Secretária
diz que há urgência
na
qualificação da mão de obra
Como educadora, agente política e atual secretária
municipal de Desenvolvimento Social, Luciane Bidinoto Silva, 44 anos, vê uma
ação como urgente em São Borja: qualificar a mão de obra, para que vença as dependências e
as vulnerabilidades. Destaca que, mesmo na pandemia, cursos profissionalizantes
foram ministrados em regime de parceria. Também confirma a futura ativação pela Prefeitura
do Centro Municipal de Formação Profissional. Hortas e pomares pela cidade? Sim, mas dependem
de gente que os assumam.
Luciane é licenciada
em Educação Física, pós-graduada em Treinamento Desportivo e Gestão e também
tem formação de Mestrado em Educação. Da
paixão pelo esporte, surgiu a
Associação
de Corredores de Rua Samborjense (Ascors), em 2011. É a atual presidente da entidade. Ela ministra treinos gratuitos, três vezes por semana.
Na área
educacional, já foi diretora de Escola Estadual de Ensino Fundamental por duas gestões:
2012-2015 e 2016-2018. Na Secretaria Municipal de Educação, atuou como coordenadora
de Projetos Especiais e Captação de Recursos Federais, de janeiro de 2019 a maio de 2020. Ainda em 2020, foi confirmada nas urnas como vereadora
suplente pelo PTB. Como titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Social (SMDS), assumiu em março de 2021.
Entre os eventos
marcantes na trajetória, Luciane cita a participação
na Conferência Nacional de Educação, em Brasilia. No esporte indica como marco relevante ter
concluído três maratonas (de 42 quilômetros). Outro ápice foi ter asssumido interinamente a Câmara de
Vereadores em São Borja.
“A
persistência é o passo mais sólido para o sucesso. Vivo com muita intensidade
todas essas atividades, dedicando-me a cada uma com muito amor e carinho. Amo o
que faço” - ressalta. O esposo,
Evanilson Maciel Liscano, “é meu companheiro e grande motivador”. Esão casados há 16 anos, “construindo uma relação
de respeito e parceria”. O esporte é permanente motivação para superar os
próprios limites. Na política, a meta é
se eleger vereadora no próximo pleito municvipal, “porque a população busca por
quem luta pelo bem comum. “
Alberi Cogo - Ao natural, a sua Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Social já é uma pasta que tem de lidar com muitas dificuldades – recursos sempre escassos e demandas
invariavelmente crescentes. Veio a pandemia, aumentando as carências e
ampliando as vulnerabilidades. Nessa conjuntura, o que tem sido possível fazer,
secretária?
Luciane Bidinoto - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento
Social buscou sempre parcerias e, nesse tempo em que a pandemia aumentou a demanda, conseguimos recursos com o
Ministério Público do Trabalho (MPT) de Uruguaiana e ainda doações de mais de quatro
toneladas de alimentos da rede Grazziotin. Também a campanha da Vacina Solidaria nos gerou a
possibilidade de oferecermos 2.000 refeições por semana. A Prefeitura Municipal
faz sua parte, adquirindo com recurso proprios uma media de 500 cestas básicas por
mês para serem distribuidas às familias vulneráveis e com cadastros Cadúnico e nos
CRAS (Centros de Referência em Assistência Social).
AC - Sabe-se que o orçamento próprio da
administração municipal é sempre um cobertor curto de recursos. Notam-se também
campanhas de apoio na comunidade. Da União e do Estado, por exemplo, têm vindo alguma ajuda?
LB - Infelizmente, neste ano de 2020 o
recurso federal diminuiu o montante repassado.
AC - Bolsa Família, Auxílio Brasil e auxílio
emergencial são, em dado momento, solução para garantir renda mínima. São
ações, porém, que, a partir de dado momento, precisam impulsionar programas de
geração e de emancipação financeira. A senhora acha isso possível? Ou continuarão as políticas assistencialistas
e populistas de sempre?
LB - Acredito que para que haja uma mudança
de enfrentamento precisamos qualificar
mais; olhar para o mercado de trabalho, onde existem vagas disponíveis. É
preciso qualificar as pessoas, para que
possam ocupar essas vagas. A admistração municipal proporcionará a
implementação de um Centro Municipal de Formação Profissional, que buscará parceria com a iniciativa privada. Esta busca mão de obra qualificada. Portanto, uma
troca onde os dois lados ganham.
AC - No
plano local, que ações de geração de renda a sua secretaria tem conseguido
implementar, apesar da pandemia?
LB - Conseguimos realizar até agora quatro
cursos de Padaria e Confeitaria para 40 mulheres, em parceria com o Senar. Também tivemos curso de Gestão Rural e de Informatica
na comunidade de Ivai. Do mesmo modo,
oferecemos , Informatica Básica no assentamento Cambochin e Informatica Básica
na SMDS. Através de parceria com FGTS/Sine e o Senac ministramos curso para uma turma sobre “como
vender nos dias atuais”. Diante de todas as dificuldades, estamos oferecendo
oportunidades.
AC - Existe
uma ideia relativamente antiga de implementar um programa de hortas e pomares
em terrenos baldio e, em áreas mais amplas, um projeto coletivo, comunitário.
Isso é possível? Quem sabe diminuindo
IPTU?
LB - A grande dificuldade são pessoas que
queiram se comprometer com esse trabalho e toda a manutenção que a ação demanda.
AC - Como
apoio das universidades, especialmente o IFFar, a administração municipal tem,
em tese, a perspectiva de colocar em prática um programa para aproveitar
adequadamente os alimentos e, a partir daí, gerar renda. Isso é viável?
LB - Acredito que sim. É viável. Em 2022
retomaremos o dialogo com as universidades
AC - Tem
muita gente querendo prestadores de serviços na área de construção civil, por
exemplo, mas nem sempre esses profisssionais são encontrados no nível
pretendido. Havia a intenção, através da SMDS, de criar uma espécie de
cooperativa desses prestadores de serviço. Como vê a ideia, secretária? É muito
difícil?
LB - Com a implantação do Centro Municipal Profissionalizante,
setores como a construção civil poderão
ser parceiros para a formação de mão de obra qualificada. Quanto à formação de
cooperativas, buscaremos orientação de como proceder o registro. O caminho mais
curto normalmente são as MEIs (microempresas individuais), reunindo pequenos
grupos.
AC - Temos
números ou outros indicadores mostrando os estragos sociais acarretados pela
pandemia em São Borja?
LB - Na
SMDS temos a constatação do aumento considerável da busca por beneficio
eventual (como cesta básica). Essa procura aumentou em 50 por cento.
AC - Vamos
abrir um espaço para a entrevistada falar sobre os méritos e conquistas da
educadora física e maratonista de tantas jornadas vitoriosas. Qual é a receita
básica para estar correndo em toda a parte e com tanta vitalidade?
LB - A corrida é muito apaixonante. O segredo é a persistência e o desafio
constante. Nos confrontamos com os nossos limites e sempre estamos em busca de
superá-los. É uma motivação para a vida.
Durante a corrida, bate o cansaço e até mesmo a vontade de desistir, mas
daí vemos tudo que já percorremos e que vale o esforço para ultrapassar a linha
de chegada.
AC - E quais são os planos políticos de
Luciane Bidinoto?
LB - Estou me
preparando para concorrer novamente a vereadora em 2024. A primeira tentativa
serviu como base e experiência para a próxima. Sei que posso contribuir com
minha disposição e vontade, contribuir como o nosso município e com a nossa
população. Ela precisa de pessoas empenhadas em buscar o bem comum.
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