sexta-feira, 14 de abril de 2023

NÃO SÓ PONTES E MERCOSUL

 

Os muitos desafios que esperam por

solução entre o Brasil e a Argentina

 



A importância de Brasil e Argentina na América
do Sul: mais 60% da área, população e do PIB.


 Como demanda imediata, a questão mais urgente nas relações Brasil-Argentina impõe-se a necessidade da regulação operacional  da Ponte da Integração São Borja-Santo Tomé. Os presidentes de ambos os países, Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Alberto Fernandez (Argentina) têm, historicamente, visões estatizantes. Apesar deste perfil dos mandatários, a maior tendência é seguir como está - manter concessão parceria público-privada, como ocorre desde o início, em 1997. É  um raciocínio simplista:   fica tudo mais fácil, e, além disso, o prazo do atual contrato – já com dois anos de prorrogação –  termina em 29 de agosto. Mas brasileiros   e  argentinos têm muitas outras questões em jogo, além da travessia, nas suas relações bilaterais.

A importância dos dois países ssumiume papel de protagonismo na região em áreas estratégicas, como na economia, intercâmbio comercial, educação, cultura, saúde, turismo e na defesas de relações  mútuas.   Depois de guerras e rivalidades no passado, os dois países são hoje os principais parceiros na América do Sul.  O tamanho dessa importância também  se traduz em números. Juntos, os  dos países representam por 63% da área total da América do Sul, 60% da  população e 61% de todo  Produto Interno Bruto (PIB).

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina no continente letino-americano. No ranking mundia, a China é que faz mais negócios com o Brasil, vindo os Estados Unidos  na segunda colocação.   Já os argentinos já há algum tempo são o terceiro  maior parceiro dos brasileiros. As exportações   brasileiras para a Argentina dependem da conjuntura econômica e cambial, mas normalmente o fluxo circulante no Brasil é o dobro na comparação com as vendas do país vizinho.

As áreas industrial e agropecuária dominaam a pauta do intercâmbio. Há, entretabto, muito o que avançar, especialmente na esteira de incremento do Mercosul. O fortalecimento do bloco econômico passa pela expansão  brasileiro-argentina, mas também do Uruguai e do Paraguai. Os uruguaios não são entusiastas da ideia e estão mais interessados em eventual parceria com a China, no Oriente. Enquanto isso, Mercosul e União Europeia tentem há anos, mas não consolidam perenizar acordos de cooperação.

 

Pontes para unir

 



Qase um terço da intercâmbio brasileiro-argentinoo passa
pela Ponte Internacional da Integração (Foto Mercovia)


Faltando menos de cinco meses para terminar o atual prazo de concessão para as operações da Ponte da Integração, ninguém sabe o que vai acontecer. Encontros recentes em Brasília e Buenos Aires, de lideranças políticas e empresários de logística internacional,  sinalizam eventual permanência do formato atual. Ou seja, uma empresa ou consórcio empresarial manteria  as operações no Centro Unificado de Fronteira (CUF), com aduana integrada como ocorre atualmente.

Parece simples, mas não é tanto. Todos concordam que um sistema alfandegário integrado agiliza  tudo, da logística à burocracia. Entretanto, ficam perguntas: as cobranças de pedágio de hoje manteriam parâmetros semelhantes? E em relação à circulação vicinal São Borja-Santo Tomé haveria manutenção de  pedágio? Afinal, já vão se completar 27 anos de ações pedagiadas, desde o final de 1997. O valor, hoje, na ordem de R$ 25, não é nada  barato.

No lado brasileiro manterá investimentos como da Plataforma   Logística no mesmo ritmo? No CUF, de 600 a 800 empregos diretos a brasileiros e argentinos seguirão também na mesma proporção?

A ponte internacional Uruguaiana-Paso de Los Libres, sem pedágio, recebeu reformas depois de quase um século, e como será o seu futuro? Uma terceira travessia, a Porto Xavier-San Xavier, dá-se como certa, mas a escassez

 de recursos financeiros é  um grande desafio. Desafio maior ainda é uma quarta travessia  – a Itaqui-Alvarez -, também  no rio Uruguai a exemplo das demais, mas se trata de um investimento ainda menos provável.

