“Nós precisamos retornar ao tempo em que
podíamos ser adversários sem ser inimigos”
Filho
do ex-prefeito Florêncio Aquino
Guimarães e de dona Iolanda, o bacharel em Direito Pedro Sérgio Rebés
Guimarães, 68 anos, é hoje uma das
referências do trabalhismo no Rio Grande do Sul. Ele avalia com apreensão o
momento político nacional: acha que o clima no Brasil se parece com o que precedeu
a Revolução Francesa. Projeta que as
eleições de 2022 serão “um plebiscito”, e com a chance de acabar com “a ignorância,
o fanatismo, o negacionismo e a intolerância.” Acha que o “pleito presidencial vai
decidir se continuaremos caminhando no mundo das trevas ou iremos à busca da
luz.”
Vereador por duas legislaturas em São Borja, Guimarães
ressalta que, à época, “havia grandes embates de ideias, mas com respeito e
lealdade”. Analisando a conjuntura geral, ressalta que “nós precisamos retornar
ao tempo em que podíamos ser adversários sem ser inimigos.” Outra preocupação é
com a crescente desigualdade entre os brasileiro: “Atualmente, seis bilionários
no país têm o mesmo que metade de toda a população.”
Sérgio
Guimarães concluiu graduação em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC/RS e
pós-graduação em Direito do Estado pela instituição Ritter dos Reis. Tem
especialização em Direito Constitucional
pelo IDC/RS (Instituto Contemporâneo de Direito do Rio Grande do Sul.)
Ainda tem curso de Processo Legislativo no Senado Federal.
Profissionalmente, atuou como Assessor Jurídico no Município
de São Borja. Também desempenhou as
funções de diretor do Departamento das Comissões
Parlamentares na Assembleia Legislativa no
RS e, depois, na mesma Alergs, foi superintendente. Como agente político, foi
vereador entre 1988 e 1996.
Balizando sua filosofia de vida, Guimarães indica
alguns relevantes ensinamentos. Um deles é nunca fazer algo que possa
comprometer pessoalmente, assim como a família e os amigos. Defende que é
preciso reconhecer o erro e viver longe do ódio, ter tolerância e estender a mão ao semelhante. Confira a
entrevista.
Alberi
Cogo - Para começar, um questionamento que tenho repetido à maioria dos
entrevistados: qual é a sua projeção para as eleições de 2022, em um país
polarizado e com uma das crises socioeconômicas mais agudas na sua história
recente?
Sérgio
Guimarães - A eleição presidencial de 2022 deve ser considerada como um
plebiscito que vai decidir se continuaremos caminhando no mundo das trevas ou
iremos à busca da luz. Vivemos uma antessala da Revolução Francesa (1789), com
telas realçadas pela ignorância, fanatismo, negacionismo e intolerância. Isso em
parte gerado por um governo armado, bafejado de militarização e religiosidade.
A politização conservadora e arcaica dos processos políticos nos leva hoje a
ter dois tipos de brasileiros, segundo o presidente - o “nós e o eles”. O
governo atacou a ciência, a arte, a educação, a vida, o respeito e, por várias
oportunidades, vociferou contra as instituições, inclusive contra a democracia.
Transformou os órgãos do Estado em órgãos do governo, usando-os para defender
ele, amigos e os filhos. O estrago é grande na Policia Federal, Advocacia Geral
da União, Procuradoria da República, Forças Armadas, Poder Judiciário. Parte da
crises do nosso estado é provocada pelo presidente. É este desastroso resultado
que o derrotará nas urnas. Quem se
elegeu para acabar com o Centrão e hoje é figura exponencial desse grupo político
ultraconservador e sem nenhum compromisso coma nação, é Jair Bolsonaro. Então,
a eleição presidencial do ano que vem será a oportunidade do Brasil voltar a
ter civilidade e respeito. Nós precisamos retornar ao tempo em que podíamos ser
adversários sem ser inimigos. Precisamos abrir as portas da conversa entre os
diferentes e aprender a respeitar no país. Essa eleição é da reconstrução da
paz entre os brasileiros e para afastar de vez esse projeto obscuro e
intolerante, fonte de ódio e irracionalidade. Mas, de qualquer forma, temo pelo
que possa acontecer antes e depois do pleito. Parece que será eleição
do vale tudo, e o Brasil deverá passar
por teste decisivo e histórico em todos os sentidos, incluído o de continuar
caminhando pela democracia.
