A pandemia nos
torna melhores?
Natal e Ano-Novo sempre nos remetem a fazer balanços e planos.
Com mais razão ainda após este longo período de três anos de pandemia da Covid.
Afinal, a impactante crise sanitária no planeta - com severas repercussões na
saúde do corpo, da alma e do bolso -, nos está tornando melhores do que éramos?
É frequente a indagação e, numa rápida resposta, a constatação é que, em certa
medida, andamos para trás, portanto involuímos.
Nota-se que grande parte da humanidade adoeceu
emocionalmente. Ansiedade, depressão, insegurança, reclusão e isolamento social. Mais perguntas do que respostas e negacionismos são alguns dos
fatores para tantas consequências. Outra
inquietação que não se cala: como seres humanos, avançamos ou retrocedemos?
Houve chance de crescimento espiritual, de engajamento e de solidariedade.
E isso fez o pessoal da Saúde, por exemplo. Em geral,
todavia, seguimos formando uma imensa geração de ressentidos, de egoístas e
cada vez mais contemplando o próprio umbigo.
É natural que a chaga social do desemprego, do
desamparo, da fome e da desigualdade continue sangrando ainda mais. No Brasil,
a pandemia fez afundar um pouco mais no fosso. Os números oficiais mais
recentes indicam que acima de 60 milhões de compatriotas não têm o suficiente
para comer, colocando quase um terço da população nacional abaixo da linha da
pobreza. Mais do que um número gigantesco, apesar de frio, há um imenso
problema humanitário gritando por soluções.
Basta olhar à nossa volta para dimensionar o atual
quadro caótico. Em frente das nossas casas, dos supermercados ou das instituições
assistenciais, aumenta a romaria de
pedintes. Uma legião de futuro incerto,
pedindo de tudo um pouco, inclusive empatia, atenção ou uma palavra de conforto. Nas unidades de
saúde cresce, do mesmo modo, a fila dos que buscam remédio a um corpo combalido
e a um espírito dilacerado pela dor das incertezas. O desejo, além do
restabelecimento pessoal, é também de
ver recuperado o SUS – glorioso escudo
de amparos, mas hoje também na UTI. Assim como para a Covid ou a gripe, do
mesmo modo é preciso uma vacina, e
urgentemente. O respeito à cidadania deve ser o laboratório.
É legítimo que os lojistas queiram, neste período,
faturar mais através dos presentes de Natal. Necessitam recuperar a saúde
financeira. Afinal, é ela que gera empregos e dignidades. Sente-se, contudo,
que a maioria das pessoas verbaliza não apenas a busca de presentes materiais.
Isto porque eles normalmente não estão nas vitrines ou no balcões das lojas;
mas nas prateleiras do coração. São presentes simples, como o afeto, um abraço,
uma palavra confortante, um minuto de
atenção. E nem precisam estar
embrulhados em pompas e circunstâncias!
Em
tempos de mundo ‘líquido’, digital, caso você opte pelas mídias sociais para
remeter e exteriorizar sentimentos e apreços, o faça com discrição, sobriedade, elegância e singeleza.
Não é a hora e nunca será para os ‘cancelamentos’, para as arrogâncias ou a
disseminação de ódios e de soberbas. Chega do ‘nós e eles’, da segregações. O
mundo está farto de orgulhos e de egocentrismos deletérios. O Menino Jesus que
deve renascer em cada um de nós foi o maior exemplo de humildade e altruísmo.
Deve, assim, ser nossa permanente inspiração, nosso grande rastro de Luz a
indicar caminhos!

Infelizmente aquilo que diziam que não seríamos os mesmo após a pandemia, ficou lá onde começaram e terminaram com as mortes. Seguimos os mesmos: egoístas, antipáticos, arrogantes, insensíveis, ignorantes e esquecidos. E essa amnésia nos custará muito, mas caro. Quem viver, verá.
ResponderExcluirInfelizmente aquilo que diziam que não seríamos os mesmo após a pandemia, ficou lá onde começaram e terminaram as mortes. Seguimos os mesmos: egoístas, antipáticos, arrogantes, insensíveis, ignorantes e esquecidos. E essa amnésia nos custará muito, mas muito caro. Aí sim, nao serenos os mesmos. Quem viver, verá
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