sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

ENTREVISTA: Luciane Bidinoto Silva

 

 


Secretária diz que há urgência

na qualificação da mão de obra

 

Luciane Bidinoto 'com Getúlio

Vargas', criador do antigo PTB.


Como  educadora, agente política e atual secretária municipal de Desenvolvimento Social, Luciane Bidinoto Silva, 44 anos, vê uma ação como urgente em São Borja: qualificar a  mão de obra, para que vença as dependências e as vulnerabilidades. Destaca que, mesmo na pandemia, cursos profissionalizantes foram ministrados em regime de parceria.  Também confirma a futura ativação pela Prefeitura do Centro Municipal de Formação Profissional.  Hortas e pomares pela cidade? Sim, mas dependem de gente que os assumam.   

Luciane é licenciada em Educação Física, pós-graduada em Treinamento Desportivo e Gestão e também tem formação de Mestrado em Educação.  Da paixão pelo esporte, surgiu a

Associação de Corredores de Rua Samborjense (Ascors), em 2011. É a atual  presidente da entidade. Ela ministra  treinos gratuitos, três  vezes por semana.

Na área educacional, já foi diretora de Escola Estadual de Ensino Fundamental por duas gestões: 2012-2015 e 2016-2018. Na Secretaria Municipal de Educação, atuou como coordenadora de Projetos Especiais e Captação de Recursos Federais,  de janeiro de 2019 a maio de 2020.  Ainda em 2020, foi confirmada nas urnas como vereadora suplente pelo PTB. Como titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), assumiu em março de 2021.

Entre os eventos marcantes na trajetória,  Luciane cita a participação na Conferência Nacional de Educação,  em Brasilia. No  esporte indica como marco relevante ter concluído três maratonas (de 42 quilômetros). Outro ápice foi  ter asssumido interinamente a Câmara de Vereadores em São Borja.

“A persistência é o passo mais sólido para o sucesso. Vivo com muita intensidade todas essas atividades, dedicando-me a cada uma com muito amor e carinho. Amo o que faço” - ressalta. O  esposo, Evanilson Maciel Liscano, “é meu companheiro e grande  motivador”. Esão  casados há 16 anos, “construindo uma relação de respeito e parceria”. O esporte é permanente motivação para superar os próprios limites.  Na política, a meta é se eleger vereadora no próximo pleito municvipal, “porque a população busca por quem luta pelo bem comum.  “

 

 

Alberi Cogo -        Ao natural, a sua Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social já é uma pasta que tem de lidar com muitas dificuldades –  recursos sempre escassos e demandas invariavelmente crescentes. Veio a pandemia, aumentando as carências e ampliando as vulnerabilidades. Nessa conjuntura, o que tem sido possível fazer, secretária?

Luciane Bidinoto - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social buscou sempre parcerias e, nesse tempo em que a pandemia  aumentou a demanda, conseguimos recursos com o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Uruguaiana e ainda doações de mais de quatro toneladas de alimentos da rede Grazziotin. Também  a campanha da Vacina Solidaria nos gerou a possibilidade de oferecermos 2.000 refeições por semana. A Prefeitura Municipal faz sua parte, adquirindo com recurso proprios uma media de 500 cestas básicas por mês para serem distribuidas às familias vulneráveis e com cadastros Cadúnico e nos CRAS (Centros de Referência em Assistência Social).

 

AC - Sabe-se que o orçamento próprio da administração municipal é sempre um cobertor curto de recursos. Notam-se também campanhas de apoio na comunidade. Da União e do Estado, por exemplo, têm vindo alguma ajuda?

LB - Infelizmente, neste ano de 2020 o recurso federal diminuiu o montante repassado.

 

AC - Bolsa Família, Auxílio Brasil e auxílio emergencial são, em dado momento, solução para garantir renda mínima. São ações, porém, que, a partir de dado momento, precisam impulsionar programas de geração e de emancipação financeira. A senhora acha isso possível?  Ou continuarão as políticas assistencialistas e populistas de sempre?

LB - Acredito que para que haja uma mudança de enfrentamento  precisamos qualificar mais; olhar para o mercado de trabalho, onde existem vagas disponíveis. É preciso qualificar as pessoas,  para que possam ocupar essas vagas. A admistração municipal proporcionará a implementação de um Centro Municipal de Formação Profissional,  que buscará parceria com a iniciativa privada.  Esta  busca mão de obra qualificada. Portanto, uma troca onde os dois lados ganham.

 

AC -       No plano local, que ações de geração de renda a sua secretaria tem conseguido implementar, apesar da pandemia?

LB - Conseguimos realizar até agora quatro cursos de Padaria e Confeitaria para 40 mulheres, em parceria com o Senar.  Também  tivemos curso de Gestão Rural e de Informatica na comunidade de  Ivai. Do mesmo modo, oferecemos , Informatica Básica no assentamento Cambochin e Informatica Básica na SMDS. Através de parceria com FGTS/Sine e o Senac  ministramos curso para uma turma sobre   “como vender nos dias atuais”. Diante de todas as dificuldades, estamos oferecendo oportunidades.

 

AC -       Existe uma ideia relativamente antiga de implementar um programa de hortas e pomares em terrenos baldio e, em áreas mais amplas, um projeto coletivo, comunitário. Isso é possível? Quem sabe diminuindo  IPTU?

LB - A grande dificuldade são pessoas que queiram se comprometer com esse trabalho e toda a manutenção que a ação demanda.

 

AC -       Como apoio das universidades, especialmente o IFFar, a administração municipal tem, em tese, a perspectiva de colocar em prática um programa para aproveitar adequadamente os alimentos e, a partir daí, gerar renda. Isso é viável?

LB - Acredito que sim. É viável. Em 2022 retomaremos o dialogo com as universidades

 

AC -       Tem muita gente querendo prestadores de serviços na área de construção civil, por exemplo, mas nem sempre esses profisssionais são encontrados no nível pretendido. Havia a intenção, através da SMDS, de criar uma espécie de cooperativa desses prestadores de serviço. Como vê a ideia, secretária? É muito difícil?

LB - Com a implantação do Centro Municipal Profissionalizante, setores  como a construção civil poderão ser parceiros para a formação de mão de obra qualificada. Quanto à formação de cooperativas, buscaremos orientação de como proceder o registro. O caminho mais curto normalmente são as MEIs (microempresas individuais), reunindo pequenos grupos.

 

AC -       Temos números ou outros indicadores mostrando os estragos sociais acarretados pela pandemia em São Borja?

 LB - Na SMDS temos a constatação do aumento considerável da busca por beneficio eventual (como cesta básica). Essa procura aumentou em 50 por cento.

 

AC -       Vamos abrir um espaço para a entrevistada falar sobre os méritos e conquistas da educadora física e maratonista de tantas jornadas vitoriosas. Qual é a receita básica para estar correndo em toda a parte e com tanta vitalidade?

LB - A corrida é muito apaixonante. O  segredo é a persistência e o desafio constante. Nos confrontamos com os nossos limites e sempre estamos em busca de superá-los. É uma motivação para a vida.  Durante a corrida, bate o cansaço e até mesmo a vontade de desistir, mas daí vemos tudo que já percorremos e que vale o esforço para ultrapassar a linha de chegada.

 

AC - E quais são os planos políticos de Luciane Bidinoto?

 LB - Estou me preparando para concorrer novamente a vereadora em 2024. A primeira tentativa serviu como base e experiência para a próxima. Sei que posso contribuir com minha disposição e vontade, contribuir como o nosso município e com a nossa população. Ela precisa de pessoas empenhadas em buscar o bem comum.

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