Pela proximidade geográfica e histórica, Argentina e Brasil têm vocação natural para investimentos conjuntos. Muitos deles, contudo, nem conseguem sair do papel. Um bom exemplo é a hidrelétrica de Garabi. Existem estudos desde os anos 1970, uma empresa instalou-se em São Borja para estudos e confirmou viabilidade. Pensou-se em dois lagos  de

represamento, mas tudo esbarra nas  restrições orçamentárias.  

 

Um cobertor curto

 



São-borjenses abastecem em Santo Tomé: venda e
turismo a brasileiro é 1'salvação'. (Foto Ana Cogo)



O jornal Folha de S. Paulo tem produzido e publicado conteúdos periódicos sobre o gradual empobrecimento dos argentinos. Inflação em alta, além dos 100% ao ano, desemprego crescente, informalidade e boa parte da população abaixo da linha da pobreza. Os grandes centro urbanos, a começar a Grande Buenos Aires, a favelização avança. Apesar deste preocupante contexto, a Argentina tem alguns indicadores sociais melhores que os do Brasil.  O país vizinho tem melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), a desigualdade é menor e qualidade da educação é bem melhor que a brasileira.

O jornal  Estado de S. Paulo dá outros dados reveladores. Dos 40% dos argentinos, estão abaixo da llinha da pobreza. Isso contrasta com aquilo que se chama de porção europeia na América. Uma potência na agropecuária, uma das maiores seca das últimas décadas aniquilou as safras de trigo, de soja e de milho. Nem preços congelados de itens básicos consegue dar contas da crise.

Estudos mostram uma herança perversa que persegue a vida dos nossos ‘hermanos’ há mais de um século. Nos últimos 110 anos, em apenas 10 anos houve crescimento real. Já houve paridade da moeda local, o peso, com o dólar, mas foi artifício de ficção. O governo tomou empréstimos no Exterior e não consegue pagar. A Argentina tem eleição para presidente em outubro, mas, da direita à esquerda, não se sabe quem será candidato.

Algumas medidas populistas, como das épocas Perón e Kirschner, vão empurrando a situação como dá. A ‘Folha’ cita como exemplos auxílios que barateiam o custo do gás, da energia elétrica, da gasolina e do diesel. Além disso, grande massa dos servidores está dependente do  serviço público. Na iniciativa privada, um grande contingente dos trabalhadores está vivendo de ‘bicos’, portanto sem a chance de contribuir para a Presidência. Quem consegue investimentos compra em dólares.

A gasolina barata – na faixa de R$ 3 o litro – tira o sono dos garagistas brasileiros, devido à queda nas vendas daqui.  No último final de semana, como exemplo, longas e demoradas filas de automóveis se formaram na Ponte da Integração São Borja-Santo Tomé, nos dois lados da fronteira. É certo que as demandas na cidade argentina incluem outros itens, mas a gasolina é a principal motivação.

A exemplo da experiência pioneira para a construção da Ponte da Integração, pode – é  claro -  facilitar  parcerias público-privadas para novos investimentos. Entretanto, mesmo nesse formato isso também é necessária contrapartida governamental. Nesta hipótese, pelo visto a Argentina teria dificuldades. O seu cobertor é sempre curto.

  hstilidade à irmandade

 


Na Guerra das Malvinas, em 1982, e em eventos
anteriores, Brasil saiu a favor de argentinos (Foto CNN)


Virou tradição, já há vários governos, que a primeira visita presidencial do Brasil sempre foi à Argentina. A disposição, salvo algumas diferenças ideológicas, é  normalmente manter relações cordiais e estreito intercâmbio comercial entre os dois países.  Nem sempre, porém, isso foi assim.

Entre 1825 e 1828, Brasil e a Argentina travaram a Guerra da Cisplatina. A disputa em questão foi o atual território do Uruguai. A principal motivação é que a região era caminho estratégico de acesso ao Atlântico. Houve muitas perdas humanas e econômicos, mas ao final houve acordo, com o surgimento do Uruguai como  novo país.

No ambiente doméstico São Borja-Santo Tomé, o perrengue foi em  15 outubro de 1933. O escritor e jornalista Lira Neto conta que o embate envolveu, pelo lado brasileiro, parentes  próximos de Getúlio Vargas, incluindo o irmão caçula do presidente  mais agentes de segurança. Na prática, os argentinos rechaçaram a tentativa de invasão e houve mortes dos dois lados. O pretexto dos brasileiros era através o rio Uruguai para ver um evento cultural, mas a real motivação seria eliminar um jornalista contra Getúlio.  Esforços diplomáticos conseguiram mediar o impasse e colocar panos quentes.

