terça-feira, 6 de setembro de 2022

OUTRO GRITO DE INDEPENDÊNCIA

 

Rádio, 100 anos de exuberância

 

 


O 7 de Setembro marca dois eventos históricos no país. Além do aniversário de independência do Brasil, completando 200 anos em 2022, a data também assinala, este ano, o primeiro centenário do surgimento do rádio entre nós. Em relação aos dois  episódios, outros registros  antecedentes e posteriores também poderiam ser indicados como demarcatórios nas duas efemérides. Contudo, o 7 de Setembro é o marco temporal convencionado como sendo o oficial. Então,  é oportuno ‘sintonizar’ atenções às ondas do rádio, essa inseparável companhia que atravessa séculos e gerações, desafiando e resistindo à metamorfose das  frenéticas transformações.

Em 10 de junho de 1900, o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro relata a experiência, em 1893, do genial padre gaúcho Roberto Landell de Moura de descobertas sobre a propagação do som, da luz e da eletricidade, através do espaço, da terra e dos mares. Sem recursos e sem apoio, não chegou a patentear seus inventos. No entanto, um físico italiano, Marconi, em 1898, em Londres, criou o telégrafo sem fio, seria criador mais tarde da radiodifusão. Já Landell de Moura morreria aos 67 anos, em 1928, em Porto Alegre, sem alcançar reconhecimentos.

 No Brasil, oficialmente, 7 de setembro de1922 é a data considerada como a da primeira transmissão de rádio. Foi nas comemorações do centenário da Independência do país, com uma fala do presidente Epitácio Pessoa. Era  inaugurada  a radiotelefonia brasileira.

O médico e pesquisador  Roquette Pinto convenceu a Academia Brasileira de Ciências a patrocinar a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que viria a ser a PRA-2. A rádio só começou a operar, no entanto, em 30 de abril de 1923, com equipamento de Buenos Aires. Antes, porém, experiência incipientes também foram registradas em outras cidades brasileiras.

 Mesmo que já nos anos 1920 tenham surgido emissoras de rádio em todo o país, a maior expansão no setor foi a partir de 1930. O governo Getúlio Vargas na época adotou  medidas de apoio,  mas em seguida, na fase ditatorial do Estado Novo (1937/45) imperou a censura e foram severas as restrições às liberdades de manifestação.

Com a redemocratização, a partir de 1946, o rádio inicia uma dos seus períodos de maior expansão – foi a  chamada Era do Rádio. O mundo Maísa se informava por esse meio, inclusive durante da II Guerra Mundial e as Copas do Mundo de Futebol da época. Jornalismo, transmissões esportivas, programas de auditórios e geração de ídolos são marcas do período.

Uma regulamentação mais efetiva do rádio, porém, só ocorreria em 1962, quando a televisão já era realidade entre os brasileiros. O rádio, contudo, era a caixa de ressonância da cena política e da vida nacional. O jornalismo profissionaliza-se e segmenta-se como um ensaio do que temos hoje. Tendências político-ideológicas distintas já marcavam  essa época, como ocorre agora.

Em São Borja, os registros da primeira emissora da rádio – a Fronteira do Sul AM – são de 1940, inicialmente sem autorização formal. A legalização foi em 1945. A emissora permaneceu até 1975, quando foi fechada pelo regime militar. Depois a Rádio  Cultura AM surgia em 1977. Depois, em 1982, viria a Rádio Fronteira FM.  Ainda em FM surgiram a Butuí, a  Navegantes e a Líder.

Coma chegada  da TV, nos anos 1950, e depois da web e da internet, a partir dos anos 1980 e 1990, projeções indicaram a decadência do rádio. Ao contrário, o veículo tem se fortalecido e se reinventado. Em alguma medida, esta mídia vem até se fortalecendo  e consolidando audiências. Têm origem no rádio algumas das figuras icônicas, hoje, em todas as mídias e plataformas.

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