O distanciamento social imposto pela pandemia da Covid-19 impede que sejam realizadas programações com a presença de público, mas, mesmo assim, São Borja desenvolve atividades para assinalar a passagem dos 27 anos de falecimento de Apparício Silva Rillo. A data é nesta quarta-feira (23), quando a Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer desenvolve uma programação por canais remotos, para lembrar a vida e a obra de um dos principais poetas e escritores do Rio Grande do Sul. Uma live, a partir das 19h, com transmissão pela página do Facebook da Prefeitura, reunirá familiares do homenageado, para manifestações e apresentações musicais de alguns dos muitos trabalhos por ele produzidos.
O prefeito Eduardo Bonotto lamenta que
a pandemia impessa evento mais amplo, “mas, diante das circunstâncias, é o que
podemos fazer. E o fazemos – acrescenta – com prazer, já que estamos
referenciando uma das principais expressões culturais do Estado e do País, e
que adotou São Borja como cidade natal”. A secretária de Cultura, Vânia Alves
Cardoso , propõe que “as escolas e as universidades discutam, trabalhem e
perenizem ainda mais a vida e a obra de Silva Rillo”. Ela observa que são mais de 40 obras
publicadas e que transitam por todas as áreas da criação e da cultura
regional”.
Além de sua criação literária e musical,
Rillo é lembrado em algumas referências significativas na cidade. Dá nome à
Escola Estadual Apparício Silva Rillo e ao Museu Apparício Silva Rillo, o Museu
Missioneiro. Como criador do concurso de músicas para o Carnaval, também hoje é
patrono do evento, com mais de meio século de realização. Também foi
responsável pela criação do festival Clarim, de música regional.
A live, nesta quarta, também faz
homenagens a São João Batista. A
reverência e a fé popular são mais que centenárias, mas Rillo foi responsável por
fortalecer a procissão a São Joãozinho Batista, assim como a Mesa dos
Inocentes, servida na tarde de 24 de junho. Este ano, devido á pandemia, nenhum dos dois eventos é
realizado.
Vida e obra
Apparício
Silva Rillo nasceu em Porto Alegre
em 8 de agosto de 1931 ( mas foi
registrado em Guaíba, onde moravam seus pais).
Faleceu em 23 de junho de 1995 em São Borja. Ele se destacou como responsável pela criação da melhor
poesia gauchesca. Foi original, inventivo, fazendo seus versos passearem pelas
coxilhas, ao tropel de bois e cavalos.
Mesmo não sendo de São Borja de
nascimento, adotou a cidade como sua. Em 10 de outubro de 1953 (no dia do
Padroeiro de São Borja - São Francisco de Borja), aos 22 anos, instalou-se em Nhu-Porã, para trabalhar como contador na
Propriedade dos Irmãos Pozzueco. Estudou
em Novo Hamburgo, Ijuí e Porto Alegre, onde se formou Técnico em Contabilidade.
Mais tarde cursou Ciências Contábeis e Economia na PUCRS. A partir de 1957 fixou-se em adotou São Borja.
Em
1959, Rillo escreveu seu primeiro livro de poesias: "Cantigas do Tempo
Velho" - versos crioulos. A partir daí, ieram mais de 40 obras, entre elas
poesias, prosa, peças de teatro, novelas, teses, monografias, antologias, além
de folclore e história.
Considerado um dos nomes mais importantes na cultura gaúcha, registrou
grande parte da história de São Borja; criou festivais e CTGs, deixando sua
marca no contexto cultural, artístico e histórico de nossa cidade, da 3ª RT e
de todo o Rio Grande do Sul. Foi membro da Academia Rio-grandense de Letras e
da Academia da Estância da Poesia Crioula. Foi premiado no RS, no Brasil e no
exterior.
Em 1962, fundou o Grupo Amador de Arte "Os Angüeras", o mais
antigo em atividade no Rio Grande do Sul. Em 1979 junto à sede do grupo
organizou o Museu Ergológico da Estância, que reúne as melhores referências da ergologia campeira
desde o século passado. Foi também um dos criadores do Festival da Barranca, em
1971. Tendo José e Miguel Bica como
parceiros foi dos pioneiros da Califórnia de Uruguaiana, surgida neste mesmo
ano.
Apparício Rillo teve ainda como parceiros marcantes Mário Barbará fe
Rodrigo Bauer. Como historiador resgatou a trajetória de São Borja e de outros
municípios na região. José Hilário Retamoso e Mano Lima são outros exemplos. O
Hino de São Borja foi ele quem escreveu.
Na manhã do dia 23 de junho de 1995, Apparício Silva Rillo morreu aos 63
anos, deixando um vácuo na cultura gaúcha. Os seus restos morais estão
sepultados no cemitério Jardim da Paz em São Borja.

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