terça-feira, 30 de novembro de 2021

ORDENAMENTO URBANO

 

Novo Código de Posturas em

 debate nesta quarta  na Câmara

 


Secretário João Pedro Daitx:

"Queremos facilitar a vida do cidadão". 

 

    Uma audiência pública nesta quarta-feira, 1º, na Câmara de Vereadores, colocará em discussão o novo Código de Posturas de São Borja. A sessão começa às 9h30min e terá transmissão pela internet através da página do Facebook do Legislativo. O objetivo é revisar lei municipal a respeito, de 1970.

O secretário municipal de Planejamento, João Pedro Daitx, ressalta que, apesar das várias adaptações já realizadas, é preciso fazer atualizações. O código disciplina praticamente todas as atividades e rotinas na cidade, sendo, por isso, uma das legislações mais amplas e importantes. A ideia, conforme o secretário, é produzir regras mais claras e que tornem mais práticas as ações no convívio coletivo.

O novo Código vem sendo estudado na Prefeitura desde 2018. O conjunto de normas é abrangente. Trata, por exemplo, do horário do comércio, da construção e utilização dos passeios públicos e demais imóveis, controla a criação de animais em ambiente urbano e ainda define o sistema de arborização, limpeza da cidade, edificações e obras viárias.

Muitos dos dispositivos também serão ajustados através de atualização do Plano Diretor do município. Este igualmente está sendo revisto pelo Executivo, que contratou a Fundatec para dar apoio. Em relação à audiência pública na Câmara,  o convite é para que a comunidade compareça, conheça a matéria em tramitação e apresente sugestões.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

PROSPECTANDO O FUTURO

 

Correios: uma saga de

sonhos e de pesadelos

 

Rayssa faz do skate o novo

sonho da garotada brasileira

Nem mesmo as dificuldades crescentes, como a redução gradual do quadro de servidores e o iminente processo de  privatização da empresa, tiram o ânimo para as ações da campanha e para o exercício da solidariedade. A campanha é a do Papai Noel dos Correios, que há mais de 30 anos realiza o sonho de milhares de crianças terem o seu presente de Natal. Em São Borja, já por dois anos a pandemia impede, como ocorria, que crianças em escolas mais carentes mandem suas cartas e desejos ao ‘bom velhinho’. Ainda assim, até de 12 dezembro, cartinhas podem ser entregues nos Correios, onde padrinhos poderão procurá-las e, após, acolhê-las.   

     “É você quem tira sonhas do papel”, bem define o slogan da campanha, este ano. A orientação, na agência local da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, é para que para que os pedidos sejam deixados na ECT. Além de afilhados  na cidade, também podem ser adotados candidatos de fora. Depois de feita a escolha, caberá ao padrinho realizar a entrega do presente.  Dependendo da circunstância, o Noel pode chegar por via postal.

Até algum tempo, os brinquedos lideravam a lista dos desejos da garotada. “Um carrinho, uma bola ou uma boneca”, lembra um servidor dos Correios. “Material escolar, roupas, calçados e até mesmo uma ceia de Natal um pouco melhor”, também integravam a lista.

 

Um novo perfil

 


Dificuldades na ECT não interrompem
campanha 'Papai Noel dos Correios';

No período mais recente, a criançada foi ficando mais exigente ou acompanhando a evolução. Agora, entre os pedidos mais frequentes estão presentes mais caros. As bicicleta são um exemplos. Já depois das Olimpíadas de Tóquio, a ‘febre’ chama-se skate e atende pelo nome de Rayssa Leal. Ou de Pâmela Rosa.

     A maranhense Rayssa, 13 anos, duas vezes ‘prata’, é modelo e inspiração no imaginário da maioria. Ser como ela e ganhar um skate equivale a quase ganhar a Megasena da Virada. E o argumento é que o prêmio custa bem menos do que os R$ 350 milhões projetados como prêmio pela Caixa Federal.

 Não é por acaso que, na cidade, multiplicaram-se os skatistas. Cada vez em  número maior, eles podem ser vistos pela Praça XV, pelo Parcão e até mesmo pelas calçadas. Com elegância, performances personalizadas ou  manobras radicais, a prática esportiva - vista antes com certo preconceito - ganha agora status a aprovação geral.

  

      Outros tempos

 


Serviço de SEDEX ainda é um dos que
melhor funcionam entre os Correios.

      Longe se vão tempos em que o período de final de ano e de Natal era de envio pelos Correios de mensagens de boas festas. Em tempos de comunicação em tempo real, do e-mail, das redes sociais e de todos os demais meios eletrônicos, ninguém mais nem lembra da ECT. Aerograma, telegrama  ou carta perfumada – isso é coisa da ‘pré-história’.

Mesmo assim e, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, os Correios aumentam bastante seu fluxo postal neste período do ano. A informação é de que o serviço de SEDEX segue funcionando bem. São ainda muitas as encomendas por tráfego postal – do país ou do exterior. O incremento, nesta época, em muitos segmentos passa dos 50%.

Diminui muito, contudo, o número de carteiros entregadores. Além da redução, servidores são temporariamente deslocados para entregas em outras cidades. Não é incomum, desta forma, a guia de cobrança chegar atrasado, deixando o devedor da conta em maus lençóis.  

