sábado, 22 de janeiro de 2022

LEONEL DE MOURA BRIZOLA

 

  

A Educação como prioridade e o

respeito geral como patrimônio

 

 


rajetória construída pelo respeito.
Leonel Brizola: centenário de uma

Historicamente consagrado por ter sido governador de dois estados, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro; sempre lembrado por liderar o movimento da Legalidade e apontado como um dos principais líderes da resistência democrática, antes e depois dos 15 anos de exílio. Esse cara se chama Leonel de Moura Brizola e neste sábado, 22, ficaria 100 anos se estivesse vivo. Mas, mais que os atributos já citados, ele foi, sobretudo, um ardoroso defensor da Educação e, mesmo entre os adversários políticos, conseguiu capitalizar o respeito geral como um dos grandes patrimônios por ele construído.  A seguir  uma síntese da sua trajetória e do seu legado, enquanto seus restos mortais repousam em São Borja, no cemitério  Jardim da Paz.

 

Leonel de Moura  Brizola nasceu em 22 de janeiro de 19222 e morreu em 21 de junho de 2004.  Ele nasceu no povoado de Cruzinha, interior do município gaúcho de Carazinho, sendo filho do pequeno agricultor José Oliveira dos Santos Brizola e de Onívia de Moura Brizola.

Na Revolução de 1923, seu pai foi morto pelos soldados do governador Borges de Medeiros.  Depois de perder as terras, a mãe Onívia e os cinco filhos foram morar na localidade de São Bento, passando a trabalhar  na lavoura.

A infância e a juventude de  Leonel foram difíceis.  A mãe o alfabetizou, logo ingressando na escola.

Com dez anos de idade já começou a trabalhar lavando pratos e carregando malas em um hotel em Carazinho. Depois, com a ajuda de um pastor metodista, concluiu o ciclo primário no Colégio da Igreja Metodista. Aos14 anos, mudou-se para Porto Alegre, onde trabalhou como engraxate e ascensorista. Em 1939, Brizola  concluiu o curso de Técnico Rural do Ginásio Agrícola Senador Pinheiro Machado, na capital gaúcha.

Em seguida empregou-se como graxeiro na Refinaria Brasileira de Óleos e Graxas, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Depois de ser aprovado em um concurso do Ministério da Agricultura, ingressou na função de técnico do Ministério em Passo Fundo. Depois de seis meses, porém, desistiu do emprego e retornou para Porto Alegre. Passou então a trabalhar como jardineiro do Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura da capital.

Em 1942 concluiu o ensino fundamental e, em seguida, licenciou-se da Prefeitura para alistar-se no 3º Batalhão de Aviação do Exército. Ao terminar o serviço militar, voltou para a Prefeitura e concluiu o ensino médio no Colégio Júlio de Castilhos.

 Nessa época, foi um dos fundadores do Grêmio Estudantil e  vice-presidente da entidade. Em 1945 foi aprovado no curso superior de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Concluiu o curso em 1949.

 

O Brizola político

 

Ainda quando estudante de Engenharia, Leonel Brizola filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Foi então responsável por organizar a ala jovem trabalhista. Em 1947, dois anos antes de se formar na Faculdade, foi eleito deputado estadual pela sigla que se havia filiado.

Na época, Brizola dividia um quarto de  uma pensão no centro de Porto Alegre. Na Assembleia Legislativa, defendeu pautas do movimento estudantil, como o aumento de vagas nas instituições de ensino. Em outubro de 1950, foi reeleito deputado estadual.

Em 1952 foi nomeado secretário estadual de Obras Públicas. Realizou obras de infraestrutura como de saneamento e de rodovias. Em 1954 foi eleito deputado fedral e no ano seguinte, prefeito de Porto Alegre

Em 1958, aos 36 anos, Brizola foi eleito governador do Rio Grande do Sul.    Tomou posse em 31 de janeiro de 1959. Criou seis secretarias com a justificativa de agilizar a administração estadual. Foram elas: Administração, Trabalho e Habitação, Economia, Transporte, Energia e Comunicação e Saúde.

Como governador, Brizola desenvolveu um plano de industrialização, nacionalizando algumas empresas estrangeiras. Garantiu que a política de investimentos teria capital nacional e que interferências estrangeiras não seriam aceitas.

