Atual tranco da rotina
não é para amadores!
Nos círculos de convívio coletivo, já há alguns
anos, difícil é encontrar alguém de fato entusiasmado e adequadamente equilibrado
em seu cotidiano. O mais frequente é ver pessoas
emocionalmente combalidas, fragilizadas. Raramente alguém, de algum modo, não
dependa de algum psicotrópico, antidepressivo
ou não precise de terapia, na perspectiva de aliviar dores psíquicas e da alma. Cada vez mais,
ainda, drogas medicamentosas têm de ser usadas regularmente tentando nocautear a ansiedade. Outro desafio é
manter um mínimo nível de estabilidade e
de humor de qualidade. A maioria parece
estar mesmo menos otimista. Como não há
efeito sem causa, nada acontece do nada, nesta quadra da chamada vida pós-moderna.
No passado recente, dois eventos, já históricos, são os vilões: a Covid-19 e a bagunça
climática.
Todos concordamos que isso já é matéria decorada, vencida,
mas convém repetir, e não é por falta de
assunto. Essa crise sanitária da covid, de dimensão planetária, nos pegou sem
jeito, no contrapé. E deixou o mundo de
patas pro ar. Todos achávamos que a
humanidade ia ficar mais próxima, mais empática, mais solidária. Todos erramos.
Mesmo quando vemos vencidas as restrições da pandemia, o que é o distanciamento
interpessoal, o egocentrismo. Cada um, portanto, olhando para o seu próprio
umbigo. Mas, depois de três anos de aprendizados, mesmo os mais recalcitrantes se
convencem de que tudo é um pouco mais que uma gripezinha. Com
quatro doses de vacina no braço, nenhuma resistência ou recusa e cuidados
redobrados, até a galera aqui de casa acabou pegando vírus.
A recente Conferência Mundial do Clima, no Egito,
renovou alertas e reforçou compromissos
retóricos. Há no plano formal, portanto, a convicção na maioria das nações de
que estamos à beira de um caos. Efeito estufa, aquecimento global, desmatamento
sem freios... Ah! Isso é coisa de ambientalistas malucos, de políticos
populistas! Então fiquemos apenas com os três, quatro anos de La Niña. Acho que
bastam. Quando, em qualquer outro tempo, como nos últimos anos, estamos tendo
secas tão devastadores e dilacerantes como a que corre assola o Rio Grande do
Sul? São pelos três verões seguidos de safras dizimadas, de prejuízos de toda ordem, de falta d’água
para beber e de esperanças extraviadas pelo caminho. E o que dizer de cruel e
inclemente cenário paradoxal, logo ‘acima’
de nós, ceifando vidas e multiplicando prejuízos,
aí pela ação de ‘dilúvios’?
Não. Isso não é ensaio de um filme de horrores. E
nem por que eu tenha esquecido de tomar a ‘boleta’ da animação. É, em verdade,
a tosca e dura rotina que estamos a enfrentar. Isto que nem estou mencionando a interminável beligerância da batalha política
– nas redes sociais, na ruas, nas esplanadas... Definitivamente, enfrentar a nossa cruel
rotina não é tarefa para amadores! No dia a dia, todos refazem um ritmo
frenético, alucinante, buscando não sei o quê? Ou estou sendo pessimista demais?
Ou preciso acrescentar algumas pílulas a mais de ‘boletas’?

Nenhum comentário:
Postar um comentário