Redes municipal e estadual de ensino
retomam rotina, com muitos desafios
Frota de 38 veículos garantirá serviço de
transporte às redes municipal e estadual.
Em
2023, o retorno das aulas nas redes privada e pública de ensino no Rio Grande
do Sul coincide com o período de carnaval. Nas escolas particulares, o recomeço
foi no início de semana. Já nos sistemas municipal e estadual os estudantes
voltam às salas de aula na quinta-feira, 23 de fevereiro. A semana em curso,
porém, já é de reuniões preparatórias e de recepção aos docentes e servidores
de apoio. Como sempre, serão muitos os desafios a serem enfrentados, incluindo a superação dos muitos prejuízos
trazidos pela pandemia da covid.
Em
São Borja, o serviço de transporte escolar será
novamente prestado pela prefeitura, mas para atender também à demanda
estadual. Recomeça no dia 23 com a volta
às aulas. Serão transportados alunos de áreas rurais, com a utilização de 38
veículos, entre ônibus e vans - 22 da frota própria do município e 16, terceirizados.
Serão atendidas as escolas rurais municipais de Ensino Fundamental, mais as escolas
estaduais de Ensino Médio de Nhu-Porã e de Timbaúva. Alunos do interior que frequentam
aulas na cidade também serão atendidos.
No total, mais de mil estudantes serão transportados.
Esta
semana, a Secretaria Municipal de Educação (SMEd) reuniu as equipes de
cozinheiras e do serviço nutricional, para renovar orientações. O secretário João Carlos Reolon ressalta
que o fornecimento de merenda está
assegurado. Acrescenta, como avanço no
setor, o fato de que pelo menos quatro escolas municipais servirão também café
da manhã, além da merenda de rotina. “A
administração municipal é que garante recursos e insumos para isso, já que os
repasses federal e estadual são sempre insuficientes”, destaca.
Terão
café da manhã as escolas CETIM, Ubaldo da Costa, República Argentina e Vicente
Goulart. A previsão é que bo próximo ano alunos de outras duas escolas também serão assistidas. “São evidentes os ganhos de desempenho dos
estudantes com esse acréscimo”, avalia o secr3etário.
Realidades
distintas
Secretário Reolon: incremento em parcerias e
aumento superior a 50% na Educação Infantil.
Logo
após o anúncio do índice pelo Ministério de Educação (MEC), do reajuste do piso
salarial nacional do magistério, o prefeito
Eduardo Bonotto confirmou a reposição para São Borja. Neste ano, o acréscimo
será de 14,9%. Um projeto de lei já foi mandado à Câmara de Vereadores e, esta
semana, foi aprovado, confirmando o reajuste. Há anos, os professores da rede
municipal recebem o piso nacional.
No
mesmo projeto mandado pelo Executivo à Câmara. também foram propostas outras
reposições. O vale-refeição para os servidores do município aumentará de R$ 600
para R$ 700. Já o salário da categoria, quadro geral, recebe correção de um
pouco menos de 6%. As matérias também foram aprovadas pelo Legislativo.
Em
relação aos professores estaduais. a situação é diferente. O pagamento de vários anos relativo ao piso
salarial, criado em 2008, é objeto de uma ação em curso no Judiciário. Trata-se
de uma ação coletiva e sem previsão de quando terá desfecho.
No período mais recente, o atual governador Eduardo Leite, na sua gestão inicial, disse ter passado a pagar o piso. O Cpers, sindicato dos docentes, contesta, porém, argumentando que, na prática, o que houve foi a agregação de direitos já consolidados. A questão é, no mínimo, polêmica.
Esta
semana, o governador e o Cpers voltaram a debater o tema. Eduardo leite ofereceu
reposição de 9,45%, o que elevaria o piso salarial, 40 horas/semanais, para R$
4.420. A tendência é de aceitação da oferta.
Contudo, os servidores em Educação não teriam reajuste. Uma das razões alegadas
é que desembolsos no setor extrapolariam os padrões legais de gastos possíveis.
Muitas
demandas
Na área central da cidade, passa a funcionar, este ano,
a maior escola de Educação Infantil. *Foto Ana Cogo)
Em São Borja, a SMEd também se utilizado de parcerias público-privadas para implementar ações de apoio ao ensino municipal. Um dos exemplos é o projeto de Educação Empreendedora, no Ensino Fundamental. Várias escolas-piloto desenvolvem a iniciativa em regime de cooperação técnico-pedagógica com o Sebrae.
A
partir do ano passado as parcerias são também com empresários. “Instituímos,
inicialmente, o formato pedagógico de escola cívico-militar na Escola Duque de
Caxias”, ressalta o secretário João Carlos Reolon. Para 2023 a previsão é de
que ação semelhante seja desenvolvida na Escola Ubaldo Sorrilha da Costa.
Reolon
destaca também outra parceria. ‘É uma iniciativa
relevante com o Senac.” A instituição ministra cursos profissionalizantes na
EJA da Escola Vicente Goulart. “Não temos dúvidas de que é a melhor forma para
tornar o ensino utilitário e contemplando o mercado de trabalho”, diz o
secretário de Educação.
Apesar
das dificuldades enfrentadas, a SMEd tem conseguido ampliar o número de vagas
na Educação Infantil. “Só na nossa gestão mais recente estamos por entregar
mais de 50% de vagas a mais”, destaca. Reolon refere-se, no passado recente, a
mais de 200 vagas na EMEI Natércia Santis, na antiga Apae, e espera oferecer
número parecido a mais em escola em fase de finalização no bairro Maria do
Carmo. Há, porém, carências
especialmente para o pré-escolar –
crianças de quatro e cinco anos. Parcerias com o Estado e outras instituições
têm suprido parte da demanda.
Outra
meta permanente é agregar avanços operacionais no campo pedagógico. “Um exemplo
de ação a ser implementada é a aquisição de telas interativas ou lousas
inteligentes para as escolas. “Os avanços da modernidade nos remetem para
investimentos desse tipo em caráter permanente”, diz Reolon.
Por
seu turno, o governador Eduardo Leite tem reiterado que a área de educação é
prioridade absoluta. Ultimamente, porém, não têm sido divulgadas informações sobre
avanços na área. Esta semana, a jornalista Rosane de Oliveira, de GZH, disse
que, apesar dos muitos anúncios, resultados não têm acontecido. “Já é hora de
fazer entregas”, avalia ela. Na concepção da jornalista, o novo ano letivo
começa sem que os gaúchos conheçam os progressos de incrementos prometidos.




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