domingo, 9 de outubro de 2022

HISTÓRIA SINGULAR

  

São Borja é bem mais que

o simbolismo de uma data

 


Construído em 1982, assnalando os
300 anos, monumento é marco histórico.

Se observado sob o retrovisor de um recorte histórico, São Borja já justificaria seu perfil diferenciado: é um dos redutos mais antigos do Brasil e uma das unidades mais perenes e contínuas de ocupação no Rio Grande do Sul.  À alternada senha de dominação entre portugueses e espanhóis, mesclam-se à sua gênese de nascença o espírito de cooperação, igualdade e fraternidade de jesuítas e índios guaranis. Historiadores, entre eles Apparício Silva Rillo, convencionam definir a data de 10 de outubro de 1682 como o início de tudo -  o começo da Redução de São Francisco de Borja,  o nascedouro do Primeiro dos Sete Povos  Missioneiros entre nós e o dia consagrado ao padroeiro São Francisco de Borja.  Tais efemérides e vultos completam, nesta segunda-feira (10), o seu aniversário de 340 anos.

Com razão, portanto, a cidade  está em festa. E não é apenas pelo 10 de outubro. É por toda a sua trajetória e pela densa e plural contribuição de todos aqueles que lhe vêm construindo – filhos de berço e de coração.  Parece que um diferenciado magnetismo distingue dos demais este chão colorado.  Parece que o sangue derramado na Guerra Guaranítica e na Resistência à invasão pelo Paraguai, no século 19. ainda pulsa nas veias libertárias e na  construção dos amanhãs. Muito provavelmente o grito de Sepé é o mesmo que ecoou e inspirou  Apparício Mariense da Silva a ‘clarinar’ os alvoreceres da República como  um grito vanguardeiro pelo Brasil afora.

Mesmo juntando matizes de ditador, Getúlio Vargas  conferiu a São Borja e ao Brasil a estatura de maior estadista do século passado, garantindo à nação o ingresso à modernidade, à vida urbana e à conquista de direitos sociais, políticos e trabalhistas. São,  hoje, referência emblemática à cidadania como patrimônio universal. Não é por acaso que essa  mesma aura ancestral confira a São Bora, orgulhosamente, presidentes da República, governadores e ministros de Estado  senadores e deputados.  Getúlio,  Jango,  Ernesto Dornelles, Tarso, Ibsen, Juca Alvarez e Heinze são exemplos a simbolizar a trajetória de outros tantos aqui não citados.

Do mesmo mofo, a história comunal se vê repleta de representativos  exemplos: Florêncio Guimarães, Mauá Ferreira, Arneldo Matter, Marly Alvarez, Luíza Gattiboni, Paulo Mauer, Mariense Escobar,  Hildebrando Guimarães,  Mário Wei e um sem-número de outros líderes que a omissão faz injustiça no registro agora. Essa mesma aura é a que nos dá Pérsio Lima, Odinei  Gonçalves, Darci Bergmann, Dino Lopes, Chico Freitas, João Carlos Reolon, Iberê Teixeira, Lale Scalco, Roque Feltrin, João Fernandes e outros tantos contemporâneos. Assim é com a nova geração, da qual o prefeito Eduardo Bonotto é simbolismo emblemático.

É neste mesmo solo fecundo e dadivoso que São Borja, no século passado, se viu consolidar como Capital do Linho e, em sequência, como Capital da  Produção, situando-se na dianteira do  ranking nacional como maior produtora de trigo e de soja. E em meio  às sesmarias de seus campos verdejantes, bois bordaram as paisagens. Rillo diria que “os bois engordaram os homens e os homens engordaram as mulheres...” Não tardaria, porém, para este pilar de sustentação ganhar novos sustentáculos. Também o arrozais passam a colorir a paisagem e, no passado mais recente, como um abraço de integração do rio Uruguai ao Mercosul, eis que surge a Ponte da Integração. Com seu formato aduaneiro singular, ágil e pioneiro na América Latina, a travessia binacional é, hoje, um dos principais corredores de escoamento na região.   



Padroeiro São Francisco de Borja é
uma das referências do 10 de outubro.

Das mansas e às vezes caudalosas correntes do Uruguai ou do Butuí vertem também inspirações para nossos escritores e   poetas. Não se trata de soberba – é em verdade um atributo, Nas que outro rincão no Brasil do porte de São Borja tem tamanha magnitude e magnetismo para reunir nomes como Rillo, Bauer, José Bicca, Mano Lima, Barbará, Telmo, Nívea, Caicó, Clamar, Rossini, Miguel Bica,  Iberê, Isabel Scalco, Ramão Aguilar, pimpam, Barbosa, Retamoso, Thereza Veloso, O’Donell, José Nelson Correa, Eugênio Dutra, Paulo Caetano e outros tantos?  Junte-se a eles toda a comunidade academia, representada por três universidades públicas entre nós -  Unipampa, IFFar e Uergs.

Coco síntese e consolidação deste status tão eclético e qualificado, somos também Capital Estadual do Fandango, aos poucos fazendo ganhos deste patrimônio. Mas além de tantas distinções, temos  um Museu Esgológico da Estância que é único no RS. O Festival da Barranca também é singular, como é o Os Angüeras. Os são também os memorais a Getúlio e Jango e como serão monumentais a Avenida Beira Rio e o novo Museu Missioneiro.  São singulares, ainda, os festivais de Carnaval e Ronda de São Pedro. Assim também o são a Fonte de São Pedro e a Fonte de São João. São Borja tem razões de sobra para comemorar!

 

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