De guerras. E
de
incertezas
Ainda estamos a cinco meses das
eleições de outubro no Brasil, mas a disputa, como uma hostil beligerância, de
há muito está deflagrada entre nós. Há indicativos que, dependendo dos
resultados nas urnas, eles poderão não ser aceitos. Esta ‘guerra’ nos preocupa,
claro, entretanto é uma outra – a do
Leste europeu – a que se faz mais imprevisível e mais devastadora nas suas
deletérias consequências imediatas. Vladimir Putin achou que em alguns dias a
Ucrânia estaria na lona, já no primeiro round. Não foi assim. Ao
contrário, o ataque, o massacre, a guerra – o qualificativo que quiserem
atribuir – arrasta-se penosa e indefinidamente.
A disputa virou briga de cachorro
grande. A figura pode parecer apenas um eufemismo retórico, mas é jogo duro,
pesado. O presidente norte-americano Joe Baden quer que, com urgência, o
Congresso aprove socorro adicional de 33 bilhões de dólares aos ucranianos.
Essa dinheirama seria para apoios durante seis meses. Há, portanto, projeção de
um embate ainda longo, sem data para acabar. Mais da metade da ajuda – 20 bilhões de dólares – seria para
fins militares e a compra de armamentos. A Alemanha, sempre comedida, sinaliza
claramente que também será mais incisiva e solidária ao país invadido.
Desconsiderando o jogo da retórica, próprio dos conflitos, o fato é que a União
Europeia e o Ocidente como um todo indicam que estão dispostos a irem além de
sanções econômicas ou do campo diplomático.
Por seu turno, a Rússia pode ter
errado seus cálculos iniciais, contudo segue determinada e pretendendo matar a
Ucrânia no cansaço, para abocanhar territórios. Mais de cinco milhões de cidadãos ucranianos já tiveram de fugir e cidades inteiras foram
ou estão sendo destruídas. Mais que petróleo e gás, os russos têm armas bem
mais letais e devastadoras. Assim, a
herança bélica das ogivas nucleares da extinta URSS não pode ser subestimada.
Especialistas não acham absurdo cogitar uma eventual III Guerra Mundial. Em
algum aspecto, o poderio bélico-químico russo é até mais potente e de difícil detecção
que o dos norte-americanos. Há mais de 20 anos no
poder, Putin entende que a ajuda que estão dando à Ucrânia significa a ação
direta da Otan e do Ocidente, e isso tem de ser rechaçado segundo a lógica do
ditador.
Qualquer que seja o desfecho, a
conta para a comunidade mundial terá um alto custo a ser pago. A China dança seu
balé sutil, na tentativa de equilibrar-se nessa dança nem sempre harmônica da
geopolítica mundial. Mas isso até
quando? Nesse teatro de guerra, os chineses sabem que o papel hoje de coadjuvante deve logo passar a ser a de
protagonista principal, chance que não pode
ser desperdiçada.
Mundo afora, faltam insumos
básicos, alimentos essenciais, energia, quase tudo... Os preços vão às alturas,
tudo fica ‘pela hora da morte’, diante de uma escassez crescente. Não adianta
dizer que nada temos a ver com a guerra
lá longe. Basta fazer compras no supermercado, abastecer o carro ou o botijão
de gás, para sentir os estragos também aqui. É
só observar o desemprego em massa e sem solução ou os custos
escorchantes de se produzir. E ainda tem o medo que é disseminado por mentes
doentias, como uma espada sobre a cabeça
de todos nós. E isso que, oficialmente, a campanha eleitoral no Brasil ainda
nem começou! Ufa!

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