sexta-feira, 29 de abril de 2022

COLHENDO PREJUÍZOS

 

Baque recorde na soja e no milho.

 Agora o trigo, mas com cautelas

 


Agora aposta é no trigo, mas é preciso estar cauteloso.


 

Depois de safras frustradas de soja e de milho, como  consequência dos estragos acarretados  pela seca mais impactante das últimas décadas,  eis que São Borja e o Rio Grande do Sul apostam  suas fichas na futura lavoura trigo. Mesmo que essa cultura de inverno não seja tão expressiva, sinaliza, ainda assim,  a chance de compensar, ao  menos em parte, os muitos prejuízos colhido nas safra de verão. A atividade tritícola vem em expansão, mas analistas e instituições  de assistência técnica como a Emater preferem ser cautelosos.  A combinação entre alto custo de produção e remuneração insuficiente ao produtor acaba não sendo muito animadora.

No ano de 2021, o Rio Grande do Sul cultivou 1.177.487 hectares de trigo, com rendimento médio de 2.893 quilos por hectare.  Já São Borja plantou 20 mil hectares, com produtividade  média de 2.700  quilos por hectare. No ciclo anterior, em 2020, foram 953.832 hectares semeados em território gaúcho e produtividade de 2.297 quilos por hectare. A quebra foi por causa das formações  de geadas.  Em São Borja foram 16 mil hectares plantados e rendimento de 1.500 quilos por hectare, também devido às adversidades climáticas.

 

Otimismo contido

 

 


Decol: Elevação de todos os preços de insumos.



Para o ciclo tritícola de 2022, a projeção é de que o Rio Grande do Sul tenha um incremento significativo da área de trigo semeada, na ordem de um milhão e meio de hectares. Já São Borja – segundo avalia a Emater – deve pelo menos repetir os 20 mil hectares cultivados no ano anterior.

O diretor do escritório da Emater no município, Odacir Decol, observa, porém, que o otimismo e a projeção de incremento têm de ser cautelosos. A cotação para o trigo está boa - em torno de R$ 93 a saca de 60 quilos -, mas a recomendação é de cuidados, porque os custos de produção têm crescido muito. “O cenário  internacional de guerra e o encarecimento de insumos como adubos, ureias e  herbicidas levam o produtor a pensar bem, antes da fazer grandes investimentos,” avalia o técnico da Emater.  Há ainda que considerar a conjuntura e perspectiva do clima.  

Itens como adubos, herbicidas e fungicidas dobraram de preço. Com isso, é preciso produzir pelo menos 35 sacos por hectare, só para cobrir custos. “E nem estamos falando na depreciação das máquinas e de outros custos operacionais”, adverte Decol.

Na região de São Borja, o zoneamento para o trigo é observado de 21 de maio a 31 de julho, considerando as diversas variedades de ciclo precoce, médio e tardio. O representante da

Emater recomenda racionalização na atividades e uma gestão que combine escalonamentos  e manejos  da necessidade efetiva de insumos. “Isso, além de reduzir custos, dá melhor resultados”, orienta. A projeção é de uma produtividade média de 50 sacos ou três mil quilos por hectare.

 

Soja: só um terço

 

No ciclo 2021/22, São Borja semeou 85 mil hectares de soja – 10 mil hectares a mais que no ciclo anterior. O clima seco não permitiu chegar aos 90 mil hectares inicialmente previstos.

Na safra 2020/21, a produtividade média foi de 2.100  quilos ou 35 sacos por hectares. Lavouras produziram bem, mas a estiagem castigou determinadas  regiões do município.



Rendimento médio não deve superar mil kilos por hectare, 30% do normal.

 Já na safra 2021/22, dos 85 mil hectares cultivados, 150% tiveram algum sistema de irrigação.  De toda  a lavoura, atual 40% está colhida, 40% está em fase de maturação e 20%, em enchimento de grão.

Em relação à área irrigada, deve produzir 2.700  quilos por hectares, média, por ter enfrentado algum problema de déficit hídrico, a exemplo do que ocorreu com o  arroz.

No  contexto, a média é de produção, hoje, de 900 quilos ou 15 sacos por hectare. Como as lavouras do tarde serão um pouco melhores, com o retorno das  chuvas, a projeção é de fechar com média final de mil quilos por hectare, 30% do inicialmente previsto.  Há lavouras com perda total, especialmente as mais do cedo.

 

Milho: duplo prejuízo

 

A lavouras de milho do tipo safrinha é praticamente nula, este ano, em São Borja. São registradas apenas  pequenas lavouras de subsistência, pensando na alimentação de aninais. Já em relação à cultura do cedo foram cultivados 10 mil hectares no município – seis mil de sequeiro e quatro mil hectares com sistemas de irrigação.

O milho de sequeiro do cedo foi  atingido em cheio pela falta de chuva, resultando  em rendimento de 10 a 80 sacos por hectare, média de 40 sacos.  Já o milho irrigado produziu até 140 sacos por hectare.

No Rio Grande do Sul   a Secretaria da Agricultura e a  Emater desenvolvem o programa Pró-Milho, destinado a incrementar a produção no setor. Como o Estado não é autossuficiente, a iniciativa é implementar políticas de incentivo, de modo a estimular a expansão de cadeias produtivas como de produção de aves, suínos e produção leiteira.



Safra praticamente nula, mas RS tem programa de apoio ao incremento da produção.


O objetivo é de aumentar a produção do cereal, tornando o Rio Grande do Sul autossuficiente nessa cultura. Um dos motivos para a criação do programa é o fato de que a produção gaúcha ainda não atende à demanda. Além da alimentação humana, o milho é essencial para as cadeias produtivas da proteína animal, como avicultura, suinocultura e bovinocultura de corte e leite.

A produção tem ficado na faixa dos seis milhões de toneladas, mas bastante dependente do clima, e a meta é implementar meios técnicos e de irrigação que enfrentem as adversidades. O milho, hoje, tem reflexos diretos em 10% sobre todo o PIB gaúcho. Mesmo não sendo ainda autossuficiente, o Estado é exportador para 12 países.


A horta reage

 



Ofertas das feiras de produtores já respondem ao retorno das chuvas.

Com o retorno das chuvas, a partir de março, a produção de hortigranjeiros está diretamente beneficiada. Antes, a seca  afetou duramente  o septo. Além da crise hídrica, o forte calor e a ausência de   unidade no ar  afetaram também a  produção hidropônicas, que se utilizam apenas da água.

Agra, porém, produtores e feirante já começam a dar respostas às condições mais favoráveis do clima. Assim, é bem maior a oferta e a variedade hortaliças como rúcula, alface e repolho, por exemplo. Mandioca, abóbora e moranga também aparecem com mais frequência a custos mais acessíveis.  

Odacir Decol ressalta que a  tendência é de que, logo, também apareçam hortigranjeiros de ciclo mais longo, como é o caso de  cenoura, brócolis e couve-flor. Os níveis de produção, produtividades e oferta de produtos ao longo do ano estão diretamente ligados aos padrões tecnológicos e recursos operacionais de manejo utilizados. A atividade é basicamente mantida pela agricultura ou a agroindústria familiar.



Investimento em tecnologia é garantia de maior produtividade.


Após recesso no início do ano, foi retomada a realização da Feira Agroindústria Familiar, no Parque de Exposições Serafim Dornelles Vargas. É uma ação que normalmente reúne mais de uma dezena de produtores-feirantes, no pavilhão da Acisb no parque. Trata-se de evento promovido pela Associação Comercial e Industrial de São Borja em parceria com a Emater, contando com apoio da Prefeitura.

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