Mas o  Brasil, em eventos anteriores, saiu a favor dos Argentinos. Foi o caso do impasse das Ilhas Malvinas (ou Falklands Islands) pretendidas pela Grã-Bretanha a partir de 1933. Em mais de um momento de tensão e de disputas, os brasileiros sempre saíram a favor dos argentino. A guerra ocorreu com mais ênfase em 1982. A questão aparentemente está apaziguada.

Já a Guerra do Paraguai foi conflito armado entre 1864 e 1870, envolvendo o Paraguai e a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra começou  em novembro de 1864, quando tropas paraguaias invadiram o Mato Grosso, província brasileira. O motivo principal foi a dominação da região do Rio da Prata.  O Paraguai, de Solano López, tinha metas expansionistas, mas foi massacrado.  O  Brasi foi o país mais empregou tropas e recursos bélicos no conflitos. Estima-se que mais de 300 mil civis e militares tenham sido mortos.  Brasil e Argentina emergiram como as maiores potências na América do Sul.


quarta-feira, 12 de abril de 2023

DE AVANÇOS & DE RETROCEÇOS

 

“Velhos”’ ganharam longevidade,

mas lhes retiram oportunidades


Os idosos ampliam tempo de vida e sua maior
capacidade de trabalho, mas são descartados ou afastados.

Os avanços da ciência e da medicina, associados a rotinas de hábitos mais saudáveis têm garantido maior tempo de vida à maioria das pessoas. Por consequência tem-se, ao mesmo tempo,  maior longevidade da produção laboral e ainda maior   aprimoramento à maturidade produtiva. Apesar desses significativos avanços,   não raro empresas privados e instituições públicas têm preterido e discriminado a quem que qualificam  como  “velhos”.

 Em muitas situações, no dia a dia os idosos acabam excluídos do processo, também, por não dominarem  completa e adequadamente os avanços tecnológicos utilizados  como ferramentas de trabalho. À luz dessa visão preconceituosa, míope e excludente -  sem empatias -, são os mais velhos considerados como ‘cartas  fora do baralho’. Como  se somente  jovens iniciantes  pudessem jogar e sempre ‘jogar de mão’!




Ao serem preteridos ao trabalho, instituições públicas
e empresas incorrem em infrações penais e falha moral.

 A opção, desta forma, é quase sempre  pelo vigor da  juventude. É natural que se trate, de  fato, de um segmento mais familiarizado com as  rotinas e dinâmicas das chamadas modernidades, além de uma capacidade física normalmente maior. Entretanto, esses jovens incipientes ainda não estão suficientemente experientes ao mundo do trabalho,  eis que ainda lhes faltam a experimentação dos anos.  Os “velhos”, então, podem e devem entregar e socializar seus muitos aprendizados  na vida acumulados.  Desconsiderar e relegar esta contribuição é, no mínimo, opaca lucidez.

A quem passou dos sessenta, pode  apenas parecer estar advogando em causa própria. Contudo, o  gradual  envelhecimento da população e a maior longevidade na atividade produtiva têm de ser visto como um avanço comemorado  e  como efetiva contribuição para a sociedade.  Porém, infelizmente, a discriminação contra os idosos tem sido uma realidade crescente  em diversas esferas no convívio social, incluindo o mercado de trabalho. A exclusão de idosos no processo de seleção, contratação e manutenção nos empregos é um ‘fenômeno’ que vem sendo amplamente observado. É um contexto, portanto, preocupante, dado que estes indivíduos  apartados e excluídos do trabalho  deixam de oferecer experiências e conhecimentos valiosos acumulados.  Esse capital consolidado  à disposição acaba, pois, desperdiçado.

O etarismo, que é a discriminação baseada na idade, é um problema que afeta a sociedade em geral. No âmbito profissional, a discriminação contra os idosos pode levar à perda de oportunidades de trabalho e a uma diminuição e impactantes prejuízos à  qualidade de vida, nos campos econômico, social e emocional. Já os empregadores  que adotam  postura sectarista perdem a oportunidade de contar com profissionais experientes e comprometidos  prejudicando, assim, o próprio desenvolvimento.

