O flagelo da Fome
Já
dissemos que na nossa região chove menos que nas outras áreas do Rio Grande do
Sul. Existem estudos científicos mostrando isso. Não é novidade, também, que a
inflação está de volta e que os preços não param de subir nos supermercados. Fica
difícil, portanto, manter vida digna, abastecida. Ainda mais quando os salários
ou estão congelados há anos ou são ‘engolidos’ pela espiral inflacionária.
O drama então é real.
Dificuldade bem maior, porém, assola o Brasil mais pobre, especialmente da porção Nordeste. Podcast da Folha de S. Paulo,
hoje, mostra bem essa situação calamitosa, de degradação da vida humana. Um
tripé de fatores leva à fome severa e sem remédio: a seca, o fim do auxílio
emergencial e a pandemia.
O Rio Grande do Norte é
apontado como o estado em pior situação. O jornal conversou com inúmeras
famílias que, simplesmente, não têm o que comer. Carne? só de algum animal que
morre de inanição ou então restos dos que comem bem. Fogão a gás nem pensar e o
uso do fogão a lenha só quando as famílias ganham alguma coisa. A seca
exterminou as lavouras e poucos são os pássaros para a caça.
Um estudo mostra que na
atual pandemia, só 26% das crianças têm as três refeições do dia. O sociólogo
Câmara Cascudo (RN) observa que nas crises de fome, as pessoas mudam seus hábitos
alimentares, comendo o que encontram. A
historiadora Adriana Salai diz que a fome é recorrente nas regiões nordestinas,
mas a seca, agora, associada aos demais fatores, torna a situação ainda mais caótica.
Ela diz ser indispensável
um política não apenas paliativa, de auxílios temporários ou com fins
eleitoreiros. É necessário um programa efetivo de geração de renda e de ocupação da massa
desempregada. Parece tão óbvio dizer isso. E é. Como é óbvio tornar prática uma
medida urgente e saneadora.
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