Irga diz que a lavoura de arroz em
São Borja deverá encolher 23,5%
Máquinas na lavoura, mas para
implantação de área bem menor.
O
plantio de arroz do ciclo 2022-23 está atrasado em São Borja e no Rio Grande do
Sul. Em
São Borja o último levantamento do Irga, na semana passada, indicava
plantio de 46% da área prevista, ou pouco mais de 12,5 mil hectares. Agora deve
chegar apenas à metade da área. Na Fronteira Oeste o índice atinge a 72,6%. No RS, o plantio também tem atraso e a
perspectiva é de redução de 9,9% na lavoura, que só deve chegar a 846 mil
hectares.
O
que mais chama a atenção no município, porém,
é a redução na área orizícola a ser semeada. O 8º Núcleo de Assistência
Técnica e Extensão Rural do Irga prevê a semeadura de uma área de 27.250
hectares para o próximo ciclo. A projeção, se confirmada, representará redução
de 23,5% ou de 8.385 hectares a menos que os 36 mil hectares da safra 2021-22.
O
clima não está ajudando a implantação da lavoura orizícola. As chuvas insuficientes e principalmente as
temperaturas baixas são os fatores responsáveis
pelo atraso. O frio para a época
também afeta o desenvolvimento da
planta.
Além
disso, considerando a época do ano, o regime de chuvas irregulares traz preocupação. Isto por que os volumes são baixos para
reposição de mananciais, mesmo que a implantação da lavoura tenha iniciado com o
nível das barragens próximo a 90%. Devido a mais um evento de La Niña, a
situação preocupa segundo o diretor local do Irga, Roger Portela de Santis. As precipitações intensas, esta semana, podem
mudar o quadro.
Migração
Gradativamente,
aumenta a opção por outras culturas no lugar do arroz, especialmente a
soja. Isso ocorre em São Borja e todo o Rio
Grande do Sul. Portela identifica dois
motivos para a migração. Um “são os custos exorbitantes de produção” e o outro
“a necessidade de ter toda área da propriedade produzindo durante o ano inteiro.”
Como líder nas pesquisas, o Irga vem, há mais de uma década, estudando
alternativas de novos investimentos.
A
soja, o trigo e a integração lavoura-pecuária, além do milho, aparecem como melhores
alternativas. Em relação a São Borja, é
usada mais a soja em rotação com arroz - primeira opção nas mais “altas.” Onde existiam
os segundos e terceiros levantes elétricos para condução da água foram empregadas cultivares mais tolerantes ao estresses
hídricos. A cultura foi entrando em áreas que antes ficavam períodos em pousio,
ou seja, sem nhuma cultura.
Agora
já tem-se uma terceira fase, a do usa da
soja e do milho, em combinação com o arroz. “Não vejo isso como concorrência,
mas como uma maneira sustentável nas
operações e, portanto, necessária,” destaca Roger Portela. A estimativa é de 22 mil hectares de áreas de soja e milhos,
antes usados para arroz.
Clima de frio e de chuvas escassas e
irregulares é prejudicial à cultura.
O
alto custo de produção é um dos fatores mais impactantes. Na safra 2021-22, o custo oficial, elaborado pelo
Irga, apontou para R$ 15,5 mil o
hectare. Agora, porém, a alta no preço
do óleo diesel, da energia elétrica, dos fertilizantes, peças e outros componentes
de custos impõem majoração de 30 a 40%. O valor, com isso, ficará acima de R$ 21
mil por hectare.
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