quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

ADMINISTRANDO A PANDEMIA


  

Ensino híbrido na Uergs

para retomada das aulas

 



Usando instaalações da antiga Urcamp, Uergs
é referência do ensino superior público e gratuito.

Recente reunião do Conselho Superior da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) para 7 de março, após o Carnaval, o início das atividades do primeiro semestre letivo de 2022 na instituição. Ainda como reflexo da pandemia, os acadêmicos terão ensino híbrido – presencial e remoto – pelo menos na fase inicial de atividades. Outra medida como precaução e  segurança sanitária é que as turmas serão menores que o habitual. 

Além disso, todas as demais medidas de prevenção recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) estarão sendo observadas. Será obrigatório o uso de máscara por estudantes, professores e servidores na universidade, do mesmo moco que  será obrigatória a apresentação de passaporte vacinal. Uso de álcool em gel, higienização permanente e o distanciamento mínimo definido pela Ciência são outras medidas a serem praticadas.

Diretor de quatro unidades da universidade nas regiões Fronteira Oeste e Campanha, as de São Borja, Alegrete, Sant’Ana do Livramento e Bagé, o professor Ismael Ramadam ressalta que o evento da Covid-19 “está sendo um grande exercício de aprendizado.” Ele explica que as adaptações às circunstâncias vêm desde o início de 2020. “Trabalhamos com estudantes de perfil socioeconômico normalmente de carências materiais, e a pandemia nos forçou a muitas improvisações e enfrentamentos.”  

O professor Ramadam observa que, se por um lado, a crise sanitária levou a aglutinar estudantes à distância, muitos deles, ao mesmo tempo, enfrentaram dificuldades para o ensino retomo que teve de ser ministrado. “Especialmente o primeiro ano da pandemia foi um exercício de superação e de reinvenções, do mesmo modo que agora para a retomada com a utilização do ensino híbrido.”

Em relação a  algumas disciplinas a Universidade irá oferecer de forma totalmente remota. Instituída em 2003, na gestão do então governador Olívio Dutra, a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul espalha-se, hoje, por 24 cidades pelo território gaúcho. São Borja localiza uma dessas unidades. As demais, mais próximas, ficam em Alegrete, Bagé, Livramento, São Luiz Gonzaga, Três Passos e Cruz Alta.

 

Em São Borja

 

São dois os cursos à disposição no campus de São Borja. Um deles é o de Graduação em Gestão Ambiental e o outro é de Especialização Gestão em Agronegócio. Em prevenção à pandemia, o ingresso da Graduação em 2022 será no máximo de 20 acadêmicos e não os 40 habituais.

O diretor regional ressalta que ainda estão abertas oportunidades de ingresso.  Os candidatos devem ter feito a última edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e se submeterem ao processo de seleção unificada via Sisu.  Na hipótese de sobrarem vagas, a previsão é que sejam abertas a candidatos de edições anteriores do Enem.

Na cidade, a Uergs funciona em instalações da antiga Urcamp (Universidade da Região da Campanha), na região Leste. As aulas são ministradas sempre à noite e, em situações excepcionais, aos sábados.  A intenção, com a iniciativa, é facilitar as condições aos estudantes-trabalhadores, ressalta o Chefe Administrativo da Unidade de São Borja, Cristiano Alvarenga. 

 

Na Fronteira

 


Professor Ismael Ramadam é diretor da Uwegs
em São Borja, Alegrete, Livramento e Bag´w,

O professor Ismael Ramadam destaca que uma das prioridades estratégicas da Uergs é oferecer cursos com perfil identificado com as demandas e a vocação de cada região. Assim é que cidades como Alegrete, Bagé e Livramento oferecem opções como Pedagogia e pós-graduação na área, considerando a necessidade de mais professores para o mercado profissional. Agronomia e Desenvolvimento Rural são igualmente exemplos na grade de cursos. 

São Luiz Gonzaga, nas Missões, também forma professores e agrônomos. Outra oferta acadêmica à disposição é na área de produção de alimentos. “Historicamente a gente tem enfrentado dificuldades de orçamento e até de pessoal, mas mesmo assim temos superado os obstáculos”, diz o diretor da universidade, desde 2004 na instituição e que já desempenhou inclusive a função de Pró-Reitor.

Ramadam ressalta que, apesar das restrições de receita, “temos protagonizado o milagre da multiplicação dos pães”, comemora. Ele ressalta que, mesmo com as limitações enfrentadas, o número de acadêmicos na Uergs tem aumentado.

 

Nível de excelência

 

O diretor regional da Universidade Estadual do RS cita, com orgulho, que, “em que pese a escassez de receitas e de orçamento, “estamos entregando um ensino de qualidade”. Ele explica que “os trabalhos de avaliação do Ministério de Educação nos colocam no mesmo patamar de outras destacadas  instituições públicas de ensino superior.” Cita como exemplo de comparação a Universidade Federal do Pampa, a Universidade Federal de Santa Maria e o Instituto Federal Farroupilha. 

Ismael Ramadam destaca que os cursos já oferecidos em São Borja –  Desenvolvimento Rural, Administração Rural, Tecnólogos em Sistemas de Produção e ainda Agropecuária Integrada, Engenharia em Biotecnologia e Bioprocessos e, atualmente, Gestão Ambiental – são
sempre diretamente voltados à matriz econômica local e regional,  notadamente o agronegócio e a sustentabilidade. “Com certeza existe demanda para absorver os profissionais que formamos na universidade; é só uma questão de tempo para que os empreendedores despertem para essa realidade.”

Além do agronegócio, São Borja tem outros nichos potenciais a serem ocupados por quem é formado pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul.  No caso de São Borja, a gestão ambiental é um bom exemplo, conforme o professor. “Multiplicar e preservar as áreas verdes, dar adequado destino e tratamento aos resíduos que vão para o lixo e implantar projetos de saneamento, uso adequado de energia e demais recursos são apenas exemplos de uma demanda crescente”, cita Ramadam.

 

Aposta nas parcerias 

 

O professor da Uergs ressalta que, em geral, as instituições públicas, como Uergs, Unipampa e IFFar, têm limitação de recursos financeiros e orçamentários para investimentos. “A solução alternativa, portanto, passa pela junção de esforços, pelas parcerias”. Ramadam observa que as instituições podem ter perfis um pouco diferentes entre si, “entretanto têm demandas e objetivos comuns.”

No caso específico de São Borja, uma das metas é que as instituições públicas de ensino e extensão compartilhem as condições disponíveis.  Em especial, são citadas ações e parcerias nas áreas da Gestão Pública,  da Sustentabilidade e da Administração e Desenvolvimento Rural. “Essa forma conjunta de atuação entre Ensino, Pesquisa e Extensão “é um casamento perfeito.” Ismael Ramadam lembra que “Nós temos identidades e objetivos comuns; as demandas futuras também têm de ser trabalhadas de maneira conjunta, integrada”, propõe  o representante da Uergs.

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