quarta-feira, 23 de junho de 2021

Tributo à obra de Silva Rillo nos 27 anos de falecimento

        O distanciamento social imposto pela pandemia da Covid-19 impede que sejam realizadas programações com a presença de público, mas, mesmo assim, São Borja desenvolve atividades para assinalar a passagem dos 27 anos de falecimento de  Apparício Silva Rillo. A data é nesta quarta-feira (23), quando a Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer desenvolve uma programação por canais remotos, para lembrar a vida e a obra de um dos principais poetas e escritores do Rio Grande do Sul. Uma live, a partir das 19h, com transmissão pela página do Facebook da Prefeitura, reunirá familiares do homenageado,  para manifestações e apresentações musicais de alguns dos muitos trabalhos por ele produzidos.

        O prefeito Eduardo Bonotto lamenta que a pandemia impessa evento mais amplo, “mas, diante das circunstâncias, é o que podemos fazer. E o fazemos – acrescenta – com prazer, já que estamos referenciando uma das principais expressões culturais do Estado e do País, e que adotou São Borja como cidade natal”. A secretária de Cultura, Vânia Alves Cardoso , propõe que “as escolas e as universidades discutam, trabalhem e perenizem ainda mais a vida e a obra de Silva Rillo”.  Ela observa que são mais de 40 obras publicadas e que transitam por todas as áreas da criação e da cultura regional”.

       Além de sua criação literária e musical, Rillo é lembrado em algumas referências significativas na cidade. Dá nome à Escola Estadual Apparício Silva Rillo e ao Museu Apparício Silva Rillo, o Museu Missioneiro. Como criador do concurso de músicas para o Carnaval, também hoje é patrono do evento, com mais de meio século de realização. Também foi responsável pela criação do festival Clarim, de música regional.

       A live, nesta quarta, também faz homenagens a São João Batista.  A reverência e a fé popular são mais que centenárias, mas Rillo foi responsável por fortalecer a procissão a São Joãozinho Batista, assim como a Mesa dos Inocentes, servida na tarde de 24 de junho. Este ano, devido á  pandemia, nenhum dos dois eventos é realizado.

 


     Vida e obra

 

      Apparício Silva Rillo  nasceu em Porto Alegre em  8 de agosto de 1931 ( mas foi registrado em Guaíba, onde moravam seus pais).  Faleceu em 23 de junho de 1995 em São Borja. Ele se destacou  como responsável pela criação da melhor poesia gauchesca. Foi original, inventivo, fazendo seus versos passearem pelas coxilhas, ao tropel de bois e cavalos.
   Mesmo não sendo de São Borja de nascimento, adotou a cidade como sua. Em 10 de outubro de 1953 (no dia do Padroeiro de São Borja - São Francisco de Borja), aos 22 anos, instalou-se  em Nhu-Porã, para trabalhar como contador na Propriedade dos Irmãos Pozzueco.  Estudou em Novo Hamburgo, Ijuí e Porto Alegre, onde se formou Técnico em Contabilidade. Mais tarde cursou Ciências Contábeis e Economia na PUCRS. A  partir de 1957 fixou-se em adotou São Borja.

       Em 1959, Rillo escreveu seu primeiro livro de poesias: "Cantigas do Tempo Velho" - versos crioulos. A partir daí, ieram mais de 40 obras, entre elas poesias, prosa, peças de teatro, novelas, teses, monografias, antologias, além de folclore e história.

    Considerado um dos nomes mais importantes na cultura gaúcha, registrou grande parte da história de São Borja; criou festivais e CTGs, deixando sua marca no contexto cultural, artístico e histórico de nossa cidade, da 3ª RT e de todo o Rio Grande do Sul. Foi membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia da Estância da Poesia Crioula. Foi premiado no RS, no Brasil e no exterior.

     Em 1962, fundou o Grupo Amador de Arte "Os Angüeras", o mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul. Em 1979 junto à sede do grupo organizou o Museu Ergológico da Estância, que reúne  as melhores referências da ergologia campeira desde o século passado. Foi também um dos criadores do Festival da Barranca, em 1971.  Tendo José e Miguel Bica como parceiros foi dos pioneiros da Califórnia de Uruguaiana, surgida neste mesmo ano.

    Apparício Rillo teve ainda como parceiros marcantes Mário Barbará fe Rodrigo Bauer. Como historiador resgatou a trajetória de São Borja e de outros municípios na região. José Hilário Retamoso e Mano Lima são outros exemplos. O Hino de São Borja foi ele quem escreveu.

      Na manhã do dia 23 de junho de 1995, Apparício Silva Rillo morreu aos 63 anos, deixando um vácuo na cultura gaúcha. Os seus restos morais estão sepultados no cemitério Jardim da Paz em São Borja.

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário