sábado, 31 de dezembro de 2022

EVOLUÇÃO POLÍTICA

 

Frente ampla do

PT vai dar certo?

 


Sociólogo Celso Rocha de Roccha diz
que PT vive mesmo desafio do MDB.




O doutor em Sociologia pela Universidade  de Oxford Celso Rocha de Barros acaba de lançar o litro ‘PT, uma história’, remontando a evolução do Partido dos Trabalhadores e do seu principal líder, Luiz Inácio Lula da Silva. O intelectual falou  à equipe do podcast ‘Foro de Teresina’ sobre a obra, a trajetória petista e as chances de Lula dar ou certo na sua futura gestão como presidente  da República. Avaliou o cenário político-partidário de modo geral.

Rocha de Barros lembra  que o PT se firmou como partido, a partir dos anos 1970, inicialmente como um movimento de pautas sociais e indiretamente ajudado pela burguesia. A ideia, no começo, nem era de partido, mas foi ganhando corpo. O desempenho político-eleitoral inicial foi muito fraco, crescendo, porém, nos anos 1980 no vácuo de outras agremiações. “Queriam que o Lula, na época,  fosse o braço sindical do MDB, mas ele não aceitou e consolidou o PT como agremiação política,” destaca .

O sociólogo  conclui como a maioria que Lula é bem mais do que o PT, “e um grande estrategista;” Observa que o crescimento petista nos anos 80 se deu pelo fato de o MDB (ou PMDB) não ter desempenhado a missão histórica que lhe foi atribuída. O petismo, assim, foi crescendo diante da falha das correntes de centro-direita no poder.

Na sequência, já nos anos 1990 e início dos anos 2000, o crescimento do PT é atribuído por desarranjos no PDSB, apesar das contribuições relevantes dos tucanos no período de governo. Na sequência, nesse ambiente de ocupação de espaços, Lula viria a ser duas vezes presidente. Após a sucessão de choque de interesses resultaria na troca Dilma-Temer Bolsonaro.

O sociólogo Rocha de Barros considerou que o ciclo da centro-direita durou pouco por faltar habilidade para manter os espaços ocupados. O pesquisador diz que o segmento mais pobre dos brasileiros, ao contrário do que se pensa, sabe muito bem votar. “Eles são pragmáticos e escolhem aqueles que podem lhe trazer melhores resultados.”

Quanto ao sucesso ou não da atual frente ampla formada por Lula, o intelectual como uma interrogação. “Apesar da competência de  Lula para negociar, teremos de esperar para ver os resultados.” Rocha de Barros acha que, “além da atenção no cenário nacional, é preciso também dar atenção às alianças e cenários regionais.”

 

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