segunda-feira, 29 de novembro de 2021

PROSPECTANDO O FUTURO

 

Correios: uma saga de

sonhos e de pesadelos

 

Rayssa faz do skate o novo

sonho da garotada brasileira

Nem mesmo as dificuldades crescentes, como a redução gradual do quadro de servidores e o iminente processo de  privatização da empresa, tiram o ânimo para as ações da campanha e para o exercício da solidariedade. A campanha é a do Papai Noel dos Correios, que há mais de 30 anos realiza o sonho de milhares de crianças terem o seu presente de Natal. Em São Borja, já por dois anos a pandemia impede, como ocorria, que crianças em escolas mais carentes mandem suas cartas e desejos ao ‘bom velhinho’. Ainda assim, até de 12 dezembro, cartinhas podem ser entregues nos Correios, onde padrinhos poderão procurá-las e, após, acolhê-las.   

     “É você quem tira sonhas do papel”, bem define o slogan da campanha, este ano. A orientação, na agência local da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, é para que para que os pedidos sejam deixados na ECT. Além de afilhados  na cidade, também podem ser adotados candidatos de fora. Depois de feita a escolha, caberá ao padrinho realizar a entrega do presente.  Dependendo da circunstância, o Noel pode chegar por via postal.

Até algum tempo, os brinquedos lideravam a lista dos desejos da garotada. “Um carrinho, uma bola ou uma boneca”, lembra um servidor dos Correios. “Material escolar, roupas, calçados e até mesmo uma ceia de Natal um pouco melhor”, também integravam a lista.

 

Um novo perfil

 


Dificuldades na ECT não interrompem
campanha 'Papai Noel dos Correios';

No período mais recente, a criançada foi ficando mais exigente ou acompanhando a evolução. Agora, entre os pedidos mais frequentes estão presentes mais caros. As bicicleta são um exemplos. Já depois das Olimpíadas de Tóquio, a ‘febre’ chama-se skate e atende pelo nome de Rayssa Leal. Ou de Pâmela Rosa.

     A maranhense Rayssa, 13 anos, duas vezes ‘prata’, é modelo e inspiração no imaginário da maioria. Ser como ela e ganhar um skate equivale a quase ganhar a Megasena da Virada. E o argumento é que o prêmio custa bem menos do que os R$ 350 milhões projetados como prêmio pela Caixa Federal.

 Não é por acaso que, na cidade, multiplicaram-se os skatistas. Cada vez em  número maior, eles podem ser vistos pela Praça XV, pelo Parcão e até mesmo pelas calçadas. Com elegância, performances personalizadas ou  manobras radicais, a prática esportiva - vista antes com certo preconceito - ganha agora status a aprovação geral.

  

      Outros tempos

 


Serviço de SEDEX ainda é um dos que
melhor funcionam entre os Correios.

      Longe se vão tempos em que o período de final de ano e de Natal era de envio pelos Correios de mensagens de boas festas. Em tempos de comunicação em tempo real, do e-mail, das redes sociais e de todos os demais meios eletrônicos, ninguém mais nem lembra da ECT. Aerograma, telegrama  ou carta perfumada – isso é coisa da ‘pré-história’.

Mesmo assim e, apesar de todas as dificuldades enfrentadas, os Correios aumentam bastante seu fluxo postal neste período do ano. A informação é de que o serviço de SEDEX segue funcionando bem. São ainda muitas as encomendas por tráfego postal – do país ou do exterior. O incremento, nesta época, em muitos segmentos passa dos 50%.

Diminui muito, contudo, o número de carteiros entregadores. Além da redução, servidores são temporariamente deslocados para entregas em outras cidades. Não é incomum, desta forma, a guia de cobrança chegar atrasado, deixando o devedor da conta em maus lençóis.  

   

   Ascensão e queda

 

    A história dos  Correios vem de longe no Brasil, desde 25 de janeiro de1663. É a data da criação do Correio-Mor no Rio de Janeiro. Já em 1931 o decreto 20.859, de 26 de dezembro, fundiu a Diretoria Geral dos Correios com a Repartição Geral dosTelégrafos. Surgia então  o  Departamento dos Correios e Telégrafos. Depois, a  ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) seria criada em 20 de março de 1969, vinculada ao Ministério das Comunicações.

Mais que mudança na sigla, houve uma grande transformação no modelo de gestão do setor postal brasileiro. Surgem então vários novos serviços  ao portfólio da empresa. Além dos tradicionais serviços de cartas, malotes, selos e telegramas, vêm os serviços da  família SEDEX - de encomendas expressas.

 No início do século, eram bem mais de 100 mil servidores na ECT. Era a única empresa a estar presente em todos os municípios do país. Diversos dos produtos e serviços ainda podem ser adquiridos pela internet.

Nos anos 1990, a opção foi por mais  modernização. A meta: aumento da de serviços, modernização tecnológica e  consolidação e ampliação do papel social dos Correios. Seroa uma espécie de banco postal para a população mais pobre.

O   presidente Fernando Henrique Cardoso mandou ao Congresso projeto criando o Banco Postal Brasileiro.  A proposta, contudo, não avançou e foi engavetada.  Nas primeiras décadas deste século,  gradativamente ocorreria o desmonte do sistema. Foram anos seguidos de prejuízos, redução de serviços e programa de demissão voluntária de servidores.  Em seguida, um escândalo de corrupção levou os Correios ao 

Mais do que uma marca, expectativa

                              é para a entrega de serviços aos brasileiros. 

E o futuro?

 

Cogitada antes, a ideia de privatização da empresa foi então confirmada no governo Jair Bolsonaro. A proposta tramita no Congresso Nacional, esperando por deliberação de deputados e senadores.

O argumento governista é de que se trata da melhor alternativa possível. A intenção é de entregar os serviços à iniciativa privada. O desafio será implementar um serviço eficiente, em todo o país e com a mesma capilaridade já ostentada pelos Correios.

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