AC
- O senhor vê chance de união entre os chamados partidos de esquerda já no
primeiro turno do pleito? Quais seriam os nomes com melhor perfil a construir
uma unidade efetiva?
SG
- O melhor candidato será aquele que tiver possibilidades de vencer o Jair
(Bolsonaro). Vejo uma nebulosidade no conceito da esquerda brasileira e até
compreendo, porque o nosso maior problema, aqui, não é exclusivamente
ideológico. Temos por vezes partidos e homens de direita sustentando pautas
ditas de esquerda e a reciproca é verdadeira; então existe um campo de
racionalidade política entre as facções que pode sustentar o bem comum. A política
monetária e fiscal do Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) era parte de uma agenda liberal. O Jair teve de
sustentar o auxílio às famílias carentes, mesmo contra sua vontade. E essa é
uma pauta socialista e também é cristã. O Lula quer Alckmin para vice porque
sabe que o próximo governo acaba com o Bolsonaro, mas não lacra os buracos
deixados pelo bolsonarismo. É um mote
que vai continuar existindo, porque é latente na sociedade e com vida anterior
ao governo atual. O movimento reacionário e de ultradireita é um foto estampada
do mundo atual e não foi criado pelo presidente. É um fato sociológico que está
merecendo o estudo dos sociólogos, filósofos, políticos e historiadores, cuja
fonte parece ter sido identificada na desigualdade social. Essa abordagem está
muito bem delineada na obra de Thomas Piketty. Não vejo chance de união entre
os partidos ditos de esquerda no primeiro turno, porque nossos partidos têm
muito pouco de partido e muito de projetos pessoais. O PT tem o candidato, hoje,
com mais viabilidade eleitoral para ocupar esse espaço, mas é também um dos
responsáveis pela eleição do Bolsonaro. Já quando perguntas quais os nomes da
esquerda para construir uma chapa, o que se constata hoje é exatamente uma tentativa
de buscar nomes e não um projeto, e ai cada partido tem o seu. Entretanto, o
que se vê hoje é uma clara divisão entre os polos e Lula, se houver segundo
turno, disputará a eleição com Bolsonaro.
AC
- O seu partido, o PDT, tem mantido uma
certa independência e se pautado por recorrências: já há algumas eleições
repete o candidato à Presidência da República e o presidente nacional da sigla
também é o mesmo há vários anos. Esta é a melhor alternativa?
SG
- Com certeza a persistência de estratégia do PDT não tem colhido os resultados
esperados. Nesta eleição de 2022, especialmente, deveríamos abrir um leque de
conversações com todos os segmentos
políticos identificados e defender uma aliança de esquerda já no primeiro
turno. É o que penso. Embora o Ciro Gomes seja o melhor e mais qualificado
candidato para ser presidente, deveríamos ter aberto e ainda podemos abrir
dialogo com setores políticos democráticos.Quanto ao presidente nacional da
sigla estar se mantendo na direção, talvez se explique por aí: a falta de
oxigenação partidária. O Brizola (Leonel Brizola) era o Brizola, os outros são
os outros.
AC
- Fala-se em reforma tributária e reforma administrativa, mas a reforma
política saiu do radar ou então é feita em fatias, mudando sem mudar. Há quem
diga que manter assim atende aos interesses da atual classe política. O que o
senhor acha disso?
SG
- O Brasil vive a empulhação das reformas protagonizadas pelo neoliberalismo
que já morreu na Inglaterra e nos EUA. Os liberais brasileiros continuam
praticando a política dos anos 80, por exemplo, enquanto países europeus estão
reestatizando os serviços de agua, o Brasil está privatizando. Mas vejamos;
quantas reformas desde FHC (Fernando Henrique Cardoso) até hoje foram feitas? Todas
prometendo resolver os problemas do Brasil, sem que nenhuma delas tivesse
apontado soluções para as nossas crises, especialmente a redução da pobreza e
da desigualdade. A maioria das medidas visava restringir direitos dos
trabalhadores, medidas impopulares que constrangeram apenas os pobres,
preservando as áreas de poder e dominação econômica e financeira, mais
particularmente o capital internacional. O Brasil já foi a oitava economia do mundo. É
hoje o maior exportador da proteína animal. Exporta soja e arroz para os países
ricos, entretanto mantem um quadro de pobreza irracional, que na pandemia se
apelidou de invisíveis, algo perto de 50 milhões de brasileiros. Seis
brasileiros detém a riqueza da metade dos brasileiros. A concentração de renda
e o enriquecimento é um desastre anunciado da incompetência e irracionalidade
politica. “Jorge Paulo Lemann (AB Inbev), Joseph Safra (Banco Safra), Marcel
Hermmann Telles (AB Inbev), Carlos Alberto Sicupira (AB Inbev), Eduardo Saverin
(Facebook) e Ermirio Pereira de Moraes (Grupo Votorantim) são as seis pessoas
mais ricas do Brasil. Eles concentram, juntos, a mesma riqueza que os 100 milhões
mais pobres do país, ou seja, a metade da população brasileira (207,7 milhões).
