Efeitos multiplicadores das
universidades em São Borja
Há
algumas décadas, além de se ser reconhecida como o maior entroncamento ferroviário
em território gaúcho, Santa Maria ganhou
a honrosa referência de Cidade Universitária. De fato: a sua Universidade
Federal e as suas várias outras instituições de ensino superior tornaram o ‘Coração
do Rio Grande’ em importante polo regional. Serviços de ponta na área da saúde
também ajudaram a consolidar este
status. Eis que, do mesmo modo, agora São
Borja e o seu entorno, mesmo que com outro perfil e proporção, começa a ser
transformada pelas áreas da educação e da saúde.
As
ruas já mostram isso, num vai-e-vem alegre e animado. Após mais de dois anos de
silêncio, impostos pela pandemia de covid, a cidade enche-se novamente de diferentes
sotaques e coloridos de todas latitudes
brasileiras. Eles são jovens em sua maioria e que, “de mala e cuia”, vêm semear
e germinar seus sonhos no solo meridional do país. De repente, o cenário voltou
a mudar completamente.
São
três os destinos para os sonhos da Juventude. Um é a Universidade Federal do
Pampa (Unipampa). Outro é o Instituto Federal Farroupilha (IFFar). O terceiro é
no outro lado da fronteira, na Fundação Héctor Barceló, em Santo Tomé. Ainda
não pode ser esquecida a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). É notório o efeito multiplicador e
transformador trazido por essas instituições.
Números
falam
Em sete cursos, universidade monta estruturapara acolher sonhos e demandas para o futuro.
Com
a retomada das aulas presenciais em abril, a Unipampa prepara levantamento
detalhado em torno das positivas repercussões da presença da universidade em
São Borja. Enquanto isso, o coordenador Administrativo da instituição, Gustavo
de Carvalho Luz, indica número de maio de 2020, de antes da pandemia. Naquele mês de maio, R$ 1.625.745,00 foram
desembolsados para atender às demandas de rotina.
Isso
inclui auxílio de assistência estudantil, viagens a serviço do campus da
universidade, manutenções rotineiras e pagamento de professores e técnicos
administrativos. Para docentes e servidores de apoio são cerca de R$ 1,3 milhão
mensais injetados na economia local. Considerando
o desembolso de há dois anos, de R$ 1.625.745,00 - já defasado -, são mais de
R$ 20 milhões todos os anos.
É
fácil de concluir que toda a cadeia de demandas de serviços é diretamente
beneficiada. Nas imobiliárias da cidade tem sido crescente a procura por casas
e apartamentos, inclusive para aquisição, mas principalmente para locação. Do mesmo modo, cresce o fluxo nos
supermercados, nos bares e lanchonetes, ou buscando lazer ou suprimentos.
Duas
regiões na cidade estão entre as, geograficamente, mais demandadas. Uma é o
bairro do Passo, devido à proximidade com as duas unidades em funcionamento da
Unipampa. A outra opção é a região central urbana, pela proximidade dos
serviços essenciais de abastecimento e de transporte, especialmente o coletivo.
Facilitar as idas e vindas a Santo Tomé também é outro fator essenciais.
Núcleo
de apoio
Dos
mais de dois mil acadêmicos hoje na Unipampa, mais de 60% vêm de fora, normalmente de cidades ou estados
distantes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. “Na última
semana chegou um estudante do interior do estado do Amazonas”, relata o núcleo
de apoio na Unipampa. A saga no norte brasileiro começou viajando de barco e
depois de conseguir avião, para só
finalmente chegou a São Borja, via rodoviária.
A
universidade tem pronta a sua Casa do Estudante, que oferece 80 vagas,
masculinas e femininas. As instalações, porém, ainda não podem ser utilizadas.
Dependem de ajustes do sistema de PPCI (Programa de Prevenção e Combate a Incêndios).
Tal
circunstância aumenta a necessidade de os estudantes correrem atrás de
acomodação para moradia na cidade. Normalmente eles se reúnem em pequenos
grupos e alugam apartamento ou casas em parceria, para baratear custos. Funcionam
como mini repúblicas.
Para
habilitar acesso a recursos de apoio à moradia, alimentação e transporte é
aberto edital de seleção dos candidatos. Um dos principais critérios de seleção
é o nível socioeconômico. O valor máximo é de R$ 700, mas normalmente fica na
faixa de R$ 500.