Além disso, a exclusão dos idosos do mercado de trabalho pode afetar negativamente a economia, uma vez que estes indivíduos são responsáveis por uma grande parte da riqueza acumulada e têm um poder de consumo significativo. A cultura da juventude, que valoriza a energia e o entusiasmo dos jovens, em detrimento da experiência e a sabedoria dos mais velhos, é um problema social que deve ser examinado como demanda social relevante, de modo que todos os segmentos sejam considerados.

Do ponto de vista ético e moral, a discriminação contra os idosos é injusta e viola os direitos humanos fundamentais. A idade não deve ser um critério de seleção ou permanência para a contratação de funcionários, mas sim a capacidade e as habilidades dos candidatos, respeitando suas peculiaridades e especificidades. É importante que empresas e instituições públicas adotem políticas inclusivas, contemplando e promovendo a diversidade etária. Na prática, porém, anda-se cada vez mais na contramão desta realidade.

No âmbito legal, existem leis que protegem os idosos contra a discriminação no trabalho. A legislação brasileira proíbe a discriminação por idade e exige que empresas em todas esferas contratem e promovam funcionários, os qualifiquem e respeitem as sias especificidades.  As empresas – públicas e privadas - que violam essas normas e  leis estão sujeitas a sanções   e multas.

Em última análise,   a discriminação contra os idosos no mercado de trabalho é uma questão complexa, mas com urgência e responsabilidade deve ser tratada. Como  envolve aspectos sociais, culturais, éticos, morais e legais, tudo precisa ser examinado e tratado em contexto.  A exclusão dos idosos é um problema que deve ser combatido, pois prejudica a economia, a sociedade e viola os direitos humanos fundamentais. As empresas e instituições públicas devem adotar políticas inclusivas e valorizar a experiência e conhecimentos dos mais velhos para garantir um mercado de trabalho mais justo e equitativo.

 

quinta-feira, 6 de abril de 2023

PROTAGONISMO POLÍTICO

 

  

Brasil celebra 40 anos das ‘Diretas’

e do processo de redemocratização

 

Após rejeição às 'diretas', comícios
monumentais mobilizaram pelo país.

 Em ritmo lento e gradual, como definido à época, o processo de redemocratização no Brasil após a ditadura de 1964 começou ainda nos anos 1970. Entretanto  em 1983 é que o movimento ganhou mais força e consistência. Foram três anos de intensa mobilização e efervescência. Em  sequência, em 1988, o país ganharia uma nova Constituição, uma das mais avançadas da época. Esse movimento das ‘Diretas Já’ e da redemocratização faz 40 anos em 2023. São Borja tem uma direta vinculação.

O movimento de redemocratização no Brasil após o golpe militar de 1964 foi marcado por uma série de eventos e mobilizações populares que exigiam a volta do Estado de Direito e a realização de eleições diretas para a presidência da República.  Um dos momentos mais emblemáticos do movimento de redemocratização foi a campanha pelas eleições diretas para presidente, conhecida como das ‘Diretas Já’. Em 1983, é protocolada no Congresso Nacional  uma Proposta de Emenda Constitucional  (PEC), propondo que as eleições para  presidente da República voltassem a ser pelo voto direto. Fo protocoladai a chamada Emenda Dante de Oliveira, em referência ao deputado do MDB à época e que tomou a iniciativa da formalização.

Nos maiores centros urbanos começaram as mobilizações e os grandes comícios em defesa da causa. Líderes políticos, artistas, trabalhadores, sindicatos e  intelectuais desenvolveram peregrinação pelo país. As maiores cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre passaram a atrair até 300 mil pessoas, defendo a retomada das ‘diretas’.

Em 1984, a PEC foi apresentada e discutida no Congresso Nacional, cercada de expectativas.  Para a frustração geral entre os apoiadores da causa, a proposta, contudo, foi rejeitada.  A circunstância, porém, não desanimou. Ao contrário, fortaleceu o movimento. Tanto que, na sequência, os movimentos sociais organizaram mobilização monumental em São Paulo. Um comício pela ‘diretas’ na capital paulista reuniu pelo menos um milhão de pessoas.

