A exploração dos indígenas é tão
antiga quanto história do Brasil
Na
história recente, o que ocorreu em relação à nação dos índios Yanomami ainda
vai ser investigado. Foi genocídio, omissão
de apoio, exploração predatória e consentida por garimpeiros? O tempo dará as respostas. Mas, no momento, não é isto
que está em questão. A intenção, agora,
é mostrar que as ações de escravização e de exploração dos indígenas vêm desde
que o Brasil foi descoberto, em 1500. Muitos preferem dizer que foi invadido.
Convém
dar um passo atrás. Por que, afinal, os índios são assim chamados hoje? A
origem do nome remete a 1492, quando Cristóvão Colombo chegou à América. Ao chegar
à ilha hoje San Domingos, ele achou que tinha chegado às Índias – grande
objetivo na época. Então, os povos encontrados passaram a ser identificados
como índios. Pouco depois, outro navegador – Américo Vespúcio – também chegaria
por aqui, e teve uma homenagem. Toda a
nova região (hoje o continente
americano) passou a ser chamada de América.
Enquanto
a América do Norte teve colonização por povoamento, principalmente por
ingleses, as porções Central e Sul tiveram colonização por exploração, ou seja,
pela retirada de riquezas. Espanha e Portugal, formadores da Península Ibérica,
eram as duas potências na época, entre os séculos 15 e 16, e se encarregaram de
extrair o que tinha de mais valioso, dominando ainda os povos nativos. Na
chamada América Espanhola, a dominação começou primeiro e também foi mais
motivadora, devido à descoberta de metais preciosos, como ouro e prata.
Nos
primeiros 30 anos após o descobrimento do Brasil, os portugueses extraíram
principalmente o pau-brasil, madeira nobre e fornecedora de importante tintura
de tecidos. Aliás, vem daí a denominação Brasil, além de outras, primeiro. O período foi mais de reconhecimento. Os
colonizadores aproveitaram-se da experiência dos índios nas matas e rios, para
penetrar no Litoral. Já os indígenas recebiam peças exóticas, desconhecidas,
como pagamento – em sistema de escambo.
A
escravização
Com a instituição das chamadas Capitanias Hereditárias, a partir de 1530, a mão de obra dos índios começa a ser escravizada. O mesmo corre, em sequência, com negros africanos. A utilização de escravos indígenas foi principalmente no Nordeste e em São Paulo, especialmente em relação à exploração de cana-de-açúcar, no cultivo e nos engenhos. Duas capitanias – as de Pernambuco e de São Vicente (SP) - foram as de melhor desempenho. Uma das razões para isso foi a utilização de índios escravizados.
Há
quem afirme que o período da escravatura indígena foi mais curto que dos negros
africanos. Não. Nos dois casos, a
exploração estendeu-se oficialmente até a abolição da escravatura, em 13 de
maio 1888. Na prática, porém, sabe-se que as consequências e a dívida social seguem
nos envergonhando ainda hoje.
A
diferença é que o escravizado africano vinha para o Brasil como uma mercadoria.
Já o índio escravizado era normalmente aprisionado. Como tática mais eficaz, tribos
eram colocadas em conflito e a derrotada no embate era então subjugada para
trabalhar aos colonizadores.
Outro
aspecto relevante foi a presença da Igreja Católica, instituição sempre muito
poderosa. Nas muitas missões criadas,
como as das reduções dos Sete Povos, os
indígenas eram catequizados, convertidos ao Cristianismo. Nas reduções, eles
aprendiam ofícios, além da religião e, em alguma medida, tinham trabalhos menos
forçados, mais humanizados. Já das suas aldeias traziam a cultura da socialização.
Na
Europa e na América, na época, intensificou-se a discussão sobre as questões
éticas, religiosas e morais em relação à
escravização. Há pensadores que nem chegavam a reconhecer que índios e negros
tenham alma. Para esta corrente, tal circunstância legitimava a escravização
aplicada.
Outra corrente, ao contrário, defendia direitos igualitários e isonomias
plenas em relação ao homem branco. Essa discussão se estenderia até o século 19,
já sob o olhar do Iluminismo, movimento defensor de igualdades. Nos anos 1800,
a Inglaterra proíbe a escravidão, a propósito, inclusive, da Revolução
Industrial.
Foi
neste século, contudo, que o Brasil mais
escravizou. Isso tanto indígenas quanto africanos. Depois do fim da Colônia
brasileira, em 1822, é que a compra e o tráfico de escravos aumentaram, em todo o período imperial até a abolição em
1888. No Império, chegou a ser instituída legislação específica vendo nos
índios uma espécie humana “inferior”.
Outra
ação devastadora contra os índios foi protagonizada por bandeirantes –
mineradores e desbravadores do interior do Brasil. Índios eram caçados e
submetidos a toda sorte de exploração e maltrato. Os indígenas foram, ainda,
dizimados por doenças transmitidas pelos europeus. Como estes tinham saúde mais
forte e protegida, acabaram afetando os povos nativos, que morreram aos
milhares.
Apesar de todos os impactos sofridos, os
índios – com seus conhecimentos milenares – dão uma relevante contribuição sobre
a riqueza da biodiversidade brasileira, inclusive para a cura de doenças. Suas
experiências espirituais também são referência cultural e de fé. Em relação à
história mais recente, todos nós a conhecemos. Em geral, ninguém discrimina ou desassiste
ninguém. Na prática, porém, porém, isso ocorre com relativa frequência.
Os
Yanomami
Os
Yanomami – hoje no centro das discussões - são um povo indígena que habita a região de
fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no norte da Floresta Amazônica. Do lado
brasileiro, as terras indígenas Yanomami ocupam uma área de 9,6 milhões de
hectares, entre o estado de Roraima e o estado do Amazonas.

Força-tarefa do governo federal visar garantir
assistência e preservação das terras yanomami.
Habitam
o lugar mais de 26 mil pessoas de
diversas comunidades indígenas. Asociedade yanomami está organizada em casas
comunitárias ou aldeias autônomas. As decisões são tomadas conjuntamente e as
tarefas, como a caça e a agricultura, são divididas entre homens e mulheres.
O
maior contato com os povos não indígenas começou a partir da segunda metade do
século passado. A ação de agentes econômicos interessados na exploração dos
recursos naturais da região trouxe uma série de impactos negativos, riscos e perigos
aos povos Yanomami. (Texto com apoio de Brasil Escola, Secretaria de
Educação do RJ e professor Vitor Soares)



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