Rádio, 100
anos de exuberância
O 7 de Setembro marca dois eventos
históricos no país. Além do aniversário de independência do Brasil, completando
200 anos em 2022, a data também assinala, este ano, o primeiro centenário do
surgimento do rádio entre nós. Em relação aos dois episódios, outros registros antecedentes e posteriores também poderiam
ser indicados como demarcatórios nas duas efemérides. Contudo, o 7 de Setembro
é o marco temporal convencionado como sendo o oficial. Então, é oportuno ‘sintonizar’ atenções às ondas do
rádio, essa inseparável companhia que atravessa séculos e gerações, desafiando
e resistindo à metamorfose das
frenéticas transformações.
Em 10 de junho de 1900, o Jornal do
Comércio do Rio de Janeiro relata a experiência, em 1893, do genial padre
gaúcho Roberto Landell de Moura de descobertas sobre a propagação do som, da
luz e da eletricidade, através do espaço, da terra e dos mares. Sem recursos e
sem apoio, não chegou a patentear seus inventos. No entanto, um físico italiano,
Marconi, em 1898, em Londres, criou o telégrafo sem fio, seria criador mais
tarde da radiodifusão. Já Landell de Moura morreria aos 67 anos, em 1928, em
Porto Alegre, sem alcançar reconhecimentos.
No Brasil, oficialmente, 7 de setembro de1922
é a data considerada como a da primeira transmissão de rádio. Foi nas
comemorações do centenário da Independência do país, com uma fala do presidente
Epitácio Pessoa. Era inaugurada a radiotelefonia brasileira.
O médico e pesquisador Roquette Pinto convenceu a Academia
Brasileira de Ciências a patrocinar a criação da Rádio Sociedade do Rio de
Janeiro, que viria a ser a PRA-2. A rádio só começou a operar, no entanto, em
30 de abril de 1923, com equipamento de Buenos Aires. Antes, porém, experiência
incipientes também foram registradas em outras cidades brasileiras.
Mesmo que já nos anos 1920 tenham surgido
emissoras de rádio em todo o país, a maior expansão no setor foi a partir de
1930. O governo Getúlio Vargas na época adotou
medidas de apoio, mas em seguida,
na fase ditatorial do Estado Novo (1937/45) imperou a censura e foram severas
as restrições às liberdades de manifestação.
Com a redemocratização, a partir de
1946, o rádio inicia uma dos seus períodos de maior expansão – foi a chamada Era do Rádio. O mundo Maísa se
informava por esse meio, inclusive durante da II Guerra Mundial e as Copas do
Mundo de Futebol da época. Jornalismo, transmissões esportivas, programas de
auditórios e geração de ídolos são marcas do período.
Uma regulamentação mais efetiva do rádio,
porém, só ocorreria em 1962, quando a televisão já era realidade entre os
brasileiros. O rádio, contudo, era a caixa de ressonância da cena política e da
vida nacional. O jornalismo profissionaliza-se e segmenta-se como um ensaio do
que temos hoje. Tendências político-ideológicas distintas já marcavam essa época, como ocorre agora.
Em São Borja, os registros da
primeira emissora da rádio – a Fronteira do Sul AM – são de 1940, inicialmente
sem autorização formal. A legalização foi em 1945. A emissora permaneceu até
1975, quando foi fechada pelo regime militar. Depois a Rádio Cultura AM surgia em 1977. Depois, em 1982,
viria a Rádio Fronteira FM. Ainda em FM
surgiram a Butuí, a Navegantes e a Líder.
Coma chegada da TV, nos anos 1950, e depois da web e da
internet, a partir dos anos 1980 e 1990, projeções indicaram a decadência do
rádio. Ao contrário, o veículo tem se fortalecido e se reinventado. Em alguma
medida, esta mídia vem até se fortalecendo
e consolidando audiências. Têm origem no rádio algumas das figuras
icônicas, hoje, em todas as mídias e plataformas.

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