Estes seis bilionários, se gastassem um milhão de reais por dia, juntos,
levariam 36 anos para esgotar o equivalente ao seu patrimônio. Foi o que
revelou um estudo sobre desigualdade social realizado pela Oxfam.” Não existirá
um novo país sem reforma tributária, sem onerar as riquezas, o capital e os
lucros, como pretendia fazer Jango (João
Goulart) fazer em 1964. O lucro e o capital devem ser a fonte de produção de
trabalho e de ganho, também da sociedade. Tem que haver uma lei estabelecendo
quanto pode uma empresa ter de lucro sobre o capital se remeter para fora do
país; E também quanto deve ser aplicado em políticas publicas nacionais.Quando
morre um americano do norte 40% do seu patrimônio pertencerá ao Estado, para
ser revertido em políticas para o povo. Reforma é mexer na tributação, cobrar
de quem tem. Um trabalhador para comprar alimento paga a mesma coisa que o dono
da f[abrica ou da indústria ou do banco. Reforma política no atual estágio de
atividade do Congresso Nacional é um sonho. O parlamento brasileiro está
desgraçado pela sua composição conservadora, unida para praticar atos contra a
nação, como estão fazendo agora com o orçamento secreto. Parlamentar
distribuindo dinheiro do erário para lugar que ninguém sabe onde fica. Derrotar o atual governo pode ser uma
alternativa de mudança. Governar sem a chantagem do Centrão e de outras espertezas
absurdas
AC
- Sérgio Guimarães já foi vereador em São Borja, presidente da Câmara e, na
Assembleia Legislativa, trabalhou como superintendente. Conhece bem, portanto, os meandros do
Legislativo. Como analisa o desempenho deste importante Poder, nas diversas
esferas?
AG
- Vou tentar colocar algumas posições
sobre os parlamentos, e começo pela importância que a representação política
eleiorta tem para a sociedade democrática. O parlamento é o último reduto de
defesa dos direitos do povo. A nação brasileira, que é a dona do poder, é
representada pelas Casas legislativas. O presidente é chefe de Estado, chefe de
governo, mas não é chefe da nação. Ao contrário, ele deve obediência à nação,
porque não existe ninguém acima dela no Estado democrático de Direito. Por
essas razões que a Constituição Federal deve ser respeitada, vez que a nossa
Carta foi elaborada pelo povo em uma assembleia nacional constituinte, fórum de
reunião da nação. Fui vereador com orgulho e enquanto tive mandato busquei
sempre verear com dignidade e trabalho. Participei de legislaturas marcadas
pela divisão das bancadas pedetistas e do hoje PP. O PMDB teve três vereadores;
PSB, um. e o PFL, um, numa composição de 21. Os embates foram sempre duros e
leais. Mas sempre tivemos canais abertos de negociação. Sempre houve dialogo e
respeito e raras foram as vezes em que
houve radicalização por conta da maioria parlamentar deste ou daquele, à
exceção da eleição para a mesa. Acompanho de longe e percebo que a atual
composição legislativa dialoga pouco com o dissenso e a maioria e posta como
sendo maioria e absoluta. Maioria é um dos componentes da democracia e não é
mais importante que o respeito de participação da minoria. Ser democrata não é
ter mais, mas usar o mais para permitir que o menos exercite seus direitos.
Então, com todo respeito, as legislaturas de 88 a 96 eram mais abertas e
democráticas que a atual. Há evidente radicalização no exercício da política em
nossa cidade. O prefeito é às vezes autoritário e a bancada da situação segue
na mesma balada.
AC
- Há quem defenda um Congresso Nacional unicameral e com menos parlamentares.