Durante
o período mais agudo da pandemia, também foi oferecido auxílio-internet, para
facilitar as aulas ministradas à distância. Para moradia, há apartamentos sendo subdivididos três e até
quatro ambientes, para acomodar o maior número de estudantes. O sentimento geral, entre eles, é de que existe
bastante solidariedade.
O Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE), de auxílio
aos estudantes, é um setor vinculado à Coordenação Acadêmica e responsável pela
execução da política de assistência estudantil e pelo apoio pedagógico e
psicossocial no âmbito do campus da universidade. Funciona no Campus 2, salas 3.216 (atendimento
estudantil); e 3.218 (atendimento pedagógico). O atendimento
ao público é das 8h às 21h.
Um grupo de cinco pessoas, em diferentes funções, atua no
NuDE: William Bernardes, Eduardo Assunção, Leandro Lead, Giovana Belém e Ana Cláudia Gattiboni.
A atuação da equipe multiprofissional do NuDE visa
contribuir com a adaptação e a integração no contexto universitário, com a
promoção do acesso aos direitos e com o enfrentamento da evasão e da retenção
acadêmicas.
No
IFFar
IFFar: retorno desde fevereiro para
acolher mil estudantes e educadores.
Na unidade local do Instituto Federal Farroupilha os serviços de refeitório e moradia estudantil foram
retomados plenamente a partir de
fevereiro, com a volta das aulas presenciais. A alunos de ensino médio e
residentes na moradia estudantil são oferecidas quatro refeições diárias - café da manhã, almoço, lanche e janta.
Já a moradia estudantil oferece 120
vagas, sendo 60 masculinas e 60 femininas. Para usufruir da moradia, os alunos
devem participar de edital de seleção, por critérios socioeconômicos,
como renda familiar per capita e distância da residência do aluno até o campus.
Até hoje sempre
conseguimos atender à demanda dos nossos estudantes em relação à moradia estudantil e refeições,
garante o diretor Artênio Rabuske acrescenta que a instituição, hoje com cerca
de mil alunos, tem abrangência regional, recebendo inclusive frequentadores de
outros estados.
Com 2 anos sem aulas presenciais,
devido à pandemia, o IFFar acabou reduzindo despesas rotineira de custeio. Uma das compensações foi a geração
de receitas, que permitiu investir no incremento da infraestrutura de apoio. Na
prática, isso resulta na entrega de serviços de melhor qualidade a estudantes,
professores e servidores na instituição.
Por exemplo, o Instituto Federal
Farroupilha implantou sistema de fibra ótica, passando a oferecer internet com
mais estabilidade e velocidade. Do mesmo modo, foi instalado sistema de geração
de energia solar através painéis fotovoltaicos. Restaurante e moradia
estudantil foram melhoradas, assim como
passarela instalada une e dá mais proteção entre os pavilhões utilizados.
Além da fronteira
Sem a necessidade de vestibular na
Argentina e com a necessidade de prova de desempenho dos aprovados no Brasil ao
final do curso, formação em Medicina é
cada vez mais opção de investimento técnico-acadêmico. Há alguns anos, eram alguns são-borjenses ou
moradores em cidades da região que aderiam à alternativa. Agora são dezenas – centenas
se considerar todo o ciclo -, e vem gente de todo o Brasil.
Muitos dos que vêm de fora moram em Santo Tomé, mas outra parcela significativa opta por São Borja. Vivem de aluguéis e consomem na cidade, o que naturalmente também ajuda a movimentar e aquecer a economia local. É uma demanda que só cresce, somada àquela gerada pelo efeito multiplicador da Unipampa e do IFFar.
No Centro Unificado de Fronteira (CUF)
da Ponte da Integração a informações é de que os critérios de migração aos
estudantes em Santo Tomé são os mesmos aplicados aos demais que atravessam
a fronteira brasileiro-argentina. A
vantagem concedida é que estudantes de fora podem cadastrar veículo de São
Borja ou Santo Tomé, pagamento o pedágio mais barato. É a tarifa vicinal. A
quem defenda é que ela já poderia ser dispensada para todos os moradores na fronteira.








Nenhum comentário:
Postar um comentário