“Velhos”’ ganharam longevidade,
mas lhes retiram oportunidades
Os idosos ampliam tempo de vida e sua maior
capacidade de trabalho, mas são descartados ou afastados.
Os avanços da ciência e da medicina, associados a rotinas de hábitos
mais saudáveis têm garantido maior tempo de vida à maioria das pessoas. Por consequência
tem-se, ao mesmo tempo, maior
longevidade da produção laboral e ainda maior aprimoramento à maturidade produtiva. Apesar
desses significativos avanços, não raro empresas privados e instituições
públicas têm preterido e discriminado a quem que qualificam como “velhos”.
Em muitas situações, no dia a dia
os idosos acabam excluídos do processo, também, por não dominarem completa e adequadamente os avanços tecnológicos
utilizados como ferramentas de trabalho.
À luz dessa visão preconceituosa, míope e excludente - sem empatias -, são os mais velhos
considerados como ‘cartas fora do
baralho’. Como se somente jovens iniciantes pudessem jogar e sempre ‘jogar de mão’!
A opção, desta forma, é quase
sempre pelo vigor da juventude. É natural que se trate, de fato, de um segmento mais familiarizado com
as rotinas e dinâmicas das chamadas modernidades,
além de uma capacidade física normalmente maior. Entretanto, esses jovens
incipientes ainda não estão suficientemente experientes ao mundo do trabalho, eis que ainda lhes faltam a experimentação dos
anos. Os “velhos”, então, podem e devem entregar
e socializar seus muitos aprendizados na
vida acumulados. Desconsiderar e relegar
esta contribuição é, no mínimo, opaca lucidez.
A quem passou dos sessenta, pode
apenas parecer estar advogando em causa própria. Contudo, o gradual envelhecimento da população e a maior
longevidade na atividade produtiva têm de ser visto como um avanço comemorado e como efetiva
contribuição para a sociedade. Porém,
infelizmente, a discriminação contra os idosos tem sido uma realidade crescente
em diversas esferas no convívio social,
incluindo o mercado de trabalho. A exclusão de idosos no processo de seleção,
contratação e manutenção nos empregos é um ‘fenômeno’ que vem sendo amplamente
observado. É um contexto, portanto, preocupante, dado que estes indivíduos apartados e excluídos do trabalho deixam de oferecer experiências e
conhecimentos valiosos acumulados. Esse capital
consolidado à disposição acaba, pois, desperdiçado.
O etarismo, que é a discriminação baseada na idade, é um problema que
afeta a sociedade em geral. No âmbito profissional, a discriminação contra os
idosos pode levar à perda de oportunidades de trabalho e a uma diminuição e
impactantes prejuízos à qualidade de
vida, nos campos econômico, social e emocional. Já os empregadores que adotam
postura sectarista perdem a oportunidade de contar com profissionais
experientes e comprometidos prejudicando,
assim, o próprio desenvolvimento.
Além disso, a exclusão dos idosos do mercado de trabalho pode afetar
negativamente a economia, uma vez que estes indivíduos são responsáveis por uma
grande parte da riqueza acumulada e têm um poder de consumo significativo. A
cultura da juventude, que valoriza a energia e o entusiasmo dos jovens, em
detrimento da experiência e a sabedoria dos mais velhos, é um problema social que
deve ser examinado como demanda social relevante, de modo que todos os
segmentos sejam considerados.
Do ponto de vista ético e moral, a discriminação contra os idosos é
injusta e viola os direitos humanos fundamentais. A idade não deve ser um
critério de seleção ou permanência para a contratação de funcionários, mas sim
a capacidade e as habilidades dos candidatos, respeitando suas peculiaridades e
especificidades. É importante que empresas e instituições públicas adotem
políticas inclusivas, contemplando e promovendo a diversidade etária. Na prática,
porém, anda-se cada vez mais na contramão desta realidade.
No âmbito legal, existem leis que protegem os idosos contra a
discriminação no trabalho. A legislação brasileira proíbe a discriminação por
idade e exige que empresas em todas esferas contratem e promovam funcionários,
os qualifiquem e respeitem as sias especificidades. As empresas – públicas e privadas - que violam
essas normas e leis estão sujeitas a
sanções e multas.
Em última análise, a discriminação contra os idosos no mercado de
trabalho é uma questão complexa, mas com urgência e responsabilidade deve ser tratada.
Como envolve aspectos sociais,
culturais, éticos, morais e legais, tudo precisa ser examinado e tratado em
contexto. A exclusão dos idosos é um
problema que deve ser combatido, pois prejudica a economia, a sociedade e viola
os direitos humanos fundamentais. As empresas e instituições públicas devem
adotar políticas inclusivas e valorizar a experiência e conhecimentos dos mais
velhos para garantir um mercado de trabalho mais justo e equitativo.


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