Para 1985, o general João Figueiredo, presidente à época, marcou novas eleições presidenciais indiretas. Diante da pressão popular,  porém, candidato civis foram permitidos na disputa. E o eleito foi Tancredo Neves, ferrenho defensor da eleição direta e do  restabelecimento do processo democrático.

 

Nova decepção e nova Constituição

 


Tancredo Neves, símbolo da redemocratização
do Brasil. (onte: Agência Senado)

 A confirmação do mineiro Tancredo como presidente eleito reanimou a nacionalidade, mas, tragicamente, ele não chegou a assumir o cargo. Afetado por uma Diverticulite, ele foi vitimado pela doença, morrendo em abril de 1985. Quem assumiu, então, foi o vice-presidente eleito José Sarney, mais ligado à ala governista da época.

A primeira eleição direta para presidente depois de 1964 ocorreria em 1989. Foi vencedor Fernando Collor de Mello, do minúsculo PRN, mas apoiado pela grande mídia. Na segunda colocação ficou Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Antes disso, porém, o Brasil teria mais mobilização e emoções. Uma Assembleia Nacional Constituinte foi instituída para elaborar uma nova Constituição. Definida como ‘Constituição Cidadã’ e promulgada em 5 de outubro de 1988, a nova Carta estabeleceu vários avanços  em áreas essenciais, como nos campos político, social, assistencial, educacional, de saúde e organização coletiva, incluindo maior proteção a crianças, adolescentes e idosos.

 

Gestores eram nomeados

 



Na retomada de eleições, Weiss é
eleito para mandato-tampão por 3 anos.


Além do presidente da República, durante a ditadura pós-64 também os governadores dos Estados, prefeitos de capitais e dos chamados municípios áreas de segurança nacional eram indicados indiretamente. As indicações partiam normalmente dos comandos militares, membros do Congresso Nacional aliados ao governo e de apoiadores políticos. Aliás, no período, apenas Arena (de apoio governamental) e MDB (oposição) existiram como partidos.

 rante o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985), os municípios considerados áreas de segurança nacional, como foi o caso de São Borja,  eram sujeitos a um regime especial de controle por parte do governo federal. Essas áreas incluíam regiões de fronteira, zonas de produção de minérios estratégicos e áreas consideradas sensíveis do ponto de vista político.

Nesses municípios, os prefeitos eram indicados pelo governo federal, em vez de serem eleitos pelo voto popular. Isso fazia parte do esforço do governo militar de controlar a política local e evitar a influência de grupos considerados subversivos.

As capitais dos estados não eram consideradas áreas de segurança nacional, mas também foram sujeitas a intervenções do governo militar. Em muitos casos, os prefeitos foram substituídos por indicados pelo governo, com o objetivo de reprimir a oposição política e impor medidas consideradas necessárias pelo regime.

Em São Borja e demais municípios considerados áreas de segurança nacional as eleições diretas para prefeito somente foram retomadas em  novembro de 1985. O prefeito eleito, nesse ano, foi Mário Roque Weiss (PDT), que obteve 13.849 votos. Na segunda colocação ficou José Pereira Alvarez (PDS, com 11.300 votos). O pleito ainda teve outros dois candidatos: Luiz Braga Chahér (PMDB), com 3.796 votos e Julcy Martins (PT), 497 votos. Ainda foram contabilizados 509 votos em branco e 300 nulos. O total de  votantes no processo foi de 30.251 eleitores.

terça-feira, 4 de abril de 2023

EXERCÍCIO DE CIDADANIA





A cada nova ocorrência de chuva, as
inundações e incômodos pelo região..

Foto Ana Cogo)


Esquecida, minha rua

está pedindo socorro

 

Quando prefeito de São Borja, José Pereira Alvarez costumava afirmar: “Para administrar adequadamente  um município é preciso eleger prioridades”.   Os  moradores da Travessa Francisco de Oliveira Gay, entre os quais me incluo, concordamos com esta afirmativa. Mais do que isso:   entendemos, ainda, que manter adequadamente  a nossa via,  à entrada do Bairro Betim,  é indispensável,  para que  lhe sejam  asseguradas  as condições dignas de circulação, segurança e de conforto. É uma questão urgente e, portanto, também de prioridade. A travessa em questão tem apenas uma quadra em extensão, entretanto na proporção inversa do seu curto trajeto é uma das que se encontram em piores condições na região centro-sul da cidade.

