Justiça Eleitoral celebra seus 90 anos
coordenando mais um pleito histórico
A história
do voto no Brasil tem quase 500 anos e vem desde a incipiente fase do pós-descobrimento.
A Justiça Eleitoral, entretanto,
completa em 2022 seus 90 anos de atuação no país. A origem do hoje Supremo
Tribunal Federal (TSE) é de 24 fevereiro de 1932, a partir de um decreto de
Getúlio Vargas.
Será a
13ª eleição para presidente da República a ser realizada pela Justiça
Eleitoral, a partir de 1945. A primeira experiência ocorreu após o Estado Novo e da ditadura de Vargas
entre 1937 e 1945. A criação de regrasm em 1932, foi para dar transparência ao processo de escolha de
representantes e aperfeiçoar o sistema existente. Até então eram muitas as
manipulações. Nos anos de vigência do
Regime Militar (1964-1985), as eleições presidenciais eram indiretas. Não havia
participação da Justiça Eleitoral.
Antes da criação do Código Eleitoral, 11 eleições
para presidente foram realizadas no Brasil. Entretanto, na chamada Primeira
República ou República Velha (1889-1930), o voto era aberto e os pleitos eram controlados
pelo coronelismo. Para garantir que as medidas impostas por credores
internacionais fossem aplicadas e o Brasil renegociasse sua dívida externa, eram muitas as maquiagens.
Por exemplo, foram aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo
presidente Campos Sales o voto direto, mas cheio de manobras. De antemão se
sabia quem seria eleito e diplomado, segundo informa a professora do
Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), Albene Miriam
Menezes Klemi.
Ela explica que “o brasileiro estava dentro de um
processo eleitoral totalmente viciado, com voto de cabresto, pessoas mortas
eram registradas como votantes, estrangeiros votavam e, quando chegava na
última instância, antes da diplomação, os eleitos ainda passavam pelo crivo das
Câmaras Municipais de cada distrito eleitoral.”
Experiência mais democrática foi vivida pelo Brasil
a partir das eleições presidenciais de 1945. Além de coordenação da Justiça
Eleitoral, houve ampla participação de partidos políticos. Tem-se então
eleições mais regulamentadas. Os eleitores a partir de 18 anos podiam votar e
as mulheres, com base no primeiro Código Eleitoral, de 1932, também podiam
votar. Pela primeira vez se tem partidos de abrangência nacional.
Desde a origem, em 1932, o
mesmo propósito: transparência
Na Primeira República (1889-1930), as eleições eram
caracterizadas pela alta ocorrência de fraudes e uma baixa adesão popular - menos
de 6% dos eleitores efetivamente participavam da votação, devido à dominação
dos ‘coronéis’, fraudando tudo. O voto era sem sigilo, o que permitia que
lideranças políticas controlassem em quem os eleitores deveriam votar.
Origens e
avanços
A Justiça Eleitoral surgiu com o Código Eleitoral
de 1932. Veio em resposta ao anseio popular de moralização do processo
eleitoral brasileiro. Além da ampliação
do direito ao voto, aumenta também a fiscalização.
O texto originário trouxe inovações, como o
sufrágio feminino, que garantiu às mulheres o direito de escolha de
representantes . A primeira sede do TSE foi instalada provisoriamente em um
edifício na Avenida Rio Branco, localizada no centro do Rio de Janeiro, então
capital do país.
Com a implantação do Estado Novo por Vargas veio a
Constituição Federal de 1937. O texto
constitucional extinguiu a Justiça Eleitoral e determinou a realização de eleições
indiretas para a Presidência da República e outros cargos .
A partir de 1996, a urna eletrônica.
Para garantir rapidez e segurança.
Essa redemocratização em 1946 se estenderia até
1964, quando ocorre golpe e tem início o regime militar. Vai até 1985, período
de eleições indiretas. Uma Assembleia Nacional Constituinte dá nova
Constituição e nova redemocratização em 1988.
A partir daí todas as eleições a presidente foram
diretas. Em menos de 30 anos ocorreram dois processos de impeachment. Ultimamente
objeto de polêmica e desmoralização por alguns setores, em 1996 a urna
eletrônica é instituída no país. O instrumento é considerado seguro e permite
que em algumas horas já seja conhecido o resultado do pleito. Outro avanço
recente é a identificação biométrica (ou digital) do eleitor.

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