sexta-feira, 28 de outubro de 2022

FÉ RELIGIOSA

 

Reforma Protestante: bem mais do

que apenas divisão do Cristianismo


Templo no bairro Pirahy é
referência luterana local.

(Fotos Ana Cogo)

Esta segunda-feira, 31 de outubro, assinala o aniversário de 505 anos da chamada Reforma Protestante. Contudo, o movimento liderado pelo monge agostiniano Martinho Lutero representa bem mais do que somente a divisão, na época, do Cristianismo em  Catolicismo e Protestantismo. Além de sacudir conceitos e a fé religiosa, mundo afora, o Luteranismo também marca um amplo espectro de transformações no que se convencionou chamar de Idade Moderna, a partir do final do século 15.

É necessário, então, um rápido contexto. Durante toda a Idade Média (476-1453), reis e Igreja eram duas instituições poderosas. Ambas, assim como os senhores feudais, eram donas de grandes extensões de terras e de outras riquezas e ostentações. A Igreja, assim, tinha enorme poder político e impunha a sua dominação, principalmente através do ‘medo do fogo do inferno’.  Porém,  entre os séculos 14 e 16 as coisas começaram a mudar. Tem-se o Renascimento (retorno à cultura clássica greco-romana), acontecem as Grandes Navegações europeias e o Feudalismo começa a ruir, dando lugar gradual ao Mercantilismo e, depois, ao Capitalismo e à Revolução Industrial.

Sempre poderosa, a Igreja condenava o lucro e a usura, mas mantinha-se às custas de privilégios.  Com a tentativa de centralização do poder monárquico, as relações com o clero tornaram-se tensas.  A Igreja, como grande proprietária de terras e palácios, recebia o dinheiro de tributos que eram controlados em Roma pelo Papa. Com o fortalecimento do Estado Nacional Absolutista, os monarcas passaram a condenar essa prática.  Camponeses  estavam descontentes com a Igreja, já que também tinham de pagar pesados encargos, como o dízimo. Em toda Europa, mosteiros e bispados tinham imensas propriedades e viviam às custas dos trabalhadores.

Mesmo condenando as práticas capitalistas nascentes, como a  cobrança de juros por empréstimos – por ser ‘pecado’ -,  a Igreja era movida a privilégios. Em meio a tudo, surge a burguesia mercantil e manufatureira. Apesar da reprovação à rotina do clero por suas condutas,  crescia o comércio de bens eclesiásticos.  “O clero fazia uso da sua autoridade para obter privilégios e a venda de cargos da //, uma prática chamada de simonia”,  relata a professora Juliana Bezerra.

Além disso, muitos sacerdotes tinham esposas, apesar do celibato obrigatório. Entretanto, o maior  escândalo foi a venda indiscriminada de indulgências. Seria a ‘salvação’ dos pecados, com pagamento em  dinheiro a religiosos. À época, parte dos recursos acumulados era usada para a construção da Basílica de São Pedro em Roma.

 

Lutero e a Reforma

 


 Teólogo alemão Martinho Martinho Lutero
lidera Reforma religiosa, contra as indulgências.

A Reforma Protestante começou oficialmente em 1517, mas seu líder Martinho Lutero teve precursores. Ele também começou a se insurgir desde que se formou em Teologia, em 1505, questionando e reprovando a Igreja. A sua revolta cresceu principalmente a partir de 1510, depois de empreender ida à cidade de Roma e  após se  espantar com as extravagâncias e luxos do clero e na construção da basílica.  Tem início então uma saga que ganha a adesão dos alemães e dos europeus de modo geral.

Em 1517, inconformado com a venda de indulgências, Lutero escreveu documento com 95 teses,  criticando a Igreja e o papa. Estas 95 teses teriam sido pregadas na porta de uma igreja, a fim de que os alunos de Lutero as  lessem. Alguns estudantes resolveram imprimir trechos do conteúdo, o repassando à  população. A mensagem central era de reprovação às indulgências e defendendo a ideia de que a salvação independe de intermediários.

Em 1520, o papa Leão X redigiu uma bula condenando Lutero e exigindo sua retratação. Lutero, no entanto, queimou a bula em praça pública, o que agravou a situação. Já em 1521, o imperador Carlos V convocou uma assembleia na qual o monge foi considerado herege. Contudo, Lutero foi acolhido por parte da nobreza alemã, que simpatizava com suas ideias e ele então refugiou-se no castelo de Wartburg. Nesse  local, o líder protestante se dedicou à tradução da Bíblia do latim para o alemão, o que foi a base de princípios da nova religião. O surgimento da imprensa de Gutemberg teve papel fundamental.

O período seguinte, até 1555, foi marcado por guerras religiosas. O acordo "Paz de Augsburgo" determinou que cada governante dentro do Sacro Império Germânico poderia escolher sua religião e a de seus súditos. Martinho  Lutero nasceu em 1483 e morreu em 1546, aos 62 anos.  Casado com uma ex- freira, o casal teve seis filhos.



São Boeja e Itaqui formam, com
seus templos, Paróquia Luterana.

Em São Borja, um templo no bairro Pirahy é uma das referências materiais do Igreja Luterana ma cidade.  Esse templo forma uma Paróquia, juntamente com a Igreja Luterana de Itaqui. Celebrações em dois finais de sana assinalam a data histórica.

As ideias de Lutero se espalharam pelo continente europeu e depois pela América  Em cada região, o Luteranismo  teve  características diferentes. Os líderes religiosos também foram distintos.   Na França e na Holanda,  por exemplo, surge o Calvinismo. Na Inglaterra, o Anglicanismo, este uma das maiores reformas. Os templos não acolhem imagens. No entanto,  mulheres podem ser ordenadas.

 

Reforma Católica

 

Também chamada de Contrarreforma, o Luteranismo também levou à  realização da Reforma Católica. O movimento começou na Europa e expandiu-se principalmente pela América. Uma das ações foi apoiar a Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola, em 1534.



Através do Concílio de Trento, também a
Igreja Católica promove a sua Reforma;

Os  membros da Companhia, conhecidos como jesuítas, tinham a total confiança do papa e buscavam combater o Protestantismo. Isso se dava  por meio do ensino e a expansão da fé católica. As missões como as dos Sete Povos são um bom exemplo dessas ações.

Em 1545 e 1563,  ocorreu o Concílio de Trento, mobilizando a  Igreja Católica de toda a Europa.  Algumas das decisões: os padres têm de ser formados em seminários; os párocos têm de morar em suas paróquias e dar atenção especial à pregação doutrinal.

Ficou proibida a venda de cargos religiosos e foi criada lista de livros proibidos. Ainda foi instituída a Inquisição, que perseguia não católicos. Muitos dos chamados gereges foram mortos.

 


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