quarta-feira, 4 de maio de 2022

INTERROGAÇÕES

 

De guerras. E

de incertezas

 


Ainda estamos a cinco meses das eleições de outubro no Brasil, mas a disputa, como uma hostil beligerância, de há muito está deflagrada entre nós. Há indicativos que, dependendo dos resultados nas urnas, eles poderão não ser aceitos. Esta ‘guerra’ nos preocupa, claro,  entretanto é uma outra – a do Leste europeu – a que se faz mais imprevisível e mais devastadora nas suas deletérias consequências imediatas. Vladimir Putin achou que em alguns dias a Ucrânia estaria na lona, já no primeiro round. Não foi assim. Ao contrário, o ataque, o massacre, a guerra – o qualificativo que quiserem atribuir – arrasta-se penosa e indefinidamente.

A disputa virou briga de cachorro grande. A figura pode parecer apenas um eufemismo retórico, mas é jogo duro, pesado. O presidente norte-americano Joe Baden quer que, com urgência, o Congresso aprove socorro adicional de 33 bilhões de dólares aos ucranianos. Essa dinheirama seria para apoios durante seis meses. Há, portanto, projeção de um embate ainda longo, sem data para acabar.  Mais da metade  da ajuda – 20 bilhões de dólares – seria para fins militares e a compra de armamentos. A Alemanha, sempre comedida, sinaliza claramente que também será mais incisiva e solidária ao país invadido. Desconsiderando o jogo da retórica, próprio dos conflitos, o fato é que a União Europeia e o Ocidente como um todo indicam que estão dispostos a irem além de sanções econômicas ou do campo diplomático.

Por seu turno, a Rússia pode ter errado seus cálculos iniciais, contudo segue determinada e pretendendo matar a Ucrânia no cansaço, para abocanhar territórios. Mais de cinco milhões de  cidadãos ucranianos  já tiveram de fugir e cidades inteiras foram ou estão sendo destruídas. Mais que petróleo e gás, os russos têm armas bem mais letais e devastadoras. Assim,  a herança bélica das ogivas nucleares da extinta URSS não pode ser subestimada. Especialistas não acham absurdo cogitar uma eventual III Guerra Mundial. Em algum aspecto, o poderio bélico-químico russo é até mais potente e de difícil detecção  que  o dos norte-americanos. Há mais de 20 anos no poder, Putin entende que a ajuda que estão dando à Ucrânia significa a ação direta da Otan e do Ocidente, e isso tem de ser rechaçado segundo a lógica do ditador.

Qualquer que seja o desfecho, a conta para a comunidade mundial terá um alto custo a ser pago. A China dança seu balé sutil, na tentativa de equilibrar-se nessa dança nem sempre harmônica da geopolítica mundial. Mas isso  até quando? Nesse teatro de guerra, os chineses sabem que o papel hoje  de coadjuvante deve logo passar a ser a de

 protagonista principal, chance que não pode ser desperdiçada.  

Mundo afora, faltam insumos básicos, alimentos essenciais, energia, quase tudo... Os preços vão às alturas, tudo fica ‘pela hora da morte’, diante de uma escassez crescente. Não adianta dizer que nada temos  a ver com a guerra lá longe. Basta fazer compras no  supermercado, abastecer o carro ou o botijão de gás, para sentir os estragos também aqui. É  só observar o desemprego em massa e sem solução ou os custos escorchantes de se produzir. E ainda tem o medo que é disseminado por mentes doentias,  como uma espada sobre a cabeça de todos nós. E isso que, oficialmente, a campanha eleitoral no Brasil ainda nem começou! Ufa!

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