Correios: uma
saga de
sonhos e de
pesadelos
Nem mesmo as dificuldades
crescentes, como a redução gradual do quadro de servidores e o iminente
processo de privatização da empresa, tiram
o ânimo para as ações da campanha e para o exercício da solidariedade. A
campanha é a do Papai Noel dos Correios, que há mais de 30 anos realiza o
sonho de milhares de crianças terem o seu presente de Natal. Em São Borja, já por
dois anos a pandemia impede, como ocorria, que crianças em escolas mais
carentes mandem suas cartas e desejos ao ‘bom velhinho’. Ainda assim, até de 12
dezembro, cartinhas podem ser entregues nos Correios, onde padrinhos poderão
procurá-las e, após, acolhê-las.
“É você quem tira sonhas do papel”,
bem define o slogan da campanha, este ano. A orientação, na agência local da
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, é para que para que os pedidos
sejam deixados na ECT. Além de afilhados na cidade, também podem ser adotados
candidatos de fora. Depois de feita a escolha, caberá ao padrinho realizar a
entrega do presente. Dependendo da
circunstância, o Noel pode chegar por via postal.
Até algum tempo, os
brinquedos lideravam a lista dos desejos da garotada. “Um carrinho, uma bola ou
uma boneca”, lembra um servidor dos Correios. “Material escolar, roupas,
calçados e até mesmo uma ceia de Natal um pouco melhor”, também integravam a
lista.
Um novo perfil
No período mais recente, a
criançada foi ficando mais exigente ou acompanhando a evolução. Agora, entre os
pedidos mais frequentes estão presentes mais caros. As bicicleta são um exemplos.
Já depois das Olimpíadas de Tóquio, a ‘febre’ chama-se skate e atende pelo nome
de Rayssa Leal. Ou de Pâmela Rosa.
A maranhense Rayssa, 13 anos, duas vezes ‘prata’,
é modelo e inspiração no imaginário da maioria. Ser como ela e ganhar um skate
equivale a quase ganhar a Megasena da Virada. E o argumento é que o prêmio custa
bem menos do que os R$ 350 milhões projetados como prêmio pela Caixa Federal.
Não é por acaso que, na cidade,
multiplicaram-se os skatistas. Cada vez em número maior, eles podem ser vistos pela Praça
XV, pelo Parcão e até mesmo pelas calçadas. Com elegância, performances
personalizadas ou manobras radicais, a
prática esportiva - vista antes com certo preconceito - ganha agora status a
aprovação geral.
Outros tempos
Longe se vão tempos em que o período de
final de ano e de Natal era de envio pelos Correios de mensagens de boas festas.
Em tempos de comunicação em tempo real, do e-mail, das redes sociais e de todos
os demais meios eletrônicos, ninguém mais nem lembra da ECT. Aerograma,
telegrama ou carta perfumada – isso é
coisa da ‘pré-história’.
Mesmo assim e, apesar de
todas as dificuldades enfrentadas, os Correios aumentam bastante seu fluxo
postal neste período do ano. A informação é de que o serviço de SEDEX segue funcionando
bem. São ainda muitas as encomendas por tráfego postal – do país ou do
exterior. O incremento, nesta época, em muitos segmentos passa dos 50%.
Diminui muito, contudo, o
número de carteiros entregadores. Além da redução, servidores são
temporariamente deslocados para entregas em outras cidades. Não é incomum,
desta forma, a guia de cobrança chegar atrasado, deixando o devedor da conta em
maus lençóis.
Ascensão
e queda
A história dos Correios vem de longe no Brasil, desde 25 de
janeiro de1663. É a data da criação do Correio-Mor no Rio de Janeiro. Já em 1931 o decreto
20.859, de 26 de dezembro, fundiu a Diretoria Geral dos Correios com a
Repartição Geral dosTelégrafos. Surgia então
o Departamento dos Correios e Telégrafos. Depois, a ECT (Empresa Brasileira de Correios e
Telégrafos) seria criada em 20 de março de 1969, vinculada ao Ministério das Comunicações.
Mais que
mudança na sigla, houve uma grande transformação no modelo de gestão do setor
postal brasileiro. Surgem então vários novos serviços ao portfólio da empresa.
Além dos tradicionais serviços de cartas, malotes, selos e telegramas, vêm os
serviços da família SEDEX - de encomendas expressas.
No início do século, eram bem mais de 100 mil
servidores na ECT. Era a única empresa a estar presente em todos os municípios
do país. Diversos dos produtos e serviços ainda podem ser adquiridos pela
internet.
Nos anos 1990,
a opção foi por mais modernização. A meta:
aumento da de serviços, modernização tecnológica e consolidação e ampliação do papel social dos
Correios. Seroa uma espécie de banco postal para a população mais pobre.
O presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ao Congresso projeto criando o Banco Postal Brasileiro. A proposta, contudo, não avançou e foi engavetada. Nas primeiras décadas deste século, gradativamente ocorreria o desmonte do sistema. Foram anos seguidos de prejuízos, redução de serviços e programa de demissão voluntária de servidores. Em seguida, um escândalo de corrupção levou os Correios ao
Mais do que uma marca, expectativa
é para a entrega de serviços aos brasileiros.
E o futuro?
Cogitada antes, a
ideia de privatização da empresa foi então confirmada no governo Jair
Bolsonaro. A proposta tramita no Congresso Nacional, esperando por deliberação
de deputados e senadores.
O argumento
governista é de que se trata da melhor alternativa possível. A intenção é de
entregar os serviços à iniciativa privada. O desafio será implementar um
serviço eficiente, em todo o país e com a mesma capilaridade já ostentada pelos
Correios.
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