sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

HERANÇA HISTÓRICA

 

 

A  exploração dos indígenas é tão

antiga quanto história do Brasil

 



Povos originários, chamados de índios, foram
desde cedo literalmente usados por colonizadores.

Na história recente, o que ocorreu em relação à nação dos índios Yanomami ainda vai ser investigado.  Foi genocídio, omissão de apoio, exploração predatória e consentida por garimpeiros? O tempo  dará as respostas. Mas, no momento, não é isto que está  em questão. A intenção, agora, é mostrar que as ações de escravização e de exploração dos indígenas vêm desde que o Brasil foi descoberto, em 1500. Muitos preferem dizer que foi invadido.

Convém dar um passo atrás. Por que, afinal, os índios são assim chamados hoje? A origem do nome remete a 1492, quando Cristóvão Colombo chegou à América. Ao chegar à ilha hoje San Domingos, ele achou que tinha chegado às Índias – grande objetivo na época. Então, os povos encontrados passaram a ser identificados como índios. Pouco depois, outro navegador – Américo Vespúcio – também chegaria por aqui, e teve uma  homenagem. Toda a nova região  (hoje o continente americano) passou a ser chamada de América.  

Enquanto a América do Norte teve colonização por povoamento, principalmente por ingleses, as porções Central e Sul tiveram colonização por exploração, ou seja, pela retirada de riquezas. Espanha e Portugal, formadores da Península Ibérica, eram as duas potências na época, entre os séculos 15 e 16, e se encarregaram de extrair o que tinha de mais valioso, dominando ainda os povos nativos. Na chamada América Espanhola, a dominação começou primeiro e também foi mais motivadora, devido à descoberta de metais preciosos, como ouro e prata.

Nos primeiros 30 anos após o descobrimento do  Brasil, os portugueses extraíram principalmente o pau-brasil, madeira nobre e fornecedora de importante tintura de tecidos. Aliás, vem daí a denominação Brasil, além de outras, primeiro. O  período foi mais de reconhecimento. Os colonizadores aproveitaram-se da experiência dos índios nas matas e rios, para penetrar no Litoral. Já os indígenas recebiam peças exóticas, desconhecidas, como pagamento – em sistema de escambo.

                                    

A escravização

 


Lutas entre tribos indígenas foi tática utilizada pelos
brancos. Os derrotados eram então escravizados.

Com a instituição das chamadas Capitanias Hereditárias, a partir de 1530, a mão de obra dos índios começa a ser escravizada. O mesmo corre, em sequência, com negros africanos. A utilização de escravos indígenas foi principalmente no Nordeste e em São Paulo, especialmente em relação à exploração de cana-de-açúcar, no cultivo e nos engenhos. Duas capitanias – as de Pernambuco e de São Vicente (SP) - foram as de  melhor desempenho. Uma das razões para isso foi a utilização de índios escravizados.

Há quem afirme que o período da escravatura  indígena foi mais curto que dos negros africanos.  Não. Nos dois casos, a exploração estendeu-se oficialmente até a abolição da escravatura, em 13 de maio 1888. Na prática, porém, sabe-se que as consequências e a dívida social seguem  nos envergonhando ainda hoje.

A diferença é que o escravizado africano vinha para o Brasil como uma mercadoria. Já o índio escravizado era normalmente aprisionado. Como tática mais eficaz, tribos eram colocadas em conflito e a derrotada no embate era então subjugada para trabalhar aos colonizadores.

Outro aspecto relevante foi a presença da Igreja Católica, instituição sempre muito poderosa. Nas  muitas missões criadas, como as das reduções  dos Sete Povos, os indígenas eram catequizados, convertidos ao Cristianismo. Nas reduções, eles aprendiam ofícios, além da religião e, em alguma medida, tinham trabalhos menos forçados, mais humanizados. Já das suas aldeias traziam a cultura da socialização.

Na Europa e na América, na época, intensificou-se a discussão sobre as questões éticas, religiosas  e morais em relação à escravização. Há pensadores que nem chegavam a reconhecer que índios e negros tenham alma. Para esta corrente, tal circunstância legitimava a escravização aplicada.

 Outra corrente, ao contrário,  defendia direitos igualitários e isonomias plenas em relação ao homem branco. Essa discussão se estenderia até o século 19, já sob o olhar do Iluminismo, movimento defensor de igualdades. Nos anos 1800, a Inglaterra proíbe a escravidão, a propósito, inclusive, da Revolução Industrial.

Foi neste século,  contudo, que o Brasil mais escravizou. Isso tanto indígenas quanto africanos. Depois do fim da Colônia brasileira, em 1822, é que a compra e o tráfico de escravos aumentaram,  em todo o período imperial até a abolição em 1888. No Império, chegou a ser instituída legislação específica vendo nos índios uma espécie humana “inferior”.


Ação inicial dos colonizadores foi no Litoral do
Brasil. E os índios tiveram papel fundamental.

Outra ação devastadora contra os índios foi protagonizada por bandeirantes – mineradores e desbravadores do interior do Brasil. Índios eram caçados e submetidos a toda sorte de exploração e maltrato. Os indígenas foram, ainda, dizimados por doenças transmitidas pelos europeus. Como estes tinham saúde mais forte e protegida, acabaram afetando os povos nativos, que morreram aos milhares.

 Apesar de todos os impactos sofridos, os índios – com seus conhecimentos milenares – dão uma relevante contribuição sobre a riqueza da biodiversidade brasileira, inclusive para a cura de doenças. Suas experiências espirituais também são referência cultural e de fé. Em relação à história mais recente, todos nós a conhecemos. Em geral, ninguém discrimina ou desassiste ninguém. Na prática, porém, porém, isso ocorre com relativa frequência.

 

Os Yanomami

 

Os Yanomami – hoje no centro das discussões -  são um povo indígena que habita a região de fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no norte da Floresta Amazônica. Do lado brasileiro, as terras indígenas Yanomami ocupam uma área de 9,6 milhões de hectares, entre o estado de Roraima e o estado do Amazonas.



Força-tarefa do governo federal visar garantir
assistência e preservação das terras yanomami.

Habitam o lugar mais  de 26 mil pessoas de diversas comunidades indígenas. Asociedade yanomami está organizada em casas comunitárias ou aldeias autônomas. As decisões são tomadas conjuntamente e as tarefas, como a caça e a agricultura, são divididas entre homens e mulheres.


O maior contato com os povos não indígenas começou a partir da segunda metade do século passado. A ação de agentes econômicos interessados na exploração dos recursos naturais da região trouxe uma série de impactos negativos, riscos e perigos aos povos Yanomami. (Texto com apoio de Brasil Escola, Secretaria de Educação do RJ e professor Vitor Soares)

        

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