   

   Ascensão e queda

 

    A história dos  Correios vem de longe no Brasil, desde 25 de janeiro de1663. É a data da criação do Correio-Mor no Rio de Janeiro. Já em 1931 o decreto 20.859, de 26 de dezembro, fundiu a Diretoria Geral dos Correios com a Repartição Geral dosTelégrafos. Surgia então  o  Departamento dos Correios e Telégrafos. Depois, a  ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) seria criada em 20 de março de 1969, vinculada ao Ministério das Comunicações.

Mais que mudança na sigla, houve uma grande transformação no modelo de gestão do setor postal brasileiro. Surgem então vários novos serviços  ao portfólio da empresa. Além dos tradicionais serviços de cartas, malotes, selos e telegramas, vêm os serviços da  família SEDEX - de encomendas expressas.

 No início do século, eram bem mais de 100 mil servidores na ECT. Era a única empresa a estar presente em todos os municípios do país. Diversos dos produtos e serviços ainda podem ser adquiridos pela internet.

Nos anos 1990, a opção foi por mais  modernização. A meta: aumento da de serviços, modernização tecnológica e  consolidação e ampliação do papel social dos Correios. Seroa uma espécie de banco postal para a população mais pobre.

O   presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ao Congresso projeto criando o Banco Postal Brasileiro.  A proposta, contudo, não avançou e foi engavetada.  Nas primeiras décadas deste século,  gradativamente ocorreria o desmonte do sistema. Foram anos seguidos de prejuízos, redução de serviços e programa de demissão voluntária de servidores.  Em seguida, um escândalo de corrupção levou os Correios ao 

Mais do que uma marca, expectativa

                              é para a entrega de serviços aos brasileiros. 

E o futuro?

 

Cogitada antes, a ideia de privatização da empresa foi então confirmada no governo Jair Bolsonaro. A proposta tramita no Congresso Nacional, esperando por deliberação de deputados e senadores.

O argumento governista é de que se trata da melhor alternativa possível. A intenção é de entregar os serviços à iniciativa privada. O desafio será implementar um serviço eficiente, em todo o país e com a mesma capilaridade já ostentada pelos Correios.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

ENTREVISTA> Eugênio Dutra Otero

 

Secretário conta a sua história

de superação e anuncia planos

 


Eugênio Dutra: de uma origem humildade

uma exemplar trajetória de homem público.

É nascido na Vila Treze, hoje município de Santo Antônio das Missões. Infância e juventude, contudo, vividas nas barrancas do Uruguai em São Borja, região do iate clube Bernardino Ferreira. “Foi uma vida simples e desafiadora; cada dia de sobrevivência tinha de ser de ser batalhado e a duras penas  conquistado.” Este é   Eugênio Dutra Otero, 64 anos. Mas bem que este vencedor – radialista, compositor, vereador, já prefeito e agora secretário de Agricultura e Meio Ambiente -  bem que poderia se chamar de “Superação”.

Eugênio conta que é o segundo de uma família de três irmãos, todos homens. Foi criado pela mãe e pela avó. “A gente trabalhava nas casas para ganhar o sustento. A  vó Julieta era lavadeira e cozinheira. Também com quitutes conseguíamos algum dinheiro ou então com vendas no porto do Hormiguero no lado argentino”.  Eugênio ainda lembra que “outro jeito para ganhar alguns trocados era catando lenha nas enchentes. “Também fui flagelado”, diz. E lembra com saudades do “café nas cambonas dos militares, saboreado com as roscas da vovó.”

Nas ruas do Passo, vendeu picolés e, depois, foi leiteiro na propriedade do falecido Délcio de Souza Paz. O emprego seguinte foi na Livraria Nova, contratado por Artur e Donatila Leipnitz. Já em parceria com o irmão mais velho, montaram o bar Oficina, o primeiro com funcionamento  noturno na cidade e o mais frequentado na época.

     Pai de três filhos - Raffaela, Vinícius e Bernardo -  Dutra foi também diretor da Agencia Sttúdio Produções e Publicidade. Além de todas essas muitas atividades, uma das suas principais marcas pessoais é uma vida dedicada ao rádio e à produção musical. Como compositor, é autor de diversas músicas antológicas. Uma mais emblemáticas é o samba ‘Dia a Dia’, vencedora do concurso  de músicas de Carnaval na cidade. Em parceria com Paulo Correa e Paulo Caetano, também, houve resgate dos concursos de marcha e samba são-borjenses.

Paralelamente ao rádio, especialmente na Cultura AM, Eugênio Dutra tem no seu currículo um longa trajetória política. Já são cinco legislaturas como vereador, tendo sido presidente da Câmara de São Borja  em 2017. Foi ainda prefeito interino do município durante  uma semana. Ainda atuou como assessor do então deputado José Alvarez, o Juca, e foi vice-presidente da Ulfro (União dos Vereadores da Fronteira Oeste). Hoje é secretário municipal  da Agricultura e Meio Ambiente.

Nesta entrevista ao BlogAlberiCogo, Eugênio Dutra registra sua gratidão a São Borja, relata sua experiência de vida e anuncia planos. Vai criar a Casa do Interior se aproximar ainda mais dos produtores e de suas famílias. Na cidade, mais arborização, solução ao Lixão, mais coleta seletiva de resíduos e uma horta comunitária.  Confira.  

