segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

HISTÓRIA

 

Há 45 anos falecia no exílio

o  ex-presidente João Goulart


 

Estátua de Jango, obra do artista

Rossine Rodrigues, iniciativa da

atual administração municipal.

Natural de São Borja - tem como um dos seus registros históricos a morte no exílio em 6 de dezembro, há 45 anos. Foi o  24º presidente do Brasil, eleito em 1961 e deposto por golpe civil-militar em 1964.

João Belchior Marques Goulart, nasceu em 1º de março de 1919. Filho de Vicente Rodrigues Goulart (coronel da Guarda Nacional e fazendeiro) e de Vicentina Marques Goulart. Era o mais velho de oito irmãos.

Estudou no Colégio Marista de Uruguaiana. Depôs cursou Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde graduou-se em 1939, aos 20 anos. Após formar-se na capital do Estado, Goulart voltou para São Borja, dedicando-se às atividades agropecuárias.

Em 1945, após ser deposto, o presidente Getúlio Vargas também voltou a residir em São Borja, a cidade natal. Fortaleceu-se a amizade com Jango. Este foi então convidado a entrar para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), criado por Vargas.

Em 1947, João Goulart foi candidato a deputado estadual, sendo o quinto mais votado. Ajudou na vitória de Getúlio na eleição presidencial de 1950. Jango foi na época eleito deputado federal, o segundo mais votado no Rio Grande do Sul.

Em 1951, Jango assumiu o cargo, mas logo pediu licença da Câmara para assumir a Secretária de Interior e Justiça, na gestão do governador gaúcho Ernesto Dornelas, primo de Getúlio Vargas. Em 1952, Jango retornou ao Rio de Janeiro, capital do País, reassumindo na Câmara.

Em junho de 1953, Goulart foi nomeado ministro do Trabalho, Indústria e Comércio.  Os trabalhadores estavam insatisfeitos com os salários e organizavam greves.

Os operários queriam reajuste de 100%, mas os empresários eram contra. O reajuste de 100% foi finalmente assinado por Jango, entretanto, diante da crise de 1954 que levaria ao suicídio de Vargas, foi forçado a renunciar.

 

Ascensão e queda

 

Em 1955, João Goulart foi eleito vice-presidente do Brasil na chapa de Juscelino Kubitschek, na coligação PTB- PSD. Na época, os votos eram separados e Jango teve mais votos que Juscelino.

Nas eleições de 1960, com o apoio da UND e de pequenos partidos que lançaram a dobradinha Jan-Jan (Jânio Quadros e Jango), saiu vitoriosa.  Empossados em janeiro de 1961, assumiram um país marcado pela crise econômica, pela inflação, pelo déficit da balança de pagamentos e pela elevação da dívida externa.

O presidente Jânio, buscando uma aproximação com os países socialistas, restabeleceu as relações com a União Soviética. Também assumiu a defesa do regime de Fidel Castro, em Cuba, e condecorou, em Brasília, o líder comunista Che Guevara com a ordem do Cruzeiro do Sul.

Essa conjuntura  aumentou a desconfiança no  governo. No dia 25 de agosto de 1961, enquanto João Goulart estava na China, Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente, sete meses depois de tê-lo assumido.

De acordo com a Constituição, João Goulart deveria assumir a Presidência, porém houve um veto militar à posse de Jango. Ele foi acusado de comunista. O fato desencadeou uma aguda crise político-militar, que se prolongou por vários dias. Em diversos pontos do país ocorreram tumultos e greves em favor da posse de João Goulart. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola deflagrou o movimento da Legalidade em favor de Jango.

O Congresso Nacional propôs, então, uma solução negociada para a crise e foi promulgado o Ato Institucional que estabelecia o Parlamentarismo no Brasil. Na prática, isso restringiu os poderes do presidente.

No dia 7 de setembro de 1961, depois de doze dias de ameaça de uma guerra civil, Jango assumiu o poder. Tancredo Neves, do PSD de Minas Gerais, ministro do governo Vargas, tornou-se o primeiro-ministro.

A crise econômica do país fazia aumentar a instabilidade política. Em 1962, o ministro do Planejamento, Celso Furtado, lançou o Plano Trienal, para conter a inflação e retomar o crescimento econômico. O plano, entretanto, fracassou devido à falta de investimentos externos. A confusão, o caos e a desordem marcaram o governo João Goulart.

O país entrava em um círculo vicioso. O governo era obrigado a aumentar constantemente os salários, que eram corroídos pela inflação. Em 1962, atendendo às reivindicações dos trabalhadores, foi criado o 13º salário.  Em 1963 a inflação chegou a 80%. Nesse mesmo ano, um plebiscito aprovou, por larga margem, a volta do Presidencialismo.  

A tensão no país chegou ao ápice no dia 13 de março de 1964, quando o presidente promoveu um comício popular na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, reunindo uma multidão. Sem a aprovação do Congresso Nacional, Goulart anunciava desapropriação de terras e encampações de refinarias. Ainda exigia uma nova Carta Constitucional que acabasse com “as estruturas arcaicas da sociedade brasileira”.

Seis dias depois, os grupos de oposição de São Paulo lideraram uma passeata que reuniu mais de 300 mil pessoas, chamada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”.

No dia 31 de março de 1964, as tropas do Exército ocuparam as ruas das principais cidades do Brasil.

Com a vitória do movimento militar, João Goulart foi deposto e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos, asilando-se no Uruguai.

Depois do movimento que derrubou o presidente João Goulart, o Alto Comando Revolucionário, composto pelo general Costa e Silva, pelo brigadeiro Correia de Melo e pelo vice-almirante Augusto Rademacker, assumiu o poder e impôs ao país o AI-1 (Ato Institucional n.º 1). O ato fortaleceu o poder e centralizou a administração. Terminava um período populista e se instalava no Brasil uma República autoritária com um longo regime militar, que se prolongou até 1985.

João Goulart faleceu em sua estância de La Vella, perto de Mercedes, na Argentina, no dia 6 de dezembro de 1976. O seu corpo está sepultado no cemitério Jardim da Paz, em São Borja.

Um forte aparato militar-policial controlou o enterro de Jango, cujo corpo não teve, inicialmente, autorização, em Uruguaiana, para ser trazido a São Borja. Houve restrições à participação no velório, mas estimativas indicam que 30 mil pessoas acompanharam as cerimônias fúnebres.  Jango morreu quatro meses depois que um acidente de carro matou Juscelino Kubitschek. Levanta-se a hipótese de atentado contra JK. Quanto a Jango, foi levantada a suspeita de que Goulart tenha sido envenado.  Oficialmente, a causa do óbito é atribuída a ataque cardíaco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário