quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O NOVO NORMAL


Como em anos anteriores, mananciais hídricos
começam a secar no RS, causando prejuízos de toda ordem.

*Imagens da internet)

No caos climático, calorão, seca,

perdas enxurradas e destruições


Neste início de dezembro, uma das  queixas mais  frequentes tem sido em relação às bagunças no clima. Mesmo que, oficialmente, o verão só chegue no dia 21, as altas temperaturas, a baixa umidade do ar e  a escassez de chuvas tem sido  as marcas do período. Para quem ainda  não pode desfrutar do Litoral ou da Serra, a alternativa é  ficar sob o ar condicionado, para suportar os mais de 40ºC à tarde, como no caso do Oeste gaúcho. (E dizer que muita gente não tem sequer ventilador e geladeira para encarar tantas  adversidades).

Prestando atenção, o caos climático é de escala planetária, pelo aquecimento global. No entanto, apesar do gradativo agravamento do quadro, parece estar sendo banalizado pela maioria. No âmbito da nossa ‘aldeia’ há um fator específico, localizado, a turbinar todos os muitos efeitos. É o fenômeno climático La Niña, que provoca o resfriamento das águas do Pacífico e que já, há uns três ou quatro anos, conforme a região, acarreta em menos chuva e mais calor entre nós.



Combinação de La Niña e aquecimento
global faz com que chuvas sejam escassas no Sul.

No caso do La Niña, castiga sobremaneira o Sul do Brasil e, de resto, todo o continente. Como consequência, tivemos no verão 2021-2022 uma das secas mais severas e impactantes  da história recente do Rio Grande do Sul. Nada menos do que 426 municípios gaúchos decretaram situação de emergência. Não bastassem as perdas acarretadas pelo recesso da pandemia da Covid, foram incalculáveis os prejuízos nas safras agrícolas, na pecuária e na geração de emprego e de renda.

 

Cenário preocupa


  perspectiva novamente não é boa para o ciclo 2022-2023.  O La Niña ainda arrastará seus efeitos de mais calor e menos chuva  por todo o verão. O município de Tupanciretã, na Região Central do Estado, grande produtor de soja, milho e de gado,  é o primeiro a declarar emergência e pedir socorro. Aliás, toda a região central está sob alerta e teme pelo período do verão e meses subsequentes.

Todos os rios do entorno do município de Santa Maria, centro do território gaúcho, estão com seu nível bem abaixo do normal.  Uma das consequências é que caminhões/pipa já precisam abastecer de água para consumo humano e animal as comunidades rurais. Além disso, toda a agricultura familiar, normalmente sem sistemas de  irrigação,  está também sob grave ameaça.

Há indicativos de crescimento do agronegócio em 2023, contudo grandes regiões estão sob a incerteza de produzir ou não. São regiões como das Missões, do Planalto, do Alto Uruguai e do Noroeste gaúcho. São as regiões que respondem pela maior produção, mas as safras de verão e a pecuária familiar  estão seriamente ameaçadas. Logo, também estão sob ameaça, por extensão, também a indústria e a criação de empregos.



Lavouras de verão são sempre um dos
setores com maior incidência de perdas.

Na região deSão Borja, no Oeste gaúcho como um todo, as chuvas ocorrem, mas de maneira mais espaçada e em volume bem menor que o normal. Na Prefeitura já há pedidos para abastecer poços de balde com caminhões-pipa, e a tendência só é de agravamento desse quadro.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Eugênio Dutra, reconhece a gravidade da situação, mas destaca que os recursos de apoio são limitados. O pedido é que a água ainda disponível seja economizada e só usada para fins essenciais. Dutra reconhece que sistemas de abastecimento  precisam melhorias, entretanto a ação esbarra em orçamento.


Secas severas têm feito o PIB gaúcho
encolher nos últimos anos no Estado.

Mais de uma centena de açudesbebedouros para o gado estão sendo limpos e recuperados, mas os resultados são paliativos. Sistemas de açudagem e de irrigação têm implantação prevista com recurso estadual, entretanto não sabe quando as obras acontecerão.

Depois de semanas de encomendas, não houve demanda para a aquisição de alevinos. A lógica dos piscicultores é de que sem água nos criatórios não dá para produzir peixes.  O município planejou plantar áreas recordes de milho e de soja, todavia a falta de chuva pode inviabilizar os resultados. Menos mal que a safra de trigo produziu bem e foi das maiores na história recente em São Borja e  Rio Grande do Sul.  

 

Escala global

 

Como referência emblemática para as crescentes bagunças no clima, basta observar que, enquanto o extremo Sul do país, padece com estiagens devastadoras e outros eventos severos como frios recordes, logo acima do território gaúcho gritam os contrastes. A partir de Santa Catarina, Paraná e estados do Sudeste , por exemplo,  tem-se, ao contrário, chuvas em volume e consequência nunca vistas. Por semanas seguidas,  precipitações como ‘dilúvio’  e com efeitos devastadores produziram  muito além do que prejuízos materiais. Perdas humanas às  dezenas, desmoronamentos,  rodovias, veículos, moradias e vidas soterradas, revelando a dura constatação do impossível enfrentamento.



Em outras regiões do país, o contraste:
excesso de chuva traz morte e destruição.

Ora, isso tudo não é normal. A natureza parece estar revidando aos ataques quesofre de forma continuada. Foi assim também no recente verão  europeu, em território asiático ou norte-americanos. Milhares de quilômetros de florestas foram engolidas por incêndios. A seca, ao mesmo tempo,  foi a maior em séculos. E os prejuízos, de toda ordem, são incalculáveis.

  Não é por acaso, então, que a recente Conferência Mundial do Clima, no Egito, tenha revelado  tanta ênfase e despertado tanto interesses e compromissos entre as nações participantes. O Brasil, a propósito, deixa sua marca de preocupação e o seu empenho formal de ir além do discurso.



Preservar bioma amazônico é tarefa fundamental.
Grandes prejuízo econômicos vem do desequilíbrio.

Excluindo-se qualquer viés da  discussão ideológica do tema, o desmatamento  da Amazônia e a necessidade de  preservação do importante bioma passam a ter importância determinante para o futuro do planeta e da humanidade. É simplista  afirmar que todos os  atuais desarranjos climáticos entre nós tenham epicentro na Amazônia. Não será  exagero, contudo,  afirmar que o que acontece na vida amazônica tem repercussão diretas entre nós. Despertar para esta realidade é urgente e configura fator inquestionável.

 

 

 

 

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