 

Alberi Cogo  -        Eugênio Dutra vem do rádio e de sucessivos mandatos parlamentares.  Como está sendo a experiência de secretário da Agricultura e Meio Ambiente, dois setores que eram desconhecidos?

Eugênio Dutra - Sou muito grato ao prefeito Eduardo Bonotto, por me oportunizar este desafio. Minha vida foi sempre de batalhas, nada foi fácil, mas, graças a Deus, consegui vencê-las. A administração pública é muito burocrática. Às vezes você não pode fazer o que deseja. Assumi uma  secretarias muito bem organizada pelo antecessor Fábio Fronza. Equipe qualificada, dedicada. Não estou encontrando obstáculos para implantar, a partir do próximo ano, uma dinâmica de aproximar mais a secretaria da comunidade do interior. Nosso objetivo e o pequeno, a agroindústria familiar e aqueles que mais precisam do Poder Público.

 


Na cidade, mais verde e solução ao Lixão.

Para o homem do campo, a Casa do Interior.

AC -    Como secretário de Agricultura, o senhor tem priorizado ações de parcerias, para compensar limitações orçamentárias, e tem implementado ações prioritárias de apoio à produção e à agroindústria.  familiar. Por favor, os resultados mais relevantes e quais serão os futuros investimentos?

ED - Tão logo assumimos, nos reunimos com a Emater, com quem temos convênio. Encaminharmos juntos uma boa parceria. Temos 12m hoje, 12 agroindústrias familiares produzindo derivados de origem  animal e mais 40 empresas registradas no SIM (Serviço de Inspeção Municipal). Estamos buscando credenciamento ao Susaf para, a comercialização da produção local em todo o estado do Rio Grande do Sul. Temos sete patrulhas agrícolas, auxiliando o pequeno produtor. Este ano distribuímos vários equipamentos agrícolas usando recursos estaduais da Consulta Popular.

 

AC -    A pasta da Agricultura planeja um programa de implantação de tanques e de açudes para um programa de piscicultura. O mesmo sistema não permitiria irrigação de pastagens, de pomares e de produção de hortigranjeiros?

ED  - Desenvolvemos dois projetos de entrega de  alevinos este ano, procurando incentivar a produção do peixe no interior. Limpamos este ano 30 açudes e tanques. Ano que vem queremos abrir outros 30, oferecendo ao produtor rural, através do peixe, alimento e renda. Este ano entregaremos mais de 18 mil alevinos; ano que vem queremos dobrar esse número.

 

AC -  E um programa de implantação de hortas e pomares na cidade, o que acha secretário?

ED - Temos duas patrulhas agrícolas na cidade, oferecendo serviços de roçada e para arar a terra. É também pra quem deseja fazer sua horta. Queremos incentivar a produção de hortigranjeiros em âmbito familiar. Pensamos em uma horta comunitária lá no Geama, em parceria com a Associação de Moradores.

 

AC - A bacia leiteira local já produziu mais. Dá para pensar em novo incremento?

ED – Em relação à bacia leiteira, estamos incentivando a abertura de uma usina de leite no assentamento Cristo Redentor, Está com o prédio e maquinário instalados. Posivelmente no próximo ano deva estar funcionando.

 

AC - Neste ano, a pasta do Meio Ambiente desenvolveu projeto-piloto de rearborização em áreas urbanas estratégias com vazios de áreas verdes. Essa ação vai continuar?

ED - Este ano dentro do Municipio - área urbana e rural - foram plantadas mais de oito mil novas mudas, espécies frutíferas, nativas e ornamentais. Ano que vem, pretendemos plantar mudas frutíferas em vias públicas previamente estudadas, oportunizando alimento e sombra à comunidade.

 

AC -    É possível a administração municipal formar um viveiro, por exemplo, produzir mudas e envolver  a comunidade como parceria na arborização?

ED – A implantação de um viveiro está em estudo.

 



O futuro pol[itico: "Tudo 

depende do nosso Criador."

AC -    E quanto ao plantio e preservação do ipê-roxo, nossa árvore-símbolo, alguma iniciativa pensada?

ED – Pretendemos plantar Ipês nas vias que dão acesso à cidade e locais onde não passa rede elétrica, escolas e no interior do município.

 

AC - O saneamento do passivo ambiental do Lixão no bairro do Passo é, provavelmente, o maior desafio  da área de Meio Ambiente, além da instalação de aterro sanitário no município. Quando devem começar as ações práticas?

ED -  O famoso Lixão não existe mais. A área serve apenas para o transbordo do lixo para vai a Giruá. Contratamos a empresa Gays, para realizar um estudo da área degrada. Este estudo está na Fepam para análise. Poesterior a isso, será feita a recuperação da área, de aproximadamente 15 hectares. Com relação ao aterro sanitário, também está no aguardo da licença da Fepam. Possivelmente no início do ano que vem comecem os trabalhos de instalação.

 

AC - E a coleta seletiva a reciclagem de resíduos, serão ampliadas?

ED – A coleta seletiva continua. Há um  processo em licitação. Tão logo se tenha a empresa vencedora, vamos fazer uma campanha incentivando a maior separação de resíduis. Hoje 20 famílias sobrevivem fazendo a separação no Geama.

