quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

CINZA DAS HORAS



Atual tranco da rotina

não é para amadores!




 

Nos círculos de convívio coletivo, já há alguns anos, difícil é encontrar alguém de fato entusiasmado e adequadamente equilibrado em seu cotidiano. O mais frequente é ver   pessoas emocionalmente combalidas, fragilizadas. Raramente alguém, de algum modo,   não dependa de algum psicotrópico,  antidepressivo ou não precise de terapia, na perspectiva de aliviar  dores psíquicas e da alma. Cada vez mais, ainda, drogas medicamentosas têm de ser usadas regularmente tentando  nocautear a ansiedade. Outro desafio é manter  um mínimo nível de estabilidade e de humor de qualidade.  A maioria parece estar  mesmo menos otimista. Como não há efeito sem causa, nada acontece do nada, nesta quadra da chamada vida pós-moderna. No passado recente, dois eventos, já históricos,  são os vilões: a Covid-19 e a bagunça climática.

Todos concordamos que isso já é matéria decorada, vencida, mas  convém repetir, e não é por falta de assunto. Essa crise sanitária da covid, de dimensão planetária, nos pegou sem jeito, no  contrapé. E deixou o mundo de patas pro ar.  Todos achávamos que a humanidade ia ficar mais próxima, mais empática, mais solidária. Todos erramos. Mesmo quando vemos vencidas as restrições da pandemia, o que é o distanciamento interpessoal, o egocentrismo. Cada um, portanto, olhando para o seu próprio umbigo. Mas, depois de três anos de aprendizados, mesmo os mais recalcitrantes se convencem  de que  tudo é um pouco mais que uma gripezinha. Com quatro doses de vacina no braço, nenhuma resistência ou recusa e cuidados redobrados, até a galera aqui de casa acabou pegando  vírus.

A recente Conferência Mundial do Clima, no Egito, renovou alertas e reforçou  compromissos retóricos. Há no plano formal, portanto, a convicção na maioria das nações de que estamos à beira de um caos. Efeito estufa, aquecimento global, desmatamento sem freios... Ah! Isso é coisa de ambientalistas malucos, de políticos populistas! Então fiquemos apenas com os três, quatro anos de La Niña. Acho que bastam. Quando, em qualquer outro tempo, como nos últimos anos, estamos tendo secas tão devastadores e dilacerantes como a que corre assola o Rio Grande do Sul? São pelos três verões seguidos de safras dizimadas,  de prejuízos de toda ordem, de falta d’água para beber e de esperanças extraviadas pelo caminho. E o que dizer de cruel e inclemente cenário paradoxal, logo ‘acima’ de nós, ceifando vidas e multiplicando  prejuízos, aí pela ação de ‘dilúvios’?

Não. Isso não é ensaio de um filme de horrores. E nem por que eu tenha esquecido de tomar a ‘boleta’ da animação. É, em verdade, a tosca e dura rotina que estamos a enfrentar. Isto que nem estou  mencionando a  interminável beligerância da batalha política – nas redes sociais, na ruas, nas esplanadas...  Definitivamente, enfrentar a nossa cruel rotina não é tarefa para amadores! No dia a dia, todos refazem um ritmo frenético, alucinante, buscando não sei o quê? Ou estou sendo pessimista demais? Ou preciso acrescentar algumas pílulas a mais de ‘boletas’?

              


Nenhum comentário:

Postar um comentário