segunda-feira, 15 de novembro de 2021

CAMINHNADA ACIDENTADA

 

República?



 

Do ponto de vista conceitual,  república pressupõe soberania popular, transparência, coisa pública. No caso brasileiro, contudo, os 132 anos de República que hoje (15) se completam denunciam uma prática que se  desmente e deslegitima este   conceito. A maior parte, neste longo período, tem sido de governos excludentes, assim como de ausência da vontade popular. Até mesmo a chamada proclamação da república, em 1889, foi resultante de um golpe militar.  Seria por isso que, sempre diante de impasses, cogita-se em intervenção.  

Os primeiros cinco anos da vida republicana foram os da República da Espada, sob mando militar. Depois, de 1894 a 1930, tem-se a República Oligárquica, (de alguns), do coronelismo, do voto a cabresto e da política café-com-leite, de mineiros e paulistas. Em 1930 veio a revolução liderada pelo gaúcho Getúlio Vargas.

A Era Vargas, no seu primeiro período até 1945,  assentou o país em avanços à modernidade e implementando um Brasil mais urbano. Ainda consolidaram-se  direitos políticos, sociais e trabalhistas, do mesmo modo que ocorreram investimentos significativos em infraestrutura. Porém, foi, ao mesmo tempo, um período de severas restrições. De uma  Constituição que só viria em 1934 e que duraria pouco, pois  três anos depois, desembocaria na ditadura do Estado Novo. Congresso fechado, liberdades de expressão suprimidas, culto ao governo e ações paternalistas e populistas.  

Em 1946, uma nova Constituição, restaurando a vida democrática. Em 1950 Getúlio voltaria ao poder, agora pelo voto popular. A turbulência política, todavia, marca  o novo período varguista. De tal modo que, em 1954, o presidente se dá um tiro no peito. A conflagração política só se agravou.

O período de 1956 a 1960 seria o da Era JK, dos ’50 anos em 5’. Juscelino Kubitscheck desenvolve um governo nacionalista e, a exemplo de Getúlio, com mais um salto de modernidade. Surgem Brasília e a indústria automobilística. A dívida externa brasileira também aumenta.  Este cenário, porém, gestaria uma nova crise.

Os anos 1960 são marcados pela chegada de Jânio Quadros à  presidência da República, para renunciar sete meses depois. A posse do vice, João Goulart, foi penosamente  negociada, mediante  poderes diminuídos pelo sistema parlamentarista. Em 1964, Jango seria deposto por um golpe militar. Foram, a seguir, 21 anos de regime de exceção, acabando com eleições diretas, fechando o Congresso e calando opositores.

Obras ‘faraônicas’, apartadas das demandas sociais,  marcaram o período. A dívida externa aumentou, do mesmo modo que a inflação. Abertura ‘lenta e gradual’ devolve o país novamente ao processo democrático, É a Nova República. Dois presidentes sofrem impeachment, outros dois são reeleitos.  Nesse ambiente – como nunca polarizado - a República brasileira espera por eleições em 2022. É certo que será um período dramático, não apenas pelo acirramento dos interesses em jogo, mas também por que se vive uma das piores crises dos tempos republicanos: inflação novamente voraz, desemprego crônico e crescente e uma nação cada vez mais empobrecida e desigual. E também à espera de rumos!

 

 

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