 

AC -    O que  mais o realiza é ser vereador ou ser secretário municipal E por quê?

ED – São ações  completamente diferenciadas. Mas, mas como secretário, o desafio é muito interessante. Sempre fui testado, desafiado e, graças a Deus, até agora sou vencedor. Quero popularizar e aproximar a Secretaria da Agricultura ao homem do campo. No próximo ano, vamos criar a Sala do Interior, oferecendo ao morador da área rural um local apropriado para auxiliar em todas as necessidades da família rural.

 

AC -  Eugênio é também compositor musical, além dos demais atributos. Continua compondo ou cessou a vertente de criação?

ED -  Costumo dizer que sou letrista, não poeta. Trabalho meses em um tema, até sua conclusão.  Ultimamente, devido aos compromissos, estamos um pouco ausentes. Produzimos apenas para manter a vertente e o gosto pela música.

 

AC - Quais são os seus planos nos campos pessoal e político?

ED -  Sou um homem partidário. Sempre, quando o Progressistas me procurou, emprestei meu trabalho. Sou discípulo do Juca Alvares, com quem aprendi tudo o que sei, E agora com o prefeito Bonotto estou tendo a oportunidade de fazer alguma coisa para o pequeno produtor. O futuro pertence ao nosso Criador.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA ALLAN KARDEC

 

Menos protocolos para

a entrega de mais ações

 


A partir de 2001, a sonhada sede própria e
 mais serviços na Sociedade Allan Kardec.

     Desde a sua fundação em 1982, há uma opção na Associação Espírita Allan Kardec por não se filiar à Federação Espírita do Rio Grande do Sul ou à Federação do Brasil. “A nossa intenção, com isso, é manter uma forma de trabalho sem protocolos definidos e com menor rigidez”, explica a atual presidente da instituição, médica Ariane Magalhães Trindade.  Ela ressalta  que “agimos pela intuição e pelo coração”.  Diz que “nossos princípios são a justiça e o amor” .   

A dirigente entende que “as casas religiosas são como escolas prontas para acolher e confortar.” Atualmente  instalado no bairro Pirahy, região Leste da cidade, o local coloca à disposição uma das infraestruturas mais amplas e completas e ainda uma das redes de serviços mais diversificadas de São Borja. Porém, o seu surgimento há quase 40 anos era apenas um sonho de um pequeno grupo de idealizadores, movidos por uma mesma causa.   

A Sociedade Allan Kardec reconstruiu  a cronologia da sua evolução. À medida que o tempo avança, mais pessoas foram se juntando à causa e novos meios operacionais foram sendo agregados. O resultado são cada vez mais entregas em favor dessa seara do bem.  

 

As origens

 

Ariane Triandade, emblemática
referência em defesa da causa.

A Associação Espírita Allan Kardec começou  em março de 1982 a partir de um grupo de estudos do Evangelho Segundo o Espiritismo. Inicialmente, esse grupo desenvolveu atividades na casa de amigos, como foi o caso de Getúlio Calegaro e Idanir Calegaro, então funcionários do Banco do Brasil.  Como em seguida se fez necessário maior espaço para atendimento ao público, devido ao crescente número de assistentes, a partir de 1983 a associação aceitou, por  empréstimo, uma garagem, propriedade de João José Munró, na rua Coronel Lago.

    Essa melhor condição já permitiu abrir a casa à  comunidade. Começaram então as  atividades de palestra pública, passes magnéticos, estudos da doutrina, atendimento fraterno e de sessões mediúnicas. Paralelamente, começaram também visitas ao Asilo São Vicente de Paula. Surgiu a partir daí a primeira atividade assistencial da instituição.

A partir de 1985 , os atendimentos foram transferidos para a rua Serafim Dornelles Vargas, proximidades da praça da Lagoa, em uma casa emprestada pela voluntária Neusa Bestetti. Com mais espaço à disposição, já foram desenvolvidas atividades como Evangelho Infantil, Evangelho Juvenil, Apometria, Chama Violeta , Evangelho no Lar e Cromoterapia. Além disso, começa o estudo sistemático da doutrina espírita. O elenco de ações ainda passou a promover a Sopa Fraterna. Também passam a acontecer oficinas de trabalhos manuais, como de pintura, crochet e tricot. Foi a segunda atividade assistencial,  para idosos, pessoas  ansiosas, ociosas  ou depressivos.

Já como terceira atividade assistencial,  começaram, em sequência, visitas ao Presídio Estadual na cidade e à SBAM, instituição que, à época, cuidava de crianças e adolescentes em vulnerabilidade.

 

 Sede própria

   

Profissionalização e a chance de geração
de renda, mesmo durante a pandemia.

Em outubro de 2001 a Sociedade Espírita Allan Kardec muda-se para sua almejada sede própria, situada a rua Benjamim Constant, 689. O terreno para as novas instalações no local foi doado pela família Amado Saraiva. Já a construção da sede, segundo projeto específico para a sua finalidade, resulta de doação da família Celso Rigo. Toda a mobília necessária, também.

