sexta-feira, 18 de junho de 2021

EM QUE BRASIL VOCÊ ESTÁ:?

 



  Se a situação for medida pela régua do ministro da Economia, Paulo Guedes, o Brasil está dando a volta por cima. Ele avalia:  é um país que investe no mercado financeiro, que exporta em vantajosas condições, que é vacinado e que aprendeu a conviver com a pandemia. Esse Brasil deverá acumular lucro de 22% em 12 meses na Bolsa de Valores. No último trimestre, o  PIB cresceu 1,2%. Mais que isso:  deve cravar crescimento de 2,36% até o final do ano no seu Produto Interno Bruto e ultrapassar os 2% em 2022.

       Já o Brasil dos mais pobres segue a amargar um desemprego crônico e crescente.  No lugar de programas que aqueçam a economia e recuperem a renda, e a dignidade, os  auxílios aos mais castigados pela covid são meros paliativos. Insuficientes, portanto, para sair do atoleiro. Remédios e alimentos estão entre os maiores vilões, fazendo a inflação aos poucos explodir. Só em abril a inflação dos alimentos dos mais pobres foi duas vezes maior que a dos mais ricos. Como exemplos, em 12 meses, o óleo de cozinha subiu 82%; o arroz, 56%; as carnes, 35%; e gás de cozinha, 21%. Esta semana, aliás, o gás subiu mais de 5% e as altas foram mensais ao longo do ano. Agravando a situação, a conta de luz representa outro choque, devido à  crise hídrica e o déficit de produção nas hidrelétricas, que  levam à necessidade de usar as  usinas termoelétricas, de geração muito  mais cara.




         O economista André Brás, da Fundação Getúlio Vargas,  ressalta que estes muitos problemas vêm de longe e, com a pandemia, só se agravaram. A piora, na sua avaliação, vem a reboque da lentidão das vacinas no país e do aumento do endividamento público.  Ele defende que é preciso vacinar os mais velhos, sim, por serem mais vulneráveis. Entretanto, também quem integra a força de trabalho tem de ser imunizado.  Credita na conta da covid e da má  gestão da crise sanitária o aumento das desigualdades. Enquanto os mais pobres são cada vez mais asfixiados, os mais ricos acumularam  reservas e novos ganhos durante a pandemia. Exemplifica que,  “como deixaram de gastar em serviços, combustíveis e tiverem desconto na mensalidade escolar das crianças, engordaram aplicações e contas bancárias”. A explosão das exportações de  

commodities ajudou turbinar os ganhos dos mais endinheirados.

        Seria leviano e injusto, apesar de tudo, atribuir todos os males que resultam nesses dois brasis apenas à pandemia e ao governo Jair Bolsonaro. O economista André Brás  chama a atenção que, historicamente, nossos governos e governantes não têm produzido e entregue  projetos nacionais que contemplem as macro demandas da sociedade brasileira. Desta forma, as desigualdades persistem e  agora  ante às adversidades.  É natural pensar num Brasil plural e diversificado como o que temos, de múltiplos potenciais e riquezas. Entretanto, é dever ético e cívico dos que governam construir uma nação mais justa e isonômica. Os governantes têm de se investir de visão de estadistas e consciência cidadã, de modo que suas ações perpassem os seus governos e alcancem o futuro das gerações, ressalta o economista da Fundação Getúli Vargas.   

Se preferir ouvir a leitura desse texto, clique no vídeo abaixo:




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