quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

PERSPECTIVA – 2



A difícil tarefa de fazer entregas

e de pacificar uma nação divida


 


Lula, o novo presidente, quer unidade
nacional e retomar o desenvolvimento.

 Quem quer que fosse eleito, este ano, para ser o próximo presidente do Brasil, é certo que não teria uma tarefa fácil. Portanto, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, indicado pelas urnas para governar a nação, terá pela frente muitos desafios. Para começar terá como uma das missões principais unir e pacificar uma nação dividida pela polarização política. Além de agregar estes ‘dois brasis’, há um monumental rol de demandas exigindo soluções. Tem-se um país em gradativa retração socioeconômica há mais de uma década, desindustrializado, inflação em alta, baixa capacidade de investimentos e um desemprego crônico. O tecido social, ademais, está completamente esgaçado e, a pano, que não é qualquer pano que consiga remendar.

 

A situação, que já não era boa desde o início da década passada, só piorou com a pandemia da covid a partir de 2020. Já há alguns anos, o Brasil voltou a voltou a figurar no mapa nada colorido da fome. Dados oficiais indicam que, em 2021, 36% dos brasileiros enfrentaram alguma dificuldade para se alimentar. Esse patamar é superior ao da média mundial e quase três vezes superior ao índice de depois de 2010, em território nacional. Assim, enfrentar esse gigantesco problemas social. com auxílios emergenciais e a geração de empregos, é tarefa indispensável e urgente.

 

O presidente eleito Lula tem preconizado como meta alavancar investimentos e desindustrializar o país. Contudo, isso não é fácil a qualquer governante, na atual conjuntura. Há um orçamento limitado e cujas receitas têm de atender, primeiro, demandas essenciais e urgentes. Estão, entre elas, setores com escassas entregas no passado recente, em educação, saúde, desenvolvimento e programas sociais, segurança pública, cultura e meio ambiente.

 

O Brasil de mãos dadas, como um
dos grandes desejos nacionais.

Apesar deste contexto, o Brasil precisa crescer. O Produto Interno Bruto da indústria já chegou a 30% da geração econômica nacional. Atualmente, a contribuição do setor é pouco mais de um terço disso. A visão estatizante do novo governo não sugere parcerias em larga escala com a iniciativa privada. Ainda assim, a disposição é incrementar a agricultura, a partir do segmento familiar, e programas oficiais como o habitacional Minha Casa, Minha Vida.

 

É de se considerar, ainda, que a gestão Lula está formando 37 Ministérios, número quase recorde. A ‘engenharia’ política é para aglutinar os muitos partidos que agregam apoio. Resta saber se, neste amplo espectro de diferentes tendências, haverá ambiente de unidade e de implementação dos resultados pretendidos.

 

Proposições

 

O ano de 2022 deve fechar com inflação entre 2,7 e 3 por cento. Porém esse sinalizador momentâneo de crescimento econômico não mantém, a seguir, a mesma tendência. Para 2023, a perspectiva de crescimento em torno de somente 1 por cento. Fatores nacionais e globais indicam esse quadro.

 

Campos Neto: o governo como grande
indutor da política de desenvolvimento.

Falando recentemente ao jornal Estado de S; Paulo, o economista Sílvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, disse que “governos de quaisquer ideologias precisam implementar ações compartilhadas com o mercado e o empresariado, indutoras de novos investimentos.” Logo, realizar as privatizações necessárias é uma das medidas sugeridas pelo economista.

 

Campos Neto destaca, contudo, que mais do que isso é preciso fazer reformas que hoje engessam o crescimento. “A primeira das reformas tem de ser a tributária e, havendo condições, também deve ser feita a reforma administrativa”, segundo avalia. O técnico diz que o cenário ideal é descomprimir a pressão da máquina pública e modernizar a política fiscal.

 

O economia da Tendências reconhece, porém, que existe uma série de fatores desfavoráveis. Um dos enfrentamentos imediatos é diminuir a inflação em alta e reduzir o custo do crédito. Outra ação proposta é viabilizar recursos para fazer investimentos, gerando empregos e renda.

 

Há, nessa conjuntura, um consenso entre os economistas. Se a situação não é boa no Brasil, também não é no exterior. O Estados Unidos está em desaceleração econômica, os países da Zona do Euro têm escassez de fontes de energia, em especial do gás natural. A China, maior parceiro comercial, crescerá bem menos que o normal. O conflito da Rússia invadindo a Ucrânia respinga no mundo todo. Mesmo assim, o Brasil tem de buscar os parceiros internacionais, e esta é a disposição anunciada por Lula.

 

A pacificação

 

Jair B

Jair Bolsonaro, presidente atual,
encerra ciclo da história do país.

Em meio a tantos problemas a equacionar, outro enorme desafio é unir os brasileiros como uma nação efetiva e fraterna. A realidade mais recente tem mostrado, entretanto, que esta não é uma tarefa simples. As hostilidades e o divisionismo político, nos últimos anos, são os mais impactantes em todo o último período de redemocratização no país. E se está falando do mais longo período republicano dito democrático, de 34 anos, em que ocorreram dois impeachments presidenciais.

 

Desta forma, o novo governo Lula, na sua terceira gestão, provavelmente terá bem mais dificuldades que nas duas anteriores. No caso da harmonização nacional, será necessário agir como “um elefante circulando entre cristais.” Vem pela frente, portanto, a espinhosa missão de não impedir as manifestações democráticas, mas, ao mesmo tempo também, neutralizar seus excessos – sem que isso se transforme em novos tensionamentos.

Um comentário:

  1. Triste ver um país dividido. E será cada vez mais, amalgamado por aquilo que ocorreu durante a apuração das urnas, fartamente comprovado. Os prejudicados têm memória e não sossegarão enquanto a justiça não for feita. Nos primeiros dias do governo que, em um passado recente, entregou um país quebrado e mergulhado em centenas de atos de corrupção e com seu líder maior preso, as coisas tendem a piorar; exemplo triste é a denúncia do envolvimento da Ministra do Turismo com milicianos e as trapalhadas de ministérios como o da Economia. As ações da oposição não passarão pano aos desmandos e erros do governo. Ensaia-se nas ruas o discurso "Fora Lula". Que Deus esteja acima de todos e nos proteja. Vamos precisar muito. E logo!!!

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