A área construída  tem quase mil metros quadrados. Além de auditório de eventos com capacidade para até 300 lugares e mais de uma dezena de outras salas menores foram colocadas à disposição.  Com isso é possível atender às multiplicas demandas nas suas diferentes finalidades. Os espaços incluem cozinha, refeitório e salas de atendimento individuais ou coletivos, bem como para oficinas de modo geral.

Já desde a fase inicial da casa,  começaram  atividades lúdicas, de caráter pedagógico ou cultural ou ainda de geração de renda.  São oficinas infantis como de ballet, invernada de dança, dança de rua, canto, teatro, idiomas,  computação, artes marciais e incentivo ao escotismo. A lista de opções ainda inclui  leitura, trabalhos manuais,  comemorações de datas festivas, campanhas de material escolar, passeios e excursões.

O trabalho passou a dar atendimento a dependentes químicos e seus familiares.  Começou estudo ainda de chama violeta Reik. Outra ação foi a distribuição de cestas básicas, iniciativa que se consolida como  a quarta atividade assistencial.

A partir de 2015 é criado um Brechó pelos trabalhadores da casa. Eles passaram a levar o que não era usado, realizando a venda por pequenos valores.  Roupas, móveis e itens de bazar foram postos à venda.

Essa ação passou a gerar a receita  para as despesas de manutenção da casa.  Eis aí a implementação da quinta atividade produtiva de caráter assistencial.  O brechó segue ainda hoje como um evento tradicional  da instituição.



Oficinas de mosaico e de artesanato -
atividades lúdicas para o corpo e a alma.

Também em 2015 começou a Oficina Terapêutica semanal. O público-alvo são adultos, com ioga, relaxamento, fisioterapia e dança. Palestras e Reik são oferecidos por voluntários da comunidade.

Cursos profissionalizantes igualmente são  ministrados. São exemplos disso  culinária, aproveitamento de alimentos, congelamento de alimentos, fitoterapia, pães, panetones, cucas e biscoitos. Outros exemplos: economia doméstica, corte de cabelos , manicure, costura, pintura em tecido.

 

Sopa Fraterna

 

A Sopa Fraterna acontece de segunda à sexta- feira, às  16h30min, exceto nos dias de chuva e nos feriados. É oferecida pela ação de voluntários da comunidade e trabalhadores da instituição espírita. 

Os insumos alimentícios são doados pela comunidade. São  especialmente pão, legumes, macarrão, arroz, feijão, farinha, açúcar, leite e material de limpeza. As carnes são doadas por voluntários que confeccionam a refeição. 

 



Durante a pandemia não parou produção
e distribuição de refeições aos necessitados.

Na pandemia

 

Durante a pandemia as ações externas foram suspensas.  Atividades com o público foram reduzidas.  As atividades espirituais foram, porém, mantidas.  A evangelização acontece ao ar livre, em terreno em frente à Associação Espírita Allan Kardec.

Já a Sopa Fraterna passou a ser entregue no portão de acesso à casa. As palestras e atendimento espiritual ao público continuaram, mas mantendo rigorosamente as normas de segurança.      Mesmo durante a pandemia ocorreram  cursos de maquiagem, de corte e costura e de arte em ladrilhos manuais.

 Os atendimentos são de segunda e quinta-feira  às 19h; quartas e sextas-feiras, às 15h; e nos sábados, às14h .   Nas terças, às 19h,  há  Reik e Apometria. Nas quartas, às 20h, acontece  sessão de realinhamento dos chácaras, quinzenalmente.  A Evangelização Infantil, Evangelho no Lar e demais Estudos são realizados nas quintas-feiras, às 15h. Também atendimento fraterno e Reik.



Curso de maquiagem, outra atividade
desenvolvida na Sociedade Allan Kardec.

Seguem do mesmo modo, sem interrupção, a Sopa Fraterna,  o Brechó e a distribuição de cestas básicas. São, contudo,  sempre respeitando todos os protocolos de prevenção em relação à covid.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

ENTREAMVISTA: Leandro Ramires Comassetto

 


Leandro Comassetto: Brasil uma

democracia saindo das fraldas.


(Fotos arquivo pessoal)


“Somos um povo que late

muito, mas cobra pouco”.

     

O jornalista e professor catarinense Leandro Ramires Comassetto, 54 anos, coordenador do curso de Jornalismo da Unipampa em São Borja, nos conduz para um choque de realidade sobrea a dita  ‘parcialidade’ da imprensa brasileira. Lembra que isso já foi bem pior e observa que “isenção total é uma utopia.” Ressalta que a Unipampa está ajustando seus currículos nos cursos de Comunicação, em sintonia aos novos tempos. Mesmos que o diploma de jornalista não seja obrigatório,   “quanto maior o grau de formação, mais altos são os salários.”

Da conjuntura nacional, acha que  Bolsonaro acertou querendo manter a atividade produtiva na pandemia, mas perdeu a grande chance de se unir aos governadores. “Perdemos todos nós”. É otimista com o Brasil, mas vê o Congresso como a “casa da barganha”;  e a prática política como “clientelista.” Acha que aos poucos estamos mudando, mas ainda estamos longe de termos “uma Angela Merkel”. Na sua avaliação, “somos um povo que late muito, mas cobra pouco”.



Com a inseparável esposa, enfermeira Sandra
Poletto. Uma vida sempre em família.

