quinta-feira, 27 de outubro de 2022

MIGRAÇÂO E CONJUNTURA

 

Irga diz que a lavoura de arroz em

São Borja deverá encolher 23,5%


Máquinas na lavoura, mas para
implantação de área bem menor.

O plantio de arroz do ciclo 2022-23 está atrasado em São Borja e no Rio Grande do Sul.  Em  São Borja o último levantamento do Irga, na semana passada, indicava plantio de 46% da área prevista, ou pouco mais de 12,5 mil hectares. Agora deve chegar apenas à metade da área. Na Fronteira Oeste o índice atinge a 72,6%.  No RS, o plantio também tem atraso e a perspectiva é de redução de 9,9% na lavoura, que só deve chegar a 846 mil hectares.

O que mais chama a atenção no município, porém,  é a redução na área orizícola a ser semeada. O 8º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga prevê a semeadura de uma área de 27.250 hectares para o próximo ciclo. A projeção, se confirmada, representará redução de 23,5% ou de 8.385 hectares a menos  que os 36 mil hectares da  safra 2021-22.

O clima não está ajudando a implantação da lavoura orizícola. As   chuvas insuficientes e principalmente as temperaturas baixas são os fatores  responsáveis pelo  atraso. O frio para a época também  afeta o desenvolvimento da planta.

Além disso, considerando a época do ano, o regime de chuvas  irregulares traz preocupação.  Isto por que os volumes são baixos para reposição de mananciais, mesmo que a implantação da lavoura tenha iniciado com o nível das barragens próximo a 90%. Devido a mais um evento de La Niña, a situação preocupa segundo o diretor local do Irga, Roger Portela de Santis.  As precipitações intensas, esta semana, podem mudar o quadro.

 

Migração   

 



Roger Portela diz que migração a
outras culturas não é concorrência.


Gradativamente, aumenta a opção por outras culturas no lugar do arroz, especialmente a soja.  Isso ocorre em São Borja e todo o Rio Grande do Sul.  Portela identifica dois motivos para a migração. Um “são os custos exorbitantes de produção” e o outro “a necessidade de ter toda área da propriedade produzindo durante o ano inteiro.” Como líder nas pesquisas, o Irga vem, há mais de uma década, estudando alternativas de  novos  investimentos.

A soja, o trigo e a integração lavoura-pecuária, além do  milho, aparecem como melhores alternativas.  Em relação a São Borja, é usada mais a soja em rotação com arroz -  primeira opção nas mais “altas.” Onde existiam os segundos e terceiros levantes elétricos para condução da água foram  empregadas  cultivares mais tolerantes ao estresses hídricos. A cultura foi entrando em áreas que antes ficavam períodos em pousio, ou seja, sem nhuma cultura.

Agora já tem-se uma terceira fase, a do  usa da soja e do milho, em combinação com o arroz. “Não vejo isso como concorrência, mas  como uma maneira sustentável nas operações e, portanto, necessária,”  destaca Roger Portela. A estimativa  é de  22 mil hectares de áreas de soja e milhos, antes usados para arroz.


Clima de frio e de chuvas escassas e 
irregulares é prejudicial à cultura.

O alto custo de produção é um dos fatores mais impactantes. Na  safra 2021-22, o custo oficial, elaborado pelo Irga,  apontou para R$ 15,5 mil o hectare. Agora, porém, a alta  no preço do óleo diesel, da energia elétrica, dos fertilizantes, peças e outros componentes de custos impõem majoração de 30 a   40%. O valor, com isso, ficará acima de R$ 21 mil por hectare.

Nenhum comentário:

Postar um comentário