A
Educação como prioridade e o
respeito
geral como patrimônio
rajetória construída pelo respeito.
Leonel Brizola: centenário de uma
Historicamente consagrado por ter
sido governador de dois estados, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro; sempre lembrado
por liderar o movimento da Legalidade e apontado como um dos principais líderes
da resistência democrática, antes e depois dos 15 anos de exílio. Esse cara se
chama Leonel de Moura Brizola e neste sábado, 22, ficaria 100 anos se estivesse
vivo. Mas, mais que os atributos já citados, ele foi, sobretudo, um ardoroso
defensor da Educação e, mesmo entre os adversários políticos, conseguiu
capitalizar o respeito geral como um dos grandes patrimônios por ele
construído. A seguir uma síntese da sua trajetória e do seu legado,
enquanto seus restos mortais repousam em São Borja, no cemitério Jardim da Paz.
Leonel de Moura Brizola nasceu em 22 de janeiro de 19222 e
morreu em 21 de junho de 2004. Ele
nasceu no povoado de Cruzinha, interior do
município gaúcho de Carazinho, sendo filho do pequeno agricultor José Oliveira
dos Santos Brizola e de Onívia de Moura Brizola.
Na Revolução de 1923, seu pai foi morto pelos soldados do governador
Borges de Medeiros. Depois de perder as
terras, a mãe Onívia e os cinco filhos foram morar na localidade de São Bento, passando
a trabalhar na lavoura.
A infância e a juventude de Leonel foram difíceis. A mãe o
alfabetizou, logo ingressando na escola.
Com dez anos de idade já começou a trabalhar lavando pratos e carregando
malas em um hotel em Carazinho. Depois, com a ajuda de um pastor metodista, concluiu
o ciclo primário no Colégio da Igreja Metodista. Aos14 anos, mudou-se para
Porto Alegre, onde trabalhou como engraxate e ascensorista. Em 1939, Brizola concluiu o curso de Técnico Rural do Ginásio
Agrícola Senador Pinheiro Machado, na capital gaúcha.
Em seguida empregou-se como graxeiro na Refinaria Brasileira de Óleos e
Graxas, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Depois de ser
aprovado em um concurso do Ministério da Agricultura, ingressou na função de técnico
do Ministério em Passo Fundo. Depois de seis meses, porém, desistiu do emprego
e retornou para Porto Alegre. Passou então a trabalhar como jardineiro do
Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura da capital.
Em 1942 concluiu o ensino fundamental e, em seguida, licenciou-se da Prefeitura
para alistar-se no 3º Batalhão de Aviação do Exército. Ao terminar o serviço
militar, voltou para a Prefeitura e concluiu o ensino médio no Colégio Júlio de
Castilhos.
Nessa época, foi um dos
fundadores do Grêmio Estudantil e
vice-presidente da entidade. Em 1945 foi aprovado no curso superior de
Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu o curso em
1949.
O Brizola político
Ainda quando estudante de Engenharia, Leonel Brizola filiou-se ao
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Foi então responsável por organizar a ala
jovem trabalhista. Em 1947, dois anos antes de se formar na Faculdade, foi
eleito deputado estadual pela sigla que se havia filiado.
Na época, Brizola dividia um quarto de uma pensão no centro de Porto Alegre. Na
Assembleia Legislativa, defendeu pautas do movimento estudantil, como o aumento
de vagas nas instituições de ensino. Em outubro de 1950, foi reeleito deputado
estadual.
Em 1952 foi nomeado secretário estadual de Obras Públicas. Realizou
obras de infraestrutura como de saneamento e de rodovias. Em 1954 foi eleito
deputado fedral e no ano seguinte, prefeito de Porto Alegre
Em 1958, aos 36 anos, Brizola foi eleito governador do Rio Grande do
Sul. Tomou
posse em 31 de janeiro de 1959. Criou seis secretarias com a justificativa de
agilizar a administração estadual. Foram elas: Administração, Trabalho e
Habitação, Economia, Transporte, Energia e Comunicação e Saúde.
Como governador, Brizola desenvolveu um plano de industrialização,
nacionalizando algumas empresas estrangeiras. Garantiu que a política de
investimentos teria capital nacional e que interferências estrangeiras não
seriam aceitas.
