Fantasma da alta dos preços volta
a rondar as rotinas dos brasileiros
Depois de uma
trégua de 57 dias, veio o impactante aumento no preço dos combustíveis. E não pouca
coisa considerar uma alta de quase 25% no óleo diesel e mais de 18% na
gasolina. O fantasma da inflação, que já corroía o poder de compra e alimentava
a inflação, mostrou então a sua face
ainda mais tenebrosa e sombria.
Quem vai ao supermercado
tem, na gôndola e sem retoques, o retrato mais fiel da permanente escalada de majorações.
Tudo sobe: do feijão ao arroz; da carne aos hortigranjeiros, dos insumos de
limpeza aos laticínios; dos medicamentos aos itens de higiene pessoal. A guerra
no Leste europeu tem a ver com isso, como efeito macroeconômico, mas também
temos os fatores internos. A pandemia tem lá sua parcela de culpas, assim como a
severa seca no Sul do país, contudo outras razões ainda têm de ser
consideradas.
Neste contexto, são os mais pobres os
mais são afetados. A equipe econômica do ministro Paulo Guedes tem trabalhado para implementar medidas que possam mitigar as
dificuldades. Em ano eleitoral há, porém, limitadores para ações e menos espaços
para manejos fiscais.
As ações
Entre as medidas que estão pensadas aparecem,
por exemplo, renegociação das dívidas do financiamento estudantil, promessa
de reajuste de funcionários públicos e
lançamento ainda do Auxílio Brasil no lugar do antigo Bolsa Família. São previstas liberações também, até R$ 1 mil
por trabalhador ativo do FGTS e antecipação de metade do 13º salário dos
aposentados.
O presidente Jair Bolsonaro deve
sancionar o projeto de lei que cria regras para estabilização dos preços de
combustíveis. A medida prevê um sistema
que vai limitar essa variação por uma verba federal, financiando essa ferramenta de controle. A narrativa
inclui eventual saída do presidente da Petrobras, mas, na prática, trata-se
basicamente de uma ação política.
Igualmente
é previsto um auxílio de até R$ 300 mensais para motoristas autônomos de baixa
renda. Com aprovação da PEC dos precatórios no Congresso Nacional, deve abrir
um espaço orçamentário de R$ 106 bilhões. Desse total, R$ 51 milhões foram para
o Auxílio Brasil. Com o ‘pacote de
bondades’ de liberação de até R$ 1 mil nas contas ativas dos segurados pelo
FGTS, devem ser beneficiados 31 milhões de aposentados e pensionistas.
As projeções
Apesar do arrocho geral, alguns
indicadores mostram que nem tudo está piorando. A inflação, que já está em
patamar de quase 11%, deve fechar o ano em torno de 7,5%. Ainda assim, como um
‘remédio amargo’, a taxa de juros não para de subir. A tendência, segundo
economistas, é que o crescimento econômico em 2022 fique entre menos de 1% e no
máximo 2%.
O desemprego crônico, porém, começa a
ceder lentamente. O real, a moeda brasileira, tem ficado mais forte em relação
ao dólar. Os investimentos vêm crescendo em relação ao Produto Interno Bruto. Com
a pandemia dando sinais de superação, a roda da produção volta a girar no país.
Menos mal.

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