sexta-feira, 6 de maio de 2022

BENEFÍCIOS EM CADEIA

 


Efeitos multiplicadores das

universidades em São Borja

 


De todo o país, mais de dois mil estudantes
na Unipampa, trazendo sotaques de brasilidade.
(Foto Unipampa)

Há algumas décadas, além de se ser reconhecida como o maior entroncamento ferroviário em território gaúcho,  Santa Maria ganhou a honrosa referência de Cidade Universitária. De fato: a sua Universidade Federal e as suas várias outras instituições de ensino superior tornaram o ‘Coração do Rio Grande’ em importante polo regional. Serviços de ponta na área da saúde também  ajudaram a consolidar este status. Eis que, do mesmo modo, agora  São Borja e o seu entorno, mesmo que com outro perfil e proporção, começa a ser transformada pelas áreas da educação e da saúde.

As ruas já mostram isso, num vai-e-vem alegre e animado. Após mais de dois anos de silêncio, impostos pela pandemia de covid, a cidade enche-se novamente de diferentes sotaques  e coloridos de todas latitudes brasileiras. Eles são jovens em sua maioria e que, “de mala e cuia”, vêm semear e germinar seus sonhos no solo meridional do país. De repente, o cenário voltou a mudar completamente.

São três os destinos para os sonhos da Juventude. Um é a Universidade Federal do Pampa (Unipampa). Outro é o Instituto Federal Farroupilha (IFFar). O terceiro é no outro lado da fronteira, na Fundação Héctor Barceló, em Santo Tomé. Ainda não pode ser esquecida a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).  É notório o efeito multiplicador e transformador trazido por essas instituições.

 

Números falam

 

Em sete cursos, universidade monta estrutura
para acolher sonhos e demandas para o futuro.
(Foto Unipampa)

Com a retomada das aulas presenciais em abril, a Unipampa prepara levantamento detalhado em torno das positivas repercussões da presença da universidade em São Borja. Enquanto isso, o coordenador Administrativo da instituição, Gustavo de Carvalho Luz, indica número de maio de 2020, de antes da pandemia.  Naquele mês de maio, R$ 1.625.745,00 foram desembolsados para atender às demandas de rotina.

Isso inclui auxílio de assistência estudantil, viagens a serviço do campus da universidade, manutenções rotineiras e pagamento de professores e técnicos administrativos. Para docentes e servidores de apoio são cerca de R$ 1,3 milhão mensais injetados na economia local.  Considerando o desembolso de há dois anos, de R$  1.625.745,00 -  já defasado -, são   mais de R$ 20 milhões todos os anos.

É fácil de concluir que toda a cadeia de demandas de serviços é diretamente beneficiada. Nas imobiliárias da cidade tem sido crescente a procura por casas e apartamentos, inclusive para aquisição, mas principalmente para locação.  Do mesmo modo, cresce o fluxo nos supermercados, nos bares e lanchonetes, ou buscando lazer ou suprimentos.

Duas regiões na cidade estão entre as,  geograficamente, mais demandadas. Uma é o bairro do Passo, devido à proximidade com as duas unidades em funcionamento da Unipampa. A outra opção é a região central urbana, pela proximidade dos serviços essenciais de abastecimento e de transporte, especialmente o coletivo. Facilitar as idas e vindas a Santo Tomé também é outro fator essenciais.

 

Núcleo de apoio

 

  1. Alimentação, moradia, transporte: unidade de
  2. apoio mantém atenção permanente a quem chega.
Foto Unipampa)

Dos mais de dois mil acadêmicos hoje na Unipampa, mais de  60% vêm de fora, normalmente de cidades ou estados distantes, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. “Na última semana chegou um estudante do interior do estado do Amazonas”, relata o núcleo de apoio na Unipampa. A saga no norte brasileiro começou viajando de barco e depois de conseguir avião, para  só finalmente chegou a São Borja, via rodoviária.

A universidade tem pronta a sua Casa do Estudante, que oferece 80 vagas, masculinas e femininas. As instalações, porém, ainda não podem ser utilizadas. Dependem de ajustes do sistema de PPCI (Programa de Prevenção e Combate a Incêndios).

Tal circunstância aumenta a necessidade de os estudantes correrem atrás de acomodação para moradia na cidade. Normalmente eles se reúnem em pequenos grupos e alugam apartamento ou casas em parceria, para baratear custos. Funcionam como mini repúblicas.

Para habilitar acesso a recursos de apoio à moradia, alimentação e transporte é aberto edital de seleção dos candidatos. Um dos principais critérios de seleção é o nível socioeconômico. O valor máximo é de R$ 700, mas normalmente fica na faixa de R$ 500.

