Frente ampla do
PT vai dar certo?
O
doutor em Sociologia pela Universidade de Oxford Celso Rocha de Barros acaba de
lançar o litro ‘PT, uma história’, remontando a evolução do Partido dos
Trabalhadores e do seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva. O intelectual
falou à equipe do podcast ‘Foro de
Teresina’ sobre a obra, a trajetória petista e as chances de Lula dar ou certo
na sua futura gestão como presidente da
República. Avaliou o cenário político-partidário de modo geral.
Rocha
de Barros lembra que o PT se firmou como
partido, a partir dos anos 1970, inicialmente como um movimento de pautas
sociais e indiretamente ajudado pela burguesia. A ideia, no começo, nem era de
partido, mas foi ganhando corpo. O desempenho político-eleitoral inicial foi
muito fraco, crescendo, porém, nos anos 1980 no vácuo de outras agremiações. “Queriam
que o Lula, na época, fosse o braço
sindical do MDB, mas ele não aceitou e consolidou o PT como agremiação política,”
destaca .
O
sociólogo conclui como a maioria que
Lula é bem mais do que o PT, “e um grande estrategista;” Observa que o
crescimento petista nos anos 80 se deu pelo fato de o MDB (ou PMDB) não ter
desempenhado a missão histórica que lhe foi atribuída. O petismo, assim, foi
crescendo diante da falha das correntes de centro-direita no poder.
Na
sequência, já nos anos 1990 e início dos anos 2000, o crescimento do PT é
atribuído por desarranjos no PDSB, apesar das contribuições relevantes dos
tucanos no período de governo. Na sequência, nesse ambiente de ocupação de
espaços, Lula viria a ser duas vezes presidente. Após a sucessão de choque de
interesses resultaria na troca Dilma-Temer Bolsonaro.
O
sociólogo Rocha de Barros considerou que o ciclo da centro-direita durou pouco
por faltar habilidade para manter os espaços ocupados. O pesquisador diz que o
segmento mais pobre dos brasileiros, ao contrário do que se pensa, sabe muito
bem votar. “Eles são pragmáticos e escolhem aqueles que podem lhe trazer
melhores resultados.”
Quanto
ao sucesso ou não da atual frente ampla formada por Lula, o intelectual como
uma interrogação. “Apesar da competência de Lula para negociar, teremos de esperar para ver
os resultados.” Rocha de Barros acha que, “além da atenção no cenário nacional,
é preciso também dar atenção às alianças e cenários regionais.”

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