A história
da cidade
na ‘ponta
da língua’

Eduardo Belmonte: tenho material para
um livro, mas meu negócio é ser repórter
Ele tem a energia e a agilidade de
um guri, apesar dos seus 56 anos de idade. Como repórter de rádio, ele faz de
tudo: do esporte à política, do cotidiano da cidade à rotina policial. E sempre
pilotando a sua ‘motinha’, está em todos os lugares e a qualquer hora. Os mais
íntimos o chamam de “Bel”. Ele é Eduardo Moreira Belmonte, nascido em Palermo,
interior de São Borja, em 13 de outubro de 1965.
Na sua eclética e rica trajetória
já mostrou talentos para múltiplas atividades, mas é o rádio a sua grande paixão.
Com vários cursos de Eletrônica, sabe que, no setor, ganharia mais dinheiro.
Entretanto, o permanente operário do rádio
– com a história de São Borja na ‘ponta da língua’ e uma memória
privilegiada – já tomou uma decisão: não deixará de ser repórter.
Rita de Cácia Ramos é a esposa de Belmonte. O
casal tem duas filhas - Ritieli Ramos Belmonte (jornalista) e Adriane Ramos
Belmonte (acadêmica de Educação Física na PUCRS). O hoje ‘Repórter Rota’ fez o
Ensino Fundamental no Colégio Apparício
Mariense da Silva e depois cursou o
Ginásio Agrícola na antiga escola
Viriato Vargas (Gavivar). Já o Ensino Médio fez no Colégio Estadual de São
Borja, o CESB. Em 13 de novembro de 2006, por indicação do vereador Gilberto de
Oliveira Souza e aprovação unânime dos demais parlamentares, ele recebeu o
título de São-borjense Ilustre. Um reconhecimento pelo que faz pela cidade.

Câmara concede a Belmonte título de São-borjense
Ilustre, um reconhecimento às suas contribuições.
O seu currículo inclui diversos
afazeres profissionais. Um deles o de
comerciário, na Sapataria Dinis. Depois, seguido no ramo, atuou na loja Obino
em Itaqui. Voltando para São Borja,
trabalhou no Hotel Charrua, bem como na empresa Vitória Matter. Teve ainda
desempenho no serviço público, na Prefeitura Municipal de São Borja, na gestão
do então prefeito Paulo Baron Maurer.
Aos poucos, contudo, começou a
materializar o maior sonho - o de ser radialista. Nas décadas de 1980 e 1990,
na companhia de Jeovane Contreira, apresentaram o programa ‘A voz do Tiro’, da
Associação de Moradores do Bairro do Tiro. Ia ao ar nas tardes de sábado
através da Rádio Cultura AM.
Paixão vira profissão
Sempre fascinado pelo magnetismo do
rádio, a saga vitoriosa na área recém estava começando. Em 1999, na gestão
Paulo Maurer na Prefeitura, Belmonte foi
convidado pelo presidente do Conselho Municipal de Desportos (CMD),
Paulo César Ferriche Paz, para
apresentar um programa esportivo. A experiência se deu na companhia do
Jorge Santa Maria e ainda com participação de Alberi Dias, na Rádio Cultura AM.

