origem animal e mais 40 empresas registradas no SIM
(Serviço de Inspeção Municipal). Estamos buscando credenciamento ao Susaf para,
a comercialização da produção local em todo o estado do Rio Grande do Sul.
Temos sete patrulhas agrícolas, auxiliando o pequeno produtor. Este ano
distribuímos vários equipamentos agrícolas usando recursos estaduais da Consulta
Popular.
AC - A pasta da
Agricultura planeja um programa de implantação de tanques e de açudes para um
programa de piscicultura. O mesmo sistema não permitiria irrigação de
pastagens, de pomares e de produção de hortigranjeiros?
ED - Desenvolvemos
dois projetos de entrega de alevinos
este ano, procurando incentivar a produção do peixe no interior. Limpamos este
ano 30 açudes e tanques. Ano que vem queremos abrir outros 30, oferecendo ao
produtor rural, através do peixe, alimento e renda. Este ano entregaremos mais
de 18 mil alevinos; ano que vem queremos dobrar esse número.
AC - E um programa de
implantação de hortas e pomares na cidade, o que acha secretário?
ED - Temos duas patrulhas agrícolas na cidade, oferecendo
serviços de roçada e para arar a terra. É também pra quem deseja fazer sua
horta. Queremos incentivar a produção de hortigranjeiros em âmbito familiar. Pensamos
em uma horta comunitária lá no Geama, em parceria com a Associação de Moradores.
AC - A bacia leiteira local já produziu mais. Dá para pensar
em novo incremento?
ED – Em relação à bacia leiteira, estamos incentivando a
abertura de uma usina de leite no assentamento Cristo Redentor, Está com o
prédio e maquinário instalados. Posivelmente no próximo ano deva estar
funcionando.
AC - Neste ano, a pasta do Meio Ambiente desenvolveu
projeto-piloto de rearborização em áreas urbanas estratégias com vazios de
áreas verdes. Essa ação vai continuar?
ED - Este ano dentro do Municipio - área urbana e rural -
foram plantadas mais de oito mil novas mudas, espécies frutíferas, nativas e
ornamentais. Ano que vem, pretendemos plantar mudas frutíferas em vias públicas
previamente estudadas, oportunizando alimento e sombra à comunidade.
AC - É possível a
administração municipal formar um viveiro, por exemplo, produzir mudas e
envolver a comunidade como parceria na
arborização?
ED – A implantação de um viveiro está em estudo.
O futuro pol[itico: "Tudo
depende do nosso Criador."
AC - E quanto ao
plantio e preservação do ipê-roxo, nossa árvore-símbolo, alguma iniciativa
pensada?
ED – Pretendemos plantar Ipês nas vias que dão acesso à
cidade e locais onde não passa rede elétrica, escolas e no interior do
município.
AC - O saneamento do passivo ambiental do Lixão no bairro do
Passo é, provavelmente, o maior desafio
da área de Meio Ambiente, além da instalação de aterro sanitário no
município. Quando devem começar as ações práticas?
ED - O famoso Lixão
não existe mais. A área serve apenas para o transbordo do lixo para vai a Giruá.
Contratamos a empresa Gays, para realizar um estudo da área degrada. Este
estudo está na Fepam para análise. Poesterior a isso, será feita a recuperação
da área, de aproximadamente 15 hectares. Com relação ao aterro sanitário, também
está no aguardo da licença da Fepam. Possivelmente no início do ano que vem comecem
os trabalhos de instalação.
AC - E a coleta seletiva a reciclagem de resíduos, serão
ampliadas?
ED – A coleta seletiva continua. Há um processo em licitação. Tão logo se tenha a
empresa vencedora, vamos fazer uma campanha incentivando a maior separação de
resíduis. Hoje 20 famílias sobrevivem fazendo a separação no Geama.
AC - O que mais o realiza é ser vereador ou ser secretário
municipal E por quê?
ED – São ações completamente diferenciadas. Mas, mas como
secretário, o desafio é muito interessante. Sempre fui testado, desafiado e,
graças a Deus, até agora sou vencedor. Quero popularizar e aproximar a
Secretaria da Agricultura ao homem do campo. No próximo ano, vamos criar a Sala
do Interior, oferecendo ao morador da área rural um local apropriado para
auxiliar em todas as necessidades da família rural.
AC - Eugênio é também
compositor musical, além dos demais atributos. Continua compondo ou cessou a
vertente de criação?
ED - Costumo dizer que
sou letrista, não poeta. Trabalho meses em um tema, até sua conclusão. Ultimamente, devido aos compromissos, estamos um
pouco ausentes. Produzimos apenas para manter a vertente e o gosto pela música.
AC - Quais são os seus planos nos campos pessoal e político?
ED - Sou um homem
partidário. Sempre, quando o Progressistas me procurou, emprestei meu trabalho.
Sou discípulo do Juca Alvares, com quem aprendi tudo o que sei, E agora com o prefeito
Bonotto estou tendo a oportunidade de fazer alguma coisa para o pequeno
produtor. O futuro pertence ao nosso Criador.