Qual é a sua visão a respeito?
SG
- Democracia se cura com mais democracia. Não se mede pelo custo e pela
quantidade. O problema do Brasil hoje é muito mais de substância, de mérito do
que de forma. Não vai mudar nada fechando uma Casa e não vai mudar nada
diminuindo número de parlamentares. O que pode acontecer com essa narrativa de
diminuição dos pontos de conversa e dialogo democrático, focarmos mais perto de
um regime autoritário, Agora não é a hora de se pensar nisso, porque bem ou mal
vamos caminhando democraticamente e esse é a estrada que não deve ser
abandonada. Os poderes devem ser defendidos nos tempos de crises porque eles
são a nossa garantia de liberdade e progresso.
AC
-O Partido Democrático Trabalhista é normalmente apontado como o principal
depositário das ideias de Getúlio Vargas e de João Goulart, além do
trabalhismo. O senhor se sente incomodado quando ouve que se trata de um
partido preso ao passado?
SG
- Na verdade os partidos são feitos de
homens e fica muito difícil fazer comparação de lideranças como a de Getúlio
Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Eles são ímpares e o cotejo com os dias
atuais mostra que não conseguimos construir nada parecido. A tarefa não é
fácil, tanto que nenhuma corrente ideológica brasileira teve ou tem lideres
parecido com os nossos, para não dizer que tem muita gente fazendo politica sem
liderança alguma, sem partido, apenas se aproveitando dos contextos para
estarem em todos os governos. São parias e sanguessugas da política. O Brasil
não esta dando certo, mas as obras do trabalhismo são perenes e fundamentais.
Getúlio modernizou o país e o preparou para ser grande. Jango estava à beira
das reformas de base quando foi apeado. E Brizola por ode passou cravou a
defesa da educação como mola de qualquer desenvolvimento. Ninguém foi mais
nacionalista e defendeu tanto os interesses nacionais que o trabalhismo. Nós
construímos, enquanto eles vendem e entregam nossas riquezas para o capital. O
liberalismo implantado mostra hoje a sua incapacidade de gerir com igualdade a
nação, e para tanto forma derrubando uma a uma, as obras trabalhistas. Agora
não menos verdade que o PDT não consegue carregar essa herança e vários são os
motivos. Nós temos obrigação de reverencias Getúlio, Jango e Brizola, enquanto
eles vão reverencias o Collor, Bolsonaro e por ai vai. E a crítica feita ao PDT
de estar pregado ao passado pode ser verdadeira porque temos passado para
reverenciar e quem não tem passado não tem futuro.
AC
- Em 22 de janeiro completam-se
100 anos de Leonel Brizola. O que os ex-governador
tem a ensinar nos dias de hoje?
sg
- - Diria que Leonel de Moura Brizola ensina todos os dias que política pode ser feita com dignidade e probidade. Ele
é ausência sentida por todos nós, mas faz muita falta ao Brasil. O Brizola
defendeu os direitos do povo brasileiro num documento de maio de 1990, alguns
deles citados aqui: Direito de viver em
liberdade em paz e no uso de seu território em condições de impor respeito a
sua dignidade e independência; O Direito de repelir e combater atentado a
garantias dos cidadãos, das minorias e da ação;O Direito de o povo ser a única
fonte de soberania e de todo o poder legitima no território brasileiro. O
Direito do povo de opor-se e repelir toda e qualquer concepção ou doutrina que
atribui a grupos e minorias ou as próprias forças armadas uma missão tutelar
acima da soberania popular. O Direito de abominar e combater toda a doutrina e
pratica que discriminem brasileiros por suas ideias, crenças, sexo, idade,
raça, nacionalidade, classe social e ainda as que conduzam ao desrespeito de
sua dignidade ou que destrua os direitos humanos e sociais. O Direito de auto
organizar-se em partidos, sindicatos, movimentos, associações livremente com
garantia contra toda a forma de autoritarismo. O Direito de urgente prioridade
nacional de garantir a todas as crianças e jovens, especialmente humildes, a
necessária assistência, desde o ventre materno, alimentação, escolarização,
desenvolvimento humano e educação.O Direito de considerar como questão
prioritária a habilitação de todos ao acesso ao trabalho, estabilidade
ocupacional, salário justo, participação nos frutos e assistência à previdência
e serviços sociais. O Direito de de3mocratizar o regime de propriedade e justa
utilização dos recursos produtivos, visando ao desenvolvimento social e ao