E a referência para a  precariedade nem se deve apenas à buraqueira no trecho. Até é natural que seja assim. Afinal, a pavimentação com  pedras irregulares existente foi assentada sobre um antigo banhadas, cuja sustentação e terraplenagem revelam-se inconsistentes.  Acrescente-se que, em período mais recente, piorando a situação,  

escavações da Corsan, visando à rede de esgoto, completaram os desnivelamentos e os  buracos. Este, então, é um problema sério, sim, mas nem é o principal.


C

Com sistema de drenagem precários,
tudo fica alagado na Francisco Gay.

Localizada em área de acentuado declive a travessa recebe, em alta velocidade, todo o fluxo pluvial da região acima. A tubulação debaixo do calçamento tem diâmetro infinitamente  insuficiente para atender à enorme demanda de escoamento. Não é preciso ser nenhum especialista para concluir que, chovendo, são frequentes as inundações e os transtornos.  Bastam de 30 a 40 milímetros de precipitações, em pouco tempo, para que o caos dos alagamentos entre pátios a dentro. Aliás, depois da longa e severa estiagem, já foram pelo menos duas inundações nas últimas semanas.

Romantizando um pouco, me faço lembrar do Mário Barbará Dornelles cantando a “Rua de Minha Infância”. No caso da Travessa Francisco Gay, cheguei já bem depois da infância, em 1992. Em seguida, veio o calçamento, com as inconsistências já referidas. Com as obras de urbanização veio a cobrança da Contribuição de Melhorias. Assim como anualmente  também vêm outros tributos como IPTU e Taxa de Coleta de Lixo. Os moradores e construções multiplicam-se pelas laterais da via, drenando, aterrando e melhorando a infraestrutura dos seus espaços. Infelizmente, porém, o apoio do serviço público não se dá na mesma proporção. A última intervenção na Francisco Gay – paliativa   mas providencial – faz uns cinco anos, quando ainda Mário Porto coordenava ações na Secretaria de Infraestrutura.

O prefeito Eduardo Bonotto tem reiterado, com orgulho, que uma das suas prioridades na urbanização tem sido “pavimentar ruas e resolver problemas crônicos de drenagem pluvial e de alagamentos.” E o prefeito tem razão. Correções  esperadas  há décadas foram equacionadas, nos vários quadrantes da cidade. Agora mesmo está em andamento, já em fase final, correção no sistema de drenagem na Rua Félix da Cunha, a partir da Gomes Carneiro, e até a Praça Tricentenário.  É uma obra que fica a menos de 100 metros da propalada Francisco Gay. (Esta ainda espera). Na Félix será instalada galeria de 1,2 metro de diâmetro e 726 metros de extensão. Na prática, será duplicado sistema já existente e fazendo conexão com galeria de 1,2 metro de diâmetro e 120 metros extensão  na Praça Tricentenário.




Problema de sempre, devido a um serviço
de drenagem que sempre foi precário.


A meta é resolver os alagamentos de todo o centro-sul, à exceção da microrregião onde moramos. Outro ramal de drenagem atenderá à demanda de escoamento das vilas Goulart e Esther e ainda a área aos fundos do Instituto Federal Farroupilha. A ligação pela Rua  Ory Dornelles  fará conexão também  com a galeria existente na praça.  Todo o projeto de infraestrutura terá investimento superior a R$ 1,5 milhão, sem considerar a futura capa asfáltica.  

Enquanto isso, nós moradores da Travessa Francisco Gay sabemos que “administrar é eleger prioridades”,  mas, respeitosamente, aproveitamos para, ao mesmo tempo, exercitar nossos direitos de cidadania. A expectativa, a esperança é que, hora dessas, também nós sejamos  lembrados. Garantir condições dignas e adequadas ao lugar que habitamos não será apenas sinal de respeito à memória do vereador que dá nome à travessa, e que foi duas vezes presidente do Legislativo. Como cidadãos-contribuintes também queremos ser lembrados, atendidos nas  nossas expectativas e necessidades. Afinal, como reiteradamente verbaliza o prefeito Bonotto:  “Investir em correção e drenagem pluvial é investir em segurança,  conforto e qualidade de vida”.  Que assim o seja, prefeito!

 


Infraestrutura deficitária acaba afetando
todo o leito da via, à entrada do bairro Bettim.