terça-feira, 4 de abril de 2023

EXERCÍCIO DE CIDADANIA





A cada nova ocorrência de chuva, as
inundações e incômodos pelo região..

Foto Ana Cogo)


Esquecida, minha rua

está pedindo socorro

 

Quando prefeito de São Borja, José Pereira Alvarez costumava afirmar: “Para administrar adequadamente  um município é preciso eleger prioridades”.   Os  moradores da Travessa Francisco de Oliveira Gay, entre os quais me incluo, concordamos com esta afirmativa. Mais do que isso:   entendemos, ainda, que manter adequadamente  a nossa via,  à entrada do Bairro Betim,  é indispensável,  para que  lhe sejam  asseguradas  as condições dignas de circulação, segurança e de conforto. É uma questão urgente e, portanto, também de prioridade. A travessa em questão tem apenas uma quadra em extensão, entretanto na proporção inversa do seu curto trajeto é uma das que se encontram em piores condições na região centro-sul da cidade.

E a referência para a  precariedade nem se deve apenas à buraqueira no trecho. Até é natural que seja assim. Afinal, a pavimentação com  pedras irregulares existente foi assentada sobre um antigo banhadas, cuja sustentação e terraplenagem revelam-se inconsistentes.  Acrescente-se que, em período mais recente, piorando a situação,  

escavações da Corsan, visando à rede de esgoto, completaram os desnivelamentos e os  buracos. Este, então, é um problema sério, sim, mas nem é o principal.


C

Com sistema de drenagem precários,
tudo fica alagado na Francisco Gay.

Localizada em área de acentuado declive a travessa recebe, em alta velocidade, todo o fluxo pluvial da região acima. A tubulação debaixo do calçamento tem diâmetro infinitamente  insuficiente para atender à enorme demanda de escoamento. Não é preciso ser nenhum especialista para concluir que, chovendo, são frequentes as inundações e os transtornos.  Bastam de 30 a 40 milímetros de precipitações, em pouco tempo, para que o caos dos alagamentos entre pátios a dentro. Aliás, depois da longa e severa estiagem, já foram pelo menos duas inundações nas últimas semanas.

Romantizando um pouco, me faço lembrar do Mário Barbará Dornelles cantando a “Rua de Minha Infância”. No caso da Travessa Francisco Gay, cheguei já bem depois da infância, em 1992. Em seguida, veio o calçamento, com as inconsistências já referidas. Com as obras de urbanização veio a cobrança da Contribuição de Melhorias. Assim como anualmente  também vêm outros tributos como IPTU e Taxa de Coleta de Lixo. Os moradores e construções multiplicam-se pelas laterais da via, drenando, aterrando e melhorando a infraestrutura dos seus espaços. Infelizmente, porém, o apoio do serviço público não se dá na mesma proporção. A última intervenção na Francisco Gay – paliativa   mas providencial – faz uns cinco anos, quando ainda Mário Porto coordenava ações na Secretaria de Infraestrutura.

O prefeito Eduardo Bonotto tem reiterado, com orgulho, que uma das suas prioridades na urbanização tem sido “pavimentar ruas e resolver problemas crônicos de drenagem pluvial e de alagamentos.” E o prefeito tem razão. Correções  esperadas  há décadas foram equacionadas, nos vários quadrantes da cidade. Agora mesmo está em andamento, já em fase final, correção no sistema de drenagem na Rua Félix da Cunha, a partir da Gomes Carneiro, e até a Praça Tricentenário.  É uma obra que fica a menos de 100 metros da propalada Francisco Gay. (Esta ainda espera). Na Félix será instalada galeria de 1,2 metro de diâmetro e 726 metros de extensão. Na prática, será duplicado sistema já existente e fazendo conexão com galeria de 1,2 metro de diâmetro e 120 metros extensão  na Praça Tricentenário.




Problema de sempre, devido a um serviço
de drenagem que sempre foi precário.


A meta é resolver os alagamentos de todo o centro-sul, à exceção da microrregião onde moramos. Outro ramal de drenagem atenderá à demanda de escoamento das vilas Goulart e Esther e ainda a área aos fundos do Instituto Federal Farroupilha. A ligação pela Rua  Ory Dornelles  fará conexão também  com a galeria existente na praça.  Todo o projeto de infraestrutura terá investimento superior a R$ 1,5 milhão, sem considerar a futura capa asfáltica.  

Enquanto isso, nós moradores da Travessa Francisco Gay sabemos que “administrar é eleger prioridades”,  mas, respeitosamente, aproveitamos para, ao mesmo tempo, exercitar nossos direitos de cidadania. A expectativa, a esperança é que, hora dessas, também nós sejamos  lembrados. Garantir condições dignas e adequadas ao lugar que habitamos não será apenas sinal de respeito à memória do vereador que dá nome à travessa, e que foi duas vezes presidente do Legislativo. Como cidadãos-contribuintes também queremos ser lembrados, atendidos nas  nossas expectativas e necessidades. Afinal, como reiteradamente verbaliza o prefeito Bonotto:  “Investir em correção e drenagem pluvial é investir em segurança,  conforto e qualidade de vida”.  Que assim o seja, prefeito!

 


Infraestrutura deficitária acaba afetando
todo o leito da via, à entrada do bairro Bettim.


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