Leandro Comassetto  tem  graduação em Jornalismo e Letras (Português e Espanhol) e é especialista em Ensino da Língua Portuguesa e Metodologia do Ensino da Comunicação Social. Na sua trajetória acadêmica, também é mestre em Linguística e doutor em Comunicação Social.

Como jornalista, atuou  por 30 anos em rádios e jornais de Santa Catarina e Paraná, com destaque para a Rádio Rural e O Jornal (Concórdia-SC).  Foi professor, diretor de campus e pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação na UnC (Universidade do Contestado– SC).  Aprovado em concurso público, desde 2011 migrou para São Borja, para ser docente do curso de Jornalismo da Unipampa. Atualmente é o coordenador do curso.

Comasseto é natural de Concórdia-SC. Além do compromisso e da dedicação com o Jornalismo e o ensino universitário, tem profunda vinculação com o ambiente familiar. É casado com a enfermeira Sandra Poletto, que atua no serviço público em São Borja. É pai de Ana Laura Comassetto, jornalista empreendedora na cidade de Três Rios-RJ. Os seus pais são Vandete Paese Comassetto e Antonio Ricardo Comassetto (já falecido). Ele - Antoninho da Fronteira, como era mais conhecido - foi   radialista, músico e repentista da música riograndense, um  gaúcho de Santa Maria. Deixou vários discos  e DVDs gravados. Do pai, Leandro herdou a paixão pelo rádio e pelo Jornalismo.

Comasseto tem publicados vários artigos científicos e dois livros. Um é resultante do mestrado ("As razões do título e do lead: uma abordagem cognitiva da estrutura da notícia") e oe outro do doutorado ("A voz da aldeia: o rádio local e o comportamento da informação na nova ordem global"). O professor Leandro projeta pelo menos mais uns 20 anos de docência universitária  e tem como um dos sonhos escrever um romance. Frustração? não ter sido músico como o pai.

 


Com a filha - Ana Laura, jornalista como ele -, 
um passeio pela cena são-borjense e seu aconchego.

Alberi Cogo   -     Como veículo e como instituição, a imprensa normalmente é vista pela sociedade como referência de isenção ética e de neutralidade. No Brasil, contudo, cada vez mais a chamada grande mídia indica pautar-se por  posições e interesses parciais. Se correta a afirmativa, por que mudaram os paradigmas?

Leandro Comassetto - O Jornalismo, ao longo da história, sempre se dividiu em duas vertentes: o Jornalismo como um serviço, voltado à divulgação das informações e o esclarecimento público, e o Jornalismo como negócio, como empresa em busca de lucro e a serviço de interesses econômicos (e também políticos) associados ao negócio jornalístico. Os paradigmas não mudaram. Se voltarmos à história, vamos perceber que, na verdade, o Jornalismo evoluiu e continua evoluindo. No passado, tanto no Brasil como em outros países, o Jornalismo, que já nasceu como ferramenta político-ideológica, já foi bem mais parcial em defesa de interesses particulares. No Brasil, tome-se o caso, por exemplo, de Assis Chautebriand, dono de um império da comunicação, denominado Diários Associados, que reunia dezenas de jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão, e também Samuel Weiner, criador e proprietário do consagrado jornal Última Hora. Tanto um quanto outro costumavam pressionar empresas e políticos, elencando os fatos que resultassem em benefícios econômicos pessoais, muitas vezes chantageando políticos e autoridades. Pode-se dizer que hoje o Jornalismo é muito mais sério que o praticado no início e meados do século passado, também, por força de uma legislação mais rigorosa em relação à atividade jornalística.

 

AC -      Numa nação como a nossa, pouco letrada e com déficits de discernimentos, como ter a segurança de estar consumindo um conteúdo confiável e seguro?

LC - A disputa pelo poder é inerente ao ser humano e sempre esteve presente na arena social. Por isso, isenção total é uma utopia. O jornalismo evoluiu, aos longo das décadas, por força de legislação e também por pressão da audiência. Nem por isso podemos dizer que há isenção e total imparcialidade no tratamento da informação e na opinião jornalística. Há, sim, jornalistas mais ou menos comprometidos com a verdade e o esclarecimento público. Obviamente que, numa sociedade pouco letrada e com déficit de entendimento e discernimento, a vulnerabilidade no consumo do jornalismo está sempre presente. Quanto ao público mais esclarecido, o ideal é sempre pautar-se em uma diversidade de fontes, de meios de comunicação, para daí extrair a essência dos fatos e formar sua própria opinião. 

 

AC -   Para muitos, imprensa boa é aquela que publica aquilo que lhes agrada, mesmo que uma fake news. O que dizer sobre isso?

LC - Esta é uma realidade cada vez mais evidente. Até poucos anos, a Rede Globo era boa para alguns e maldita para outros porque atacava Lula e o PT. Nos dias atuais, veem-se políticos e simpatizantes de esquerda elogiando a Globo, porque o alvo passou a ser o presidente Jair Bolsonaro. Para estes últimos, a emissora passou a ser sinônimo de lixo. A Globo, na verdade, destarte todos os interesses obscuros e também evidentes que acompanham sua trajetória, tem também um compromisso com a investigação e a denúncia dos malfeitos públicos. Uma empresa jornalística nunca vai agradar todos os lados. Não é possível conciliar todos os interesses. Sempre haverá quem elogie e quem atire pedras. E isso se torna mais saliente ainda em sociedades de forte antagonismo político, como o Brasil de nossos dias. Sem falar que as redes sociais estimulam o embate, que geralmente descamba para as ofensas e agressões. E, como forma de desqualificar o meio de comunicação e numa tentativa de fazer prevalecer a própria "verdade", proliferam-se as fake news.   

