quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

ENTREVISTA: Eduardo Moreira Belmonte

 

A história da cidade

na ‘ponta da língua’

 



Eduardo Belmonte: tenho material para
um livro, mas meu negócio é ser repórter


Ele tem a energia e a agilidade de um guri, apesar dos seus 56 anos de idade. Como repórter de rádio, ele faz de tudo: do esporte à política, do cotidiano da cidade à rotina policial. E sempre pilotando a sua ‘motinha’, está em todos os lugares e a qualquer hora. Os mais íntimos o chamam de “Bel”. Ele é Eduardo Moreira Belmonte, nascido em Palermo, interior de São Borja, em 13 de outubro de 1965.

Na sua eclética e rica trajetória já mostrou talentos para múltiplas atividades, mas é o rádio a sua grande paixão. Com vários cursos de Eletrônica, sabe que, no setor, ganharia mais dinheiro. Entretanto, o permanente operário do rádio  – com a história de São Borja na ‘ponta da língua’ e uma memória privilegiada – já tomou uma decisão: não deixará de ser repórter.

 Rita de Cácia Ramos é a esposa de Belmonte. O casal tem duas filhas - Ritieli Ramos Belmonte (jornalista) e Adriane Ramos Belmonte (acadêmica de Educação Física na PUCRS). O hoje ‘Repórter Rota’ fez o Ensino Fundamental  no Colégio Apparício Mariense da Silva e  depois cursou o Ginásio Agrícola na antiga escola  Viriato Vargas (Gavivar). Já o  Ensino Médio fez no Colégio Estadual de São Borja, o CESB. Em 13 de novembro de 2006, por indicação do vereador Gilberto de Oliveira Souza e aprovação unânime dos demais parlamentares, ele recebeu o título de São-borjense Ilustre. Um reconhecimento pelo que faz pela cidade.



 Câmara concede a Belmonte título de São-borjense
Ilustre, um reconhecimento às suas contribuições.

 

O seu currículo inclui diversos afazeres profissionais. Um  deles o de comerciário, na Sapataria Dinis. Depois, seguido no ramo, atuou na loja Obino em  Itaqui. Voltando para São Borja, trabalhou no Hotel Charrua, bem como na empresa Vitória Matter. Teve ainda desempenho no serviço público, na Prefeitura Municipal de São Borja, na gestão do então prefeito  Paulo Baron Maurer.

Aos poucos, contudo, começou a materializar o maior sonho - o de ser radialista. Nas décadas de 1980 e 1990, na companhia de Jeovane Contreira, apresentaram o programa ‘A voz do Tiro’, da Associação de Moradores do Bairro do Tiro. Ia ao ar nas tardes de sábado através da Rádio Cultura AM.

 

Paixão vira profissão

 

Sempre fascinado pelo magnetismo do rádio, a saga vitoriosa na área recém estava começando. Em 1999, na gestão Paulo Maurer na Prefeitura, Belmonte foi  convidado pelo presidente do Conselho Municipal de Desportos (CMD), Paulo César Ferriche Paz, para  apresentar um programa esportivo. A experiência se deu na companhia do Jorge Santa Maria e ainda com participação de Alberi Dias, na Rádio Cultura AM.



Na exumação dos restos mortais de 
João Goulart, o ministro Tarso Genro.

 

Nesse período, a direção da emissora estava selecionando narradores esportivos e então  o jovem Eduardo Belmonte foi  apresentado por Jeovane Contreira ao diretor da rádio,  Roque Andres. “Ele ouviu uma gravação minha e, de imediato, já fui integrado à equipe de Esportes da Cultura.” Atuavam também Íbaro Rodrigues, Adão Vitorino, Luthero do Carmo e Paulo Corrêa.

Belmonte conta que “em 2001 aceitei o convite do Íbaro Rodrigues para desempenhar atividades na rádio comunitária Butuí FM. Inaugurada no dia 1° de agosto de 2001, a emissora teve a minha voz como repórter entrevistando o então José Pereira Alvarez. No estúdio, ancorando a programação, um dos ícones do rádio gaúcho e brasileiro -  Nelson de Oliveira. Paulo César Cardial operava a mesa de áudio.

 

Uma nova migração


“Em novembro de 2001 fui convidado pelo saudoso Roque Andres e pelo Deco Almeida  para o desafio de desenvolver o projeto "Repórter Prato Fino" numa parceria com o colega João Paulo Brum. A parceria deu certo, tanto assim que durou até 2019”, detalha.


