O desafio de reparar perdas
e enfrentar futuros eventos

Secas sucessivas no RS comprometem os mananciais
hídricos e a produção do setor agropecuária gaúcha.
Como recuperar os muitos prejuízos de um Estado devastado pela seca? E como recuperar os muitos prejuízos quando, neste mesmo Estado, são três anos de seca? Este é o dilema do Rio Grande do Sul, castigado pelo La Niña, na maior parte do seu território, em três verões consecutivos. Só no ciclo em curso, o governo estadual já estima perdas de R$ 13 bilhões. A Organização das Cooperativas fala em R$ 27 bilhões. Em São Borja são quase R$ 500 milhões. E como prevenir ou atenuar futuros eventos semelhantes?
O governador Eduardo Leite anunciou
para o início de março o lançamento de sistema de monitoramento da estiagem.
Também anunciou recursos para construção de
cisternas e anistia a produtores no programa Troca-Troca de Sementes. Além de
medidas de enfrentamento
emergencial, são pensadas ações para médio e longo prazo, mas muitas delas
ainda dependem da confirmação de recursos.
É confirmada a criação de um sistema de
monitoramento contínuo da situação. São
quatro eixos de medidas anunciadas a longo, médio e curto prazo. Os eixos de
ação são disponibilidade e acesso à água; comunicação e monitoramento; aprimoramento
de governança e gestão; e apoio e
assistência.
O programa de
monitoramento da estiagem será lançado em menos 15 dias. A meta é prever
condições meteorológicas e criar ações preventivas para amenizar os efeitos.
Eduardo Leite também espera apoio de verba do governo federal em caráter
contínuo, como ocorre em relação ao Nordeste do país.
A anistia a produtores rurais do Programa
Troca-Troca de Sementes será na ordem de R$ 22,5 milhões. O produtor normalmente
banca parte dos custos, mas o Estado pagará todo o desembolso. Em São Borja, a
previsão é de que 39 produtores de milho ou sorgo forrageiro sejam assistidos.
O RS tem
aproximadamente 6 milhões de habitantes afetados diretamente pela seca – quase
a metade dos gaúchos. Para aquisição de cisternas e perfuração de poços
artesianos são previstos R$ 17,5
milhões. Por município afetado, seriam até três cisternas. São Borja também tem
prevista a instalação de 10 açudes a produtores.
O governo federal tem feito liberações pontuais de recursos a municípios gaúchos em situação
emergência, especialmente para cestas básicas e abastecimento de água. A
previsão, contudo, é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também venha ao
Estado e anuncie ações e verbas mais abrangentes. A tragédia das chuvas
recordes em São Paulo, com mortes e destruição, também concentra as atenções paralela.
E o futuro?
Os institutos de meteorologia sinalizam um período de
chuvas, nos próximos dias. Se a previsão se confirmar, as precipitações serão
muitos bem-vindas. Entretanto, para a
maior dos setores produtivos já virão tarde. Na maioria das situações, os
prejuízos são irreversíveis. Boas chuvas, portanto, podem recuperar para as
atividades de e subsequentes.
A conjuntura climáticas que se agrava gradativamente
contrasta com a ausência de medidas de prevenção ou enfrentamento. Programas e projetos de abastecimento de água
e de irrigação têm de ser mais abrangentes, e pensados coletivamente. Do mesmo
modo, ações sustentáveis e de racionalidade
de manejo são indispensáveis.
Regiões como a de São Borja, diretamente dependentes da
agropecuária, terão muitos desafios a enfrentar. Eles vão muito além da quebra das safras de
milho, soja e arroz ou na produção da pecuária. Os rebanhos, já diminuídos, demorarão para se refazer.
Em uma cadeia em que ainda pouca diversificação é
agregada, o processo como um todo se vê comprometido. Também as incipientes produções
de hortifrutigranjeiros e da agroindústria familiar são diretamente afetadas e
com perspectiva incerta. Fundamental também se faz implantar sistemas mais
robustos e perenes de abastecimento de água potável e de irrigação.
Esse quadro no campo, em síntese, atinge também a cidade
– sua economia, seus serviços e seus empregos. Como óbvio, ainda, queda
expressiva na arrecadação pública se refletirá no nível entregas à sociedade. Portanto, este e os próximos anos serão de
grandes desafios e enfrentamentos.
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