sábado, 12 de março de 2022

JOSÉ AIRTON DE FRANÇA JÚNIOR

 

Um baiano plantando sonhos no Sul

Produtor defende o associativismo, a criação de um Fórum

 permanente e ainda de um Plano de Desenvolvimento Rural

 


José Airton, a esposa Fernanda e os filhos
Manoel e Arthur: cultuto à tradição gaúcha.


Em ‘Brasil de Bombachas’,  composição de Leo Ribeiro, Ângelo Marques e Ricardo Marques, o grupo Os Monarcas canta a saga de gaúchos abrindo fronteiras e novos horizontes  Brasil afora. Já, entre nós, fazendo o caminho inverso, temos um baiano, cultivando sonhos e desbravando o solo são-borjense. Ele é José Airton de França Júnior, natural de Juazeiro, na Bahia, e depois morador e produtor rural em Petrolina, Pernambuco. É ele que, após, em 2009, viria escolher o Sul do país para permanecer.

José Airton conta que veio à cidade  a passeio, em um período de Natal e, “por curiosidade” foi conhecer o Mercado Público Municipal e alguns supermercados locais. “Pude então constatar que produtos como frutas e verduras vinham da região do Sertão nordestino.” Acrescenta: “Isso me despertou uma vontade e um desafio que jamais imaginava ter: trocar tudo o que vivia e tinha  no meu Sertão, e começar do zero, aqui na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.”

“Foram muitos  os desafios nesses anos, além de muitas conquistas.” Conta que em 2013 conheceu   Fernanda Medeiros Dubal, “que me fez aumentar ainda mais a vontade de lutar pelos meus sonhos e objetivos.”  Baiano, como é mais conhecido, lembra que no mesmo ano chegou o “nosso Manoel Ricardo e depois, completando a alegria, veio o Arthur.”

Hoje o casal e os dois filhos dividem uma propriedade de agricultura familiar,  em área irrigada de seis hectares, produzindo  hortifrutigranjeiros de modo geral. É uma das formas de garantir o sustento, mas França Júnior também planta os sonhos de multiplicar seu exemplo, de dividir experiências e de compartilhar ações com seus colegas produtores.


Prefeitura, escolas, supermercados: a
produção sempre tem destino certo.

O grande desejo, ainda, é a formação de uma ampla parceria entre poder público, entidades associativas,  agricultores familiares e órgãos técnicos de apoio. “Precisamos criar um Fórum permanente para definir diretrizes e estabelecer prioridades, considerando as reais demandas. Além disso, temos que instituir um Plano de Desenvolvimento Rural e trocar experiências com outras regiões”, idealiza.

 

Aprendizados

 

A chegada da pandemia e depois da longa e penosa estiagem  “nos mostrou o quanto ainda temos de debater e aprender, para conviver com as dificuldades”, avalia o produtor. Na sua visão, a tendência é de a situação ir ficando cada vez pior em relação ao clima.  No caso das secas, acha que acabarão sendo mais frequentes e mais severas.

“A realidade no município e na região ainda é muito amadora.  Normalmente, cada produtor faz seus investimentos por conta própria. Com isso, não há planejamento de lutar adequadamente por lucratividade e demanda estratégicas. Fica tudo mais difícil.”


Irrigação em seis hectares garante a
produção em escala permanente.

Em 2011 França Júnior apresentou à Prefeitura, à Câmara de Vereadores e à Acisb  um projeto de implantação de uma Secretaria de Irrigação. Ofereceu diversos estudos sobre a diversificação de alternativas. O exemplo oferecido foi a fruticultura para a cidade. O plano, contudo, não avançou, nem foi implementado.

Airton conta que, ao chegar a São Borja, “fui até a Prefeitura, que me orientou a contratar um técnico responsável para elaborar um projeto de  abertura de um açude destinado ao armazenamento de água. Só assim passei a investir na produção  de fruticultura irrigada. Isso falta, de modo geral.”

 

Efeito multiplicador

“Costumo falar que  São Borja é muito parecida com a região do Vale do São Francisco. Tem água, sol e terras planas e férteis.  O que falta é tratar esse assunto como desenvolvimento regional. Com isso, vamos ter força para alocar os recursos das demais esferas, para mudar a realidade da produção”, avalia.

