República?
Do ponto de vista conceitual, república pressupõe soberania popular,
transparência, coisa pública. No caso brasileiro, contudo, os 132 anos de República
que hoje (15) se completam denunciam uma prática que se desmente e deslegitima este conceito. A maior parte, neste longo período, tem
sido de governos excludentes, assim como de ausência da vontade popular. Até
mesmo a chamada proclamação da república, em 1889, foi resultante de um golpe
militar. Seria por isso que, sempre
diante de impasses, cogita-se em intervenção.
Os primeiros cinco anos da vida republicana foram os da
República da Espada, sob mando militar. Depois, de 1894 a 1930, tem-se a República
Oligárquica, (de alguns), do coronelismo, do voto a cabresto e da política café-com-leite,
de mineiros e paulistas. Em 1930 veio a revolução liderada pelo gaúcho Getúlio
Vargas.
A Era Vargas, no seu primeiro período até 1945, assentou o país em avanços à modernidade e
implementando um Brasil mais urbano. Ainda consolidaram-se direitos políticos, sociais e trabalhistas, do
mesmo modo que ocorreram investimentos significativos em infraestrutura. Porém,
foi, ao mesmo tempo, um período de severas restrições. De uma Constituição que só viria em 1934 e que duraria
pouco, pois três anos depois, desembocaria
na ditadura do Estado Novo. Congresso fechado, liberdades de expressão suprimidas,
culto ao governo e ações paternalistas e populistas.
Em 1946, uma nova Constituição, restaurando a vida democrática.
Em 1950 Getúlio voltaria ao poder, agora pelo voto popular. A turbulência
política, todavia, marca o novo período
varguista. De tal modo que, em 1954, o presidente se dá um tiro no peito. A conflagração
política só se agravou.
O período de 1956 a 1960 seria o da Era JK, dos ’50 anos em 5’.
Juscelino Kubitscheck desenvolve um governo nacionalista e, a exemplo de
Getúlio, com mais um salto de modernidade. Surgem Brasília e a indústria
automobilística. A dívida externa brasileira também aumenta. Este cenário, porém, gestaria uma nova crise.
Os anos 1960 são marcados pela chegada de Jânio Quadros à presidência da República, para renunciar sete
meses depois. A posse do vice, João Goulart, foi penosamente negociada, mediante poderes diminuídos pelo sistema
parlamentarista. Em 1964, Jango seria deposto por um golpe militar. Foram, a
seguir, 21 anos de regime de exceção, acabando com eleições diretas, fechando o
Congresso e calando opositores.
Obras ‘faraônicas’, apartadas das demandas sociais, marcaram o período. A dívida externa aumentou,
do mesmo modo que a inflação. Abertura ‘lenta e gradual’ devolve o país
novamente ao processo democrático, É a Nova República. Dois presidentes sofrem
impeachment, outros dois são reeleitos. Nesse ambiente – como nunca polarizado - a
República brasileira espera por eleições em 2022. É certo que será um período
dramático, não apenas pelo acirramento dos interesses em jogo, mas também por
que se vive uma das piores crises dos tempos republicanos: inflação novamente
voraz, desemprego crônico e crescente e uma nação cada vez mais empobrecida e
desigual. E também à espera de rumos!
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