 

Na posse como coordenador de Jornalismo/Unipampa.
Com os colegas Ronaldo Kolvero e Fernando Santor.


AC  -   Formações acadêmicas na área das Comunicações pressupõem, como pré-requisitos, muita leitura, informação e conhecimentos gerais. Porém, neste chamado ‘mundo líquido’, efêmero, da vida dominada pelas telas, pela linguagem cifrada, como as universidades estão entregando os jornalistas ao mercado de trabalho

LC - As pessoas em geral, incluindo os próprios estudantes universitários, estão lendo cada vez menos. Isso não é uma novidade. É próprio da sociedade de nossos dias, em que prevalece a pragmática e o imediatismo. Busca-se o conhecimento para necessidades imediatas, para a resolução de questões pontuais. Não se vê quase mais ninguém lendo filosofia ou os clássicos da literatura. Isso, obviamente, prejudica a formação. Mas, enquanto professores, temos que continuar insistindo na importância do conhecimento e da ciência. Pode-se dizer, sim, que falamos para muitos e somos ouvidos por poucos. Das universidades, saem bons e maus profissionais. Os bons, certamente, terão uma vida profissional mais duradoura e alcançarão reconhecimento público.

 

AC -   A formação acadêmica em Jornalismo chega a ser determinante para que tenhamos bons profissionais?

LC - Quando o STF  (Supremo Tribunal Federal) extinguiu, em 2011, a exigência do diploma para atuar no Jornalismo, muitos disseram que não haveria mais procura pelos cursos e que a profissão estava com os dias contados. Eu sempre vi de forma diferente. O diploma não é garantia de excelência profissional, mas é óbvio também que os que se dedicam à busca do conhecimento, ao aprofundamento dos estudos, o que em geral passa pela formação universitária, terão mais chances e oportunidades no mercado de trabalho. Os estudos demonstram que quanto maior o grau de formação, mais altos são os salários. E a prova é que, em busca de melhores oportunidades, as pessoas continuam se qualificando, não só em termos de graduação, mas também com pós-graduações. A formação educacional é permanente e, numa sociedade dita do conhecimento, a busca pelo conhecimento não cessa nunca.

 

AC   Frequentemente se ouve que as muitas carências na educação básica se refletem depois no desempenho na universidade. Há críticas, também, de que educação básica e universidade não dialogam entre si, não se integram. Fale sobre isso.

LC - A educação no Brasil sempre serviu de instrumento ao discurso politiqueiro. Desde criança, ouço que o país tem que investir em educação, em pesquisa, em ciência, em tecnologia. Mas, a cada governo, o que vemos é um descaso com a educação e a valorização dos educadores. O nível educacional no Brasil, comparado a outros países, é fraco, deixa a desejar. Há necessidade de maior valorização dos docentes, mais investimento no setor educacional, mas também maior cobrança de resultados. O compromisso tem que ser de mão dupla. Quando à falta de diálogo entre os níveis educacionais, em parte, isso é verdade. Não há uma verdadeira integração e, podemos acrescentar que, em muitos casos, a universidade peca também no diálogo com a comunidade. Todavia, mudanças, embora ainda tímidas, estão acontecendo. O ensino do empreendedorismo é uma realidade hoje nas escolas e disciplina obrigatória nos cursos universitários, o que aproximará as instituições de ensino do ambiente profissional. Em 2023, entrará em vigor a lei que estabelece a necessidade de pelo menos 10% de prática de extensão universitária em todos os cursos, o que certamente resultará em maior envolvimento da universidade com a comunidade.  

 



O pai e artista 'Antoninho' - inspiração
para seguir no rádio e no jornalismo.

AC -   Na Unipampa em São Borja têm sobrado vagas no curso de Jornalismo. Que sugestões o senhor dá  para que a graduação tenha sua procura  ampliada e com demanda de desempenhos?

LC - Cursos de Comunicação, seja de Jornalismo, Publicidade ou Relações Públicas, têm demandas limitadas. A demanda reprimida de São Borja e região já foi contemplada na formação das primeiras turmas. Hoje, o curso conta muito mais com alunos oriundos de regiões distantes, sobretudo de outros estados. Obviamente que os pretendentes aos cursos procuram, primeiramente, as universidades situadas nos grandes centros do país. As universidades periféricas aparecem como segunda opção. No caso da Unipampa, os cursos vêm demonstrando boa qualidade e atraindo estudantes, mas apenas o suficiente para mal preencher as vagas. Isso, porque se trata de universidade federal, gratuita. No caso das universidades particulares, a maioria, devido à falta de procura, teve que fechar os cursos. No caso da Unipampa, mesmo sendo uma universidade federal, isso é algo que nos preocupa também e nos motiva a repensar a formação que estamos proporcionando, com frequentes mudanças de projeto pedagógico e revisão da matriz curricular, visando a um ensino mais compromissado com as mudanças do mundo do trabalho. Em 2022, daremos início a uma nova grade, com mais ênfase em jornalismo digital, jornalismo de dados, produção multiplataforma, interação com as mídias sociais e empreendedorismo. Também estamos iniciando um grupo de estudos, envolvendo os três cursos de comunicação, que irá pensar formações em comunicação além do Jornalismo, da Publicidade e das Relações Públicas. Há muitos estudos apontando que boa parte do ensino praticado hoje, em todas as áreas do conhecimento, é inútil do ponto de vista profissional. Por isso, há necessidade de atualização permanente. As demandas sociais e profissionais estão cada vez mais aceleradas. Recentemente, li um estudo dando conta de que 80% das carreiras atuais não existirão mais em 2030 e que 60% dos jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir. Se pararmos no tempo, vamos ser atropelados. 

