Os anjos da estrada,
na proteção à vida
Por mês, percurso de 1
milhão de km.
E transportando 40 pacientes por dia
Faça chuva ou faça sol, eles estão sempre
à disposição. Mesmo em madrugadas e noites geladas, eles estão cortando os
caminhos do Rio Grande. Eles são os motoristas-condutores do serviço de
transporte da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em São Borja, que conhecem
palmo a palmo a anatomia das rodovias gaúchas. Nesta saga sem cessar, carregam
pacientes, acompanhantes e suas esperanças, na busca de consultas médicas ou de
atendimentos especializados. No retorno, trazem soluções, recebendo aplausos e
gratidões.
Nem a impactante
pandemia da covid-19 interrompeu a salutar rotina. “Nos momentos mais críticos,
o ritmo do fluxo chegou a ser desacelerado, mas nenhum caso mais urgente deixou
de ser assistido”, segundo garante a secretária municipal de Saúde, Sabrina
Loureiro. Nos primeiros nove meses do ano, foram atendidos765 pacientes por mês, em média. Já
em setembro, com a melhora dos indicadores da covid, já são mais de 1,2 mil pacientes
transportados – mais de 40 por dia -, um incremento superior a 50% em relação à
média.
No mês de setembro, foram conduzidos 639
pacientes pela frota de veículos próprios e locados da SMS e outros 646 por veículos de serviços terceirizados. Já em
2021, de janeiro a setembro, foram transportados,
mensalmente, 292 pacientes com a utilização de veículos próprios e locados. Por serviços terceirizados, no mesmo período, ocorreu o deslocamento de 473 pacientes a cada mês, em
média. Isso então contabiliza os 765
pacientes/mês como média.
Também de janeiro a setembro, este ano, o
setor de transportes da SMS realizou 2.098 deslocamentos para outros
municípios, transportando 6.465 pacientes através da frota própria e de
veículos locados. Já através do serviço de transporte terceirizado, foram 575
viagens e que transportaram 4.732
pacientes. São, No total, 2.673 viagens e 11.197 pacientes atendidos.
Levantamento da Saúde
municipal indica que os veículos da sua frota de transportes percorrem em conjunto,
a cada mês, cerca de um milhão de quilômetros, tendo como destino centros
especializados de assistência médico-hospitalar espalhados pelo Rio Grande do
Sul. Esse longo percurso corresponde à impressionante marca correspondente a 50
voltas completas ao redor da Terra, compara a secretária Sabrina Loureiro.
Destinos e atendimentos
Os deslocamentos para assistência
médico-hospitalar são agendados pelo MAC, unidade que regula consultas e
procedimentos de média e alta complexidade. Os destinos são para mais de uma
dezena de diferentes cidades gaúchas. Entre as mais frequentes estão Ijuí,
Santo Ângelo, Porto Alegre e Santa Maria. Além destas, também são transportados
pacientes para tratamentos em Rosário do Sul, Santa Rosa, Passo Fundo, Giruá,
Santiago, São Sepé, Lajeado e Uruguaiana.
As
demandas dos pacientes transportados são variadas. Os casos mais notificados estão
ligados às áreas de Oncologia, Hematologia, Nefrologia e Oftalmologia. Ainda
integram o rol dde assistências as áreas de Cardiologia, Vascular, Dermatologia
e Nutricional, como cirurgias bariátricas.
Outro relevante atendimento é prestado
através do serviços de ambulâncias da Secretaria de Saúde. Neste ano, de
janeiro a outubro, foram 193 deslocamentos, normalmente em situações de
emergência, para assistência especializada a pacientes em outros centros especializados
no Estado. Em 2021, o recorde de fluxo foi em julho – 27 viagens – e outras 23
em fevereiro e em outubro, seguidas de 22 em maio e em agosto. Em janeiro foram
12 deslocamentos de ambulâncias; em março, 15; em abril, 16; mesmo número de
junho; e 17 em setembro.
Capacitações permanentes
Municipal de Saúde tem
atualmente nos seus quadros, apenas para o serviço de transportes, 28 motoristas. A equipe de condutores
recebe capacitações e atualizações funcionais
permanente. Uma das finalidades é garantir tratamento cortês e com
segurança aos pacientes e seus acompanhantes. Mas os condutores recebem
treinamento também para eventuais intervenções
de emergência e de primeiros socorros.
Os motoristas têm treinamento de transporte coletivo, específico
para a finalidade. Para tanto, a administração municipal contrata serviços de
apoio. São principalmente prestados pelo
SEST/SENAT (Serviço
Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte).
Além disso, a equipe municipal do SAMU (Serviço
Ambulatorial Móvel de Urgência) também ministra cursos de primeiros socorros.
Neste caso, a iniciativa visa a oferecer auxílios básicos até chegar aos
serviços especializados.
Uma ampla frota
Frota: inclui veículos próprios, locados e terceirizados.
A SMS de São Borja possui,
atualmente, uma frota própria de 25
veículos na área de transportes. São 12 automóveis, três caminhonetes, um furgão, três vans, quatro
ambulâncias e duas ambulâncias do SAMU.
Além desses veículos, a frota reúne outros
15 veículos locados pela Saúde municipal. Também prestam serviços três empresas
terceirizadas. Estas colocam à disposição vans de 16 e 21 lugares e
micro-ônibus de 31 lugares para o transporte de pacientes.
Atualmente, a Prefeitura investe, em média,
mensalmente, R$ 120 mil na manutenção do setor de transportes. O desembolso inclui
combustível, locação de veículos e manutenção. A locação de veículos tem
mostrado ser a melhor alternativa para
diminuir custos operacionais.
São inúmeras as vantagens da
locação. Entre as principais, há uma
grande economia nas despesas relativas à manutenção dos veículos. O desembolso
pelo sistema convencional, na ordem de R$ 8 mil por mês por veículo, cai para
somente R$ 1 mil com o novo sistema utilizado. “Além disso, como são utilizados
carros novos, sempre é mais seguro e confortável, com bem menos
menos
oficina”, ressalta o coordenador do serviço de transporte, Anízio Ortiz Machado.
Busca
do serviço
O serviço de transporte de passageiros é,
prioritariamente, para atender demandas de pacientes do SUS (Sistema Único de
Saúde). Para dispor dos serviços, os pacientes ou acompanhantes devem procurar
o MAC, unidade que funciona no antigo hospital São Francisco.
A solicitação de transporte deve ocorrer
com 48 horas de antecedência em relação à consulta, exame ou outro atendimento
pretendido. especializado. É preciso apresentar Cartão do SUS e RG, tanto do
pacientes como do seu acompanhante, se houver. Depois do encaminhamento do
pedido no MAC, é analisado e homologado pela 12ª Coordenadoria Regional de
Saúde (CRS) em Santo Ângelo.
Serviços locais
À medida em que São Borja vai implantando
novos serviços especializados de média e alta complexidade, vai também
diminuindo a necessidade de pacientes buscarem assistência fora. Já foi assim
quando da instalação na cidade do Centro Especializado em Reabilitação (CER),
há dois anos. Neste caso, muitos pacientes deixaram de precisar de deslocamentos
para atendimentos em Giruá, a cerca de
200 quilômetros.
A
previsão é que algo semelhante agora também ocorra com a habilitação do Centro
de Oncologia do Hospital Ivan Goulart (HIG) para tratamento quimioterápico e
clínico de pacientes do SUS contra o câncer. Até agora, esses pacientes têm de
ser levados até Uruguaiana ou Ijuí. Em outros casos também a Santo Ângelo.
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