A alfabetização e o número de vagas nas escolas foram prioridades para o
governo de Brizola. Construiu mais de 6 mil estabelecimentos de ensino. Isso
levou o Rio Grande do Sul a ter a mais alta taxa de escolarização do país.
Criou o Instituto Gaúcho de Reforma Agrária, que além de prestar
assistência técnica, garantiu verbas a produtores nra aquisição de máquinas,
animais e sementes. Ajudou a organizar o Movimento dos Agricultores Sem Terra.
Legalidade, exílio...
Em 1961, Leonel Brizola liderou um movimento visando garantir a posse do
vice-presidente e seu cunhado João Goulart como presidente da República, após a
renúncia de Jânio Quadros. Alegando que Jango tinha ligações com os comunistas,
os militares tentaram impedir a posse.
Em setembro foi promulgada a Emenda Constitucional nº 4, que instituiu o
Sistema Parlamentarista de governo no país, que limitava os poderes do
presidente. Goulart então assume como chefe de Governo. Brizola deixou o
governo do Rio Grande do Sul em 31 de janeiro de 1963.
Em outubro de 1962, o trabalhista foi eleito deputado federal pela
Guanabara (atual cidade do Rio de Janeiro). Foi um dos líderes da Frente de
Mobilização Popular, que pressionou o presidente João Goulart a implementar as
“reformas de base”, como a agrária, a tributária e a bancária.
Em 1963, um plebiscito definiu o fim do Parlamentarismo. No dia 13 de
março, durante um comício de João Goulart, Brizola fez um discurso acusando o
Congresso de criar obstáculos para as demandas populares.
A partir de 1964, Brizola ficaria 15 anos no exílio como consequência da
deposição do presidente João Goulart. Após a decretação da anistia política, em
30 de agosto de 1979, Brizola retornou ao Brasil, chegando ao país por São
Borja, onde ocorreu grande concentração política. Ele se fixou no Rio de
Janeiro e em novembro foi escolhido presidente nacional de um novo partido, entretanto,
o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu a legenda ao grupo de Ivete Vargas.
Brizola e apoiadores então criaram, em 1980, o Partido Democrático Trabalhista
(PDT).
Em novembro de 1982 Brizola candidatou-se
ao governo do Rio de Janeiro, sendo eleito. Foi empossado em março de 1983. No
ano seguinte engajou-se no movimento das ‘Diretas-Já’. As eleições diretas, porém, não foram
aprovadas pelo Congresso. Vence a chapa Tancredo
Neves e José Sarney, selando o fim do movimento de 1964. Tancredo morreu antes de tomar posse e Sarney assumiu a
presidência do país.
Em março de 1987 Brizola encerrou seu mandato de governador deixando
como referência a construção de Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) -
escolas em horário integral com assistência médica e odontológica.
Em março de 1989, Brizola foi lançado candidato à presidência da
República pelo PDT.
É eleito em segundo turno o ex-governador de Alagoas Fernando Collor de
Mello, que sofreria impeachment em 2992.
Em abril de 1994, Brizola deixou
o governo do Rio para concorrer novamente à presidente do Brasil. Foi eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Em 2000 disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foi eleito.
Em 1º de março de 1950 Leonel Brizola casou-se com Neusa Goulart, irmã de
João Goulart. O casal teve três filhos - Neusinha, José Vicente e João Otávio.
Após a morte de Neusa em 1993, Brizola manteve uma relação com Marília
Guilhermina Martins Pinheiro.
Leonel Brizola faleceu no Rio de
Janeiro, no dia 21 de junho de 2004. Foi sepultado no cemitério Jardim da Paz
em São Borja, no mesmo jazigo estão estão enterrados a esposa Neusa e o cunhado
João Goulart. Referência da velha de geração política, teve uma trajetória
respeitada pela maioria, inclusive por militantes de outros partidos.
A trajetória do politico eleito que mais fez pela educação no Brasil, embora não tenha sido presidente da República.
ResponderExcluirBrizola, um dos grandes líderes político do Brasil contemporâneo, construiu sua trajetória com dignidade, marcada pela defesa do interesse nacional, com destaque na área da educação e reforma agrária. Faz muita falta!
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