São Borja é bem mais que
o simbolismo de uma data
Construído em 1982, assnalando os300 anos, monumento é marco histórico.
Se observado sob o retrovisor de um recorte histórico, São Borja já justificaria seu perfil diferenciado: é um dos redutos mais antigos do Brasil e uma das unidades mais perenes e contínuas de ocupação no Rio Grande do Sul. À alternada senha de dominação entre portugueses e espanhóis, mesclam-se à sua gênese de nascença o espírito de cooperação, igualdade e fraternidade de jesuítas e índios guaranis. Historiadores, entre eles Apparício Silva Rillo, convencionam definir a data de 10 de outubro de 1682 como o início de tudo - o começo da Redução de São Francisco de Borja, o nascedouro do Primeiro dos Sete Povos Missioneiros entre nós e o dia consagrado ao padroeiro São Francisco de Borja. Tais efemérides e vultos completam, nesta segunda-feira (10), o seu aniversário de 340 anos.
Com razão, portanto, a cidade está em festa. E não é apenas pelo 10 de
outubro. É por toda a sua trajetória e pela densa e plural contribuição de
todos aqueles que lhe vêm construindo – filhos de berço e de coração. Parece que um diferenciado magnetismo
distingue dos demais este chão colorado.
Parece que o sangue derramado na Guerra Guaranítica e na Resistência à invasão
pelo Paraguai, no século 19. ainda pulsa nas veias libertárias e na construção dos amanhãs. Muito provavelmente o
grito de Sepé é o mesmo que ecoou e inspirou Apparício Mariense da Silva a ‘clarinar’ os
alvoreceres da República como um grito vanguardeiro
pelo Brasil afora.
Mesmo juntando matizes de ditador, Getúlio Vargas conferiu a São Borja e ao Brasil a estatura de
maior estadista do século passado, garantindo à nação o ingresso à modernidade,
à vida urbana e à conquista de direitos sociais, políticos e trabalhistas. São,
hoje, referência emblemática à cidadania
como patrimônio universal. Não é por acaso que essa mesma aura ancestral confira a São Bora, orgulhosamente,
presidentes da República, governadores e ministros de Estado senadores e deputados. Getúlio, Jango, Ernesto Dornelles, Tarso, Ibsen, Juca Alvarez
e Heinze são exemplos a simbolizar a trajetória de outros tantos aqui não citados.
Do mesmo mofo, a história comunal se vê repleta de representativos exemplos: Florêncio Guimarães, Mauá Ferreira, Arneldo
Matter, Marly Alvarez, Luíza Gattiboni, Paulo Mauer, Mariense Escobar, Hildebrando Guimarães, Mário Wei e um sem-número de outros líderes que
a omissão faz injustiça no registro agora. Essa mesma aura é a que nos dá
Pérsio Lima, Odinei Gonçalves, Darci
Bergmann, Dino Lopes, Chico Freitas, João Carlos Reolon, Iberê Teixeira, Lale
Scalco, Roque Feltrin, João Fernandes e outros tantos contemporâneos. Assim é
com a nova geração, da qual o prefeito Eduardo Bonotto é simbolismo
emblemático.
É neste mesmo solo fecundo e dadivoso que São Borja, no século passado,
se viu consolidar como Capital do Linho e, em sequência, como Capital da Produção, situando-se na dianteira do ranking nacional como maior produtora de
trigo e de soja. E em meio às sesmarias
de seus campos verdejantes, bois bordaram as paisagens. Rillo diria que “os
bois engordaram os homens e os homens engordaram as mulheres...” Não tardaria,
porém, para este pilar de sustentação ganhar novos sustentáculos. Também o
arrozais passam a colorir a paisagem e, no passado mais recente, como um abraço
de integração do rio Uruguai ao Mercosul, eis que surge a Ponte da Integração. Com
seu formato aduaneiro singular, ágil e pioneiro na América Latina, a travessia
binacional é, hoje, um dos principais corredores de escoamento na região.
Das mansas e às vezes caudalosas correntes do Uruguai ou do Butuí vertem
também inspirações para nossos escritores e poetas. Não se trata de soberba – é em verdade
um atributo, Nas que outro rincão no Brasil do porte de São Borja tem tamanha
magnitude e magnetismo para reunir nomes como Rillo, Bauer, José Bicca, Mano
Lima, Barbará, Telmo, Nívea, Caicó, Clamar, Rossini, Miguel Bica, Iberê, Isabel Scalco, Ramão Aguilar, pimpam, Barbosa,
Retamoso, Thereza Veloso, O’Donell, José Nelson Correa, Eugênio Dutra, Paulo
Caetano e outros tantos? Junte-se a eles
toda a comunidade academia, representada por três universidades públicas entre
nós - Unipampa, IFFar e Uergs.
Coco síntese e consolidação deste status tão eclético e qualificado,
somos também Capital Estadual do Fandango, aos poucos fazendo ganhos deste
patrimônio. Mas além de tantas distinções, temos um Museu Esgológico da Estância que é único no
RS. O Festival da Barranca também é singular, como é o Os Angüeras. Os são
também os memorais a Getúlio e Jango e como serão monumentais a Avenida Beira
Rio e o novo Museu Missioneiro. São
singulares, ainda, os festivais de Carnaval e Ronda de São Pedro. Assim também
o são a Fonte de São Pedro e a Fonte de São João. São Borja tem razões de sobra
para comemorar!
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