O Censo marcado por
apagão de bom senso
Quantas vezes o Censo de 2022 já teve a sua conclusão adiada no Brasil? Três, quatro vezes? O detalhe pode parecer irrelevante, mas é, em si, revelador. Para começar, a recontagem da população nacional e a redefinição do seu perfil socioeconômico deveriam ter ocorrido em 2020, ou seja 10 anos após a avaliação anterior. Sob alegações diversas – a principal delas a falta de dinheiro -, vieram as procrastinações. Agora, depois da inusitada espera para começar, ocorre também para encerrar uma tarefa que é deve ser de rotina, mas é que é importância fundamental.
Ao longo do ano passado, várias foram as datas aprazadas
para finalizar o Censo, Todas elas foram adiadas e tudo fica para 2023. O IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), coordenador das ações, prevê
terminar o trabalho de campo em fevereiro, reservando os dois meses subsequentes para ajustar e sistematizar informações. O instituto, contudo, não pode ser crucificado
individualmente. Há uma combinação de muitos fatores e diferentes agentes envolvidos no processo.
Além da alegada limitação orçamentária, certamente
faltaram divulgação, motivação e esclarecimento à população objeto central da
pesquisa. Nesse contexto, também faltaram recenseadores. A remuneração foi insuficiente
para mover e confirmar candidatos? Aqueles que assumiram a tarefa receberam o adequado
preparo ao trabalho a ser desempenhado? Também,
nessa conjuntura, deduz-se que os brasileiros não foram suficientemente orientados
e convencidos, advindo daí, provavelmente, um grau de desconfiança em receber e
responder aos recenseadores.
Para completar o conjunto da obra, dados parciais do
Censo começaram a ser divulgados e utilizados, como se definitivos fossem, É
notória a redução do crescimento vegetativo no país, entretanto a divulgação de
informações ainda inclusos piorou uma a situação que já ruim. Boa parte das
prefeituras no país, entre elas São Borja, terão perdas substanciais no repasse
do Fundo de Participação dos Municípios - FPM, se o critério provisório prevalecer. O dinheiro do Fundo é a principal verba
federal e a Confederação Nacional de Municípios (CNM) recomenda judicializar o
caso.
Muitas prefeituras – São Borja é uma delas – vêm
desenvolvendo campanhas de motivação à participação para o Censo. Cumprem,
assim, tarefa que deixou de ser realizada pela UInião. A ministra atual de
Planejamento, Simone Tebet, não vai interferir e mudar a coordenação do IBGE
antes de o Censo de fato terminar.
O que aconteceu em relação ao censo demográfico foi o
que aconteceu em passado recente em relação a outras áreas estratégicas no
Brasil. É o caso do apagão em áreas como cultura, meio ambiente, saúde e educação,
incluindo programas visando
programas de formação em pesquisas de ciência e
tecnologia. Quanto ao Censo, é igualmente fundamental para organizar o Brasil,
prospectando seu futuro como como nação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário