Foi ano de aprendizados,
de empatia
e de gratidão
Em 2021 –
de maneira autodidata, como quase tudo – e com apoios providenciais, coloquei
em prática uma experiência que, se de um lado, é trabalhosa, de outro traz
prazer, empatias e agrega novas ideias e informações, além de novos amigos.
A experiência é o BlogAlberiCogo ((https://albericogo.blogspot.com), no ar desde o último dia 13 de junho.
A intenção é de manter uma publicação plural, aberta, ouvindo as diferentes vertentes de pensamento. É finalidade,
também, mostrar a São Borja das instituições comunitárias, dedicadas à benemerência, a atender às
demandas dos que têm limitações ou que têm
menos; lançar olhares para as instituições públicas e privadas que
emancipam a cidadania e contemplam desejos. É motivação, ainda, mostrar a
pujança econômica ou as suas dificuldades.
É certo que se trata de uma experiência que ainda pode (e
deve) ser aprimorada. Entretanto, desde já, permite concluir que está valendo a
pena. A interrelação com saberes
acadêmicos lançou luzes na escuridão e a cidade mostra-se proativa, generosa, sem
pensar nos holofotes. O campo também.
Esta publicação, hoje, não é uma retrospectiva. É, sim, um registro de gratidão no ano que termina. Gratidão
a todos àqueles que, fornecendo informações ou verbalizando opiniões e saberes abriram
clareiras aos amanhãs. Gratidão também a todos os que me honraram com sua
audiência, como uma força motriz indicando que a roda tem de continuar girando.
Em relação àqueles que – convidados – optaram por não
oferecer o que têm, fica a constatação pessoal de que é preciso ainda evoluir
para estar à altura das suas grandezas.
Nesta quinta-feira (30), o economista são-borjense Pedro
Cezar Dutra Fonseca encerra o ciclo de entrevistas de 2021. O destacado
professor/doutor da Ufrgs, um especialista em Brasil do último e deste século, chama para um choque de realidade no plano nacional,
mostrando a gravidade do momento e as ações a serem implementadas. É
mais uma das leituras imperdíveis.
Com tantas peripécias da pandemia, eis que se chega sã e
salgo a mais um ciclo temporal. Este é um dos prêmios principais que recebemos,
minha família e eu. A experiência bem-sucedida do blog é igualmente motivo para
comemorar e agradecer. Momentos
reconfortantes, gratificantes, em São Borja tem marcado a permanência por aqui.
Este ano, ademais, os professores/doutores da Unipampa Adriana Dubal
e Miro Bacin e o jornalista Darlan Witchaki acarinharam meu ego em Crônicas da
Cidade. Foi assim com a distinção pelo título de Cidadão
São-Borjense concedido pela Câmara Municipal, de iniciativa do vereador Celso Lopes. Ou a
homenagem recebida na Feira Municipal do Livro. O blog, do mesmo modo,
também é motivação e comemoração.
Repartindo saberes
O presidente da Acisb, Neroney de Medeiros Cargnin abriu
a série de entrevistas ao blog, falando sobre o associativo e o futuro de São
Borja. O sindicalista e corediano Hugo
Chimenes também o fez. O prefeito Eduardo Bonotto projetou o futuro são-borjense e da Famurs, a
exemplo do que fez seu vice Roque Feltrin, este exortando pela
unidade e pela concórdia. Os secretários municipais João Carlos Reolon, Vânia Alves
Cardoso, João Pedro Daitx, Eugênio Dutra e Luciane Bidinoto igualmente
projetaram ações para que entregas mais
amplas e transformadores. Darci Bergmann analisou o ecossistema e
sugeriu caminhos para São Borja, enquanto Eduardo Belmonte contou sua história
de repórter respeitado e apaixonado pelo que faz. Em tempos de pandemia, os
médicos Ariane Trindade e Tiago Camícia deram
orientações de prevenção e lançaram recomendações para mitigar os riscos que
nos espreitam.
Da cena nacional e local, experimentados acadêmicos – jornalistas,
professores, doutores em Comunicação – repartiram
seus saberes e experiências, jogando
luzes sobre uma conjuntura nebulosa. Foram balizadoras leituras do hoje,
sinalizando os amanhãs.
.
Integram o rol Paulo Afonso Caetano, Fernando
Rodrigues, Tiago Cadó, Odinei Bueno Gonçalves, Adriana Duval, José Antônio Degrazia,
Valmor Rhode, Leandro Comassetto, Geder Parzianello e Paulo Dutra
Fonseca. Difícil é
sintetizar o que verbalizaram e ensinaram todos eles.
Há, contudo, alguns pontos convergentes. Um deles é que a polarização e
as posições extremadas nada constroem.
Outro consenso é que, sem investimentos efetivos, determinados e permanentes em
educação, ciência e tecnologia – sem hipocrisias e populismos – o Brasil não
mudará a suas imensas dificuldades. Só investimentos de modo geral e a geração
de empregos darão conta na imensa desigualdade existente no país.
Cidade
benemerente
O
são-borjense é um povo solidário. Isso explica por que as suas muitas
instituições comunitárias agem, em
caráter permanente, na implementação de ações de apoio aos que têm limitações,
que têm menos ou não recebem oportunidades.
As instituições ouvidas demonstraram isso.
São bons
exemplos Centro de Formação Tereza Verzeri, Apae/Escola Cyro Ferreira,
Asilo São Vicente de Paula e Presídio
Estadual, gerando ocupação aos
reclusos. Ainda Liga Feminina de Combate ao câncer, Comunidade
Terapêutica Chico Xavier, Pastoral da Saúde da igreja São Francisco de Borja e Sociedade
Espírita Allan Kardec são outros bons exemplos.
Em ano de
pandemia, muitas também as campanhas buscando auxílios aos necessitados. Desde
o poder público a organizações não governamentais e
pessoas como Sônia Serpa estiveram na linha de frente, para
mitigar as muitas carências – materiais e emocionais.
A Secretaria
Municipal da Saúde seguiu com sua salutar rotina de conduzir pacientes a
todos as latitudes na geografia gaúcha. Viagens que não cessaram e que, a cada
mês, representam 50 voltas completas ao redor da Terra. Também o Hospital Ivan Goulart virou
hospital-escola em 2021, ano em que, depois de longa mobilização, viu
confirmada a materialização do credenciamento ao SUS do seu Centro
Oncológico.
Um milhão de quilômetros por mês pelos
caminhos do Rio Grande, na busca de saúde.
O ano que
se encerra marcou os 15 anos de atividades em São Borja da Universidade
Federal do Pampa. A instituição
terá mudança internas – curriculares – em 2022 e vao se aproximar mais da comunidade. Assim também faz o Instituto Federal
Farroupilha.
Apesar do
clima
As safras
do último verão injetaram cerca de R$ 1 bilhão na economia são-borjense, mesmo
com clima adverso. Números como este mostram a importância do agronegócio
para a economia local. Foi assim, um dos sustentáculos da economia local.
Isso,
apesar das adversidades acarretadas por um microclima de chuvas escassas na região. Estudos
científicos mostram isso, e tornam o território missioneiro diferente do Rio
Grande do Sul. Isso explica porque
choveu tão pouco este ano – só 15 mm em dezembro. O ano então fecha sob o signo
da incerteza para as lavouras de verão – as principais no município -, devido à
estiagem e crise hídrica nos rios e barragens de irrigação.
Mesmo
diante das dificuldades, a agricultura e a agroindústria familiar cresceram.
Um feira do setor, coordenada pela Acisb, ocorre no parque de
exposições Serafim Vargas. O mercado pecuário segue aquecido.
Nesta
pandemia também a indústria da
construção civil seguiu gerando empregos e erguendo casas e ‘espigões’
de apartamentos. Muitas dessas moradias trocaram de mãos e aqueceram o mercado
imobiliário. Também a instalação
de sistemas de geração de energia fotovoltaica teve grande
incremento.
Os eventos,
parados durante ano e meio, voltam de maneira gradativa e sob protocolos. Os voos
regulares até Porto Alegre também retorno. Aos poucos, as atividades
turísticas também recomeçam. A esperança é de melhor situação em 2022.
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