progresso econômico, garantindo ao pequeno e médio produtor o acesso à
propriedade, proporcionar habitação digna a todos. O Direito de opor-se a
qualquer politica econômica e social que favoreça minorias e grupos nacionais e
estrangeiros. O Direito de exigir que o desenvolvimento brasileiro se realize
com harmonia e proteção à natureza, com defesa do meio ambiente e a utilização
racional dos nossos recursos não renováveis. O direito do povo brasileiro de afirma sua
inconformidade com a concessão de latifúndios a grupos internos e externos e a
exploração predatória da Amazônia. O Direito de combater todo o imperialismo
político e econômico, ou sistemas de exploração, principalmente exploração do
trabalho e dos recursos naturais do nosso país por empresas multinacionais. O
Direito de denunciar doutrinas ou praticas que não reconheçam os direitos dos
brasileiros como povo e nação. Combater os que pretendem impingir a ideia de
que a segurança nacional e o desenvolvimento só podem alçados por um Estado
forte, autoritário, elitista, centralizado e centralizador com entrega da
economia do país entregue a grupos econômicos e financeiros internacionais. Diria
que só não aprendeu com Brizola que não quis e todos aqueles que um dia o
combaterem haverão de menos dia mais dia se rendera sua visão de grandeza e
brasilidade. Dia 22 de janeiro, quando se completa 100 de seu nascimento
prestaremos homenagens a esse grande brasileiro.
AC
- O senhor é advogado. Então,
como conhecedor das Ciências Jurídicas como avalia a atuação do Judiciário
brasileiro, especialmente na sua história mais recentes?
SG
- O Poder Judiciário é aquele que tem o
direito de errar por último. Como de resto é integrado por seres humanos e
muito longe da perfeição almejada por alguns. É uma característica humana
buscar perfeição nos outros e ou encontrar os defeitos dos outros enquanto
abana o rabo espalhando cinza. A politização agrava essas circunstancias,
porque ela vive desse confronto com o adversário, mas as instituições não podem
estar nesse jogo porque estas realmente estão acima de nós. A desmoralização de
qualquer dos poderes de republica só interessa aos que não querem democracia.
Assim começam as ditaduras e os exemplos estão muito recentes. Esse discurso
contra o STF, em especial porque estaria a atentar contra a liberdade de alguns
fazerem o que quiserem faz parte de uma ação politica conservadora e
antidemocrática que esta estabelecida no país sob o comando do presidente da
república que é um vírus a corromper os pilares democráticos todos os dias. O
STF pode errar e até admito que algumas vezes mostre mais “poder" do que
deveria, mas atentem para o contexto nacional de exercício de poder das
instituições e órgãos. O presidente da República já cometeu uma dezena de
crimes e não tem dia que não cometa uma atrocidade política e social. A Polícia
Federal sendo usado como se fosse uma milícia presidencial. Advocacia Geral da
União parece um escritório de advogados para servir amigos e família. O
Procurador Geral da República perdeu a vergonha e desmoraliza seu órgão todos
os dias. O Presidente do Senado e o Presidente da Câmara fazem o que bem
entendem, inclusive um conluio criminoso das emendas secretas. Os militares na
volta do presidente e bem remunerados desfilando de pijamas e ameaçando vez que
outra a democracia, sustentam as bizarrices do governo. Os ministros do
Bolsonaro competem para ver que pratica o ato mais estupido do mês. O Bolsonaro
conseguiu achar um negro que não gosta de negro; um médico que esqueceu a
medicina; um ministro da educação que deseduca e ainda tem a família do rei
envolvida, inclusive ele em acusações de pratica de crimes que andam tropeçando
para ficar em pé. Toda essa cadeia de fatos da politica e da vida que rondam o
governo desemboca no judiciário porque outros sistemas de controle estão
engolidos. E vejam como tem politica nessas ações. O presidente diz que tem
hoje 20% do STF, ou seja, se tivesse 100% nos já estaríamos dançando no
autoritarismo que defende. O STF não presta para alguns porque tem sido uma
retranca a favor da democracia brasileira ameaçada permanentemente por uma
horda de insensatez e insensibilidade que assusta. O STF hoje é o garante da
democracia no pais e exercendo papel que não deveria ser exclusivamente seu,
poderá por vezes ter que mostrar “poder” que não precisaria em dias de
normalidade.
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