 

AC -  O Brasil completa em 2022 seu bicentenário de independência político-administrativa. Continuamos, porém, como uma nação extremamente desigual e com um Estado centralizador e pouco republicano. Mazelas como estas têm solução?

LC - Acredito que sim, o Brasil tem solução. Temos que pensar com otimismo. Bem ou mal, descontadas as paixões ideológicas, acredito que estamos evoluindo do ponto de vista político. As pessoas, mesmo que fortemente pautadas em fake news, estão participando mais, debatendo e discutindo política. Até poucos anos, ninguém sabia, por exemplo, o que era e para que servia o STF. Hoje, vejo o nome dos ministros citados a todo momento, vigiados e cobrados por suas atitudes. Deputados e senadores sabem que suas ações terão repercussão nas urnas nas próximas eleições. Mesmo assim, ainda somos um povo que late muito e cobra pouco, que não vai à luta por seus direitos. A tendência é que isso venha a ser aprimorado ao longo do tempo e que o Estado, em todas as instâncias, passe a levar mais a sério as demandas sociais e ter mais zelo pelo dinheiro público. Estamos engatinhando, é verdade, mas também é verdade que, comparado a nações de maior estabilidade econômica e social, recém estamos saindo das fraudas. Temos ainda muito que aprender e evoluir.  

 

AC -   Brasil enfrenta, já há um bom tempo, uma séria crise que só se agravou com a pandemia. O que esperar como perspectiva de reversão nas eleições do próximo ano? Temos líderes à altura das soluções?

LC - A pandemia, infelizmente, em boa parte, foi pautada por interesses político-ideológicos, em meu entendimento, muito fortemente por conta da postura muitas vezes irresponsável do próprio presidente Jair Bolsonaro. O presidente acertou quando bateu o pé no sentido de que a economia não poderia parar completamente por conta da pandemia, mas foi relapso no sentido de minimizar a importância da ciência e dos cuidados básicos como o uso da máscara, por exemplo. Tivesse sido mais sábio, hábil no discurso e no tratamento com os governadores,  teria conseguido manter a economia funcionando, a inflação controlada e o câmbio em patamar aceitável, com amplo apoio de todos os segmentos. Pecou por sua impulsividade e perdeu com isso. Todos perdemos, infelizmente.

 

AC - Que mudanças o senhor faria nas atuais regras da política brasileira? Parlamentarismo é alternativa viável?

LC - A política brasileira tem muito ainda que evoluir. Reformas nesse sentido são urgentes. Temos que pôr fim à proliferação de partidos de toda ordem, em sua maioria atuando de forma clientelista, em benefício da casta política e não do povo. Veja o Congresso Nacional, tomado como a casa da barganha, em que os políticos mudam de lado conforme as próprias conveniências. Não digo que o parlamentarismo é o sistema ideal. A democracia presidencialista americana, embora atualmente desgastada, conseguiu dar respostas mais que satisfatórias às necessidades de seu povo. Por outro lado, vejo com simpatia o sistema político de países como Alemanha, Inglaterra e Japão, que adotam o parlamentarismo. Mesmo a pequena Portugal conseguiu superar a forte crise de uma década atrás e hoje apresenta uma economia estável e atrativa, inclusive para muitos brasileiros. Quando olho para a realidade brasileira e a faceta de nossos políticos, sinto uma grande inveja dos alemães, que tiveram a sorte de contar com a seriedade, habilidade diplomática e visão de uma Angela Merkel. Nosso país ainda carece de políticos sérios e competentes. Mas como sempre digo, não podemos desistir, temos que continuar tentando a busca por esse ideal.




Um dos desejos do professor Comassetto:  
entregar também a obra de um romance.

 

AC -  Quais são os planos pessoais e profissionais do professor Leandro Comassetto?

LC - Sempre me vi na linha de frente, atuando no jornalismo e na educação. Não consigo me ver aposentado, cuidando apenas de afazeres domésticos. Acredito ter pelo menos mais uns 20 anos de vida profissional. Gosto do que faço, gosto também da convivência em família e me dedico muito à leitura. Uma frustração foi não ter me dado bem com a música, algo que tentei quando jovem, mas por um curto período. Hoje, além da leitura necessária ao meu aperfeiçoamento enquanto educador, aprecio a literatura e pretendo, ainda, escrever um romance. Não quero morrer sem satisfazer esse desejo.