A alfabetização e o número de vagas nas escolas foram prioridades para o governo de Brizola. Construiu mais de 6 mil estabelecimentos de ensino. Isso levou o Rio Grande do Sul a ter a mais alta taxa de escolarização do país.

Criou o Instituto Gaúcho de Reforma Agrária, que além de prestar assistência técnica, garantiu verbas a produtores nra aquisição de máquinas, animais e sementes. Ajudou a organizar o Movimento dos Agricultores Sem Terra.

 

Legalidade, exílio...

 


Legalidade a favor da posse de Jango é
marco emblemático de Leonel Brizola.

Em 1961, Leonel Brizola liderou um movimento visando garantir a posse do vice-presidente e seu cunhado João Goulart como presidente da República, após a renúncia de Jânio Quadros. Alegando que Jango tinha ligações com os comunistas, os militares tentaram impedir a posse.

Em setembro foi promulgada a Emenda Constitucional nº 4, que instituiu o Sistema Parlamentarista de governo no país, que limitava os poderes do presidente. Goulart então assume como chefe de Governo. Brizola deixou o governo do Rio Grande do Sul em 31 de janeiro de 1963.

Em outubro de 1962, o trabalhista foi eleito deputado federal pela Guanabara (atual cidade do Rio de Janeiro). Foi um dos líderes da Frente de Mobilização Popular, que pressionou o presidente João Goulart a implementar as “reformas de base”, como a agrária, a tributária e a bancária.

Em 1963, um plebiscito definiu o fim do Parlamentarismo. No dia 13 de março, durante um comício de João Goulart, Brizola fez um discurso acusando o Congresso de criar obstáculos para as demandas populares.

A partir de 1964, Brizola ficaria 15 anos no exílio como consequência da deposição do presidente João Goulart. Após a decretação da anistia política, em 30 de agosto de 1979, Brizola retornou ao Brasil, chegando ao país por São Borja, onde ocorreu grande concentração política. Ele se fixou no Rio de Janeiro e em novembro foi escolhido presidente nacional de um novo partido, entretanto, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu a legenda ao grupo de Ivete Vargas. Brizola e apoiadores então criaram, em 1980, o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Em novembro de 1982  Brizola candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro, sendo eleito. Foi empossado em março de 1983. No ano seguinte engajou-se no movimento das ‘Diretas-Já’.  As eleições diretas, porém, não foram aprovadas pelo Congresso.  Vence a chapa Tancredo Neves e José Sarney, selando o fim do movimento de 1964.  Tancredo morreu  antes de tomar posse e Sarney assumiu a presidência do país.

Em março de 1987 Brizola encerrou seu mandato de governador deixando como referência a construção de Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) - escolas em horário integral com assistência médica e odontológica.

Em março de 1989, Brizola foi lançado candidato à presidência da República pelo PDT.

É eleito em segundo turno o ex-governador de Alagoas Fernando Collor de Mello, que sofreria impeachment em 2992.  

Em abril de 1994, Brizola  deixou o governo do Rio para concorrer novamente à presidente do Brasil.  Foi eleito Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2000 disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas não foi eleito.

Em 1º de março de 1950 Leonel Brizola casou-se com Neusa Goulart, irmã de João Goulart. O casal teve três filhos - Neusinha, José Vicente e João Otávio. Após a morte de Neusa em 1993, Brizola manteve uma relação com Marília Guilhermina Martins Pinheiro.

Leonel Brizola faleceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 2004. Foi sepultado no cemitério Jardim da Paz em São Borja, no mesmo jazigo estão estão enterrados a esposa Neusa e o cunhado João Goulart. Referência da velha de geração política, teve uma trajetória respeitada pela maioria, inclusive por militantes de outros partidos.

2 comentários:

  1. A trajetória do politico eleito que mais fez pela educação no Brasil, embora não tenha sido presidente da República.

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  2. Brizola, um dos grandes líderes político do Brasil contemporâneo, construiu sua trajetória com dignidade, marcada pela defesa do interesse nacional, com destaque na área da educação e reforma agrária. Faz muita falta!

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