       
Equipe Cultura de Esportes, uma das
várias paixões de Eduardo Belmonte.

Depois dessa fase, Eduardo Belmonte foi convidado para um outro desafio -  o do projeto "Repórter Rota Smart". A saga de narrar a crônica policial cotidiana permanece na rotina dos são-borjenses até agora.

A grande motivação, conforme o repórter, “é levar meu trabalho às pessoas,  que acompanham as minhas reportagens policiais nas rádios Cultura AM e Fronteira FM”. As redes sociais complementam o trabalho.  Belmonte não esconde o orgulho de trabalhar   no rádio e, em particular, nos veículos da Empresa Samborjense de Comunicações (ESBC). “É a minha segunda casa, a minha segunda família”, ressalta.

 

Cobertura geral

 

Têm sido muitos os momentos e eventos históricos acompanhados pelo experiente e atento repórter. Na área policial, destaca como exemplos,  em janeiro 2002, a  prisão realizada pela Brigada Militar de "Toco" que, na época, era considerado pela polícia como “homem perigoso”. Outro fato  marcante foi o assassinato da empresária Sônia Kaled, que consternou toda a comunidade de São Borja.



A última visita de Leonel Brizola a São Borja.
Atendendo a seu desejo, foi sepultado na cidade.

“No futsal presenciei grandes momentos do Culturão e da Serade”, lembra. No futebol as reportagens contaram grandes jogos da Sociedade Esportiva São Borja, um deles conquistando, em Pelotas, o acesso para a 2ª Divisão do futebol gaúcho.

Na área da cultura religiosa, Belmonte conta que acompanhou o retorno da imagem de São Francisco, que estava no Paraguai. Foi no dia 1° de maio de 2010. A peça histórica foi recolocada na igreja matriz da cidade e do padroeiro. 

No campo  político  Eduardo Belmonte destaca a cobertura no velório e sepultamento do ex-governador Leonel de Moura Brizola. As atenções de todo o  Brasil se voltaram para São Borja, lembra. A  Rádio Cultura fez toda a transmissão do acontecimento histórico.

Assim foi também com a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart. Antes, outro evento histórico foi a transferência dos restos mortais do presidente Getúlio Vargas do cemitério Jardim da Paz para mausoléu na praça XV de Novembro.

 

Outros fatos marcantes

 

Ganhador do 'Ídolos', Israel Lucero
reuniu multidão na cidade natal.

Na área da Educação a história recente registrada pelo repórter registra os trâmites preliminares, a chegada e depois a inauguração da Unipampa e do Instituto Federal Farroupilha em São Borja. “Tive o privilégio, na companhia do Adriano Zanella, de fazer a transmissão das solenidades inaugurais”, recorda.

Também têm marcados os eventos de transmissão dos concursos regionais de Música para o Carnaval Apparício Silva Rillo, do festival Ronda de São Pedro e da Fenaoeste. “Isso me possibilitou entrevistar   inúmeros cantores e compositores  de expressão nacional que vieram para cidade”. Outro momento inesquecível e que parou São Borja , no dia 11 de outubro de 2010, quando da chegada à  terra natal de Israel Lucero, ganhador na época  do prêmio  Ídolos, da TV Record.

 

 


Zezé de Camargo, ícone do sertanejo nacional, 
em entrevistas exclusiva a Eduardo Belmonte. 


A profissão, o futuro

 

“Há 20 anos o repórter tinha que correr atrás da informação e enfrentava as dificuldades de  comunicação. Lembro que tínhamos que transmitir diariamente boletins para a Rádio Gaúcha no "Chamada Geral." “Hoje com a internet e a notícia em tempo real, tudo é mais rápido, porém é preciso cuidado redobrado na filtragem das informações;  Tem muito fake news” , conta;

“Eu sou radialista e tenho acompanhado o início da caminhada de novos estagiários de Jornalismo.  Certamente, com dedicação e algum tempo, terão um futuro promissor, carreiras brilhantes”, deseja. “Eu tenho vários cursos na área de Eletrônica e, fazendo uma autoavaliação, sei que poderia trabalhar nessa área, que dá muito dinheiro para um bom profissional. Contudo, não conseguiria deixar o rádio”.

Ao longo dos anos confirma ter reunidos muito material – conteúdos em imagens, textos e vídeos -, o  que daria um livro. “Mas o meu negócio é a reportagem. Escrever demanda de mais tempo“.

 

Eduardo Belmonte, Edson Arce e Alberi Cogo,
três colegas que o tempo tornou inseparáveis. 

tr 

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