Durante o período mais agudo da pandemia, também foi oferecido auxílio-internet, para facilitar as aulas ministradas à distância. Para moradia, há  apartamentos sendo subdivididos três e até quatro ambientes, para acomodar o maior número de estudantes.  O sentimento geral, entre eles, é de que existe bastante solidariedade.

O Núcleo de Desenvolvimento Educacional (NuDE), de auxílio aos estudantes, é um setor vinculado à Coordenação Acadêmica e responsável pela execução da política de assistência estudantil e pelo apoio pedagógico e psicossocial no âmbito do campus da universidade.  Funciona no  Campus 2, salas 3.216 (atendimento estudantil); e 3.218 (atendimento pedagógico). O atendimento ao público é das 8h às 21h.



Retomada das aulas presenciais, após dois
anos, devolve rotinas no campus e na cidade.
*Foto Unipampa)

Um grupo de cinco pessoas, em diferentes funções, atua no NuDE: William Bernardes, Eduardo Assunção, Leandro Lead,  Giovana Belém e Ana Cláudia Gattiboni.

 A atuação da equipe multiprofissional do NuDE visa contribuir com a adaptação e a integração no contexto universitário, com a promoção do acesso aos direitos e com o enfrentamento da evasão e da retenção acadêmicas.

 

No IFFar

 


IFFar: retorno desde fevereiro para 
acolher mil estudantes e educadores.

(Foto Elisandro Coelho)

Na unidade local do Instituto Federal Farroupilha os serviços de refeitório e moradia estudantil foram retomados  plenamente a partir de fevereiro, com a volta das aulas presenciais. A alunos de ensino médio e residentes na moradia estudantil são oferecidas quatro refeições diárias - café da manhã, almoço, lanche e janta. Já a  moradia estudantil oferece 120 vagas, sendo 60 masculinas e 60 femininas. Para usufruir da moradia, os alunos devem participar de edital de seleção, por critérios socioeconômicos, como renda familiar per capita e distância da residência do aluno até o campus.

  Até hoje sempre conseguimos atender à demanda dos nossos estudantes  em relação à moradia estudantil e refeições, garante o diretor Artênio Rabuske acrescenta que a instituição, hoje com cerca de mil alunos, tem abrangência regional, recebendo inclusive frequentadores de outros estados.

Com 2 anos sem aulas presenciais, devido à pandemia, o IFFar acabou reduzindo despesas rotineira  de custeio. Uma das compensações foi a geração de receitas, que permitiu investir no incremento da infraestrutura de apoio. Na prática, isso resulta na entrega de serviços de melhor qualidade a estudantes, professores e servidores na instituição.

Moradia para estudantes no Instituto Farroupilha
coloca 120 vagas à disposição às demandas.
(Foto Elisandro Coelho)

Por exemplo, o Instituto Federal Farroupilha implantou sistema de fibra ótica, passando a oferecer internet com mais estabilidade e velocidade. Do mesmo modo, foi instalado sistema de geração de energia solar através painéis fotovoltaicos. Restaurante e moradia estudantil  foram melhoradas, assim como passarela instalada une e dá mais proteção entre os pavilhões utilizados.

 

Além da fronteira

 

Sem a necessidade de vestibular na Argentina e com a necessidade de prova de desempenho dos aprovados no Brasil ao final do curso,  formação em Medicina é cada vez mais opção de investimento técnico-acadêmico.  Há alguns anos, eram alguns são-borjenses ou moradores em cidades da região que aderiam à alternativa. Agora são dezenas – centenas se considerar todo o ciclo -, e vem gente de todo o Brasil.

Fluxo na Ponte da Integração torna-se cada
vez mais intenso, movimentando a fronteira.

Muitos dos que vêm de fora moram em Santo Tomé, mas outra parcela significativa opta por São Borja. Vivem de aluguéis e consomem na cidade, o que naturalmente também ajuda a movimentar e aquecer a economia local. É uma demanda que só cresce, somada àquela gerada pelo efeito multiplicador da Unipampa e do IFFar.

No Centro Unificado de Fronteira (CUF) da Ponte da Integração a informações é de que os critérios de migração aos estudantes em Santo Tomé são os mesmos aplicados aos demais que atravessam a  fronteira brasileiro-argentina. A vantagem concedida é que estudantes de fora podem cadastrar veículo de São Borja ou Santo Tomé, pagamento o pedágio mais barato. É a tarifa vicinal. A quem defenda é que ela já poderia ser dispensada  para todos os moradores na fronteira.



Atividades práticas no IFFar são construção

dos profissionais do mercado de trabalho;

*Foto Elisandro Coelho)

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