Foto Ana Cogo)
Esquecida, minha rua
está pedindo socorro
Quando
prefeito de São Borja, José Pereira Alvarez costumava afirmar: “Para
administrar adequadamente um município é
preciso eleger prioridades”. Os
moradores da Travessa Francisco de Oliveira Gay, entre os quais me
incluo, concordamos com esta afirmativa. Mais do que isso: entendemos,
ainda, que manter adequadamente a nossa via,
à entrada do Bairro Betim, é indispensável, para que lhe sejam
asseguradas as condições dignas
de circulação, segurança e de conforto. É uma questão urgente e, portanto,
também de prioridade. A travessa em questão tem apenas uma quadra em extensão,
entretanto na proporção inversa do seu curto trajeto é uma das que se encontram
em piores condições na região centro-sul da cidade.
E a
referência para a precariedade nem se
deve apenas à buraqueira no trecho. Até é natural que seja assim. Afinal, a
pavimentação com pedras irregulares
existente foi assentada sobre um antigo banhadas, cuja sustentação e
terraplenagem revelam-se inconsistentes. Acrescente-se que, em período mais recente,
piorando a situação,
escavações
da Corsan, visando à rede de esgoto, completaram os desnivelamentos e os buracos. Este, então, é um problema sério,
sim, mas nem é o principal.
Com sistema de drenagem precários,
tudo fica alagado na Francisco Gay.
Localizada
em área de acentuado declive a travessa recebe, em alta velocidade, todo o
fluxo pluvial da região acima. A tubulação debaixo do calçamento tem diâmetro infinitamente
insuficiente para atender à enorme
demanda de escoamento. Não é preciso ser nenhum especialista para concluir que,
chovendo, são frequentes as inundações e os transtornos. Bastam de 30 a 40 milímetros de precipitações,
em pouco tempo, para que o caos dos alagamentos entre pátios a dentro. Aliás,
depois da longa e severa estiagem, já foram pelo menos duas inundações nas
últimas semanas.
Romantizando
um pouco, me faço lembrar do Mário Barbará Dornelles cantando a “Rua de Minha
Infância”. No caso da Travessa Francisco Gay, cheguei já bem depois da
infância, em 1992. Em seguida, veio o calçamento, com as inconsistências já
referidas. Com as obras de urbanização veio a cobrança da Contribuição de
Melhorias. Assim como anualmente também
vêm outros tributos como IPTU e Taxa de Coleta de Lixo. Os moradores e
construções multiplicam-se pelas laterais da via, drenando, aterrando e melhorando
a infraestrutura dos seus espaços. Infelizmente, porém, o apoio do serviço
público não se dá na mesma proporção. A última intervenção na Francisco Gay – paliativa
mas providencial – faz uns cinco anos, quando
ainda Mário Porto coordenava ações na Secretaria de Infraestrutura.
O prefeito
Eduardo Bonotto tem reiterado, com orgulho, que uma das suas prioridades na urbanização
tem sido “pavimentar ruas e resolver problemas crônicos de drenagem pluvial e
de alagamentos.” E o prefeito tem razão. Correções esperadas há décadas foram equacionadas, nos vários
quadrantes da cidade. Agora mesmo está em andamento, já em fase final, correção
no sistema de drenagem na Rua Félix da Cunha, a partir da Gomes Carneiro, e até
a Praça Tricentenário. É uma obra que
fica a menos de 100 metros da propalada Francisco Gay. (Esta ainda espera). Na
Félix será instalada galeria de 1,2 metro de diâmetro e 726 metros de extensão.
Na prática, será duplicado sistema já existente e fazendo conexão com galeria
de 1,2 metro de diâmetro e 120 metros extensão
na Praça Tricentenário.
A meta é
resolver os alagamentos de todo o centro-sul, à exceção da microrregião onde
moramos. Outro ramal de drenagem atenderá à demanda de escoamento das vilas
Goulart e Esther e ainda a área aos fundos do Instituto Federal Farroupilha. A
ligação pela Rua Ory Dornelles fará conexão também com a galeria existente na praça. Todo o projeto de infraestrutura terá
investimento superior a R$ 1,5 milhão, sem considerar a futura capa asfáltica.
Enquanto
isso, nós moradores da Travessa Francisco Gay sabemos que “administrar é eleger
prioridades”, mas, respeitosamente, aproveitamos
para, ao mesmo tempo, exercitar nossos direitos de cidadania. A expectativa, a
esperança é que, hora dessas, também nós sejamos lembrados. Garantir condições dignas e
adequadas ao lugar que habitamos não será apenas sinal de respeito à memória do
vereador que dá nome à travessa, e que foi duas vezes presidente do
Legislativo. Como cidadãos-contribuintes também queremos ser lembrados,
atendidos nas nossas expectativas e
necessidades. Afinal, como reiteradamente verbaliza o prefeito Bonotto: “Investir em correção e drenagem pluvial é
investir em segurança, conforto e
qualidade de vida”. Que assim o seja,
prefeito!




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