Como em anos anteriores, mananciais hídricos
começam a secar no RS, causando prejuízos de toda ordem.
*Imagens da internet)
No caos climático, calorão, seca,
perdas enxurradas e destruições
Neste
início de dezembro, uma das queixas mais
frequentes tem sido em relação às
bagunças no clima. Mesmo que, oficialmente, o verão só chegue no dia 21, as
altas temperaturas, a baixa umidade do ar e a escassez de chuvas tem sido as marcas do período. Para quem ainda não pode desfrutar do Litoral ou da Serra, a
alternativa é ficar sob o ar
condicionado, para suportar os mais de 40ºC à tarde, como no caso do Oeste
gaúcho. (E dizer que muita gente não tem sequer ventilador e geladeira para
encarar tantas adversidades).
Prestando
atenção, o caos climático é de escala planetária, pelo aquecimento global. No
entanto, apesar do gradativo agravamento do quadro, parece estar sendo
banalizado pela maioria. No âmbito da nossa ‘aldeia’ há um fator específico,
localizado, a turbinar todos os muitos efeitos. É o fenômeno climático La Niña,
que provoca o resfriamento das águas do Pacífico e que já, há uns três ou
quatro anos, conforme a região, acarreta em menos chuva e mais calor entre nós.

Combinação de La Niña e aquecimento
global faz com que chuvas sejam escassas no Sul.
Cenário preocupa
perspectiva novamente não é boa para o ciclo 2022-2023. O La Niña ainda arrastará seus efeitos de mais calor e menos chuva por todo o verão. O município de Tupanciretã, na Região Central do Estado, grande produtor de soja, milho e de gado, é o primeiro a declarar emergência e pedir socorro. Aliás, toda a região central está sob alerta e teme pelo período do verão e meses subsequentes.
Todos
os rios do entorno do município de Santa Maria, centro do território gaúcho, estão
com seu nível bem abaixo do normal. Uma
das consequências é que caminhões/pipa já precisam abastecer de água para
consumo humano e animal as comunidades rurais. Além disso, toda a agricultura familiar,
normalmente sem sistemas de irrigação, está também sob grave ameaça.
Há
indicativos de crescimento do agronegócio em 2023, contudo grandes regiões estão
sob a incerteza de produzir ou não. São regiões como das Missões, do Planalto,
do Alto Uruguai e do Noroeste gaúcho. São as regiões que respondem pela maior
produção, mas as safras de verão e a pecuária familiar estão seriamente ameaçadas. Logo, também estão
sob ameaça, por extensão, também a indústria e a criação de empregos.
Na
região deSão Borja, no Oeste gaúcho como um todo, as chuvas ocorrem, mas de maneira
mais espaçada e em volume bem menor que o normal. Na Prefeitura já há pedidos
para abastecer poços de balde com caminhões-pipa, e a tendência só é de
agravamento desse quadro.
O
secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Eugênio Dutra, reconhece a gravidade
da situação, mas destaca que os recursos de apoio são limitados. O pedido é que
a água ainda disponível seja economizada e só usada para fins essenciais. Dutra
reconhece que sistemas de abastecimento precisam melhorias, entretanto a ação esbarra em
orçamento.
Secas severas têm feito o PIB gaúcho
encolher nos últimos anos no Estado.
Mais de uma centena de açudesbebedouros para o gado estão sendo limpos e recuperados, mas os resultados são paliativos. Sistemas de açudagem e de irrigação têm implantação prevista com recurso estadual, entretanto não sabe quando as obras acontecerão.
Depois
de semanas de encomendas, não houve demanda para a aquisição de alevinos. A
lógica dos piscicultores é de que sem água nos criatórios não dá para produzir
peixes. O município planejou plantar
áreas recordes de milho e de soja, todavia a falta de chuva pode inviabilizar
os resultados. Menos mal que a safra de trigo produziu bem e foi das maiores na
história recente em São Borja e Rio Grande do Sul.
Escala
global
Como
referência emblemática para as crescentes bagunças no clima, basta observar
que, enquanto o extremo Sul do país, padece com estiagens devastadoras e outros
eventos severos como frios recordes, logo acima do território gaúcho gritam os
contrastes. A partir de Santa Catarina, Paraná e estados do Sudeste , por
exemplo, tem-se, ao contrário, chuvas em
volume e consequência nunca vistas. Por semanas seguidas, precipitações como ‘dilúvio’ e com efeitos devastadores produziram muito além do que prejuízos materiais. Perdas
humanas às dezenas, desmoronamentos, rodovias, veículos, moradias e vidas
soterradas, revelando a dura constatação do impossível enfrentamento.
Ora,
isso tudo não é normal. A natureza parece estar revidando aos ataques quesofre
de forma continuada. Foi assim também no recente verão europeu, em território asiático ou
norte-americanos. Milhares de quilômetros de florestas foram engolidas por incêndios.
A seca, ao mesmo tempo, foi a maior em
séculos. E os prejuízos, de toda ordem, são incalculáveis.
Não é por acaso, então, que a recente
Conferência Mundial do Clima, no Egito, tenha revelado tanta ênfase e despertado tanto interesses e
compromissos entre as nações participantes. O Brasil, a propósito, deixa sua
marca de preocupação e o seu empenho formal de ir além do discurso.
Excluindo-se
qualquer viés da discussão ideológica do
tema, o desmatamento da Amazônia e a
necessidade de preservação do importante
bioma passam a ter importância determinante para o futuro do planeta e da
humanidade. É simplista afirmar que
todos os atuais desarranjos climáticos entre
nós tenham epicentro na Amazônia. Não será exagero, contudo, afirmar que o que acontece na vida amazônica
tem repercussão diretas entre nós. Despertar para esta realidade é urgente e configura
fator inquestionável.





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