Na exumação dos restos mortais de
João Goulart, o ministro Tarso Genro.
Nesse período, a direção da emissora estava selecionando narradores esportivos e então o jovem Eduardo Belmonte foi apresentado por Jeovane Contreira ao diretor da rádio, Roque Andres. “Ele ouviu uma gravação minha e, de imediato, já fui integrado à equipe de Esportes da Cultura.” Atuavam também Íbaro Rodrigues, Adão Vitorino, Luthero do Carmo e Paulo Corrêa.
Belmonte conta que “em 2001 aceitei
o convite do Íbaro Rodrigues para desempenhar atividades na rádio comunitária
Butuí FM. Inaugurada no dia 1° de agosto de 2001, a emissora teve a minha voz
como repórter entrevistando o então José Pereira Alvarez. No estúdio, ancorando
a programação, um dos ícones do rádio gaúcho e brasileiro - Nelson de Oliveira. Paulo César Cardial
operava a mesa de áudio.
Uma nova migração
“Em novembro de 2001 fui convidado pelo saudoso Roque Andres e pelo Deco Almeida para o desafio de desenvolver o projeto "Repórter Prato Fino" numa parceria com o colega João Paulo Brum. A parceria deu certo, tanto assim que durou até 2019”, detalha.
Depois dessa fase, Eduardo Belmonte
foi convidado para um outro desafio - o
do projeto "Repórter Rota Smart". A saga de narrar a crônica policial
cotidiana permanece na rotina dos são-borjenses até agora.
A grande motivação, conforme o
repórter, “é levar meu trabalho às pessoas,
que acompanham as minhas reportagens policiais nas rádios Cultura AM e
Fronteira FM”. As redes sociais complementam o trabalho. Belmonte não esconde o orgulho de
trabalhar no rádio e, em particular,
nos veículos da Empresa Samborjense de Comunicações (ESBC). “É a minha segunda
casa, a minha segunda família”, ressalta.
Cobertura geral
Têm sido muitos os momentos e
eventos históricos acompanhados pelo experiente e atento repórter. Na área
policial, destaca como exemplos, em
janeiro 2002, a prisão realizada pela
Brigada Militar de "Toco" que, na época, era considerado pela polícia
como “homem perigoso”. Outro fato
marcante foi o assassinato da empresária Sônia Kaled, que consternou
toda a comunidade de São Borja.
A última visita de Leonel Brizola a São Borja.Atendendo a seu desejo, foi sepultado na cidade.
“No futsal presenciei grandes
momentos do Culturão e da Serade”, lembra. No futebol as reportagens contaram
grandes jogos da Sociedade Esportiva São Borja, um deles conquistando, em
Pelotas, o acesso para a 2ª Divisão do futebol gaúcho.
Na área da cultura religiosa,
Belmonte conta que acompanhou o retorno da imagem de São Francisco, que estava
no Paraguai. Foi no dia 1° de maio de 2010. A peça histórica foi recolocada na
igreja matriz da cidade e do padroeiro.
No campo político
Eduardo Belmonte destaca a cobertura no velório e sepultamento do
ex-governador Leonel de Moura Brizola. As atenções de todo o Brasil se voltaram para São Borja, lembra.
A Rádio Cultura fez toda a transmissão
do acontecimento histórico.
Assim foi também com a exumação dos
restos mortais do ex-presidente João Goulart. Antes, outro evento histórico foi
a transferência dos restos mortais do presidente Getúlio Vargas do cemitério
Jardim da Paz para mausoléu na praça XV de Novembro.
Outros fatos marcantes
Na área da Educação a história recente registrada pelo repórter registra os trâmites preliminares, a chegada e depois a inauguração da Unipampa e do Instituto Federal Farroupilha em São Borja. “Tive o privilégio, na companhia do Adriano Zanella, de fazer a transmissão das solenidades inaugurais”, recorda.
Também têm marcados os eventos de
transmissão dos concursos regionais de Música para o Carnaval Apparício Silva
Rillo, do festival Ronda de São Pedro e da Fenaoeste. “Isso me possibilitou
entrevistar inúmeros cantores e
compositores de expressão nacional que
vieram para cidade”. Outro momento inesquecível e que parou São Borja , no dia
11 de outubro de 2010, quando da chegada à
terra natal de Israel Lucero, ganhador na época do prêmio
Ídolos, da TV Record.
A profissão, o futuro
“Há 20 anos o repórter tinha que
correr atrás da informação e enfrentava as dificuldades de comunicação. Lembro que tínhamos que
transmitir diariamente boletins para a Rádio Gaúcha no "Chamada
Geral." “Hoje com a internet e a notícia em tempo real, tudo é mais
rápido, porém é preciso cuidado redobrado na filtragem das informações; Tem muito fake news” , conta;
“Eu sou radialista e tenho
acompanhado o início da caminhada de novos estagiários de Jornalismo. Certamente, com dedicação e algum tempo,
terão um futuro promissor, carreiras brilhantes”, deseja. “Eu tenho vários
cursos na área de Eletrônica e, fazendo uma autoavaliação, sei que poderia
trabalhar nessa área, que dá muito dinheiro para um bom profissional. Contudo, não
conseguiria deixar o rádio”.
Ao longo dos anos confirma ter
reunidos muito material – conteúdos em imagens, textos e vídeos -, o que daria um livro. “Mas o meu negócio é a reportagem.
Escrever demanda de mais tempo“.
Eduardo Belmonte, Edson Arce e Alberi Cogo,três colegas que o tempo tornou inseparáveis.
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