quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

ESTIAGENS RECORRENTES

                                         

 O desafio de reparar perdas

e enfrentar futuros eventos

 


Secas sucessivas no RS comprometem os mananciais
hídricos e a produção do setor agropecuária gaúcha.


Como recuperar os muitos prejuízos de um Estado devastado pela seca? E como recuperar os muitos prejuízos quando, neste mesmo Estado,  são três anos de seca? Este é o dilema do Rio Grande do Sul, castigado pelo La Niña, na maior parte do seu território,  em três verões consecutivos. Só no ciclo em curso, o governo estadual já estima perdas de R$ 13 bilhões. A Organização das Cooperativas fala em R$ 27 bilhões. Em São Borja são quase R$ 500 milhões. E como prevenir ou atenuar futuros eventos semelhantes?

O governador Eduardo Leite  anunciou para o início de março o lançamento de sistema de monitoramento da estiagem. Também anunciou recursos para construção de cisternas e anistia a produtores no programa Troca-Troca de Sementes. Além de medidas de enfrentamento emergencial, são pensadas ações para médio e longo prazo, mas muitas delas ainda dependem da confirmação de recursos.

É confirmada a criação de um sistema de monitoramento contínuo da situação.  São quatro eixos de medidas anunciadas a longo, médio e curto prazo. Os eixos de ação são disponibilidade e acesso à água; comunicação e monitoramento; aprimoramento de  governança e gestão; e apoio e assistência.

O programa de monitoramento da estiagem será lançado em menos 15 dias. A meta é prever condições meteorológicas e criar ações preventivas para amenizar os efeitos. Eduardo Leite também espera apoio de verba do governo federal em caráter contínuo, como ocorre em relação ao Nordeste do país.

A  anistia a produtores rurais do Programa Troca-Troca de Sementes será na ordem de R$ 22,5 milhões. O produtor normalmente banca parte dos custos, mas o Estado pagará todo o desembolso. Em São Borja, a previsão é de que 39 produtores de milho ou sorgo forrageiro sejam assistidos.

O RS tem aproximadamente 6 milhões de habitantes afetados diretamente pela seca – quase a metade dos gaúchos. Para aquisição de cisternas e perfuração de poços artesianos  são previstos R$ 17,5 milhões. Por município afetado, seriam até três cisternas. São Borja também tem prevista a instalação de 10 açudes a produtores.

O governo federal tem feito liberações  pontuais  de recursos a municípios gaúchos em situação emergência, especialmente para cestas básicas e abastecimento de água. A previsão, contudo, é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também venha ao Estado e anuncie ações e verbas mais abrangentes. A tragédia das chuvas recordes em São Paulo, com mortes e destruição, também concentra as atenções paralela.  

 

E o futuro?

 

Os institutos de meteorologia sinalizam um período de chuvas, nos próximos dias. Se a previsão se confirmar, as precipitações serão muitos bem-vindas.  Entretanto, para a maior dos setores produtivos já virão tarde. Na maioria das situações, os prejuízos são irreversíveis. Boas chuvas, portanto, podem recuperar para as atividades de  e subsequentes.  

 

A conjuntura climáticas que se agrava gradativamente contrasta com a ausência de medidas de prevenção ou enfrentamento.  Programas e projetos de abastecimento de água e de irrigação têm de ser mais abrangentes, e pensados coletivamente. Do mesmo modo, ações sustentáveis  e de racionalidade de manejo são indispensáveis.

Regiões como a de São Borja, diretamente dependentes da agropecuária, terão muitos desafios a enfrentar.  Eles vão muito além da quebra das safras de milho, soja e arroz ou na produção da pecuária. Os rebanhos, já diminuídos,  demorarão para se refazer.

Em uma cadeia em que ainda pouca diversificação é agregada, o processo como um todo se vê comprometido. Também as incipientes produções de hortifrutigranjeiros e da agroindústria familiar são diretamente afetadas e com perspectiva incerta. Fundamental também se faz implantar sistemas mais robustos e perenes de abastecimento de água potável e de irrigação.

Esse quadro no campo, em síntese, atinge também a cidade – sua economia, seus serviços e seus empregos. Como óbvio, ainda, queda expressiva na arrecadação pública se refletirá no nível entregas à sociedade.  Portanto, este e os próximos anos serão de grandes desafios e enfrentamentos.

 

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