sexta-feira, 20 de maio de 2022

NOSSA HISTÓRIA

 No aniversário de 188 anos, um

recorte da história de São Borja

 

 

Pesquisador Fernando Rodrigues retrata a 
São Borja de vila chegando à cidade.

São Borja normalmente celebra com mais ênfase a sua data de formação histórica e do padroeiro, em 10 de outubro, completando 340 anos em 2022. O 21 de maio, porém, é também representativo, pois assinala a data de emancipação político-administrativa, ao status  de Vila. Assim, este sábado, 21, é data de aniversário. São 188 anos de emancipação.   Desmembrada de Rio Pardo, São Borja conquistou sua autonomia em 21 de maio de 1834, quando foi instituída e entrou em funcionamento a sua Câmara de Vereadores.  João José da Fontoura Palmeiro foi o seu primeiro presidente. Uma rua na área central, corta a cidade no sentido leste-oeste, materializando na memória popular  referência ao dirigente legislativo.

A Vila de São Borja foi elevada à categoria de Cidade pela lei provincial 1.614, em 12 de dezembro de 1887. Com isso, obteve a alteração toponímica distrital de São Francisco de Borja para São Borja.

 

São Borja no período

  

Jornal em São Borja que
teria ganhados reprovação.


Pesquisador da história local e um apaixonado pelo legado missioneiro, o professor-mestre Fernando Rodrigues socorre com informações relevantes sobre um período importante da trajetória são-borjense. Ele informa que   em  1888 a Vila de São Borja tinha pouco mais de  20 estabelecimentos comerciais, além de  dois hotéis, 35 oficinas e dois bilhares. Era ainda sede de Comarca, dispondo de dois advogados e dois auxiliares na área.

Na mesma época a Igreja Matriz católica ainda estava em construção. A igreja jesuítica já tinha sido demolida. Havia um quartel em construção no atual bairro do Passo, assim como uma cadeia. Além disso, dois cemitérios e uma escola municipal se encontravam em implantação. .

No mesmo período o movimento no porto de São Borja registrou, no ano, 293 entradas de embarcações e igual número de partidas. Do total, foram quatro vapores com capacidade para 292 toneladas e até 48 tripulantes.

 

Produção pujante

 

 ... do príncipe consorte brasileiro 
Conde D'Eu, durante visita histórica..

 

O clima era em geral ameno, apesar de mudanças súbitas de temperatura, O major doutor  Carlos Eugenio de Andrade Guimarães registrou nos anos de 1884 e 1885 uma média de 26,6ºC de temperatura. O frio mais intenso foi de 8ºC e o dia mais quente alcançou  31ºC.

Os terrenos devolutos estavam passando por processo de colonização. Em vista do seu desenvolvimento, a Vila solicitava a desobstrução da cachoeira do rio Butuy e de seus baixios. Eles interceptavam a navegação que fazia a ligação entre São Borja e Itaqui. O solo era rico e fértil, produzindo com abundância.

 

Vida político-social

 


A sociedade contava com uma loja maçônica, duas sociedades  -Dramáticas a Recreio e a União do Passo. Funcionava também  uma biblioteca, que havia sido criada por iniciativa privada. Ainda existia o Clube Republicano, fundado em 1881 e que foi determinante, para que, em 07 de setembro de 1884, a Vila de São Borja libertasse os seus escravos.

Em 16 de agosto de 1884 circulou o primeiro jornal impresso em São Borja - o Echo de Missões. Posteriormente foi substituído pelo periódico Município.

 

Na troca de mãos

 

O território de São Borja pertenceu a Espanha, como Redução Jesuítica e  um dos Sete Povos das Missões orientais. No entanto, Borges do Canto e Cabo Pedroso (ambos atuais nomes de ruas) se apoderaram do território em 1801, o entregando ao governo de Portugal. São Borja pertenceu desde então, ao Município de Rio Pardo, até que por decreto de 21 de maio de 1834 foi elevada à categoria de Vila.

A cidade de São Borja foi o lugar escolhido para o julgamento da Guerra Guaranítica, que foi a rebelião dos índios e jesuítas contra a entrega das Missões Orientais, pelo Tratado de Madri  entre Espanha e Portugal, em 1750. O julgamento dos índios  foi em 1756, onde é hoje a Praça XV de Novembro. O tribunal foi formado por membros das Coroas espanhola e portuguesa. Na guerra, os guaranis foram massacrados.



Luís Filipe Maria Fernando
Gastão de Orléans, Conde D’Eu,

De São Borja partiu o movimento pioneiro que acabaria com a Monarquia, criando a República no Brasil. Daqui surgiu  a Moção Plebiscitária, de 13 de janeiro de 1888, que se opunha ao terceiro reinado no país. O vereador Apparício Mariense da Silva – que denomina uma das ruas centrais, escola e outras instituições, além de ser patrono do Legislativo – liderou o movimento.

Fernando Rodrigues fundamentou sua pesquisa com base em textos até 1922.  Constata que, 37   anos antes de São Borja se tornar Cidade,

já era chamada de "Velha São Borja". Ele observa que isso leva a concluir  que em 1885, após visita do Conde D'Eu, “ele prometeu a elevação da Vila em Cidade, em troca do fechamento do jornal Echo das Missões." Isto por que o jornal era contra o terceiro reinado e teria escrito em letras  minúsculas a publicação do seu nome. O fato é que dois anos após, em 1887, a Vila foi elevada à condição de Cidade.

Conde d’Eu (1842-1922) foi príncipe consorte no Brasil ao casar-se com a Princesa Isabel, filha de D. Pedro II e herdeira do trono brasileiro. Foi marechal do Exército e comandou as forças brasileiras na Guerra do Paraguai. Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans, mais conhecido como Conde D’Eu, era filho de pais franceses, mas veio para o Brasil para casar-se com a princesa Isabel.

 



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