quarta-feira, 12 de abril de 2023

DE AVANÇOS & DE RETROCEÇOS

 

“Velhos”’ ganharam longevidade,

mas lhes retiram oportunidades


Os idosos ampliam tempo de vida e sua maior
capacidade de trabalho, mas são descartados ou afastados.

Os avanços da ciência e da medicina, associados a rotinas de hábitos mais saudáveis têm garantido maior tempo de vida à maioria das pessoas. Por consequência tem-se, ao mesmo tempo,  maior longevidade da produção laboral e ainda maior   aprimoramento à maturidade produtiva. Apesar desses significativos avanços,   não raro empresas privados e instituições públicas têm preterido e discriminado a quem que qualificam  como  “velhos”.

 Em muitas situações, no dia a dia os idosos acabam excluídos do processo, também, por não dominarem  completa e adequadamente os avanços tecnológicos utilizados  como ferramentas de trabalho. À luz dessa visão preconceituosa, míope e excludente -  sem empatias -, são os mais velhos considerados como ‘cartas  fora do baralho’. Como  se somente  jovens iniciantes  pudessem jogar e sempre ‘jogar de mão’!




Ao serem preteridos ao trabalho, instituições públicas
e empresas incorrem em infrações penais e falha moral.

 A opção, desta forma, é quase sempre  pelo vigor da  juventude. É natural que se trate, de  fato, de um segmento mais familiarizado com as  rotinas e dinâmicas das chamadas modernidades, além de uma capacidade física normalmente maior. Entretanto, esses jovens incipientes ainda não estão suficientemente experientes ao mundo do trabalho,  eis que ainda lhes faltam a experimentação dos anos.  Os “velhos”, então, podem e devem entregar e socializar seus muitos aprendizados  na vida acumulados.  Desconsiderar e relegar esta contribuição é, no mínimo, opaca lucidez.

A quem passou dos sessenta, pode  apenas parecer estar advogando em causa própria. Contudo, o  gradual  envelhecimento da população e a maior longevidade na atividade produtiva têm de ser visto como um avanço comemorado  e  como efetiva contribuição para a sociedade.  Porém, infelizmente, a discriminação contra os idosos tem sido uma realidade crescente  em diversas esferas no convívio social, incluindo o mercado de trabalho. A exclusão de idosos no processo de seleção, contratação e manutenção nos empregos é um ‘fenômeno’ que vem sendo amplamente observado. É um contexto, portanto, preocupante, dado que estes indivíduos  apartados e excluídos do trabalho  deixam de oferecer experiências e conhecimentos valiosos acumulados.  Esse capital consolidado  à disposição acaba, pois, desperdiçado.

O etarismo, que é a discriminação baseada na idade, é um problema que afeta a sociedade em geral. No âmbito profissional, a discriminação contra os idosos pode levar à perda de oportunidades de trabalho e a uma diminuição e impactantes prejuízos à  qualidade de vida, nos campos econômico, social e emocional. Já os empregadores  que adotam  postura sectarista perdem a oportunidade de contar com profissionais experientes e comprometidos  prejudicando, assim, o próprio desenvolvimento.

Além disso, a exclusão dos idosos do mercado de trabalho pode afetar negativamente a economia, uma vez que estes indivíduos são responsáveis por uma grande parte da riqueza acumulada e têm um poder de consumo significativo. A cultura da juventude, que valoriza a energia e o entusiasmo dos jovens, em detrimento da experiência e a sabedoria dos mais velhos, é um problema social que deve ser examinado como demanda social relevante, de modo que todos os segmentos sejam considerados.

Do ponto de vista ético e moral, a discriminação contra os idosos é injusta e viola os direitos humanos fundamentais. A idade não deve ser um critério de seleção ou permanência para a contratação de funcionários, mas sim a capacidade e as habilidades dos candidatos, respeitando suas peculiaridades e especificidades. É importante que empresas e instituições públicas adotem políticas inclusivas, contemplando e promovendo a diversidade etária. Na prática, porém, anda-se cada vez mais na contramão desta realidade.

No âmbito legal, existem leis que protegem os idosos contra a discriminação no trabalho. A legislação brasileira proíbe a discriminação por idade e exige que empresas em todas esferas contratem e promovam funcionários, os qualifiquem e respeitem as sias especificidades.  As empresas – públicas e privadas - que violam essas normas e  leis estão sujeitas a sanções   e multas.

Em última análise,   a discriminação contra os idosos no mercado de trabalho é uma questão complexa, mas com urgência e responsabilidade deve ser tratada. Como  envolve aspectos sociais, culturais, éticos, morais e legais, tudo precisa ser examinado e tratado em contexto.  A exclusão dos idosos é um problema que deve ser combatido, pois prejudica a economia, a sociedade e viola os direitos humanos fundamentais. As empresas e instituições públicas devem adotar políticas inclusivas e valorizar a experiência e conhecimentos dos mais velhos para garantir um mercado de trabalho mais justo e equitativo.

 

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