 A cada hectare irrigado, pode-se produzir até cinco vezes mais do que no sequeiro. Isso já se torna um investimento viável, garante o agricultor baiano-gaúcho.

 


Atuar em regime de cooperação assegura mais
rendimentos e menos riscos para as atividades.

Associativismo

 

Indagado se falta apoio público ou falta motivação do produtor, Baiano  diz que “no meu ponto de vista todos temos uma parcela de culpa.” Mas acha que “o precisamos é criar um Fórum que esteja permanentemente aberto ao público, às entidades e às empresas, para poder discutir com profundidade  as saídas para esses gargalos. Esses entraves acabam emperrando tudo - entende.

“O trabalho isolado fica difícil nos dias atuais.  Com isso, precisamos aprender com as outras pessoas, viver novas experiências. Com isso,  o associativismo e o cooperativismo são fundamentais na nossa atividade. Precisamos do apoio de entidades técnicas e do pode público nas suas diversas instâncias.”

 

Agroindústrias: cautela

 


Criação de um Plano de Desenvolvimento Rural
é considerada ação estratégica fundamental.

Em relação às agroindústrias, Airton é “muito cauteloso.”  Acha que “precisamos de um plano de ação de âmbito municipal e regional.” Também é preciso debater bem o assunto, partindo da aptidão do produtor pu de grupos de produtores.”  Entram, nesse contexto, demandas dos produtos e dos insumos a serem utilizados. Atenção redobrada também na comercialização, para que a atividade  se torne viável a longo prazo.

No campo falta um conjunto de esforços de todos, falta um plano de visitas a outras regiões e que possam servir de exemplos.  “Temos de sentar à mesa e conseguir encontrar os pontos positivos e negativos, para chegar a um consenso da viabilidade ou não de um empreendimento, em relação a emprego e geração de renda.

 

Carências

 

Tudo o que for produzido tem d

emanda, garante França Júnior.

As demandas no campo são em diversas áreas, porque o campo não é só da porteira para trás. Precisamos de infraestrutura e segurança pública e mais assistência técnica. Só assim teremos um desenvolvimento igualitário.

A pandemia e a seca vão aumentar a saída das famílias do campo em busca de dias melhores na cidade.  “Vejo isto com muita preocupação. Isso nos deixa mais pobres e com o aumento das dificuldades, ficam afetados todos os aspectos de vida. O agricultor familiar é ainda é responsável por 70% do alimento colocado na mesa do brasileiro. Por isso vejo a importância de discutir mais esses gargalos que surgiram em nosso caminho.

 

Pensando no totó

 

“Não falo nos meus planos e, sim, um dos meus sonhos e objetivos é de fazer parte  de um grande plano de estudo de novas alternativas  para o campo, para a nossa cidade e a região.  A meta é que consigamos gerar milhares de empregos e mais renda para os são-borjenses. Para tanto precisamos aprofundar discussão de todos os setores  e criar um Plano Diretor Rural e que vire lei. Um plano que seja implementado por uns  10 anos e depois atualizado e ajustado.  Como estamos distante de quase tudo, precisamos pensar juntos de ações estratégicas como esta, por exemplo”, pontua José Airton de França Júnior como mensagem

2 comentários:

  1. Finalmente um cara inovador em São Borja, com pensamento estrategico e vontade de agregar acões coletivas; que provoca o poder público a assumir um papel de catalisador de mudanças para diversificar, em termis globais, o sistema produtivo.

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    1. AGRADEÇO PELO COMENTARIO, NA MINHA VISÃO VIVEMOS EM FORMA DE ENGRENAGEM, CADA UM TEM SUA PARTICIPAÇÃO COMO O DEVER DE CONTRIBUIR COM O DESENVOLVIMENTO DE EM GERAL.OQUE QUE AE PEECISA SÃO ASSEMBLEIAS COM A PARTICIPAÇAO DE TODOS, PARA VERDADEIRAMENTE DISCUTIR O QUER QUEREMOS E PRECISAMOS.

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