Um baiano plantando sonhos no Sul
Produtor defende o associativismo, a criação de um Fórum
permanente e ainda de um Plano de Desenvolvimento Rural
Em
‘Brasil de Bombachas’, composição de Leo
Ribeiro, Ângelo Marques e Ricardo Marques, o grupo Os Monarcas canta a saga de
gaúchos abrindo fronteiras e novos horizontes
Brasil afora. Já, entre nós, fazendo o caminho inverso, temos um baiano,
cultivando sonhos e desbravando o solo são-borjense. Ele é José Airton de
França Júnior, natural de Juazeiro, na Bahia, e depois morador e produtor rural
em Petrolina, Pernambuco. É ele que, após, em 2009, viria escolher o Sul do
país para permanecer.
José
Airton conta que veio à cidade a
passeio, em um período de Natal e, “por curiosidade” foi conhecer o Mercado
Público Municipal e alguns supermercados locais. “Pude então constatar que
produtos como frutas e verduras vinham da região do Sertão nordestino.”
Acrescenta: “Isso me despertou uma vontade e um desafio que jamais imaginava
ter: trocar tudo o que vivia e tinha no
meu Sertão, e começar do zero, aqui na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.”
“Foram
muitos os desafios nesses anos, além de
muitas conquistas.” Conta que em 2013 conheceu
Fernanda Medeiros Dubal, “que me fez aumentar ainda mais a vontade de
lutar pelos meus sonhos e objetivos.”
Baiano, como é mais conhecido, lembra que no mesmo ano chegou o “nosso
Manoel Ricardo e depois, completando a alegria, veio o Arthur.”
Hoje
o casal e os dois filhos dividem uma propriedade de agricultura familiar, em área irrigada de seis hectares, produzindo
hortifrutigranjeiros de modo geral. É
uma das formas de garantir o sustento, mas França Júnior também planta os
sonhos de multiplicar seu exemplo, de dividir experiências e de compartilhar
ações com seus colegas produtores.
O
grande desejo, ainda, é a formação de uma ampla parceria entre poder público,
entidades associativas, agricultores
familiares e órgãos técnicos de apoio. “Precisamos criar um Fórum permanente
para definir diretrizes e estabelecer prioridades, considerando as reais
demandas. Além disso, temos que instituir um Plano de Desenvolvimento Rural e
trocar experiências com outras regiões”, idealiza.
Aprendizados
A
chegada da pandemia e depois da longa e penosa estiagem “nos mostrou o quanto ainda temos de debater
e aprender, para conviver com as dificuldades”, avalia o produtor. Na sua
visão, a tendência é de a situação ir ficando cada vez pior em relação ao
clima. No caso das secas, acha que
acabarão sendo mais frequentes e mais severas.
“A
realidade no município e na região ainda é muito amadora. Normalmente, cada produtor faz seus
investimentos por conta própria. Com isso, não há planejamento de lutar
adequadamente por lucratividade e demanda estratégicas. Fica tudo mais
difícil.”
Em
2011 França Júnior apresentou à Prefeitura, à Câmara de Vereadores e à
Acisb um projeto de implantação de uma
Secretaria de Irrigação. Ofereceu diversos estudos sobre a diversificação de
alternativas. O exemplo oferecido foi a fruticultura para a cidade. O plano,
contudo, não avançou, nem foi implementado.
Airton
conta que, ao chegar a São Borja, “fui até a Prefeitura, que me orientou a
contratar um técnico responsável para elaborar um projeto de abertura de um açude destinado ao
armazenamento de água. Só assim passei a investir na produção de fruticultura irrigada. Isso falta, de modo
geral.”
Efeito
multiplicador
“Costumo
falar que São Borja é muito parecida com
a região do Vale do São Francisco. Tem água, sol e terras planas e
férteis. O que falta é tratar esse
assunto como desenvolvimento regional. Com isso, vamos ter força para alocar os
recursos das demais esferas, para mudar a realidade da produção”, avalia.
A cada hectare irrigado, pode-se produzir até
cinco vezes mais do que no sequeiro. Isso já se torna um investimento viável,
garante o agricultor baiano-gaúcho.
Associativismo
Indagado
se falta apoio público ou falta motivação do produtor, Baiano diz que “no meu ponto de vista todos temos
uma parcela de culpa.” Mas acha que “o precisamos é criar um Fórum que esteja
permanentemente aberto ao público, às entidades e às empresas, para poder
discutir com profundidade as saídas para
esses gargalos. Esses entraves acabam emperrando tudo - entende.
“O
trabalho isolado fica difícil nos dias atuais.
Com isso, precisamos aprender com as outras pessoas, viver novas
experiências. Com isso, o associativismo
e o cooperativismo são fundamentais na nossa atividade. Precisamos do apoio de
entidades técnicas e do pode público nas suas diversas instâncias.”
Agroindústrias:
cautela
Em
relação às agroindústrias, Airton é “muito cauteloso.” Acha que “precisamos de um plano de ação de
âmbito municipal e regional.” Também é preciso debater bem o assunto, partindo
da aptidão do produtor pu de grupos de produtores.” Entram, nesse contexto, demandas dos produtos
e dos insumos a serem utilizados. Atenção redobrada também na comercialização,
para que a atividade se torne viável a
longo prazo.
No
campo falta um conjunto de esforços de todos, falta um plano de visitas a
outras regiões e que possam servir de exemplos.
“Temos de sentar à mesa e conseguir encontrar os pontos positivos e
negativos, para chegar a um consenso da viabilidade ou não de um
empreendimento, em relação a emprego e geração de renda.
Carências
As
demandas no campo são em diversas áreas, porque o campo não é só da porteira
para trás. Precisamos de infraestrutura e segurança pública e mais assistência
técnica. Só assim teremos um desenvolvimento igualitário.
A
pandemia e a seca vão aumentar a saída das famílias do campo em busca de dias
melhores na cidade. “Vejo isto com muita
preocupação. Isso nos deixa mais pobres e com o aumento das dificuldades, ficam
afetados todos os aspectos de vida. O agricultor familiar é ainda é responsável
por 70% do alimento colocado na mesa do brasileiro. Por isso vejo a importância
de discutir mais esses gargalos que surgiram em nosso caminho.
Pensando
no totó
“Não
falo nos meus planos e, sim, um dos meus sonhos e objetivos é de fazer
parte de um grande plano de estudo de
novas alternativas para o campo, para a
nossa cidade e a região. A meta é que
consigamos gerar milhares de empregos e mais renda para os são-borjenses. Para
tanto precisamos aprofundar discussão de todos os setores e criar um Plano Diretor Rural e que vire
lei. Um plano que seja implementado por uns
10 anos e depois atualizado e ajustado.
Como estamos distante de quase tudo, precisamos pensar juntos de ações
estratégicas como esta, por exemplo”, pontua José Airton de França Júnior como
mensagem
Finalmente um cara inovador em São Borja, com pensamento estrategico e vontade de agregar acões coletivas; que provoca o poder público a assumir um papel de catalisador de mudanças para diversificar, em termis globais, o sistema produtivo.
ResponderExcluirAGRADEÇO PELO COMENTARIO, NA MINHA VISÃO VIVEMOS EM FORMA DE ENGRENAGEM, CADA UM TEM SUA PARTICIPAÇÃO COMO O DEVER DE CONTRIBUIR COM O DESENVOLVIMENTO DE EM GERAL.OQUE QUE AE PEECISA SÃO ASSEMBLEIAS COM A PARTICIPAÇAO DE TODOS, PARA VERDADEIRAMENTE DISCUTIR O QUER QUEREMOS E PRECISAMOS.
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