Ensino híbrido na Uergs
para retomada das aulas
Recente reunião do Conselho Superior
da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) para 7 de março, após o
Carnaval, o início das atividades do primeiro semestre letivo de 2022 na
instituição. Ainda como reflexo da pandemia, os acadêmicos terão ensino híbrido
– presencial e remoto – pelo menos na fase inicial de atividades. Outra medida
como precaução e segurança sanitária é
que as turmas serão menores que o habitual.
Além disso, todas as demais
medidas de prevenção recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estarão
sendo observadas. Será obrigatório o uso de máscara por estudantes, professores
e servidores na universidade, do mesmo moco que
será obrigatória a apresentação de passaporte vacinal. Uso de álcool em
gel, higienização permanente e o distanciamento mínimo definido pela Ciência
são outras medidas a serem praticadas.
Diretor de quatro unidades da
universidade nas regiões Fronteira Oeste e Campanha, as de São Borja, Alegrete,
Sant’Ana do Livramento e Bagé, o professor Ismael Ramadam ressalta que o evento
da Covid-19 “está sendo um grande exercício de aprendizado.” Ele explica que as
adaptações às circunstâncias vêm desde o início de 2020. “Trabalhamos com
estudantes de perfil socioeconômico normalmente de carências materiais, e a
pandemia nos forçou a muitas improvisações e enfrentamentos.”
O professor Ramadam observa que, se
por um lado, a crise sanitária levou a aglutinar estudantes à distância, muitos
deles, ao mesmo tempo, enfrentaram dificuldades para o ensino retomo que teve
de ser ministrado. “Especialmente o primeiro ano da pandemia foi um exercício
de superação e de reinvenções, do mesmo modo que agora para a retomada com a
utilização do ensino híbrido.”
Em relação a algumas disciplinas a Universidade irá oferecer
de forma totalmente remota. Instituída em 2003, na gestão do então governador
Olívio Dutra, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul espalha-se, hoje,
por 24 cidades pelo território gaúcho. São Borja localiza uma dessas unidades.
As demais, mais próximas, ficam em Alegrete, Bagé, Livramento, São Luiz
Gonzaga, Três Passos e Cruz Alta.
Em São Borja
São dois os cursos à disposição no
campus de São Borja. Um deles é o de Graduação em Gestão Ambiental e o outro é de
Especialização Gestão em Agronegócio. Em prevenção à pandemia, o ingresso da
Graduação em 2022 será no máximo de 20 acadêmicos e não os 40 habituais.
O diretor regional ressalta que ainda
estão abertas oportunidades de ingresso. Os candidatos devem ter feito a
última edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e se submeterem ao
processo de seleção unificada via Sisu. Na hipótese de sobrarem vagas, a
previsão é que sejam abertas a candidatos de edições anteriores do Enem.
Na cidade, a Uergs funciona em
instalações da antiga Urcamp (Universidade da Região da Campanha), na região
Leste. As aulas são ministradas sempre à noite e, em situações excepcionais,
aos sábados. A intenção, com a iniciativa, é facilitar as condições aos
estudantes-trabalhadores, ressalta o Chefe Administrativo da Unidade de São
Borja, Cristiano Alvarenga.
Na Fronteira

Professor Ismael Ramadam é diretor da Uwegs
em São Borja, Alegrete, Livramento e Bag´w,
O professor Ismael Ramadam destaca que uma das prioridades estratégicas da Uergs é oferecer cursos com perfil identificado com as demandas e a vocação de cada região. Assim é que cidades como Alegrete, Bagé e Livramento oferecem opções como Pedagogia e pós-graduação na área, considerando a necessidade de mais professores para o mercado profissional. Agronomia e Desenvolvimento Rural são igualmente exemplos na grade de cursos.
São Luiz Gonzaga, nas Missões, também
forma professores e agrônomos. Outra oferta acadêmica à disposição é na área de
produção de alimentos. “Historicamente a gente tem enfrentado dificuldades
de orçamento e até de pessoal, mas mesmo assim temos superado os obstáculos”,
diz o diretor da universidade, desde 2004 na instituição e que já desempenhou inclusive
a função de Pró-Reitor.
Ramadam ressalta que, apesar das
restrições de receita, “temos protagonizado o milagre da multiplicação dos pães”,
comemora. Ele ressalta que, mesmo com as limitações enfrentadas, o número de
acadêmicos na Uergs tem aumentado.
Nível de excelência
O diretor regional da Universidade
Estadual do RS cita, com orgulho, que, “em que pese a escassez de receitas e de
orçamento, “estamos entregando um ensino de qualidade”. Ele explica que “os
trabalhos de avaliação do Ministério de Educação nos colocam no mesmo patamar
de outras destacadas instituições
públicas de ensino superior.” Cita como exemplo de comparação a Universidade
Federal do Pampa, a Universidade Federal de Santa Maria e o Instituto Federal
Farroupilha.
Ismael Ramadam destaca que os cursos
já oferecidos em São Borja – Desenvolvimento Rural, Administração Rural, Tecnólogos
em Sistemas de Produção e ainda Agropecuária Integrada, Engenharia em
Biotecnologia e Bioprocessos e, atualmente, Gestão Ambiental – são
sempre diretamente voltados à matriz econômica local e regional, notadamente o agronegócio e a
sustentabilidade. “Com certeza existe demanda para absorver os profissionais
que formamos na universidade; é só uma questão de tempo para que os
empreendedores despertem para essa realidade.”
Além do agronegócio, São Borja tem
outros nichos potenciais a serem ocupados por quem é formado pela Universidade
Estadual do Rio Grande do Sul. No caso de São Borja, a gestão ambiental é
um bom exemplo, conforme o professor. “Multiplicar e preservar as áreas verdes,
dar adequado destino e tratamento aos resíduos que vão para o lixo e implantar
projetos de saneamento, uso adequado de energia e demais recursos são apenas
exemplos de uma demanda crescente”, cita Ramadam.
Aposta nas parcerias
O professor da Uergs ressalta que, em
geral, as instituições públicas, como Uergs, Unipampa e IFFar, têm limitação de
recursos financeiros e orçamentários para investimentos. “A solução
alternativa, portanto, passa pela junção de esforços, pelas parcerias”. Ramadam
observa que as instituições podem ter perfis um pouco diferentes entre si,
“entretanto têm demandas e objetivos comuns.”
No caso específico de São Borja, uma
das metas é que as instituições públicas de ensino e extensão compartilhem as
condições disponíveis. Em especial, são citadas ações e parcerias nas
áreas da Gestão Pública, da
Sustentabilidade e da Administração e Desenvolvimento Rural. “Essa forma
conjunta de atuação entre Ensino, Pesquisa e Extensão “é um casamento
perfeito.” Ismael Ramadam lembra que “Nós temos identidades e objetivos comuns;
as demandas futuras também têm de ser trabalhadas de maneira conjunta,
integrada”, propõe o representante da Uergs.
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